Saúde
Maranhão
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Maranhão | |
|---|---|
| Hino: Hino do Maranhão | |
| Gentílico: Maranhense | |
| Localização | |
| • Região | Nordeste |
| • Estados limítrofes | Piauí (leste), Tocantins (sudoeste) e Pará (oeste) |
| • Regiões intermediárias | 5 |
| • Regiões imediatas | 22 |
| • Municípios | 217 |
| Capital | São Luís |
| Governo | |
| • Governador(a) | Carlos Brandão (sem partido) |
| • Vice-governador(a) | Felipe Camarão (PT) |
| • Deputados federais | 18 |
| • Deputados estaduais | 42 |
| • Senadores | Ana Paula Lobato (PDT) Eliziane Gama (PT) Weverton (PDT) |
| Área | |
| • Área total | 329 651,496 km² (8º)[1] |
| População | 2024 |
| • Estimativa | 7 010 960 hab. (12º)[2] |
| • Censo 2022 | 6 776 699 hab. (12º)[3] |
| • Densidade | 21,27 hab./km² (17º) |
| Economia | 2023[4] |
| • PIB total | R$ 149.227.195 (17º) |
| • PIB per capita | R$ 20.663 (27º) |
| Indicadores | 2024[5][6][7] |
| • Esperança de vida (2023) | 75,62 anos (21º) |
| • Mortalidade infantil (2022) | 15,32‰ nasc. (20º) |
| • Alfabetização (2022) | 88,5% (24º) |
| • IDH (2024) | 0,745 (27º) – alto [8] |
| Fuso horário | UTC−3, America/Fortaleza |
| Clima | tropicalAf/Aw |
| Cód. ISO 3166-2 | BR-MA |
| Website | https://www.ma.gov.br/ |
O Maranhão é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Encontra-se situado a oeste da região Nordeste. Possui como limites: ao norte, com o oceano Atlântico. A leste, com o Piauí. Ao sul e a sudoeste, com o Tocantins. E a oeste, com o Pará. Abriga uma superfície de 331 937,450 km², com cerca de sete milhões de moradores. São Luís é a capital. Conta com 217 municípios. São Luís, Imperatriz, São José de Ribamar, Timon, Caxias, Paço do Lumiar, Codó, Bacabal e Açailândia são as principais cidades.[9]
Com altitudes baixas e topografia média, possui um relevo moderado, com mais de 90% da área aquém dos 300 metros. Os rios mais importantes são: Gurupi, Tocantins, Mearim, Pindaré, Parnaíba, Itapecuru e Turiaçu. Sua economia está alicerçada em cinco setores. São eles: na indústria (beneficiamento de alumínio e alumina, madeireira, alimentícia), de serviços, extrativismo (babaçu), agricultura (milho, arroz, mandioca) e pecuária.[9]
D. João III concedeu a região do Maranhão, subdividida em duas capitanias, para Aires da Cunha e Fernando Álvares de Andrade, em 1535. A partir de então, até a instalação dos franceses em 1612 (França Equinocial), Portugal não ficou sabendo da região. Em 1615, os portugueses, chefiados por Jerônimo de Albuquerque, repeliram os franceses e, em 1621, fundaram o Estado do Maranhão e do Grão-Pará. Em 1641, os holandeses invadiram a ilha de São Luís, de onde foram desalojados em 1644. A partir daí, firmou-se o domínio português. Em 1772, houve o desmembramento entre Maranhão e Grão-Pará.[9]
O reconhecimento da independência ocorreu somente em 1823, devido à intensa pressão de Portugal. E depois da intercessão do almirante Cochrane, a pedido de D. Pedro I. Em 1831, eclodiu a Setembrada, que defendia o despejo dos frades franciscanos e dos portugueses, e, em 1838, a Balaiada, uma insurreição popular contrária à aristocracia rural. A economia entrou em declínio com a abolição da escravatura, só chegando a se restabelecer no decorrer da Primeira Guerra Mundial.[9]
Etimologia
Os tupinambás povoavam primeiramente a região, estes se achavam herdeiros do grande ancestral e herói “Maíra”, dessa forma o topônimo “Mairi”, empregado para representar o território tupinambá (hoje estados brasileiros do Maranhão, Pará e Amapá), com procedência no nheengatu, quereria dizer inicialmente a “terra dos filhos de Maíra” ou “território de Maíra”.[10] Mas esta divindade foi relacionada aos “homens brancos” e, em especial, aos navegantes gauleses, denominados de “Maíras”[11] ou “Mair”, e assim a região de “Mairi” começou a representar o “local dos franceses”.[10]
Segundo o historiador Francisco de Assis Barbosa, uma das várias etimologias propostas é o tupi-guarani para, “mar”, na, ana, “parecido”, e nhã, “partir, dirigir-se, descer”. Ou seja, o rio Marañón (“caju” em espanhol) era similar a um oceano que desce. Conforme o filólogo, linguista e lexicógrafo Antenor Nascentes, são inúmeras as etimologias sugeridas, todas elas não apropriadas e presume:[12][13][14][15]
| “ | A questão, apesar de todos esses esforços, continua sem solução. O nome do rio passou ao Estado do Maranhão (1621), que abrangia as capitanias do Pará e do Ceará, à província (1822) e, finalmente, ao Estado federativo (1889). | ” |
— Antenor Nascentes (1952), Dicionário etimológico da língua portuguesa, t. II, pp. 190–191. | ||
Os naturais do estado do Maranhão são denominados maranhenses.[16] Segundo o Dicionário Houaiss, o substantivo português maranhão também pode ser sinônimo de “ampla falsidade ou mexerico”.[17]
Em 1615, o jesuíta Padre Manuel Gomes afirmou que a designação do Rio Maranhão procedeu da denominação de Antônio Maranhon, navegador espanhol. Ele assegura ainda que era cognominado de Rio Orellana, em homenagem a Francisco Orellana, outro navegador espanhol, além de Rio Amazonas, por atravessar as terras das amazonas.[18]
No ano de 1720, o jesuíta Domingos de Araújo escreveu o livro “Crônica da Companhia de Jesus da Missão do Maranhão”. Ele afirmou nesta obra que a designação foi concedida por uma expedição mandada pelo navegador português, Cristóvão Jaques. Quando viu o rio Amazonas, referiu-se à região como “Maranhão” (grande mar).[19]
No contexto histórico brasileiro, a mais antiga referência à região do Maranhão aconteceu na época antes da fundação das capitanias hereditárias, denominada de Conquista do Maranhão.[20] Depois foram fundadas ambas as seções da Capitania do Maranhão, no ano de 1534.[21][22]
História
Período pré-cabralino

Os indícios mais remotos da ocupação humana no espaço maranhense remontam a cerca de 9 mil anos. Nos primeiros séculos de povoamento humano, a área interiorana do Maranhão era habitada por agrupamentos de caçadores e coletores, enquanto a faixa litorânea era ocupada pelos sambaquieiros e também por caçadores e coletores.[23]
Quando se iniciou a dominação europeia, o território maranhense era povoado por variadas etnias indígenas, como os tupinambás, tremembés, amanaiés, guajajaras, timbiras, gamelas e barbados, que foram vítimas de um extermínio durante a colonização, fazendo com que muitas nações desaparecessem.[24] Nos séculos XVII e XVIII, com a colonização do Piauí, diversas tribos que habitavam aquela região deslocaram-se para o interior maranhense.[25] Na atualidade, residem em áreas maranhenses as seguintes comunidades indígenas: guajajaras, guajás, caapores, tembés e timbiras (canelas, cricatis, gavião do Oeste e pucobié-gavião).[24]
Primeiras expedições exploradoras
O primeiro europeu a desbravar o litoral maranhense teria sido o português Duarte Pacheco Pereira, em 1498, não havendo informações se ele teria desembarcado. Em 1500, o navegador espanhol Vicente Yáñez Pinzón explorou todo o litoral setentrional brasileiro, entre Pernambuco e o delta do Amazonas. Desde 1524, a costa maranhense foi movimentada ilegalmente pelos franceses.[26][27][28][29]

