Saúde
KGB
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| Комитет государственной безопасности (КГБ СССР) Komitet gosudarstvennoy bezopasnosti (KGB SSSR) | |
| Resumo da agência | |
|---|---|
| Formação | 13 de março de 1954 |
| Dissolução | 3 de dezembro de 1991 |
| Predecessores | |
| Tipo | Serviço de inteligência |
| Jurisdição | Comitê Central e Conselho de Ministros (1954–1990) Soviete Supremo e Presidente (1990–1991) |
| Sede | Lubianka, Moscou, União Soviética |
| Lema | "Верность партии — Верность Родине (Lealdade ao partido — Lealdade à pátria)" |
O Comitê de Segurança do Estado (em russo: Комитет государственной безопасности; romaniz.: Komitet gosudarstvennoy bezopasnosti, IPA: [kəmʲɪˈtʲed ɡəsʊˈdarstvʲɪn(ː)əj bʲɪzɐˈpasnəsʲtʲɪ]), abreviado como KGB (em russo: КГБ, IPA: [ˌkɛɡɛˈbɛ]; ⓘ), foi o principal serviço de inteligência da União Soviética de 1954 a 1991. Foi o sucessor direto de órgãos soviéticos de polícia secreta anteriores, incluindo a Tcheka, o OGPU e o NKVD. Vinculado ao Conselho de Ministros, era o principal órgão governamental de "jurisdição de toda a União e das repúblicas", desempenhando funções de segurança interna, inteligência estrangeira, contraespionagem e polícia secreta. Órgãos semelhantes operavam em cada uma das repúblicas da União Soviética, exceto na RSFS da Rússia, onde ficava a sede do KGB, com diversos ministérios, comitês estatais e comissões estatais associados.
O órgão era um serviço militar regido pelas leis e regulamentos do exército, de modo semelhante ao Exército Soviético ou às Tropas Internas do MVD. Embora a maior parte dos arquivos do KGB permaneça confidencial, duas fontes documentais estão disponíveis na internet.[1][2] Suas principais funções eram inteligência estrangeira, contraespionagem, atividades operativas e investigativas, proteção da fronteira estatal da URSS, proteção da liderança soviética, manutenção da segurança das comunicações governamentais, bem como o combate à dissidência e ao separatismo na sociedade soviética.
Em 3 de dezembro de 1991, o KGB foi oficialmente dissolvido.[3] Foi sucedido na Rússia pelo Serviço de Inteligência Estrangeiro (SVR) e pelo que posteriormente se tornaria o Serviço Federal de Segurança (FSB). Após a Guerra da Ossétia do Sul de 1991–1992, a autoproclamada República da Ossétia do Sul estabeleceu seu próprio KGB, mantendo o nome sem alterações.[4] Além disso, a Bielorrússia estabeleceu em 1991 seu sucessor do KGB da RSS Bielorrussa, a KGB bielorrussa, também mantendo o nome sem alterações.
História
A reestruturação do MVD após a queda de Beria, em junho de 1953, resultou na formação do KGB sob Ivan Serov, em março de 1954.
O secretário Leonid Brejnev derrubou o primeiro-ministro Nikita Khrushchov em 1964. Brejnev (no poder de 1964 a 1982) preocupava-se com chefes de espionagem ambiciosos: o Partido Comunista havia lidado com o sucessor de Serov, o ambicioso presidente do KGB Alexander Shelepin (no cargo de 1958 a 1961), mas Shelepin participou do golpe de Estado palaciano de Brejnev contra Khrushchov em 1964, apesar de já não estar no KGB. Brejnev demitiu o sucessor e protegido de Shelepin, Vladimir Semichastny (no cargo de 1961 a 1967), da presidência do KGB e o transferiu para uma sinecura na República Socialista Soviética da Ucrânia. Shelepin foi rebaixado, em 1965, da presidência do Comitê de Controle do Partido e do Estado e passou a presidir o Conselho Sindical entre 1967 e 1975.
Na década de 1980, a glasnost soviética levou o presidente do KGB Vladimir Aleksandrovitch Kriutchkov (no cargo de 1988 a 1991) a liderar a tentativa de golpe de Estado soviética de agosto de 1991, numa tentativa de depor o presidente Mikhail Gorbatchov. O fracasso do golpe de Estado e a dissolução da URSS anunciaram o fim do KGB em 3 de dezembro de 1991. Os sucessores atuais do KGB são o FSB (Serviço Federal de Segurança da Federação Russa) e o SVR (Serviço de Inteligência Estrangeiro).
