Saúde
Omaia ibne Calafe
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Abu Safuane Omaia ibne Calafe ibne Uabe Alcoraixi Aljumai (em árabe: أبو صفوان أمية بن خلف بن وهب القرشي الجمحي; romaniz.: Abū Ṣafwān Umayya ibn Khalaf ibn Wahb al-Qurashī al-Jumaḥī; 624) foi um rico comerciante, chefe do clã dos jumaítas e um dos principais líderes dos coraixitas de Meca durante os primeiros anos da pregação de Maomé. Figura de destaque entre os opositores do islã nascente, participou das principais iniciativas da aristocracia mequense para impedir a difusão da nova religião e tornou-se conhecido pela perseguição aos primeiros muçulmanos, especialmente por ter submetido seu escravo Bilal ibne Rabá a severas torturas após sua conversão. As fontes islâmicas o associam a diversos episódios da vida de Maomé, incluindo as delegações enviadas a Abu Talibe para pressionar Maomé a abandonar sua missão, a conspiração para assassiná-lo antes da Hégira e a perseguição que se seguiu até a Caverna de Taur. Também lhe atribuem participação em circunstâncias relacionadas à revelação de diversas suras do Alcorão, embora algumas dessas tradições sejam objeto de divergência entre os exegetas. Embora inicialmente relutasse em combater, participou da Batalha de Badre, onde foi morto depois de cair prisioneiro. A tradição islâmica interpretou sua morte como um ato de vingança dos primeiros muçulmanos perseguidos, sobretudo de Bilal, tornando-o um dos mais emblemáticos adversários de Maomé na historiografia islâmica primitiva.
Vida
Omaia ibne Calafe pertencia ao ramo dos jumaítas da tribo dos coraixitas e era um dos mais ricos comerciantes e chefes tribais de Meca na época do surgimento do islã.[1] Juntamente com seu irmão Ubai ibne Calafe, figurava entre os principais líderes da cidade, sendo citado pelas fontes como um dos homens que os politeístas julgavam mais dignos de receber a revelação do Alcorão. Desde o início da pregação de Maomé, participou de praticamente todas as iniciativas empreendidas pela aristocracia coraixita para persuadir ou constranger Maomé a abandonar sua mensagem. Entre elas, integrou as delegações enviadas a Abu Talibe para que impedisse seu sobrinho de continuar pregando e esteve entre os líderes que desafiaram Maomé a transformar o monte Safa em ouro como prova de sua missão profética. As fontes islâmicas o apresentam como um dos mais destacados opositores de Maomé. Segundo Ibne Isaque, sua atitude de escárnio e difamação contra Maomé motivou a revelação da sura al-Humaza, embora a exegese tradicional não considere essa identificação consensual.[2] Também é citado entre os líderes coraixitas aos quais teria sido dirigida a al-Kafirun e figura em tradições relativas à revelação das suras Abasa, al-Humaza e al-Lail. Em um episódio preservado pelos relatos biográficos, encontrava-se entre os coraixitas que zombavam de Maomé enquanto este orava junto à Caaba, quando Uqueba ibne Abu Muaite, instigado por Abu Jal, lançou sobre Maomé as vísceras de uma camela recém-parida. Em resposta, Maomé invocou Deus contra Abu Jal, Oteba ibne Rabia, Xaiba ibne Rabia, Uqueba ibne Abu Muaite e Omaia ibne Calafe.[3]
Seu nome permanece particularmente associado ao de Bilal ibne Rabá, um dos primeiros convertidos ao islã e seu escravo. Após a conversão de Bilal, Omaia submeteu-o a severas torturas, expondo-o ao sol escaldante com uma pesada pedra sobre o peito para obrigá-lo a renunciar ao islã e voltar a adorar Alate e Aluzá.[1] A resistência de Bilal, que repetia "Deus é um, Deus é um" durante o suplício, transformou-o em símbolo da perseverança dos primeiros muçulmanos perseguidos.[3] Por esse motivo, a tradição islâmica passou a considerar Omaia um dos principais representantes da perseguição aos fiéis e chegou a descrevê-lo como o raʾīs al-kufr ("chefe da incredulidade").[4] Pouco antes da Hégira, Omaia participou da reunião realizada na Dar Anadua, na qual os líderes coraixitas decidiram assassinar Maomé, e integrou o grupo que perseguiu Maomé até a entrada da Caverna de Taur. Depois da migração para Medina, manteve sua hostilidade aos muçulmanos. A Expedição de Buate foi organizada por Maomé para interceptar uma caravana coraixita de cerca de 2 500 camelos que viajava sob sua proteção com uma escolta de aproximadamente cem homens.[3]
Embora relutasse em participar da Batalha de Badre, alegando idade avançada e obesidade, Omaia acabou integrando o exército coraixita depois de ser ridicularizado por Uqueba ibne Abu Muaite, que o acusou de covardia. As fontes acrescentam que ele evitava combater porque sabia da profecia de Maomé segundo a qual morreria em batalha.[5] Também financiou a caravana cuja tentativa de proteção desencadeou o conflito, investindo nela dois mil meticais de ouro, e contribuiu para o abastecimento do exército durante a marcha. Quando a batalha começou a favorecer os muçulmanos, procurou entregar-se a seu antigo amigo Abederramão ibne Aufe, esperando ser feito prisioneiro. Bilal, porém, reconheceu-o e exclamou: "Eis o chefe da incredulidade! Se ele escapar, eu não sobreviverei". Reunindo vários combatentes, Bilal cercou Omaia e seu filho Ali, que acabaram mortos. Embora algumas tradições atribuam a morte de Omaia ao próprio Bilal e outras a diferentes combatentes — havendo relatos de que Ali foi morto por Amar ibne Iacir —, todas concordam que sua morte foi interpretada como uma vingança dos antigos oprimidos contra um de seus principais perseguidores.[1] Teve um filho, Safuane ibne Omaia, que se converteu ao islã após o retorno da Expedição de Taife. Seu neto Abedalá ibne Safuane pertenceu à geração dos tabis e era conhecido entre a aristocracia coraixita por sua generosidade e inteligência.[6]
Referências
- 1 2 3 Muranyi 2000, pp. 839–840.
- ↑ Muranyi 2000, p. 839.
- 1 2 3 Varol 2012, p. 305.
- ↑ Muranyi 2000, p. 840.
- ↑ Varol 2012, pp. 305–306.
- ↑ Varol 2012, p. 306.
Bibliografia
- Muranyi, M. (2000). «Umayya b. Khalaf». In: Bearman, P. J.; Bianquis, Th.; Bosworth, C. E.; van Donzel, E.; Heinrichs, W. P. The Encyclopaedia of Islam, Second Edition. Volume X: T–U. Leida: E. J. Brill. pp. 172–175. ISBN 978-90-04-11211-7
- Varol, Mehmet Bahaüddin (2012). «Ümeyye b. Halef» [Omaia ibne Calafe]. TDV İslâm Ansiklopedisi [Enciclopédia Islâmica TDV]. 42. Istambul: Türkiye Diyanet Vakfı İslâm Ansiklopedisi. pp. 305–306. Consultado em 2 de agosto de 2026