Em 1531, Martim Afonso de Sousa exigiu que Diogo Leite desbravasse o litoral setentrional brasileiro. Ele veio para a embocadura do rio Gurupi, onde é hoje a divisa entre Maranhão e Pará. Na divisão da América em capitanias hereditárias, em 1534, o Maranhão foi fragmentado em dois quinhões. Um era concedido para Fernando Álvares de Andrade e outro para João de Barros e Aires da Cunha. A expedição organizada pelos três donatários em 1535, para começar a conquistar e povoar suas terras, fracassou, em um naufrágio próximo à ilha de Upaon-Açu. Em função disso, a capitania foi entregue para o monarca.[27][28][22][21][29]
Período colonial
Em meados do século XVI, os franceses frequentaram o litoral do Maranhão e tentaram a colonização da região em 1612, ao criar a França Equinocial e fundar a cidade de São Luís, assim batizada em homenagem ao rei Luís XIII da França. No ano de 1615, o exército de Portugal derrotou essa colônia e, anos mais tarde, a chegada de portugueses vindos dos Açores fortaleceu finalmente o domínio português.[27][28][29]
Desde então, em função do grande desenvolvimento da região e dos desafios de conexão em relação ao resto do Estado do Brasil, em 1621, o então Estado do Maranhão foi criado pelos lusitanos, sendo subordinado diretamente ao Reino de Portugal, liderados pelo militar Jerônimo de Albuquerque, que desalojaram os franceses, com seu território se estendendo do Ceará até o Amazonas. Foi desmembrado do Estado do Brasil e pertencia diretamente ao Reino de Portugal.[30][31][32][33]

Em 1641, os neerlandeses ocuparam a cidade de São Luís e, três anos mais tarde, se renderam aos portugueses. Os luso-brasileiros prosseguiram na conquista da costa do Maranhão, com a fundação da vila de Alcântara, em 1648, e a expansão, desde São Luís, da colonização por meio dos vales dos rios Mearim e Itapecuru. Em 1682, o Reino de Portugal fundou a Companhia de Comércio do Maranhão. O fracasso desta empresa comercial conduziu os povoadores à denominada revolta de Beckman, em 1684, vencida um ano depois.[27][28][29]
Em 1654, devido ao progresso de Belém, foi criado o Estado do Maranhão e Grão-Pará em 1654.[34][35][36][37]

Em 1751, o Estado do Maranhão e Grão-Pará passou a se chamar Estado do Grão-Pará e Maranhão, com capital transferida de São Luís para Belém em 1737, devido ao crescimento econômico com a produção de açúcar, algodão, tabaco e das drogas do sertão (sobretudo na capitania do Pará).[38]
Em 1755, foi criada a Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão, a qual deveria garantir a vinda de escravizados africanos para a colônia, com monopólio da navegação e comércio exterior, além de fornecer crédito para os produtores locais e a introdução de melhores técnicas agrícolas. O crescimento econômico intensificou as disputas pela exploração e comércio das drogas, que levaram em 1759 a expulsão dos jesuítas, que controlavam estas atividades.[38]
Em meados do século XVIII, floresceu no Maranhão a cultura do algodão, produto em demanda por causa da Revolução Industrial, mas também houve o cultivo de arroz. Para trabalhar nessas lavouras, foi trazido um grande número de africanos escravizados.[27][28][29]
Em 1772, o Estado do Maranhão foi dividido nos estados do Maranhão e Piauí e Grão-Pará e Rio Negro.[38][39][40]
Em 1780, o algodão representava cerca de 24% das exportações brasileira, enquanto o açúcar respondia por cerca de 34%, diante da Guerra de Independência Americana e a crescente demanda por algodão na indústria têxtil inglesa. Em 1818, a economia maranhense atingiu um milhão de libras e movimentou 155 navios, sendo a quarta maior economia brasileira. Nesse período, São Luís era a quarta cidade mais populosa no Brasil. O apogeu econômico deste período pode ser representado com a construção dos casarões do Centro Histórico de São Luís e de Alcântara. O algodão representava cerca entre 73% e 82% das exportações do Maranhão no final do século XVIII e início do século XIX.[41]
Independência e Império
Inicialmente, o Maranhão não aderiu imediatamente à Independência do Brasil, por ter mais relações comerciais com Lisboa do que com o Rio de Janeiro. A aristocracia rural do interior maranhense aderiu primeiro às ideias independentistas e articulou um movimento para isolar São Luís, que era contrária à Independência. Com a ajuda de tropas mercenárias, lideradas pelo Lord Cochrane, o Maranhão aderiu à independência do Brasil em 28 de julho de 1823, quase 11 meses após o Grito do Ipiranga.[42][43][44][29]
Em 1824, os chefes cearenses da Confederação do Equador, que se encontravam no Maranhão com as tropas expedicionárias, fundamentais no processo da independência, mandaram emissários aos maranhenses, na certeza de que seu liberalismo os motivasse a fazer parte da revolta. Em 1829, foram reconhecidas declarações republicanas em Pastos Bons, à época o centro do movimento republicano e secessionista do estado, que daria origem à efêmera República de Pastos Bons.[45]
Com o começo do período regencial, em 1831, a província foi palco da Setembrada. A Balaiada foi um movimento político que eclodiu no Maranhão em 1838. Inicialmente, era uma luta entre as elites locais, mas logo se tornou um confronto das camadas populares (vaqueiros, escravizados, camponeses, quilombolas, etc.) contra a exploração e abusos das elites. A revolta acabou em 1841, com a sua derrota para as forças imperiais, lideradas por Luís Alves de Lima e Silva, que ficaria conhecido como Duque de Caxias.[27][28][29][46]

No decorrer do Segundo Reinado, reduziram-se bastante as perturbações, restringindo-se a conflitos dentre famílias pelo governo local, o que colaborou para o progresso econômico da província. Com o fim da Guerra Civil Americana em 1865 e a posterior recuperação da indústria algodoeira no sul dos Estados Unidos, a economia maranhense começou a entrar em decadência, devido à concorrência do seu principal produto, e, com a abolição da escravidão (1888), a província entrou em declínio, porque sua economia estava alicerçada principalmente na escravatura.[27][28][29]
Período republicano
Entre a declaração da república no Brasil, em 1889, ano em que o Maranhão foi promovido à condição de estado, e a Revolução de 1930, período conhecido na história do Brasil como República Velha, a região experimentou um princípio discreto de industrialização, com o progresso especialmente do segmento de tecidos e da transformação de cana-de-açúcar e arroz. A expansão tímida aconteceu sobretudo na Primeira Guerra Mundial, porque o Maranhão produzia óleo de babaçu para exportação. Entre 1930 e 1947, o Maranhão permaneceu sob intervenção federal, com interrupções em 1935 e 1937. Nessa época, penetraram no estado enormes multidões do Ceará, Piauí e de outros estados do nordeste do Brasil, as quais se fixaram nos vales dos rios Pindaré e Mearim, onde desenvolveram a rizicultura.[27][28][29]
Em 1965, José Sarney foi eleito governador do estado e, durante a sua gestão, de 1966 a 1970, foi iniciado um programa de obras públicas, compreendendo, dentre outras atividades, a construção do porto de Itaqui e o asfaltamento da rodovia entre São Luís e Teresina. Seu substituto, Pedro Neiva de Santana, (1971–1975), prosseguiu com o programa. Com o retorno das eleições diretas para governador, em 1982, elegeram-se os gestores Luís Rocha (1983–1987), Epitácio Cafeteira (1987–1991) e Edison Lobão (1991-1994), cujo mandato foi terminado por José de Ribamar Fiquene.[27][28][29]
A década de 1980 foi marcada no estado nordestino pela instalação, em São Luís, da fábrica de alumínio Alumar e a construção da Base de Lançamentos de Alcântara.[47]