Nos Estados Unidos
Entre as guerras mundiais
O GRU (serviço de inteligência militar estrangeira da União Soviética) recrutou o agente ideológico Julian Wadleigh, que se tornou diplomata do Departamento de Estado em 1936. A primeira operação do NKVD nos Estados Unidos consistiu em estabelecer a residência legal de Boris Bazarov e a residência ilegal de Iskhak Akhmerov em 1934.[5] Durante todo esse período, o Partido Comunista dos Estados Unidos (CPUSA) e seu secretário-geral Earl Browder ajudaram o NKVD a recrutar norte-americanos que trabalhavam no governo, nos negócios e na indústria.[6]
Outros agentes ideológicos importantes, de níveis inferior e superior, foram os diplomatas Laurence Duggan e Michael Straight no Departamento de Estado, o estatístico Harry Dexter White no Departamento do Tesouro, o economista Lauchlin Currie (assessor de F. D. Roosevelt) e o "Grupo Silvermaster", chefiado pelo estatístico Greg Silvermaster, na Farm Security Administration e no Board of Economic Warfare.[7] Além disso, quando Whittaker Chambers, antigo mensageiro de Alger Hiss, procurou o governo Roosevelt para identificar os espiões soviéticos Duggan, White e outros, foi ignorado. Assim, durante a Segunda Guerra Mundial (1939–1945), nas conferências de Teerã (1943), Ialta (1945) e Potsdam (1945), Josef Stalin, líder da URSS e integrante dos Três Grandes Aliados, estava mais bem informado sobre os assuntos de guerra de seus aliados norte-americanos e britânicos do que estes sobre os dele.[8]
A espionagem soviética alcançou seu maior sucesso na coleta de inteligência científica e tecnológica sobre avanços em propulsão a jato, radar e encriptação, o que impressionou Moscou, mas o roubo de segredos atômicos foi o ponto culminante da espionagem do NKVD contra a ciência e a tecnologia anglo-americanas. O físico britânico Klaus Fuchs, integrante da equipe do Projeto Manhattan e agente do GRU desde 1941, foi o principal agente da rede de espionagem de Rosenberg.[9] Em 1944, a residência de Nova Iorque infiltrou o ultrassecreto Laboratório Nacional de Los Alamos, no Novo México, recrutando Theodore Hall, um físico de Harvard de 19 anos.[10][11]
Durante a Guerra Fria
O KGB não conseguiu reconstruir a maior parte de suas redes de residentes ilegais nos Estados Unidos. As consequências da segunda Ameaça Vermelha (1947–1957) e a crise no CPUSA dificultaram o recrutamento. O último grande residente ilegal, Rudolf Abel (Vilyam Genrikhovich Fisher/"Willie" Vilyam Fishers), foi traído por seu assistente Reino Häyhänen em 1957.[12]
O recrutamento passou então a enfatizar agentes mercenários, abordagem particularmente bem-sucedida na espionagem científica e técnica, pois a indústria privada mantinha uma segurança interna pouco rigorosa, ao contrário do governo dos Estados Unidos. Um sucesso notável do KGB ocorreu em 1967, com o recrutamento espontâneo do oficial da Marinha dos Estados Unidos John Anthony Walker. Ao longo de dezoito anos, Walker permitiu que a inteligência soviética decifrasse cerca de um milhão de mensagens da Marinha dos Estados Unidos e acompanhasse seus movimentos.[13]
No final da Guerra Fria, o KGB obteve sucessos de inteligência com os recrutas mercenários que se ofereceram espontaneamente: o agente de contraespionagem do FBI Robert Hanssen (1979–2001) e o oficial da Divisão Soviética da CIA Aldrich Ames (1985–1994).[14]
No Bloco Soviético

Era política da Guerra Fria que o KGB da União Soviética e os serviços secretos dos Estados satélites monitorassem extensivamente a opinião pública e privada, a subversão interna e possíveis conspirações revolucionárias no Bloco Soviético. Ao apoiar esses governos comunistas, o KGB foi fundamental para esmagar a Revolução Húngara de 1956 e a Primavera de Praga do "Socialismo com face humana" na Checoslováquia, em 1968.[15][16]
Durante a revolta húngara, o presidente fundador do KGB, Ivan Serov, supervisionou pessoalmente a "normalização" do país após a invasão.[17] Consequentemente, o KGB monitorava as populações dos Estados satélites em busca de "atitudes nocivas" e "atos hostis"; contudo, deter a Primavera de Praga, derrubando um governo comunista nacionalista, foi sua maior realização.
