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Uqueba ibne Abi Muaite
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Abu Alualide Uqueba ibne Abi Muaite ibne Abi Anre ibne Omaia Alumaui (em árabe: أبو الوليد عقبة بن أبي معيط بن أبي عمرو بن أمية الأموي; romaniz.: Abū al-Walīd ʿUqba ibn Abī Muʿayṭ ibn Abī ʿAmr ibn Umayya al-Umawī; 624) foi um aristocrata dos Banu Omaia, um dos mais ricos e influentes coraixitas de Meca e um dos mais destacados adversários de Maomé durante o período mecano. Desde os primeiros anos da pregação islâmica, participou ativamente da perseguição aos muçulmanos, tornando-se célebre nas fontes islâmicas pelos maus-tratos infligidos a Maomé e por sua participação nas conspirações destinadas a impedir a difusão do islã. As tradições islâmicas o associam a diversos episódios da vida de Maomé, entre eles a consulta a sábios judeus sobre questões destinadas a testar sua profecia, a tentativa de estrangulá-lo junto à Caaba, o lançamento de vísceras de um camelo sobre Maomé durante a oração e a conspiração para assassiná-lo antes da Hégira. Também o relacionam à revelação de diversas passagens do Alcorão, especialmente das suras al-Kahf, al-Furqan e al-Mumtahina. Capturado na Batalha de Badre, foi um dos dois únicos prisioneiros cuja execução foi ordenada por Maomé em razão das perseguições e violências que haviam praticado contra os primeiros muçulmanos. Sua morte marcou o fim de um dos mais persistentes opositores do islã entre a aristocracia coraixita.
Vida
Uqueba ibne Abu Muaite pertencia ao ramo omíada dos coraixitas, descendendo de Abu Anre, filho de Omaia ibne Abede Xemece, ancestral epônimo dos omíadas. Antes do surgimento do islã figurava entre os homens mais ricos e influentes de Meca. Ainda na juventude, Abedalá ibne Maçude trabalhou como pastor de seus rebanhos. Desde os primeiros anos da missão profética de Maomé, tornou-se um de seus mais ferrenhos adversários, sendo descrito pelas fontes como um dos principais líderes da perseguição aos primeiros muçulmanos e o mais cruel entre eles (ašqā al-qawm). Vizinho de Maomé, costumava lançar lixo diante da porta de sua casa juntamente com Abu Laabe. Em certa ocasião, quando despejava um cesto de imundícies, foi surpreendido por Tulaibe ibne Omeir, sobrinho de Maomé, que lhe tomou o cesto e o golpeou com ele na cabeça. As fontes também o incluem entre os oito zindiques de Coraixe e relatam que, ao lado de Anadre ibne Alharite, foi enviado a Iatrebe para consultar sábios judeus sobre como pôr à prova Maomé. Estes recomendaram que lhe perguntassem acerca dos Companheiros da Caverna, de Dulcarnaim e do espírito. Maomé prometeu responder no dia seguinte, mas, por não dizer "se Deus quiser", a revelação demorou quinze dias. O episódio é tradicionalmente relacionado aos versículos 23 e 24 da sura al-Kahf.[1]
Sua amizade com Ubai ibne Calafe tornou-se célebre na tradição islâmica. Quando Ubai soube que Uqueba havia conversado com Maomé e, segundo algumas versões, pronunciado a profissão de fé para que Maomé aceitasse um convite para uma refeição, ameaçou romper relações caso ele não renegasse publicamente o islã e insultasse Maomé. Uqueba cedeu à pressão, episódio que as fontes relacionam à revelação dos versículos 27 a 29 da sura al-Furqan. Os relatos tradicionais lhe atribuem alguns dos episódios mais violentos da perseguição a Maomé. Sob instigação de Abu Jal, lançou sobre Maomé, enquanto este orava junto à Caaba, as vísceras de uma camela recém-parida. Em outra ocasião, envolveu o pescoço de Maomé com sua própria roupa e tentou estrangulá-lo durante a oração, sendo impedido por Abu Becre, que interveio em sua defesa. Em resposta a essas agressões, Maomé invocou Deus contra diversos líderes coraixitas, entre eles Uqueba, Abu Jal, Oteba ibne Rabia, Xaiba ibne Rabia e Omaia ibne Calafe. Após a morte de Abu Talibe, participou ainda, juntamente com Abu Jal, da campanha destinada a convencer Abu Laabe a retirar a proteção concedida a Maomé. Uqueba integrou também o grupo que cercou a casa de Maomé na noite da Hégira, participando da conspiração para assassiná-lo.[1] Depois da migração para Medina, continuou incentivando a guerra contra os muçulmanos. Quando Omaia ibne Calafe hesitou em participar da Batalha de Badre por causa da idade avançada e da obesidade, Uqueba ridicularizou-o, levando-lhe um recipiente com brasas e madeira aromática, chamando-o de covarde e sugerindo ironicamente que usasse incenso como as mulheres.[2] Também persuadiu Haquime ibne Hizame a acompanhar o exército coraixita.[3]
Durante a batalha de Badre foi capturado por Abedalá ibne Salama, dos ançares. Embora Maomé tivesse ordenado que os prisioneiros fossem tratados com benevolência, determinou a execução de apenas dois deles: Uqueba ibne Abu Muaite e Anadre ibne Alharite, em razão das perseguições e maus-tratos que haviam infligido aos muçulmanos. Segundo as tradições, ao perguntar por que seria executado quando os demais prisioneiros seriam libertados, ouviu de Maomé que isso ocorreria por sua incredulidade, sua hostilidade contra Deus e seu Mensageiro e pelos insultos que lhe dirigira. Ao perguntar quem cuidaria de seus filhos, recebeu como resposta apenas a palavra "o Fogo". Foi executado em Irque Azubia ou em Safra, por Ácime ibne Tabite ou Ali ibne Abi Talibe, segundo diferentes tradições. Após a morte de Afane ibne Abi Alás, pai de Otomão ibne Afane, Uqueba casou-se com sua viúva, Arua binte Curaize, mãe de Otomão. Dessa união nasceram seis filhos: Alualide, Umara, Calide, Ume Cultume, Ume Haquime e Hinde. Quase todos se converteram posteriormente ao islã. Sua filha Ume Cultume binte Uqueba destacou-se por emigrar para Medina após o Tratado de Hudaibia, episódio relacionado à revelação do versículo 10 da sura al-Mumtahina. Seu filho Alualide ibne Uqueba exerceu o governo de Cufa durante o califado de Otomão, e seus descendentes estabeleceram-se principalmente no Iraque e na Alta Mesopotâmia.[3]
Referências
- 1 2 Yiğit 2012, p. 63.
- ↑ Yiğit 2012, pp. 63–64.
- 1 2 Yiğit 2012, p. 64.
Bibliografia
- Yiğit, İsmail (2012). «Ukbe b. Ebû Muayt» [Uqueba ibne Abu Muaite]. TDV İslâm Ansiklopedisi [Enciclopédia Islâmica TDV]. 42. Istambul: Türkiye Diyanet Vakfı İslâm Ansiklopedisi. pp. 63–64. Consultado em 2 de agosto de 2026