No dia 15 de novembro de 1994, elegeu-se a pefelista Roseana Sarney, a primeira mulher a administrar o estado.[48][49] A herdeira do ex-presidente do Brasil, José Sarney, tomou posse do cargo em janeiro de 1995.[50][27][28][29] Reeleita em 1998 e empossada em 1999, Roseana Sarney renunciou em 2002, sendo sucedida por José Reinaldo Tavares, que terminou o mandato.[49]
Em 2006, Jackson Lago venceu as eleições, tomando posse em 2007. Governou até 2009, quando seu mandato foi cassado em março de 2009.[49][51] Após a cassação, concluiu o mandato Roseana Sarney,[49][51] reeleita para mais um terceiro período de governo em 2010,[52] renunciando em 2014.[53] Naquele ano, Roseana foi sucedida pelo presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, Arnaldo Melo, que terminou o mandato.[54] Escolhido nas eleições estaduais do Maranhão em 2014,[55] o candidato do Partido Comunista do Brasil, Flávio Dino, assumiu o poder executivo em 2015,[56] reeleito em 2018.[57] Flávio Dino foi empossado em janeiro de 2019.[58] Continuou no cargo até abril de 2022, quando foi substituído por Carlos Brandão, que concluiu o mandato.[59] Em 2022, Carlos Brandão foi reeleito governador, tomando posse do governo do estado em janeiro de 2023.[60][61]
Geografia
De relevo aplainado, o Maranhão possui 75% do território aquém de 200 m. Somente dez por cento do território do estado se encontram além de 300 m. Duas unidades compõem o quadro geomorfológico: a baixada litorânea, ao norte, e o planalto, ao sul. Prepondera na baixada um relevo de tabuleiros e morros, cortados em arenitos subordinados à série Barreiras. Em determinadas porções costeiras, principalmente na ilha de Upaon-Açu, localizada no centro do conhecido Golfão Maranhense, esse relevo alcança a linha costeira. Nas demais partes, se encontra isolado do oceano Atlântico por um cinturão de planícies aplainadas, expostas às enchentes durante a época chuvosa. É a baixada costeira em sentido estrito, que, no fundo do golfão, recebe o título de Perizes. A leste do Golfão Maranhense, essas terras apresentam uma característica de grandes areões com formações dunares. Estas pertencem ao litoral dos Lençóis, até a baía de Tutoia.[62][63]
O planalto compreende todo o interior do estado com um relevo de tabuleiros. Possui aparência de um grupo de chapadões cortados em terrenos sedimentares (folhelhos e arenitos xistosos). Perto do Golfão Maranhense, as altitudes atingem somente entre 200 e 150 m; mais em direção ao sul, 400 e 300 m. Nas imediações do divisor de águas da bacia do Parnaíba com a do Tocantins, chegam a 600 m. Os vales do planalto delimitam os chapadões uns dos outros por intervenção de profundos cortes.[63] Por isso, os chapadões incluem escarpas íngremes, ao contrário do topo regular.[62][63] As melhores terras maranhenses estão concentradas no centro do estado, nas bacias hidrográficas do Pindaré, Mearim e Grajaú, as maiores regiões agrárias do estado. Na divisa com o Pará, o solo é o mesmo da mata.[64] O ponto mais alto do Maranhão constitui a Chapada das Mangabeiras, com 804 m, no planalto do Meio-Norte, no sul do estado.[62][65]
Praticamente todo o estado é drenado no sentido norte-sul por intermédio de inúmeros rios autônomos que correm para as águas salgadas do oceano Atlântico. São eles: Gurupi, Pindaré, Turiaçu, Itapecuru, Mearim e Parnaíba. No sudoeste do estado, as águas escoam, em pequena parte, para oeste. Pertencem a essa porção os tributários da margem leste do Tocantins.[66][63]
Uma vegetação, composta por florestas, campos e cerrados, cobre o território do Maranhão. As matas abrangem toda a parte noroeste do estado, isto é, boa parte da região localizada a oeste do rio Itapecuru. Nessas florestas aparece abundantemente a palmeira do babaçu, produto essencial do extrativismo vegetal da região. Os campos predominam em volta do Golfão Maranhense e em plena costa oeste. O leste e o sul são recobertos pelos cerrados. No limite da costa, a formação vegetal apresenta feições diversas: campos inundáveis, formações arbustivas e manguezais.[67][63]
Clima

Na categorização meteorológica de Köppen-Geiger, o conjunto meteorológico predominante do estado do Maranhão é o tropical (classe A em Köppen), que no território se separa em duas modalidades, sendo elas, sucessivamente: o clima de monções (Am), que exibe um período mensal menos úmido (que geralmente ocorre no ou logo após o ápice invernal) com pluviosidade inferior a 60 mm, mas correspondente a mais de 4% da pluviosidade anual integral;[68] no Maranhão, o clima de monções localiza-se na parte noroeste do estado, na fronteira com o Pará;[69] e o clima de savana (Am/As), que mostra um período árido na estação fria (Aw) ou na estação quente (As), onde o período mensal menos úmido apresenta pluviosidade abaixo de 60 mm e corresponde a menos de 4% da pluviosidade anual integral.[68] Essa é a modalidade meteorológica dominante no Maranhão, onde na faixa costeira o período árido ocorre na estação quente (As) e nas demais áreas do estado acontece na estação fria (Aw).[69]
Segundo a Barsa, existem três tipos climáticos: o tropical superúmido de monção, o com chuvas de outono e o de verão. Os três possuem regimes térmicos parecidos, com médias anuais altas, variando em mais de 26 °C, no entanto, se distinguem em relação ao comportamento das chuvas. O primeiro tipo, que predomina no oeste do estado, abrange os totais mais altos (mais de 2 000 mm por ano). Os outros dois trazem poucas chuvas (entre 1 250 e 1 500 mm) e estação seca bem dividida. Distingue-se entre eles, como sua própria denominação revela, pela época de incidência das chuvas.[70][71] Os verões são quentes, com máximas ultrapassando os 40 °C com frequência, e, no inverno, que coincide com a estação seca; as temperaturas podem chegar próximo aos 10 °C em cidades do sul do estado, configurando assim, uma grande amplitude térmica.[72]
Em outra categorização aplicada, a condição climática na unidade federativa pode ser caracterizada desta maneira:[73] equatorial, que se verifica no setor ocidental, apresentando-se como calorosa e pluviosa, influenciada pelo movimento da zona de convergência intertropical (ZCIT) e pela massa equatorial continental (mEc), ambas elas com forte influência nas estações outonal e invernal;[73] e tropical semiúmido, na área central e oriental, que possui um intervalo árido de quatro até seis meses, durante o inverno e a primavera, devido a uma atuação menos intensa dos sistemas de ar mencionados. O índice de precipitação varia de mil a mil e duzentos milímetros anuais.[73]
Litoral e fauna

A costa do estado do Maranhão constitui a segunda maior do Brasil, com 640 km de extensão, superando unidades federativas como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo.[74] O litoral tem vários recortes, especialmente entre a divisa Pará-Maranhão e o golfão maranhense, onde se localiza a ilha de Upaon-Açu. Suas paisagens mais importantes são, no sentido leste-oeste: ilhas do Caju, no delta do Parnaíba, do Paulino, Grande, baía de Tutóia, ilha de Santana, b. de São José, i. de Upaon-Açu, baías de São Marcos, de Cumã, de Mangunça. Ilha Campelo, São João, baía de Turiaçu, ponta da Mutuoca, i. da Trauíra e Dois Irmãos.[75]
A fauna estadual é abundante e rica. Na região dos Lençóis Maranhenses, por exemplo, existem diversas aves, como garças, tetéus, paturis, marrecas-de-asa-azul e gaivotas. Fundado em 2 de junho de 1981, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, situado entre as cidades de Primeira Cruz e Barreirinhas, constitui um paraíso ambiental. Possui 155 mil hectares de dunas de até 20 m de altura (denominados de “morrarias” pelos moradores da região), manguezais e lagoas.[76]
Demografia
| Crescimento populacional | |||
|---|---|---|---|
| Censo | Pop. | %± | |
| 1872 | 359 040 | ||
| 1890 | 430 854 | 20,0% | |
| 1900 | 499 308 | 15,9% | |
| 1920 | 874 337 | 75,1% | |
| 1940 | 1 235 169 | 41,3% | |
| 1950 | 1 583 248 | 28,2% | |
| 1960 | 2 492 139 | 57,4% | |
| 1970 | 3 037 135 | 21,9% | |
| 1980 | 4 097 231 | 34,9% | |
| 1991 | 4 929 029 | 20,3% | |
| 2000 | 5 642 960 | 14,5% | |
| 2010 | 6 574 789 | 16,5% | |
| Est. 2018 | 7 035 055 | [77] | |
| Fonte:[78] | |||