O KGB preparou a rota do Exército Vermelho infiltrando a Checoslováquia com numerosos residentes ilegais disfarçados de turistas ocidentais. Eles deveriam conquistar a confiança e espionar os defensores mais francos do novo governo de Alexander Dubček. Deveriam plantar provas de subversão que justificassem a invasão soviética, segundo as quais grupos de direita, auxiliados por agências de inteligência ocidentais, planejavam derrubar o governo comunista da Checoslováquia. Por fim, o KGB preparou membros de linha-dura, pró-URSS, do Partido Comunista da Checoslováquia (KSČ), como Alois Indra e Vasiľ Škultéty, para assumir o poder após a invasão do Exército Vermelho.[18]
O sucesso do KGB na Checoslováquia na década de 1960 foi contraposto pelo fracasso em reprimir o movimento sindical Solidarność na Polônia dos anos 1980. O KGB havia previsto instabilidade política como consequência da eleição do arcebispo de Cracóvia Karol Wojtyła como o primeiro papa polonês, João Paulo II, que classificara como "subversivo" por causa de seus sermões anticomunistas contra o regime de partido único do Partido Operário Unificado Polonês (PZPR). Apesar de sua previsão precisa da crise, o PZPR impediu que o KGB destruísse o nascente movimento político apoiado pelo Solidarność, temendo uma explosão de violência civil caso impusesse a lei marcial recomendada pelo KGB. Auxiliado por seu equivalente polonês, o Serviço de Segurança (Służba Bezpieczeństwa—SB), o KGB infiltrou com sucesso espiões no Solidarność e na Igreja Católica,[19] e, na Operação X, coordenou a declaração da lei marcial com o general Wojciech Jaruzelski e o Partido Comunista Polonês;[20] contudo, a abordagem polonesa vacilante e conciliatória reduziu a eficácia do KGB, e o Solidarność posteriormente enfraqueceu de forma fatal o governo comunista polonês em 1989.
Nadezhin considerava que a China ameaçava a URSS ao reivindicar um direito histórico sobre regiões sob controle soviético. A China também pretendia substituir a URSS como líder do movimento socialista internacional.[21] O KGB pretendia infiltrar os serviços de segurança chineses com "um número suficiente de agentes". Altos agentes também acreditavam que o KGB precisava fazer mais para garantir a proteção da URSS contra espiões chineses.[21]
Operações notáveis
- Com a Operação Truste (1921–1926), o OGPU enganou com sucesso alguns líderes de direita e contrarrevolucionários do Exército Branco, atraindo-os de volta à URSS para serem executados.
- O NKVD infiltrou e destruiu grupos trotskistas; em 1940, o agente espanhol Ramón Mercader assassinou Leon Trótski na Cidade do México.
- O KGB favorecia medidas ativas (por exemplo, desinformação) para desacreditar os inimigos da URSS.
- Para tempos de guerra, o KGB mantinha depósitos de armas preparados para operações de sabotagem nos países-alvo.
Segundo documentos desclassificados, o KGB recrutou agressivamente antigos oficiais de inteligência alemães (principalmente da Abwehr) após a guerra.[22] O KGB os utilizou para penetrar o serviço de inteligência da Alemanha Ocidental.[22]
Na década de 1960, com base nas informações do desertor do KGB Anatoliy Golitsyn, o chefe da contraespionagem da CIA, James Jesus Angleton, acreditava que o KGB possuía agentes infiltrados em dois locais fundamentais — a seção de contraespionagem da CIA e o departamento de contraespionagem do FBI — por meio dos quais conheceria e controlaria a contraespionagem norte-americana para proteger seus agentes infiltrados e dificultar a detecção e captura de outros espiões comunistas. Além disso, a contraespionagem do KGB examinava fontes de inteligência estrangeiras, de modo que os agentes infiltrados pudessem "oficialmente" aprovar como confiável um agente duplo contrário à CIA. Em retrospecto, a captura dos agentes infiltrados Aldrich Ames e Robert Hanssen demonstrou que Angleton, embora ignorado por ser considerado excessivamente agressivo, estava correto, apesar de isso lhe ter custado seu cargo na CIA, que deixou em 1975.
