Saúde
1736 no Brasil
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1736 no Brasil corresponde aos eventos ocorridos no território da América Portuguesa durante o ano de 1736, marcado pelos Motins do Sertão nas Minas Gerais, pela lei régia sobre o transporte de ouro e diamantes e pela migração de mineradores rumo às novas lavras de Goiás.
Motins do Sertão
Os Motins do Sertão de 1736 foram uma série de sublevações ocorridas em diferentes localidades da Capitania de Minas Gerais, motivadas principalmente pela insatisfação com o sistema de capitação implantado em 1735. O novo imposto, que recaía sobre cada escravo e sobre cada estabelecimento comercial, era percebido pelos colonos como excessivamente oneroso e injusto, especialmente por aqueles com menor número de escravos ou em atividades não diretamente relacionadas à mineração aurífera.[1]
Os historiadores situam os Motins do Sertão como parte da longa série de revoltas que caracterizaram a Capitania de Minas Gerais ao longo do século XVIII, desde a Guerra dos Emboabas (1707–1709) até a Inconfidência Mineira (1789). Esses conflitos revelavam a tensão estrutural entre as exigências fiscais crescentes da metrópole e a resistência de uma sociedade colonial marcada pelo espírito de independência forjado na mineração.
Migração e novas fronteiras
Em 1736–1737, os arraiais de Minas Novas e de outras localidades de Minas Gerais sofreram ampla deserção, pois mineradores partiam em direção às novas minas de Goiás, onde as perspectivas de riqueza ainda pareciam promissoras. Esse movimento migratório reduzia temporariamente a produção em Minas Gerais e transferia pressão demográfica para Goiás.[2]
Em Goiás, o ano de 1736 registrava já cerca de 10.236 escravizados nas minas, evidenciando a rápida expansão da fronteira aurífera e o consequente aumento do tráfico negreiro para o interior da colônia.
Lei de fevereiro sobre ouro e diamantes
Em fevereiro de 1736, o rei dom João V promulgou lei determinando que todo o transporte de ouro, diamantes e outras pedras preciosas deveria ser realizado nos cofres das Naus de Comboio portuguesas, para que a carga fosse posteriormente enviada à Casa da Moeda em Lisboa, onde seria cobrada a porcentagem devida à Coroa. A lei buscava eliminar o contrabando e garantir que a totalidade da produção mineral transitasse sob supervisão real.[3]
Igreja Católica
Em 1736, o Arraial de Nossa Senhora do Rosário — um dos primeiros núcleos urbanos de Goiás — contava com sua matriz em construção, iniciada entre 1728 e 1732. A presença de uma irmandade de Nossa Senhora do Rosário era constante nos novos arraiais, sendo geralmente a primeira associação religiosa a se organizar entre a população de origem africana. Nessas irmandades, a fé católica e as tradições culturais africanas se entrelaçavam na confecção de festas, na eleição de reis congos e na construção de uma identidade coletiva de resistência e esperança.[4]
Ver também
Ligações externas
Referências
- ↑ Minas 300 Anos — Portal do Governo de Minas Gerais. «Levante de 1720 e a Criação da Capitania». Disponível em: https://www.minas300anos.mg.gov.br/noticias-e-artigos/levante-de-1720-e-a-criacao-da-capitania/. Acesso em mar. 2026.
- ↑ A. J. R. Russell-Wood. «O Brasil Colonial: o Ciclo do Ouro, c. 1690–1750». Disponível em: https://docs.ufpr.br/~lgeraldo/historiadobrasil/russelwood.pdf. Acesso em mar. 2026.
- ↑ Arquivo Nacional. Correspondência ativa e passiva dos governadores do Rio de Janeiro com a Corte. Cód. 80, vol. 07. Datas-limite: 1737–1744. Carta de Gomes Freire de Andrade de 15 de julho de 1736.
- ↑ Instituto Galeno. «Geo-história de Goiás». Apostila. Goiânia, s/d. p. 10.