A população do Maranhão no censo demográfico de 2022 era de 6 776 699 habitantes, sendo a 12.ª unidade da federação mais populosa do país, centralizando cerca de 3,34% da população brasileira[79] e apresentando uma densidade demográfica de 20,63 moradores por quilômetro quadrado (a 16.ª maior do Brasil).[80] Ao mesmo tempo, 50,9% eram mulheres e 49,1% homens, tendo uma razão de sexo de 96,58. A taxa de urbanização era de 70,93%.[79] Em dez anos, o estado apresentou uma taxa de crescimento populacional de 0,25%.[79]
Dos 217 municípios maranhenses, somente um possuía população superior aos quinhentos mil: São Luís, a qual é capital. Outros oito possuíam entre 100 001 e 500 000 (Imperatriz, São José de Ribamar, Timon, Caxias, Codó, Paço do Lumiar, Açailândia e Bacabal), treze entre 50 001 e 100 000, 68 entre 20 001 e 50 000, 89 entre 10 001 e 20 000, 32 entre 5 001 e 10 000, 6 entre 2 001 e 5 000 e cinco até dois mil (São Raimundo do Doca Bezerra, Nova Colinas, Nova Iorque, São Pedro dos Crentes, São Félix de Balsas e Junco do Maranhão).[81] São Luís, sozinha, possuía 15,4% do total de habitantes,[82] além de ter a mais alta densidade demográfica quanto aos outros municípios (1 779,87 hab./km²),[83] enquanto Alto Parnaíba, no noroeste, detinha a mais baixa (1,00 hab./km²).[84]
O Índice de Desenvolvimento Humano do Maranhão é considerado alto conforme o PNUD. Segundo o último Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil, publicado em 2013, com dados relacionados a 2024, tinha valor de 0,745, se encontrando na vigésima-sétima colocação ao nível nacional e nona ao regional, após Alagoas. Considerando-se o índice de longevidade, tinha valor de 0,844 (20.º), o de renda de 0,658 (27.º) e o de educação de 0,746 (18.º).[85] Possuía coeficiente de Gini, que calcula a desigualdade social, de 0,43 e a incidência da pobreza de 56,38%.[86] O Maranhão abrigava uma taxa de fecundidade de 2,56 filhos por mulher.[85]
| Municípios mais populosos do Maranhão (Censo Demográfico de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)[3] | |||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
São Luís Imperatriz | |||||||||||
| Posição | Localidade | Região intermediária | Pop. | Posição | Localidade | Região intermediária | Pop. | ||||
| 1 | São Luís | São Luís | 1 037 775 | 11 | Santa Inês | Santa Inês-Bacabal | 85 014 | ||||
| 2 | Imperatriz | Imperatriz | 273 110 | 12 | Pinheiro | São Luís | 84 614 | ||||
| 3 | São José de Ribamar | São Luís | 244 579 | 13 | Barra do Corda | Imperatriz | 84 532 | ||||
| 4 | Timon | Caxias | 174 465 | 14 | Chapadinha | São Luís | 81 386 | ||||
| 5 | Caxias | Caxias | 156 970 | 15 | Grajaú | Imperatriz | 73 872 | ||||
| 6 | Paço do Lumiar | São Luís | 145 643 | 16 | Barreirinhas | São Luís | 65 583 | ||||
| 7 | Codó | Caxias | 114 269 | 17 | Itapecuru-Mirim | São Luís | 60 419 | ||||
| 8 | Bacabal | Santa Inês-Bacabal | 103 711 | 18 | Coroatá | Caxias | 59 566 | ||||
| 9 | Açailândia | Imperatriz | 106 550 | 19 | Santa Luzia | Santa Inês-Bacabal | 57 635 | ||||
| 10 | Balsas | Imperatriz | 101 616 | 20 | Buriticupu | Imperatriz | 55 507 | ||||
Religião

A religião no Maranhão é marcada pela diversidade e sincretismo, refletindo a rica mistura de influências indígenas, africanas e europeias que compõem a história e a cultura do estado. O catolicismo continua sendo a fé predominante, fortemente presente nas festas religiosas tradicionais como o Festejo de São José de Ribamar (padroeiro do estado), Festa de São Raimundo Nonato dos Mulundus, Festejo de Nossa Senhora da Conceição e o Círio de Nazaré, que mobilizam milhares de fiéis todos os anos.[87][88][89] A Província Eclesiástica de São Luís, encabeçada pela Arquidiocese de São Luís, lidera oito dioceses: Caxias, Zé Doca, Viana, Bacabal, Brejo, Coroatá, Pinheiro, Carolina, Balsas, Grajaú e Imperatriz.[90]
O Maranhão também é um dos estados brasileiros onde o tambor de mina, uma religião afro-brasileira derivada das tradições dos povos africanos trazidos durante o período escravocrata, tem forte presença e reconhecimento cultural. Essa manifestação religiosa, que incorpora elementos do vodum africano e práticas católicas, é considerada um patrimônio cultural do estado e está profundamente enraizada nas comunidades locais, especialmente em São Luís e cidades do interior. Além disso, religiões evangélicas vêm crescendo nas últimas décadas, conquistando espaço entre as camadas populares e promovendo uma dinâmica de transformação social e cultural.[91]
De acordo com dados do Censo de 2022, o Maranhão tem 64,36% de católicos, 25,37% de evangélicos, 0,34% seguem religiões de matriz africana, 0,19% de espíritas e 7,1% não tem religião.[92]
Composição étnica, migração, povos indígenas e racismo
Os caucasianos, pardos, afro-brasileiros e povos indígenas compõem basicamente a população do Maranhão.[94] No Brasil colonial, os povoadores franceses eram os primeiros que iniciaram a colonização no território maranhense.[27][28][29][95] O Maranhão foi povoado por portugueses e acolheu imigrantes latino-americanos (cubanos, colombianos e peruanos), europeus (neerlandeses e italianos), africanos (angolanos, guineanos, togoleses, ganeses e beninenses) e asiáticos (sírios, libaneses, paquistaneses, japoneses e chineses).[94][96]
Segundo o Censo 2022, a população indígena no Maranhão era de cerca de 55 mil indivíduos, divididos em dezesseis grupos, que abrangem área de 1 908 089 hectares de extensão.[79][97] Destes, merece destaque o mais extenso, a reserva indígena Alto Turiaçu, que compreende os municípios de Centro Novo do Maranhão, Maranhãozinho, Centro do Guilherme, Zé Doca, Santa Luzia do Paruá e Araguanã.[97] Segundo dados divulgados por John Hemming, existiam mais de 1 milhão de indígenas no Maranhão durante o Descobrimento do Brasil, em 1500.[98]
Segundo a pesquisa de autodeclaração do censo 2022, 63,39% da população maranhense se declarou parda, 20,10% como branca, 12,81% como preta, 0,81% como indígena e 0,10% como amarela.[99] Segundo esse mesmo recenseamento, 99,94% da população estadual era brasileira nata e 0,06% era estrangeira. Dentre os brasileiros natos, 92,36% nasceram no próprio Maranhão, 2,49% no Piauí, 1,19% no Pará, 1,00% no Ceará e 2,96% em outras unidades da federação.[100]
99,98% foram brasileiros (99,98% natos e 0,01% naturalizados) e 0,92% estrangeiros.[101] Dentre os brasileiros, 0,13% são naturais do Sul e 11,5% em demais regiões, sendo que 0,59% são do Sudeste, 97,20% do Nordeste (92,35% do próprio estado), 0,43% do Centro-Oeste e 1,36% do Norte.[102] Entre os estados de origem dos imigrantes, o Piauí possuía o maior percentual de residentes (2,67%), acompanhado por Ceará (1,36%), Pará (0,97%), Pernambuco (0,30%) e São Paulo (0,27%).[103]
O estado possui a peculiaridade de ser a única unidade federativa do nordeste do Brasil com saldo positivo de migrantes internos, ou seja, tem mais imigração que emigração. Na região atravessada pelo rio Pindaré, também nos vales do Grajaú e do Mearim, vêm-se estabelecendo os imigrantes vindos de outros estados do nordeste brasileiro, especialmente cearenses, piauienses e potiguares. As terras chuvosas do vale do rio Pindaré são grandemente férteis. Essa fertilidade conduziu a SUDENE a fundar o Grupo Departamental do Maranhão, visando direcionar o movimento migratório a essa região. De 1962 até 1967, cerca de cem mil homens, mulheres, crianças e idosos se fixaram na região.[104]
O racismo no Maranhão manifesta-se de forma complexa, entrelaçando estruturas históricas, sociais e culturais que remontam ao período colonial. Durante a escravidão, o estado tornou-se um dos principais destinos de africanos traficados, sendo São Luís um dos maiores portos de desembarque. Após a abolição, o Maranhão preservou uma forte identidade negra, com expressões culturais como o Bumba-meu-boi e o Tambor de crioula, mas também enfrentou persistentes desigualdades raciais. O movimento negro maranhense, representado por instituições como o Centro de Cultura Negra do Maranhão (CCN-MA), tem sido fundamental na luta contra o racismo estrutural, promovendo ações afirmativas e valorizando a memória afro-brasileira. Pesquisas acadêmicas, como as de Matheus Gato de Jesus, apontam que o racismo no Maranhão se configura como uma consequência inesperada da combinação de processos históricos distintos, que impulsionaram a valorização simbólica das classificações de cor como critério de distinção e controle social.[105]
Em 2024, o Maranhão registrou um aumento de 300% nas denúncias de crimes de racismo e injúria racial, passando de 19 casos em 2023 para 76 no ano seguinte. Esse crescimento destaca a persistência do racismo como um problema estrutural na sociedade maranhense.[106]
Hierarquia urbana e regiões metropolitanas