Em meados da década de 1970, o KGB tentou comprar secretamente três bancos no norte da Califórnia para obter acesso a segredos de alta tecnologia. Seus esforços foram frustrados pela CIA. Os bancos eram o Peninsula National Bank, em Burlingame, o First National Bank of Fresno e o Tahoe National Bank, em South Lake Tahoe. Esses bancos haviam feito numerosos empréstimos a empresas de tecnologia avançada e tinham muitos de seus executivos e diretores como clientes. O KGB utilizou o Moscow Narodny Bank para financiar a aquisição e um intermediário, o empresário singapurense Amos Dawe, como testa de ferro.[23]
Bangladesh
Em 2 de fevereiro de 1973, o Politburo, então liderado por Iúri Andropov, exigiu que integrantes do KGB exercessem influência em Bangladesh, onde Sheikh Mujibur Rahman deveria vencer as eleições parlamentares. Durante esse período, o serviço secreto soviético empenhou-se em garantir apoio a seu partido e a seus aliados e chegou a prever uma vitória fácil. Em junho de 1975, Mujib formou um novo partido chamado BAKSAL e criou um Estado de partido único. Três anos depois, o efetivo do KGB naquela região aumentou de 90 para 200 agentes e, em 1979, publicou mais de 100 artigos em jornais. Nesses artigos, os funcionários do KGB acusavam Ziaur Rahman, popularmente conhecido como "Zia", e seu regime de manter vínculos com os Estados Unidos.[24]
Em agosto de 1979, o KGB acusou alguns oficiais presos em Daca de envolvimento numa tentativa de golpe e, em outubro, Andropov aprovou a fabricação de uma carta na qual se afirmava que Muhammad Ghulam Tawab, então vice-marechal do ar, era o principal conspirador, levando a imprensa de Bangladesh, da Índia e do Sri Lanka a acreditar que ele era um espião norte-americano. Sob o comando de Andropov, o Serviço A, uma divisão do KGB, falsificou informações numa carta dirigida a Moudud Ahmed, na qual se dizia que ele era apoiado pelo governo norte-americano, e em 1981 chegou a enviar uma carta acusando a administração Reagan de conspirar para derrubar o presidente Zia e seu regime. A carta também mencionava que, após o assassinato de Mujib, os Estados Unidos haviam contatado Khondaker Mostaq Ahmad para substituí-lo como presidente interino. Quando ocorreram eleições no fim de 1979, o KGB assegurou que o Partido Nacionalista de Bangladesh vencesse. O partido recebeu 207 das 300 cadeiras, mas o regime de Zia não durou muito: caiu em 29 de maio de 1981, quando, após diversas tentativas de fuga, Zia foi assassinado em Chatigão.[24]
Afeganistão

O KGB começou a infiltrar-se no Afeganistão já em 27 de abril de 1978. Naquele período, o Partido Democrático do Povo do Afeganistão (PDPA)[25] planejava derrubar o presidente Mohammed Daoud Khan. Sob a liderança do major-general Sayed Mohammad Gulabzoy e de Muhammad Rafi — com os nomes de código Mammad e Niruz, respectivamente —, o serviço secreto soviético soube do levante iminente. Dois dias após o levante, Nur Mohammad Taraki, líder do PDPA, enviou uma manifestação de preocupação ao embaixador soviético Alexander Puzanov e ao residente do KGB na embaixada em Cabul, Viliov Osadchy, afirmando que eles poderiam ter organizado um golpe três dias antes e, portanto, dado o aviso. Tanto Puzanov quanto Osadchy rejeitaram a reclamação de Taraki e a comunicaram a Moscou, que pouco depois rompeu um acordo de 30 anos com ele.[24][26]
O centro então percebeu que seria melhor lidar com um agente mais competente, que na época era Babrak Karmal, o qual posteriormente acusou Taraki de aceitar subornos e até de ter contatado secretamente a embaixada dos Estados Unidos em Cabul. O centro novamente se recusou a ouvir e ordenou que ele assumisse um posto na residência de Cabul até 1974. Em 30 de abril de 1978, Taraki, apesar de estar sem qualquer apoio, liderou o golpe que mais tarde ficou conhecido como Revolução de Saur e tornou-se líder do país, com Hafizullah Amin como vice-presidente do Conselho de Ministros e do Conselho Revolucionário. Em 5 de dezembro de 1978, Taraki comparou a Revolução de Saur à Revolução Russa, o que surpreendeu[necessário esclarecer] Vladimir Aleksandrovitch Kriutchkov, então chefe da Primeira Direção-Geral.[24][26]
