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Tribos da Arábia
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As tribos da Arábia (em árabe: القبائل العربية) habitam a Península Arábica há milhares de anos e tradicionalmente traçam a sua ancestralidade a um de dois antepassados míticos da linhagem árabe: Adenane, cujos descendentes originam do Oeste da Arábia, do Norte da Arábia, da Arábia Oriental e de Centro da Arábia; ou Catã, cujos descendentes originam da Arábia Meridional.[1] Além disso, sustenta-se na religião islâmica que o povo árabe descende de Abraão através do seu filho Ismael.
A partir do século VII, em paralelo com a difusão do Islão, muitos membros destas tribos começaram a migrar e a fixar-se nas várias regiões que foram submetidas durante as primeiras conquistas muçulmanas, incluindo o Levante,[2] a Mesopotâmia,[3] o Egito,[4] o Cuzistão,[5] o Magrebe,[6] e o Sudão.[7] Este fenómeno desencadeou um processo de arabização que influenciou significativamente as mudanças demográficas na maior parte do Norte da África e Sudoeste da Ásia, culminando no crescimento da população árabe muito para além da Península Arábica.[8]
Hoje em dia, estas regiões constituem coletivamente o que é conhecido como o Mundo árabe, excluindo o Cuzistão, que, embora abrigue uma minoria árabe considerável, faz parte do Mundo iraniano. As migrações das tribos árabes desempenharam um papel vital na arabização étnica, cultural, linguística e genética das populações dessas regiões.[9]
Tradição genealógica

O consenso geral entre os genealogistas árabes do século XIV é que os árabes são de três tipos:
- Al-Arab al-Ba'ida (em árabe: العرب البائدة), "Os Árabes Extintos", eram um grupo antigo de tribos na Arábia pré-islâmica que incluía os aditas, os tamuditas, os tasmitas e jadicitas, os laquitas (que incluíam ramos dos sometenos), entre outros. Diz-se que os jadicitas e os tasmitas foram exterminados por genocídio.[10] O Alcorão afirma que o desaparecimento dos aditas e tamuditas ocorreu devido à sua decadência. Escavações arqueológicas recentes revelaram inscrições que fazem referência a Iram dos Pilares, que outrora foi uma grande cidade dos 'Aad.
- Al-Arab al-Ariba (em árabe: العرب العاربة), "Os Árabes Puros", provinham dos árabes catanitas.[11][12]
- Al-Arab al-Mustarabah (em árabe: العرب المستعربة), “Os Árabes Arabizados”, também conhecidos como os árabes adenanitas, eram a progenitura de Ismail, o filho primogénito do patriarca Abraão.
A tribo dos hauazinitas e a tribo dos coraixitas são consideradas árabes adenanitas. Grande parte da linhagem fornecida antes de Maade baseia-se na genealogia bíblica, pelo que persistem dúvidas sobre a exatidão deste segmento da genealogia árabe adenanita.[13] Acredita-se que os adenanitas são descendentes de Ismael através de Adenane, mas a linhagem tradicional adenanita não coincide exatamente com a line bíblica. De acordo com a tradição árabe, os adenanitas são chamados de arabizados porque se acredita que Ismael falava aramaico e egípcio, tendo depois aprendido árabe com uma mulher iemenita cactanita com quem se casou. Portanto, os adenanitas são descendentes de Abraão. A historiografia moderna "revelou a falta de coerência interna deste sistema genealógico e demonstrou que este encontra evidências correspondentes insuficientes".[14]
História pré-islâmica
Primeiras atividades conhecidas
As tribos da Arábia dedicavam-se ao pastoreio nómada e à agricultura por volta de 6000 a.C. Por volta de 1200 a.C., uma rede complexa de colonatos e acampamentos estava estabelecida. Reinos na região sul da Arábia começaram a formar-se e a florescer. As primeiras tribos árabes surgiram dos Beduínos.[15] Uma das principais fontes de rendimento para estas populações era a tributação de caravanas, bem como os tributos cobrados a povoados não beduínos. Também obtinham rendimentos transportando mercadorias e pessoas em caravanas puxadas por camelos domesticados através do deserto.[16]
Referências
- ↑ Retso, Jan (4 de julho de 2013). The Arabs in Antiquity: Their History from the Assyrians to the Umayyads (em inglês). [S.l.]: Routledge. 30 páginas. ISBN 978-1-136-87282-2. Consultado em 25 de agosto de 2022. Cópia arquivada em 26 de agosto de 2022