Exceto o extremo oeste do estado, pertencente à região influenciada por Belém, todo o território do Maranhão integra a área de polarização do Recife. A ação econômica da metrópole pernambucana é desempenhada no Maranhão por interferência de São Luís, para boa parte do território do estado, e de Teresina, cidade-sede do governo piauiense, para certas cidades localizadas perto da divisa Maranhão-Piauí,[107][108][109] como Timon, Caxias, Matões e Coelho Neto.[107][108][109]
A RIDE da Grande Teresina foi fundada pela Lei Complementar Federal do Brasil n.º 112, de 19 de setembro de 2001, e estabelecida pelo Decreto Federal do Brasil n.º 4367, de 9 do mesmo mês de 2002.[110] Por uma emenda constitucional de 1989, foi criada a primeira RM do estado: a Região Metropolitana de São Luís, que passou a existir mediante à ECE n.º 42, de 2 de dezembro de 2003.[111] A Lei Complementar Estadual do Maranhão n.º 89, de 17 de novembro de 2005, criou a mais nova RM do Maranhão até então, a Região Metropolitana do Sudoeste Maranhense, cuja maior cidade em população é Imperatriz, na divisa Maranhão-Tocantins.[112]
Segurança pública e criminalidade
No Exército Brasileiro, o Maranhão pertence ao Comando Militar do Norte (Belém)[113] e, com o Pará, o Tocantins e o Amapá, integra a 8.ª Região Mil.,[114] tendo sede no estado o 24.º Batalhão de Infantaria Leve (São Luís).[115] Na Marinha do Brasil, o Maranhão faz parte do 4.º Distrito Naval (o qual possui matriz em Belém), atuando no território estadual a Capitania dos Portos do Maranhão.[116] Na Força Aérea Brasileira, o Maranhão conta com o Centro de Lançamento de Alcântara,[117] a segunda base do gênero no Brasil e a única no estado.[118]
Segundo a Constituição Federal de 1988 e a Estadual de 1989, os órgãos reguladores da segurança pública no estado do Maranhão são a Polícia Militar do Maranhão, o Corpo de Bombeiros do Maranhão e a Polícia Civil do Maranhão.[119][111]
Conforme dados do “Mapa da Violência 2012”, publicado pelo Instituto Sangari e pelo Ministério da Justiça, a taxa de homicídios por 100 mil habitantes, que era de 2,7 em 1980, subiu para 21,0 em 2009 (ficando abaixo da média nacional, que era de 27,0). Entre 2000 e 2010, o número de homicídios subiu de 344 para 1 478. Em geral, o Maranhão subiu sete posições na classificação nacional das unidades federativas por taxa de homicídios, passando da vigésima-sétima em 2000 para a vigésima-primeira em 2010. A R. M. de São Luís possuía taxas três vezes maiores que a do estado (13,1), enquanto, no interior, o mesmo era duas vezes menor que a média estadual (15,4).[120]

Em 2000, nenhum município, até cinco mil habitantes, registrava uma taxa de homicídios, mas ela subiu para 22,0 em seis cidades em 2010. Considerando-se todas essas cidades, totalizam-se seis. Desde a época em que o estado era relativamente tranquilo, em 2000, a violência se estendeu praticamente em todo o território do estado, com vários polos elevadamente conurbados.[120]
Os municípios mais populosos mostraram grande aumento em dez anos, como a capital, São Luís, que passou entre 16,16 e 56,1 homicídios em 100 mil, com crescimento de 238,8%, ou o segundo município mais populoso, chamado de Imperatriz, passando entre 12,6 e 55,8, crescendo em 343,3% no mencionado período. No entanto, o mais elevado aumento se observa nos municípios menos populosos: entre 5 e 10 mil e entre 20 e 50 mil hab., com taxas superiores a 400%, colaborando assim para disseminar a criminalidade no conjunto da unidade federativa.[120][121]
Conforme o “Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros 2008”, também publicado pelo Instituto Sangari, as cidades maranhenses que apresentavam as maiores taxas de homicídios por grupo de cem mil habitantes foram Imperatriz (49,5), Açailândia (31,9), Governador Nunes Freire (31,2) e São Luís (31,0).[122]
Governo e política
O estado do Maranhão, da mesma forma que uma república, é administrado por três poderes, totalmente sediados na capital, São Luís. São eles: o executivo, constituído pelo governador do Maranhão. O legislativo (Assembleia Legislativa do Maranhão). E, por fim, o judiciário (Tribunal de Justiça do Maranhão e outros tribunais, e juízes).[111] São símbolos do Maranhão a bandeira, o brasão e o hino.[111]
O poder executivo maranhense é desempenhado pelo governador do Maranhão. Este é sucedido, em seus impedimentos, pelo vice-governador do Maranhão, e assessorado pelos secretários estaduais.[111] A matriz do governo estadual, o Palácio dos Leões, foi construída pelo capitão Jerônimo de Albuquerque[123] e arquitetado por Francisco Frias de Mesquita,[124] no forte de São Luís, edificado pelos franceses em 1612.[123]
A partir do início da república, tomou posse pela primeira vez do governo do estado Pedro Augusto Tavares Júnior, que se encontrava no poder de 17 de dezembro de 1889 a 3 de janeiro de 1890. Foi somente no ano de 1947, quando foi empossado o primeiro governador eleito pela população, Sebastião Archer da Silva.[125]
O poder legislativo maranhense é unicameral e representado pela Assembleia Legislativa do Maranhão (Palácio Manuel Beckman),[nota 1] formada por 42 deputados estaduais.[111] No Congresso Nacional, a representação maranhense é de três senadores e 18 deputados federais.[126][127]
A mais alta corte do poder judiciário maranhense é o Tribunal de Justiça do Maranhão, localizado no Centro de São Luís.[128] Conforme o Tribunal Superior Eleitoral, o Maranhão possuía, em abril de 2019, 4 576 030 eleitores, significando 3,088% do eleitorado brasileiro, o 11.º maior do país.[129]
Subdivisões
Evolução territorial, regiões geográficas intermediárias e imediatas
O Maranhão era uma espécie de “mãe” para os estados do Piauí, Pará e Amazonas, outrora subordinados ao Estado do Grão-Pará e Maranhão. Este compreendia boa parte da Amazônia Legal, da região norte do Brasil e do Meio-Norte.[131] Era conhecido por Maranhão, porque o rio Amazonas, que banha toda essa grande extensão de terra, em 1621, era chamado de Maranhão pelos indígenas.[132]
O Estado do Maranhão e Piauí surgiu como unidade política em 1772 com cinco vilas, sendo a mais antiga, São Luís, fundada em 1612. A última desse período foi Guimarães, criada em 1758.[131] Com a Independência do Brasil, a província do Maranhão foi organizada em 1823 e naquele ano o território já se dividia em sete vilas.[131] Do Império até a República, passou de sete vilas para 217 municípios. Constitui o décimo estado com o maior número e o quarto da região nordeste, atrás da Paraíba.[133]

Esta é a lista de regiões geográficas intermediárias e imediatas do Maranhão, estado brasileiro da Região Nordeste do país. O Maranhão é composto por 217 municípios, que estão distribuídos em 22 regiões geográficas imediatas, que por sua vez estão agrupadas em cinco regiões geográficas intermediárias, segundo a divisão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vigente desde 2017. A primeira seção aborda as regiões geográficas intermediárias e suas respectivas regiões imediatas integrantes, enquanto que a segunda trata das regiões geográficas imediatas e seus respectivos municípios, divididas por regiões intermediárias e ordenadas pela codificação do IBGE.[134]
As regiões geográficas intermediárias foram apresentadas em 2017, com a atualização da divisão regional do Brasil, e correspondem a uma revisão das antigas mesorregiões, que estavam em vigor desde a divisão de 1989. As regiões geográficas imediatas, por sua vez, substituíram as microrregiões.[135] Na divisão vigente até 2017, os municípios do estado estavam distribuídos em 21 microrregiões e cinco mesorregiões, segundo o IBGE.[136]
| Região geográfica intermediária[134] | Código | Número de municípios |
Regiões geográficas imediatas | Código | Número de municípios |
|---|---|---|---|---|---|
| São Luís | 2101 | 73 | São Luís | 210001 | 13 |
| Pinheiro | 210002 | 11 | |||
| Chapadinha | 210003 | 10 | |||
| Itapecuru-Mirim | 210004 | 9 | |||
| Viana | 210005 | 10 | |||
| Barreirinhas | 210006 | 4 | |||
| Tutóia-Araioses | 210007 | 7 | |||
| Cururupu | 210008 | 9 | |||
| Santa Inês-Bacabal | 2102 | 59 | Santa Inês | 210009 | 15 |
| Bacabal | 210010 | 16 | |||
| Governador Nunes Freire | 210011 | 14 | |||
| Pedreiras | 210012 | 14 | |||
| Caxias | 2103 | 14 | Caxias | 210013 | 6 |
| Timon | 210014 | 4 | |||
| Codó | 210015 | 4 | |||
| Presidente Dutra | 2104 | 28 | Presidente Dutra | 210016 | 13 |
| São João dos Patos | 210017 | 11 | |||
| Colinas | 210018 | 4 | |||
| Imperatriz | 2105 | 43 | Imperatriz | 210019 | 17 |
| Barra do Corda | 210020 | 9 | |||
| Açailândia | 210021 | 5 | |||
| Balsas | 210022 | 12 |
Economia