Em 27 de março de 1979, depois de perder a cidade de Herate numa insurreição, Amin tornou-se o novo primeiro-ministro e, em 27 de julho, também ministro da Defesa. O centro, porém, preocupava-se com seus poderes, pois naquele mesmo mês Amin apresentou uma reclamação sobre a falta de recursos e exigiu US$ 400 milhões. Além disso, descobriu-se que Amin possuía mestrado pela Universidade Columbia e preferia comunicar-se em inglês em vez de russo. Para os serviços de inteligência de Moscou, Amin sucedeu Taraki e, em 16 de setembro, a Rádio Cabul anunciou que o PDPA havia recebido de Taraki um pedido falso referente a problemas de saúde entre os integrantes do partido. Diante disso, o centro acusou Amin de atividades "terroristas" e o expulsou do partido.[24][26]
No dia seguinte, o general Boris Ivanov, que estava por trás da missão em Cabul juntamente com o general Lev Gorelov e o vice-ministro da Defesa Ivan Pavlovsky, visitou Amin para felicitá-lo por sua chegada ao poder. No mesmo dia, o KGB decidiu prender Sayed Gulabzoy, bem como Mohammad Aslam Watanjar e Assadullah Sarwari; contudo, durante a detenção e a investigação, os três negaram a acusação de que o então ministro da Defesa fosse um agente secreto norte-americano. A negativa foi transmitida a Iúri Andropov e Leonid Brejnev, que, como principais dirigentes do KGB, propuseram a Operação Raduga para salvar a vida de Gulabzoy e Watanjar e enviá-los do Aeródromo de Bagram para Tasquente com passaportes falsos. Com eles e um contêiner lacrado no qual um Sarwari quase sem ar estava deitado, chegaram a Tasquente em 19 de setembro.[24][26]
Durante a continuação da investigação em Tasquente, os três permaneceram sob vigilância em um dos quartos por quatro semanas, enquanto o KGB verificava a confiabilidade de suas alegações. Pouco depois, satisfeitos com os resultados, os soviéticos os enviaram à Bulgária para um retiro secreto. Em 9 de outubro, o serviço secreto soviético realizou uma reunião em que Bogdanov, Gorelov, Pavlonsky e Puzanov discutiram o que fazer com Amin, que havia se mostrado muito duro na reunião. Após duas horas, passaram a temer que Amin estabelecesse uma república islâmica no Afeganistão e decidiram procurar uma forma de recolocar Karmal no poder. Levaram-no secretamente, junto com outros três ministros, para Moscou, onde discutiram como devolvê-lo ao poder. A decisão foi levá-lo de avião de volta a Bagram até 13 de dezembro. Quatro dias depois, o sobrinho de Amin, Asadullah, foi levado a Moscou pelo KGB para tratamento de uma intoxicação alimentar aguda.[24][26]
Em 19 de novembro de 1979, o KGB realizou uma reunião na qual discutiu a Operação Cascade, iniciada no começo daquele ano. A operação realizou bombardeios com a ajuda do GRU e da Primeira Direção-Geral.[26] Em 27 de dezembro, o centro recebeu a notícia de que as forças especiais do KGB, o Grupo Alpha e o Grupo Zenith, apoiadas pelo 154.º OSN GRU, também conhecido como Batalhão Muçulmano, e por paraquedistas do 345.º Regimento Aerotransportado Independente de Guardas, haviam invadido o Palácio Tajbeg e matado Amin e entre 100 e 150 de seus guardas pessoais.[27] Seu filho de 11 anos morreu em consequência de ferimentos causados por estilhaços.[28] Os soviéticos instalaram Karmal como sucessor de Amin. Vários outros edifícios governamentais foram tomados durante a operação, incluindo o prédio do Ministério do Interior, o edifício da Segurança Interna (KHAD) e o edifício do Estado-Maior (Palácio de Darul Aman). Dos 54 operadores do KGB que atacaram o palácio, cinco morreram em combate, incluindo o coronel Grigori Boyarinov, e 32 ficaram feridos. Veteranos do Grupo Alpha consideram essa operação uma das mais bem-sucedidas da história do grupo. Em junho de 1981, havia 370 integrantes no serviço de inteligência afegão controlado pelo KGB em todo o país, sob o comando de Ahmad Shah Paiya, e todos haviam recebido treinamento na União Soviética. Em maio de 1982, o Ministério do Interior foi estabelecido no Afeganistão sob o comando da KHAD. Em 1983, Boris Voskoboynikov tornou-se o novo chefe do KGB, enquanto Leonid Kostromin tornou-se seu vice-ministro.[26]