- ↑ Bierwirth, Henry Christian (1994). Like Fish in the Sea: The Lebanese Diaspora in Côte D'Ivoire, Ca. 1925-1990 (em inglês). [S.l.]: University of Wisconsin--Madison. 42 páginas. Consultado em 25 de agosto de 2022. Cópia arquivada em 26 de agosto de 2022
- ↑ Lane-Pool, Stanley (23 de junho de 2014). Mohammadan Dyn:Orientalism V 2 (em inglês). [S.l.]: Routledge. 109 páginas. ISBN 978-1-317-85394-7. Consultado em 21 de agosto de 2022. Cópia arquivada em 26 de agosto de 2022
- ↑ al-Sharkawi, Muhammad (25 de novembro de 2016). History and Development of the Arabic Language (em inglês). [S.l.]: Taylor & Francis. 180 páginas. ISBN 978-1-317-58864-1. Consultado em 25 de agosto de 2022. Cópia arquivada em 26 de agosto de 2022
- ↑ Arjomand, Saïd Amir (19 de maio de 2014). Social Theory and Regional Studies in the Global Age (em inglês). [S.l.]: SUNY Press. 411 páginas. ISBN 978-1-4384-5161-9. Consultado em 25 de agosto de 2022. Cópia arquivada em 26 de agosto de 2022
- ↑ O'Connell, Monique; Dursteler, Eric R. (23 de maio de 2016). The Mediterranean World: From the Fall of Rome to the Rise of Napoleon (em inglês). [S.l.]: JHU Press. 52 páginas. ISBN 978-1-4214-1901-5. Consultado em 25 de agosto de 2022. Cópia arquivada em 26 de agosto de 2022
- ↑ IBP inc (15 de junho de 2017). Sudan (Republic of Sudan) Country Study Guide Volume 1 Strategic Information and Developments (em inglês). [S.l.]: Lulu.com. 33 páginas. ISBN 978-1-4387-8540-0. Consultado em 25 de agosto de 2022. Cópia arquivada em 26 de agosto de 2022
- ↑ Jenkins, Everett Jr. (7 de maio de 2015). The Muslim Diaspora (Volume 1, 570-1500): A Comprehensive Chronology of the Spread of Islam in Asia, Africa, Europe and the Americas (em inglês). [S.l.]: McFarland. 205 páginas. ISBN 978-1-4766-0888-4. Consultado em 25 de agosto de 2022. Cópia arquivada em 26 de agosto de 2022
- ↑ Nebel, Almut (Junho de 2002). «Genetic Evidence for the Expansion of Arabian Tribes into the Southern Levant and North Africa». American Journal of Human Genetics. 70 (6): 1594–1596. PMC 379148
. PMID 11992266. doi:10.1086/340669 - ↑ Tabari (1 de janeiro de 1987). The History of al-Tabari Vol. 4: The Ancient Kingdoms (em inglês). [S.l.]: SUNY Press. 152 páginas. ISBN 978-0-88706-181-3. Consultado em 25 de agosto de 2022. Cópia arquivada em 26 de agosto de 2022
- ↑ Reuven Firestone (1990). Journeys in Holy Lands: The Evolution of the Abraham-Ishmael Legends in Islamic Exegesis. [S.l.]: SUNY Press. p. 72. ISBN 9780791403310. Consultado em 7 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 3 de junho de 2016
- ↑ Göran Larsson (2003). Ibn García's Shuʻūbiyya Letter: Ethnic and Theological Tensions in Medieval al-Andalus. [S.l.]: BRILL. p. 170. ISBN 9004127402. Consultado em 29 de outubro de 2020. Cópia arquivada em 13 de maio de 2022
- ↑ Em geral: W. Caskel, Ġamharat an-Nasab, das genealogische Werk des Hišām Ibn Muḥammad al-Kalbī, Leiden 1966.
- ↑ Parolin, Gianluca P. (2009). Citizenship in the Arab World: Kin, Religion and Nation-State. [S.l.]: Amsterdam University Press. p. 30. ISBN 978-9089640451 "Os ‘árabes arabizados ou arabizantes’, pelo contrário, são considerados descendentes de Ismael através de Adenane, mas neste caso a genealogia não coincide exatamente com a linha bíblica. O rótulo ‘arabizado’ deve-se à crença de que Ismael falava aramaico e egípcio até se casar com uma mulher iemenita e aprender árabe. Ambas as linhas genealógicas remontam a Sem, filho de Noé, mas apenas os adenanitas podem reivindicar Abraão como seu ascendente, e a linhagem de Maomé, o Selo dos Profetas (khatim al-anbiya'), pode, portanto, ser rastreada até Abraão. A historiografia contemporânea revelou a falta de coerência interna deste sistema genealógico e demonstrou que este encontra evidências correspondentes insuficientes; acredita-se inclusive que a distinção entre cactanitas e adenanitas seja um produto da Era Omíada, quando a guerra de fações (al-niza al-hizbi) assolava o jovem Império Islâmico."
- ↑ Chatty, Dawn (2009). «Culture Summary: Bedouin». Consultado em 21 de agosto de 2022. Cópia arquivada em
|arquivourl=requer|arquivodata=(ajuda) 🔗 Parâmetro desconhecido|sítio=ignorado (ajuda) - ↑ Beckerleg, Susan. London School of Hygiene and Tropical Medicine, ed. «Hidden History, Secret Present: The Origins and Status of African Palestinians». Consultado em 21 de agosto de 2022. Cópia arquivada em
|arquivourl=requer|arquivodata=(ajuda) 🔗 Traduzido por Salah Al Zaroo.