Entre as maiores empresas se destacam: Hiper Mateus, Cemar, Ferrovia Norte-Sul, Gera Maranhão, Viena, Frigotil e Gusa.[138] O Maranhão é a 17.ª unidade federativa mais rica do Brasil, possuindo 1,4% da economia do país. O estado também é um grande exportador. Em 2019, foi a décima-terceira maior unidade federativa brasileira em exportação. Perde somente para Mato Grosso do Sul (2,4%), Goiás (2,9%) e Espírito Santo (3,4%). Depois vêm Santa Catarina (4%), Pará (7,6%), Paraná (7,2%), Mato Grosso (7,7%), Rio Grande do Sul (8,2%), Minas Gerais (11,2%), Rio de Janeiro (12,4%) e São Paulo (21,5%). O Maranhão participa com 1,6% do total.[139]
Seus produtos mais exportados foram, em 2022, soja (35%), óxido de alumínio (24%), celulose (13%) e milho não moído (10%).[139]
Setor primário
O setor primário constitui o mais relevante e maior da economia maranhense ao nível nacional. No ano de 2013, a agropecuária respondia só por 2,7% do valor total adicionado à economia de todo o Brasil.[140]
A maior região agrícola do Maranhão é o meio-norte, em que estão situados os rios Mearim, Pindaré e Itapecuru. Ali está centralizada a maioria das atividades agrárias, criatórias e extratoras. A cotonicultura dominou o vale do rio Itapecuru nos séculos XVIII e XIX. No segundo semestre do século XX, começou a prevalecer nessa região a rizicultura, seguida da milhocultura, da mandiococultura, da feijocultura e da cotonicultura.[141]
O vale do Itapecuru é o maior cultivador de arroz do estado. Além disso, é ainda o principal plantador de coco de babaçu e possui a segunda maior criação de bois do estado. Os imigrantes nordestinos recolonizaram os sertões do Pindaré e do Mearim e igualmente o mameluco do Maranhão. Tais povos ocuparam-se da cultura do arroz. Depois, com tal esforço, o cultivo ultrapassou a casa dos milhares aos milhões de sacas. E a espécie Oryza sativa voltou a ser exportada ao restante do Brasil.[141]
Os vales dos rios Mearim e Pindaré são regiões de povoamento mais novo que a do Itapecuru. Para cá vieram migrações do próprio Maranhão e oriundas de outros estados nordestinos. A economia dessas terras fundamenta-se no extrativismo do coco de babaçu e nas plantações de arroz e milho. Também na região centro-norte estão os campos de Perizes, maior região pecuária do estado.[141]
No resto do estado, expandem-se as mesmas fontes de renda da porção centro-norte, mas em escala menor. A agricultura quase sempre é limitada às lavouras de subsistência. O maior produto vegetal do Maranhão constitui o babaçu. Este é utilizado para fabricar um óleo altamente refinado e comestível. É de elevada importância fabril, como combustível e lubrificante, ou como matéria-prima para sabões e sabonetes. A torta, rejeito do extrativismo do óleo, é convertida em farelo para alimentar o boi e o porco, ou empregada como adubo de nitrogênio. Os envoltórios do coco oferecem um excelente carvão, com altas quantidades de carbono, usado como redutor de minério. Recorrendo ao método de destilação física e química, os envoltórios fornecem ainda alcatrão, ácido acético, álcool e acetatos.[141]
A pesca é demasiado próspera.[142] A unidade federativa, em 2009, foi colocada como o oitavo maior criador do Brasil.[143] Os resultados obtiveram o total de 102 868,2 t de pescado, sendo 70 342,5 t de pesca extrativa e 32 525,7 t de aquicultura.[144]
As mais importantes fontes de renda extrativistas maranhenses constituem o extrativismo de sal marinho e a garimpagem de diamantes e do ouro, na região do baixo Gurupi.[141]
Setor secundário

O setor secundário constitui o menos relevante e menor da economia maranhense ao nível nacional. No ano de 2013, a indústria respondia só por 1,0% do valor total adicionado à economia de todo o Brasil.[140]
A disponibilidade de energia elétrica do estado procede da usina hidrelétrica de Boa Esperança, com 105 000 kW de potência implantada. Situada no Parnaíba, na unidade federativa do Piauí, perto da divisa Maranhão-Piauí, esta usina sucedeu integralmente às termelétricas em operação antes da década de 1970. A oferta de energia elétrica no estado cresceu com a entrada em funcionamento da usina hidrelétrica de Tucuruí, na entidade federada do Pará.[141]
Nos anos 1980, foi aberta oficialmente pela primeira vez, no Distrito Industrial de São Luís, a indústria de alumínio da Alcoa, com capitais estadunidenses e anglo-holandeses. O projeto foi implementado para trabalhar com a bauxita trazida das margens do rio Trombetas, no Pará, a 1 800 km de distância.[141] Até 2005, na região do Parnaíba, a Itapagé (ex-Cepalma) constituía a principal empresa fabril.[145][141]
Setor terciário
O setor terciário constitui o segundo mais relevante e maior da economia maranhense ao nível nacional. No ano de 2013, os serviços respondiam só por 1,3% do valor total adicionado à economia de todo o Brasil.[140]
No primeiro semestre de 2024, o Maranhão registrou exportações no valor de 603,7 milhões de dólares e importações de 117,2 milhões de dólares. Já em 2023, as exportações somaram 1.679,1 milhões de dólares, enquanto as importações totalizaram 534 milhões de dólares.[139][142]
Turismo
São Luís constitui o mais importante centro de turismo da unidade federativa. Possui quase 50% de sua superfície urbanizada catalogada (preservada e protegida contra mudanças) pelo IPHAN. Com tudo isso, a capital do Maranhão representa uma cidade de ruas curtas e históricos sobrados, dotados de fachadas de azulejo português.[146][147]
São conhecidos o Palácio dos Leões (matriz do poder executivo do estado), a Prefeitura Municipal, o forte da Ponta da Areia (em ruínas), o Palácio Episcopal. As igrejas da Sé, do Carmo (edificada em 1621), do Desterro, de São João Batista, de Santo Antônio e o teatro Arthur Azevedo. As praias de Ponta d'Areia, Olho d'Água, Aracagi e Calhau são as mais visitadas por viajantes e habitantes da capital.[146][147]
Alcântara, localizada na frente da ilha de Upaon-Açu, constitui outro centro de atração turística. Alcântara, estabelecida em 1648, representa uma cidade monumental, completamente catalogada pelo IPHAN. Tem mosteiros, antigos casarões e igrejas, datadas dos primórdios do povoamento do estado.[146][147] A cidade apresenta também aos turistas os atrativos de um abundante folclore. Este possui seu ponto culminante nas comemorações do bumba meu boi, promovidas tradicionalmente entre junho e setembro.[148][147]
Há eventos importantes como a festa de São José do Ribamar, no mês de setembro, e a da Juçara, em São Luís, em outubro, ambas sem data definida. Estas constituem as principais festividades folclóricas da unidade federativa.[149][150][147] Outras atrações turísticas ecologicamente importantes do estado, incluem o Delta do Parnaíba,[151] e os parques nacionais dos Lençóis Maranhenses[152] e da Chapada das Mesas.[153]
Infraestrutura
Saúde
O Maranhão possui questões de saúde pública de alguma intensidade.[142] No campo, é verificada a ocorrência endêmica de ancilostomose, malária, esquistossomose, etc.[142] A rede de hospitais do estado, em 2009, abrangia 2 621 estabelecimentos com uma totalidade de 12 064 leitos, 10 214 médicos, 2 346 cirurgiões-dentistas, 4 059 enfermeiros, 1 515 farmacêuticos, 5 357 auxiliares de enfermagem e 4 922 técnicos de enfermagem.[154][155] Em 2005, da população, 61,3% dos maranhenses possuem acesso à rede de água,[156] enquanto 49,5% são beneficiados pelo esgoto sanitário.[156]
Segundo uma pesquisa realizada pelo IBGE em 2008, 50,4% dos maranhenses avaliavam sua saúde como boa ou ótima; 63,1% realizavam consulta médica periodicamente; 28,5% dos habitantes consultavam o dentista regularmente e 6,3% estiveram internados em leito hospitalar nos doze meses anteriores. 21,5% declararam ter alguma doença crônica e apenas 6,9% tinham plano de saúde. Outro dado significante é o fato de 63,8% terem declarado necessitar do Programa Unidade de Saúde da Família — PUSF.[157]
Na questão da saúde feminina, 40,7% das mulheres com mais de 40 anos fizeram exame clínico das mamas nos doze meses anteriores; 31,9% entre 50 e 69, mamografia nos dois; e 67,7% entre 25 e 59, preventivo para câncer do colo do útero nos três.[157]
Educação