Agosto de 1991 e dissolução
O KGB foi dissolvido em 3 de dezembro de 1991. Seus órgãos sucessores imediatos foram a Agência Federal de Segurança da RSFSR (AFB),[29] o Serviço de Segurança Inter-Republicano (MSB),[30] o Serviço Central de Inteligência (TsSR) e o Comitê para a Proteção da Fronteira do Estado (KOGG). Em 1993, o KGB foi sucedido, de modo geral, pelo Serviço Federal de Contrainteligência (FSK) da Rússia, que por sua vez era sucessor direto da AFB,[31] e que depois foi substituído pelo Serviço Federal de Segurança da Federação Russa (FSB).[32]
Organização
O Comitê de Segurança do Estado era uma organização militarizada que obedecia à disciplina e aos regulamentos militares. Seu pessoal operacional possuía patentes do Exército, exceto no ramo marítimo das Tropas de Fronteira, que utilizava patentes da Marinha. O KGB era formado por dois componentes principais: órgãos e tropas. Os órgãos incluíam os serviços diretamente envolvidos nas principais funções do comitê — inteligência, contraespionagem, contraespionagem militar etc. As tropas incluíam unidades militares dentro da estrutura do KGB, completamente separadas das Forças Armadas soviéticas: as Tropas de Fronteira, as Tropas de Comunicações Governamentais — que, além de fornecer comunicações entre o governo central e os níveis administrativos inferiores, também asseguravam as comunicações entre o Estado-Maior e os distritos militares —, as Tropas de Serviço Especial — que forneciam guerra eletrônica, ELINT e SIGINT e criptografia —, bem como as Spetsnaz do KGB, como o Regimento do Kremlin, o Grupo Alpha, o Vympel etc. Na época do colapso da União Soviética, em 1991, o KGB possuía a seguinte estrutura:[33]
- Secretariado (gabinete do presidente do KGB) (Секретариат)
- Grupo de Consultores do Presidente do KGB (Группа консультантов при Председателе КГБ)
- Centro de Relações Públicas (Центр общественных связей)
- 1.ª Direção-Geral (Inteligência Externa) (1-е Главное управление (внешняя разведка))
- 2.ª Direção-Geral (Contraespionagem) (2-е Главное управление (контрразведка))
- 3.ª Direção-Geral (Contraespionagem Militar) (3-е Главное управление (военная контрразведка))
- 4.ª Direção (Apoio de contraespionagem à infraestrutura de transportes e comunicações) (4-е Управление (контрразведывательное обеспечение объектов транспорта и связи))
- 5.ª Direção (Polícia política)
- 6.ª Direção (Apoio de contraespionagem à economia) (6-е Управление (контрразведывательное обеспечение экономики))
- 7.ª Direção (Vigilância externa) (7-е Управление (наружное наблюдение))
- 8.ª Direção-Geral (Criptografia) (8-е Главное управление (шифровальное))
- 9.ª Direção (Proteção dos membros de alto escalão do partido)
- 10.º Departamento (Inventário e arquivo) (10-й отдел (учётно-архивный))
- 12.º Departamento (Escutas telefônicas e vigilância em espaços fechados) (12-й отдел (прослушивание телефонов и помещений))
- 15.ª Direção-Geral (Centros de comando governamentais em tempo de guerra) (15-е Главное управление (обслуживание запасных пунктов управления))
- 16.ª Direção (ELINT) (16-е Управление (электронная разведка))
- 17.ª Direção (RECON) (Reconhecimento especial em campo)
- Serviço de Proteção Próxima (proteção próxima, proteção de perímetro, transporte e alimentação de altos funcionários governamentais) (Служба охраны)
- Direção "Z" (Proteção da ordem constitucional) (Управление «З» (защита конституционного строя))
- Direção "OP" (Combate ao crime organizado) (Управление «ОП» (борьба с организованной преступностью))
- Direção "SCh" (Сч), Spetsnaz do KGB.