Em 2018, foram registradas matrículas de 1 178 949 discentes, nas 9 690 instituições educacionais de ensino fundamental em Maranhão, das quais 438 eram do estado, 11 907 do município, 1 157 da iniciativa privada e quatro da União. No que diz respeito ao corpo docente, era também formado por 66 762 professores, dos quais 438 ensinavam em instituições de ensino do estado, 58 em escolas da União, 62 712 nas do município e 8 933 nas da iniciativa privada.[158] O ensino médio, em 2018, era lecionado em 18 107 estabelecimentos com 311 830 discentes registrados por matrícula, atendidos por 1 051 docentes.[158][nota 2]
Em 2015, a taxa de alfabetização estadual era de 81,1%, a 2.ª mais baixa do Brasil.[159] A taxa de escolarização na faixa etária de 8 a 14 anos é de 16,9%.[160] Em 2008, 33,2% da população maranhense é de analfabetos funcionais.[161] O IDH-educação do Maranhão é o 9.º mais baixo do Brasil (0,562).[162]
As mais importantes instituições maranhenses de ensino superior são a Universidade Federal do Maranhão,[163] o Instituto Federal do Maranhão,[164] a Universidade Estadual do Maranhão,[165] a Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão[166] e o Instituto Estadual do Maranhão.[167]
Transportes

As estradas de rodagem, que atravessam a unidade federativa, totalizam 6 873 km, das quais 3 165 são da União, 3 708 do estado, dos municípios e transitórias.[87] As mais importantes rodovias do Maranhão constituem a São Luís-Teresina; a BR-135, que conecta a capital estadual com o povoado de Orozimbo, entre os municípios de Paraibano e Pastos Bons; a BR-226, que interliga Timon a Porto Franco, atravessando Barra do Corda; os segmentos estaduais da Belém-Brasília, que corta Imperatriz, e da Transamazônica, que atravessa a região sul do estado, saindo da cidade de Floriano, no Piauí, e alcançando Porto Franco.[109][168]
Segundo o relatório da Confederação Nacional do Transporte (CNT), 58,4% das estradas de rodagem em território maranhense se encontram em estado ruim, péssimo ou regular. Segundo os dados, foram analisados cerca de 4,6 mil km de prolongamentos de vias federais e estaduais que atravessam o estado. O estudo da CNT sugere que o estado tem apenas 34,1% em bom estado e 7,5% de rodovias em ótimo. O relatório considera os estados de pavimentação, sinalização, os pontos críticos e a geometria das vias.[169]
Os 466 km de ferrovias que existem em solo maranhense integram a Ferrovia São Luís-Teresina, que atende as cidades de Rosário, Coroatá e Caxias, no Maranhão.[109][168] O trecho maranhense da Ferrovia Norte-Sul liga Açailândia a Estreito, próximo à divisa com Tocantins.[170] Em 1985, ocorreu a inauguração da Estrada de Ferro Carajás, com uma extensão de 890 km, reservada ao transporte de minério de ferro das cidades paraenses de Marabá e Parauapebas, para os portos de Itaqui e Ponta da Madeira, em São Luís.[109][168]
O mais importante aeroporto do estado constitui-se no Internacional de São Luís, mais conhecido como Marechal Cunha Machado, que põe em contato o Maranhão com o restante do Brasil e do mundo.[171][109][168]
Serviços e comunicações
No Maranhão, há diversas empresas de abastecimento de água. Em 136 dos 217 municípios maranhenses, a empresa de água e saneamento básico é a CAEMA.[172]

No que diz respeito à energia elétrica, há uma empresa em território estadual, Equatorial Energia Maranhão.[173] O estado dispõe de um sistema eficaz de abastecimento de energia, recorrendo à Subestação da Eletronorte localizada no Distrito Industrial do Município de Imperatriz, além de estar bem perto das hidrelétricas de Serra Quebrada (em projeto) e de Estreito (1 087 megawatts).[156]
O estado do Maranhão visa variar sua matriz energética e também dispõe de usinas apropriadas:[174] quatro com quantidade total de 1 428 MW, usando gás natural (Complexo Termelétrico Paraíba); duas com 330 MW, empregando óleo combustível (a Usina Termelétrica Gera Maranhão, em Miranda do Norte); uma com 360 MW, utilizando carvão mineral (Usina Termelétrica Porto do Itaqui); uma com 254 MW, aplicando biomassa (Usina Termelétrica Suzano Maranhão, que pertence à empresa Suzano Papel e Celulose); uma usina hidráulica com 1 087 MW (Usina Hidrelétrica de Estreito); e o Complexo Eólico Delta 3 com 221 MW. Hoje, o estado é mais produtor de energia que consumidor.[174]
Na atualidade, a exploração de gás na Bacia do Parnaíba pode fabricar até 8,4 milhões de m³ de gás diariamente, aproveitados pela Eneva, usados na produção de energia termelétrica, com a construção de 153 km de gasodutos, ao preço do capital de R$ 9 bilhões.[175]

A empresa de energia elétrica que compreende o Maranhão é a Equatorial Energia Maranhão[176] e o serviço de abastecimento e venda de gás canalizado no Maranhão é realizado pela Companhia Maranhense de Gás.[177]
Existem vários jornais presentes em diversos municípios do estado, por exemplo, Diário do Grajaú (Grajaú), O Progresso (Imperatriz), Jornal de Itapecuru (Itapecuru-Mirim), Portal Codó (Codó), etc.[178] Dois dos mais influentes jornais,[179] O Imparcial e o Estado do Maranhão, são os maiores jornais maranhenses.[178]
Na área televisiva, a mais antiga emissora de televisão do estado, a TV Difusora, foi fundada por uma sociedade composta por Magno Bacelar e Raimundo Bacelar, antigos proprietários da Rádio Difusora AM, em 9 de novembro de 1963.[180][181] Desde então, várias outras emissoras desenvolveram-se no estado e ganharam projeção no Brasil e nesse estado, como foi o caso do Sistema Difusora de Comunicação, Rede Mirante, Meio Norte, totalmente sediadas na região metropolitana de São Luís.[182][183][184]
Cultura
As manifestações artísticas destacadas no estado resultam das influências de brancos, indígenas e africanos que povoaram a região. Estes povos ajudaram a construir o que é conhecido como identidade cultural maranhense. As manifestações culturais e artísticas podem ser constatadas na música, no artesanato, na culinária, nas festividades religiosas populares, entre outros setores do cotidiano maranhense.[185]
O artesanato merece destaque como intensa e significativa expressão do folclore, colaborando para conferir uma característica singular do povo do Maranhão. Dentre os artigos manuais, podem ser encontrados os produtos fabricados com as fibras do buriti. Esta matéria-prima necessária é usada pelos artesãos para produzir bolsas, sandálias, chapéus, redes, etc. O estado também merece destaque pelas lindas cerâmicas, madeiras entalhadas, azulejaria, dentre outros artefatos.[185]

Os pratos mais importantes da culinária do Maranhão resultam da união da cultura da França, da Holanda, de Portugal, dos povos indígenas do Brasil e da África.[186][185] Dentre os alimentos mais famosos, podem ser destacados, além de outras comidas menos importantes. São eles: o arroz de cuxá; a peixada ao leite de coco; o sorvete de bacuri. Os refrescos e musses de cupuaçu; a caldeirada de camarão e peixe. O licor de jenipapo; os vinhos de buriti.[186][185] Os pudins e doces de buriti, bacuri, jenipapo, murici, caju, tamarindo, jaca, cupuaçu. Os frutos-do-mar como sururu, caranguejo, camarão, siri, robalo, pescada, curimbatá, tainha, surubim, mero, etc. A juçara; a panelada; a dobradinha, o sarrabulho, a carne-de-sol, mocotó, a galinha ao molho pardo, todos servidos com farinha-d'água. Bolos de tapioca e macaxeira; e o churrasco no sul do estado.[186][185] O estado é berço de seu típico refrigerante, o Guaraná Jesus, criado pelo farmacêutico Jesus Norberto Gomes em 1927. A bebida se caracteriza pela combinação de cravo e canela, daí a cor rosa.[187]
Acervo histórico e arquitetônico

O Maranhão abriga muitos monumentos históricos e arquitetônicos, vários deles catalogados por legislação federal. Serve como exemplo, o conjunto arquitetônico e paisagístico de Alcântara. Na capital, a Praça João Francisco Lisboa, a Praça Gonçalves Dias, e o largo próximo à igreja do Desterro. Há também o retábulo do altar-mor da catedral de Nossa Senhora da Vitória. A fonte do Ribeirão; a capela de São José e o portão da quinta das Laranjeiras; e o sambaqui do Pindaí.[45]
Outros monumentos famosos são, na capital, a pedra da Memória, honra ao coroamento de Pedro II do Brasil, a pirâmide do Bequimão. Há também as casas onde residiam os literatos maranhenses Graça Aranha, Artur Azevedo e Aluísio de Azevedo, as esculturas de João Francisco Lisboa e Gonçalves Dias. Podem ser citados também o palácio dos Leões, o Centro Histórico da Praia Grande e o palácio Arquiepiscopal. Em Alcântara, além dos inúmeros sobrados coloniais de azulejos portugueses, existe a praça Gomes de Castro, o forte de São Sebastião e o Farol. Em Caxias, a antiga indústria de tecelagem, convertida em centro cultural, e as ruínas do tempo da balaiada, no morro do Alecrim.[45]
Museus, bibliotecas e turismo

São Luís comporta diversos museus. São eles: como o de Artes Visuais, com obras de pintores do Maranhão e azulejaria da Europa do século XIX. O da Cafuá das Mercês, antigo comércio de escravos. O Museu Histórico e Artístico do Maranhão; e o de Arte Sacra. Em Alcântara, existe um museu de arte sacra, com iconografia e móveis dos séculos XVIII e XIX. Há também o Museu do Folclore, com desenhos e bandeiras utilizadas na festa do Divino.[45] O estado conta com 224 bibliotecas públicas, duas das quais em São Luís.[188] Sobressaem a Biblioteca Pública Benedito Leite,[189] a da Academia Maranhense de Letras[190] e a da Faculdade de Direito da UFMA.[191][192][75]
A beleza da arquitetura colonial de São Luís e de Alcântara, os vários restaurantes típicos, as belas praias. O artesanato, a diversidade de parques nacionais e estaduais e a rede hoteleira contribuem para transformar o Maranhão em um dos estados brasileiros que mais recebem turistas. Além disso, tanto a capital como as cidades de Alcântara e Caxias compreendem um convidativo calendário de eventos. A Festa do Divino, promovida de maio a junho em Alcântara, é conhecida no Brasil inteiro. Em junho são realizadas as festas juninas, a festa folclórica Tambor da Crioula e o bumba-meu-boi.[45]
Dança, música e teatro
A dança do lelê ou péla-porco constitui uma dança de salão de origem europeia, possivelmente francesa, apesar de possuir aspectos coreográficos da Península Ibérica. Embora seja uma dança pagã, ela pode ser apresentada em honra a determinado santo.[185]
A dança de São Gonçalo, originária de Portugal, é um bailado promovido em honra ao santo português São Gonçalo do Amarante, que vivia no século XIII. Já a dança do coco constitui uma coreografia de roda, entoada e complementada a partir de instrumentos musicais como pandeiro, ganzás, cuícas e palmas. Nasceu no interior do Maranhão, com a música dos trabalhadores nos babaçuais.[185]
O tambor de crioula, por seu turno, representa uma manifestação artística de origem afro-brasileira que contém coreografia, canto e percussão de tambores, sendo considerado patrimônio imaterial do Brasil pela Unesco e pelo IPHAN.[185]

Já o denominado “tambor de mina” somente ocorre no ambiente religioso da umbanda. O bumba meu boi constitui um pequeno drama cuja procedência costuma ser totalmente nacional. Ela representa a época das desigualdades sociais presentes no período colonial. Sob a perspectiva teatral, esse folguedo deriva da tradição da Espanha e de Portugal no que se refere ao desfile e à própria encenação. A história do auto acontece numa fazenda, possui no vaqueiro afro-descendente, em sua mulher cabocla, num homem caucasiano e no boi querido os personagens mais importantes. No Maranhão, além dos principais personagens, são adicionados os indígenas, os vaqueiros, o jovem, o padre, o doutor, o pajé, o miolo, o palhaço, o cazumbá e a burrinha.[185]
O proprietário do boi, um caucasiano, observa um afro-descendente furtar o animal, já que sua esposa Catirina, grávida, quer se alimentar da língua do boi. Encontrado o malfeitor, o dono de terra exigiu que o bandido, conduzido à sua presença, fosse preso pelos indígenas. Para trazer o boi de volta à vida, o médico é contratado, porém, o máximo que consegue é que o animal movimenta a cauda. O pajé da aldeia cumpre o dever de trazer o boi de volta à vida; em seguida disso, o afro-descendente é absolvido e o auto se encerra em uma enorme alegria.[185] O Maranhão é berço de grupos musicais como a Orquestra Sinfônica do Maranhão, de música erudita, criada em 2014,[193] e a Maranhense de Reggae, fundada em 2016,[194] além de bandas e artistas de MPB, música pop e rock como Núbia, Garatujos, Alkalines, Nathalia Ferro, O Vórtice e Paulão.[195]
Festividades tradicionais e arquitetura

O Carnaval do Maranhão é caracterizado por uma imensa diversidade cultural, que apresenta manifestações africanas e indígenas, além do desfile das escolas de samba de São José de Ribamar e de São Luís. As festas de São João do estado também movimentam enorme quantidade de visitantes, com coreografia e culinária típica. Possivelmente trazida pela imigração açoriana no século XVII, a Festa do Divino Espírito Santo é outro costume, que normalmente se manifesta como um modo de sincretismo religioso.[185]
O patrimônio arquitetônico do Maranhão distingue-se pelo seu simples, uniforme e belo conjunto de casas. Legado do período colonial, os sobrados e solares são o reflexo dessas marcas herdadas pelo apogeu econômico no qual o algodão era produzido pelos senhores de engenho. A capital São Luís possui o mais extenso conjunto arquitetônico português da América Latina, sendo considerada pela Unesco, em 1997, como Patrimônio Cultural da Humanidade.[185]
Esportes
São filhos desta unidade federativa os medalhistas olímpicos Rayssa Leal, no Skate;[196] José Carlos Moreira, no atletismo;[197] e Nyeme Costa, no vôlei.[198] Igualmente nasceu no estado Ana Paula, campeã internacional de Handebol em 2013.[199]
No futebol, o Maranhão marca bastante presença no âmbito nacional. Dentro do estado, todos os anos ocorre o Campeonato Maranhense, promovido pela Federação Maranhense de Futebol. O mais importante clube do estado é o Sampaio Corrêa, que ganhou três campeonatos nacionais, uma inédita Copa do Nordeste, além de ter vencido 37 títulos estaduais.[200][201]
Ao lado do Moto Club, organizam o Superclássico, tido como o maior clássico do Estado, com cerca de 316 confrontos, com jogos que se encontram dentre as mais altas médias de público nordestino.[202][203]
Feriados
No Maranhão, há um único feriado estadual: o dia 28 de julho, data magna do estado, em homenagem à adesão da então província à independência do Brasil. Este feriado foi oficializado com o auxílio da Lei Estadual n.º 2.457, de 2 de outubro de 1964, alterada graças à Lei Estadual n.º 10.520, de 19 de outubro de 2016.[204]
Ver também
- Fórum de Governadores do Brasil Central
- Lista de municípios do Maranhão
- Governadores do Maranhão
- Meio-Norte
Notas e referências
Notas
- ↑ O nome oficial do prédio do poder legislativo é uma homenagem ao líder da revolta contrária à Companhia de Comércio do Maranhão, falecido em 1686. Ver os tópicos Maranhão#Período colonial e imperial, e História do Maranhão#Revolta de Beckman (1684), e o artigo sobre a Revolta de Beckman.
- ↑ 1. O mesmo aluno pode ter mais de uma matrícula. 2. O mesmo professor pode atuar em mais de uma etapa e/ou modalidade de ensino.
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