- Direção-Geral das Tropas de Fronteira (Главное управление пограничных войск)
- Direção Analítica (Аналитическое управление)
- Direção de Inspeção (Инспекторское управление)
- Direção Técnica Operacional (P&D de equipamentos e procedimentos especiais) (Оперативно-техническое управление)
- Departamento de Investigação (Следственный отдел)
- Direção de Comunicações Governamentais (Управление правительственной связи)
- Direção de Pessoal (Управление кадров)
- Direção de Suprimentos (Хозяйственное управление)
- Direção de Construção Militar (Военно-строительное управление)
- Direção Médica Militar (Военно-медицинское управление)
- Departamento de Planejamento Financeiro (Финансово-плановый отдел)
- Departamento de Mobilização (Мобилизационный отдел)
- Departamento Jurídico e de Arbitragem (Юридический отдел с арбитражем)
Afiliações republicanas


A União Soviética era um Estado federal formado por 15 Repúblicas Socialistas Soviéticas constituintes, cada uma com seu próprio governo, que se assemelhava estreitamente ao governo central da URSS. Os escritórios de afiliação republicana reproduziam quase completamente a organização estrutural do KGB central.
- KGB da RSS Bielorrussa / KDB da Bielorrússia (ver Agência de Segurança do Estado da República de Bielorrússia)
- KGB da RSS Ucraniana / KDB da Ucrânia (ver Serviço de Segurança da Ucrânia)
- KGB da RSS Moldava / CSS da Moldávia
- KGB da RSS Estoniana / RJK da Estônia
- KGB da RSS Letã / LPSR Valsts drošības komiteja (VDK)
- KGB da RSS Lituana / VSK da Lituânia
- KGB da RSS Georgiana / KSU da Geórgia
- KGB da RSS Armênia
- KGB da RSS do Azerbaijão / DTK do Azerbaijão
- KGB da RSS Cazaque
- KGB da RSS Quirguiz
- KGB da RSS Uzbeque
- KGB da RSS Turcomena
- KGB da RSS Tajique
- KGB da RSFS da Rússia (criado em 1991; ver Serviço Federal de Contrainteligência e Serviço Federal de Segurança)
Liderança
A liderança era composta pelo presidente do KGB, pelos primeiros vice-presidentes (um ou dois) e pelos vice-presidentes (quatro a seis). Seu Colégio de formulação de políticas era formado pelo presidente, pelos vice-presidentes, pelos chefes das diretorias e pelos presidentes dos KGBs republicanos.
Diretorias
- Primeira Direção-Geral (Operações Estrangeiras) — espionagem no exterior; atualmente corresponde ao Serviço de Inteligência Estrangeiro, ou SVR, em russo.
- Segunda Direção-Geral — contraespionagem e controle político interno.
- Terceira Direção-Geral (Forças Armadas) — contraespionagem militar e vigilância política das Forças Armadas.
- Quarta Direção (Segurança dos Transportes).
- Quinta Direção-Geral — censura e segurança interna contra dissidência artística, política e religiosa; renomeada "Direção Z", para a proteção da ordem constitucional, em 1989.
- Sexta Direção (Contraespionagem Econômica, segurança industrial).
- Sétima Direção (Vigilância) — de cidadãos soviéticos e estrangeiros.
- Oitava Direção-Geral — monitorava e administrava as comunicações nacionais, estrangeiras e ultramarinas, equipamentos criptológicos e pesquisa e desenvolvimento.
- Nona Direção-Geral (Guardas e Serviço de Proteção do KGB) — corpo uniformizado de 40 mil homens encarregado da proteção dos líderes do partido e de suas famílias, da guarda de instalações governamentais críticas, como armas nucleares, da operação do metrô VIP de Moscou e da telefonia segura entre governo e partido. O presidente Iéltsin a transformou no Serviço Federal de Proteção (FPS).
- Décima Quinta Direção (Centros de comando governamentais em tempo de guerra).
- Décima Sexta Direção (SIGINT e interceptação de comunicações) — operava os sistemas telefônicos e telegráficos nacionais e governamentais.
- Décima Oitava Direção-Geral (Investigações) — investigações dentro dos ministérios soviéticos, prevenção da corrupção e de outros crimes. Anteriormente denominada Departamento de Investigação.
- Direção de Guardas de Fronteira, responsável pelas Tropas de Fronteira soviéticas.
- Direção de Operações e Tecnologia — laboratórios de pesquisa para dispositivos de gravação e o Laboratório 12, destinado a venenos e drogas.

Outras unidades
- Departamento de Pessoal do KGB
- Secretariado do KGB
- Equipe de Apoio Técnico do KGB
- Departamento de Finanças do KGB
- Arquivos do KGB
- Irregulares do KGB
- Departamento de Administração do KGB; e
- Comitê do PCUS
- Unidades Spetsnaz (operações especiais) do KGB, como:
- Grupo Alpha
- Grupo Vympel
- Grupo Zenith
- Força de Guarda do Kremlin para o Presidium, entre outros; posteriormente tornou-se o FSO.
Modo de operação

Um artigo da revista Time, de 1983, informou que o KGB era a organização de coleta de informações mais eficaz do mundo.[34] Operava residências de espionagem legais e ilegais nos países-alvo, nas quais um residente legal coletava informações a partir da embaixada ou do consulado soviético e, se fosse descoberto, ficava protegido de processo judicial pela imunidade diplomática. Na pior das hipóteses, o espião comprometido era enviado de volta à União Soviética ou declarado persona non grata e expulso pelo governo do país-alvo. O residente ilegal espionava sem a proteção da imunidade diplomática e trabalhava independentemente das missões diplomáticas e comerciais soviéticas, em situação comparável à de um oficial da CIA sob cobertura não oficial. No início de sua história, o KGB valorizava mais os espiões ilegais do que os legais, pois os ilegais se infiltravam em seus alvos com maior facilidade. A residência do KGB executava quatro tipos de espionagem: (i) política; (ii) econômica; (iii) estratégico-militar; e (iv) desinformação, realizada por meio de "medidas ativas" (Linha PR), contraespionagem e segurança (Linha KR) e inteligência científico-tecnológica (Linha X); as tarefas cotidianas incluíam SIGINT (Linha RP) e apoio aos ilegais (Linha N).[35]
O KGB classificava seus espiões como:
- agentes (uma pessoa que fornece informações); e
- controladores (uma pessoa que transmite informações).
A identidade falsa, ou lenda, assumida por um espião ilegal nascido na URSS era elaborada, utilizando a vida de:
- um "duplo vivo" (um participante das falsificações); ou
- um "duplo morto" (cuja identidade era adaptada ao espião).
O agente então dava credibilidade à identidade falsa vivendo em um país estrangeiro antes de emigrar para o país-alvo. Por exemplo, o KGB enviaria um residente ilegal destinado aos Estados Unidos por meio da embaixada soviética em Ottawa, Canadá.
As técnicas de espionagem incluíam roubar e fotografar documentos, usar nomes de código, contatos, alvos e caixas de correio mortas, além de atuar como "amigo da causa" ou como agente provocador, infiltrando-se no grupo-alvo para semear dissensão, influenciar políticas e organizar sequestros e assassinatos.[36]
Lista de presidentes

| Presidente | Datas |
|---|---|
| Ivan Serov | 1954–1958 |
| Konstantin Lunev | interino em 1958 (8–25 de dezembro) |
| Alexander Shelepin | 1958–1961 |
| Pyotr Ivashutin | interino em 1961 (5–13 de novembro) |
| Vladimir Semichastny | 1961–1967 |
| Iúri Andropov | 1967–1982 |
| Vitaly Fedorchuk | 1982 (maio–dezembro) |
| Viktor Tchebrikov | 1982–1988 |
| Vladimir Aleksandrovitch Kriutchkov | 1988–1991 |
| Leonid Shebarshin | interino em 1991 (22–23 de agosto) |
| Vadim Bakatin | 1991 (agosto–dezembro) |
Insígnias comemorativas e de condecoração
- Trabalhador Homenageado do NKVD, 1940
- 50 anos de Tcheka–KGB, 1967
- 60 anos de Tcheka–KGB, 1977
- 70 anos de Tcheka–KGB, 1987
- Trabalhador Homenageado da Segurança do Estado, 1957
- Insígnia de aniversário dos 10 anos da OGPU, 1927
- Excelente Guarda de Fronteira, 1.ª classe, 1969
- Excelente Guarda de Fronteira, 2.ª classe, 1969
- 70 anos das Tropas de Fronteira do KGB, 1988
- 70 anos do Komsomol Tcheka–KGB
Ver também
- CIA – rival equivalente dos Estados Unidos durante a Guerra Fria
- Agência de Segurança do Estado da República de Bielorrússia
- Cronologia das agências policiais secretas soviéticas
- Diretoria de Inteligência (Cuba)
- Política do Bloco do Leste
- ISI
- Ministério de Segurança do Estado da China
- Arquivo Mitrokhin
- Emissoras de números
- RAW
- SMERSH
- Serviço de Segurança da Ucrânia
- Projeto Venona
Referências
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- ↑ «Rudolph Ivanovich Abel (Hollow Nickel Case)». FBI. Consultado em 19 de janeiro de 2014. Arquivado do original em 26 de novembro de 2015
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Fontes
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Leitura adicional
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