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Sade ibne Ubada
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Sade ibne Ubada (em árabe: سعد بن عبادة; romaniz.: Saʿd ibn ʿUbāda; m. 635/6) foi um companheiro de Maomé, chefe dos saidaítas, um ramo dos cazerajitas, e um dos principais líderes dos ançares. Figura entre os primeiros habitantes de Iatrebe (atual Medina) a converterem-se ao islão, participou do Segundo Pacto de Ácaba e foi escolhido como um dos doze naquibes da comunidade muçulmana de Medina. Após a morte de Maomé, tornou-se o principal candidato dos ançares ao califado durante a reunião do Saquifa dos saidaítas, embora Abu Becre acabasse sendo escolhido para o cargo.
Vida
Sade ibne Ubada era chefe dos saidaítas, um dos ramos dos cazerajitas, e era considerado um dos cámil (kāmil), denominação atribuída aos homens que reuniam habilidades como leitura e escrita, natação e proficiência no tiro com arco. Foi um dos primeiros habitantes de Iatrebe a aceitar o islão e participou do Segundo Pacto de Ácaba, no qual foi escolhido por Maomé como um dos doze naquibes responsáveis pela organização da comunidade muçulmana. Durante o retorno a Medina, foi capturado por coraixitas que haviam tomado conhecimento do acordo firmado em Ácaba, sendo libertado graças à intervenção de influentes aliados mequenses, entre eles Mutime ibne Adi. Após a Hégira, tornou-se um dos mais próximos colaboradores de Maomé, que lhe confiou importantes responsabilidades militares e administrativas. Participou de todas as campanhas do profeta, com exceção da Batalha de Badre, da qual se ausentou em razão de uma enfermidade, embora tenha contribuído para sua preparação fornecendo vinte camelos ao exército e, segundo algumas tradições, recebido parte do espólio em reconhecimento por esse apoio. Exerceu ainda o posto de porta-estandarte dos ançares e, quando os cazerajitas e os aucitas passaram a possuir estandartes distintos, tornou-se porta-estandarte dos cazerajitas.[1][2]
Conhecido por sua riqueza, Sade destinava grande parte de seus recursos ao sustento da comunidade muçulmana. Antes do islão, enviava anualmente camelos para serem sacrificados à deusa Manate. Após sua conversão, passou a fornecer animais, provisões e equipamentos às expedições de Maomé, acolheu emigrantes mequenses em sua residência e figurou entre os principais benfeitores dos habitantes da Sufa. Durante a campanha contra os curaizaítas, encarregou-se do abastecimento do exército e, após a expulsão dos nadiritas, defendeu que todos os bens confiscados fossem distribuídos entre os emigrantes necessitados. Sade também integrou o círculo de conselheiros cujas opiniões eram frequentemente solicitadas por Maomé. Quando o profeta foi ferido na Batalha de Uude, auxiliou-o no retorno a Medina. Maomé visitava regularmente sua casa e dirigia orações por sua família. Após a morte de sua mãe, Anra binte Maçude, aconselhou-o a realizar uma obra de beneficência em sua memória, sugerindo a construção de um poço para abastecimento de água, recomendação que Sade prontamente cumpriu.[1]
Durante os primeiros anos da comunidade de Medina, Sade disputou a liderança dos cazerajitas com Abedalá ibne Ubai, cuja influência diminuía à medida que se deterioravam suas relações com Maomé. Embora ambos tenham divergido em diversas ocasiões, Sade apoiou decididamente o profeta desde os primeiros tempos do islão. No episódio da Acusação contra Aixa, entretanto, defendeu uma postura mais branda em relação a Abedalá ibne Ubai, entrando em acalorada discussão com Sade ibne Muade, chefe dos aucitas, diante da assembleia reunida na Mesquita do Profeta.[3] Após a morte de Sade ibne Muade e o isolamento político de Abedalá ibne Ubai, Sade ibne Ubada tornou-se o principal representante dos ançares. No mesmo dia da morte de Maomé, os chefes dos aucitas e dos cazerajitas reuniram-se no Saquifa dos saidaítas com a intenção de proclamá-lo sucessor do profeta. A chegada de Abu Becre, Omar e Abu Ubaida ibne Aljarrá alterou os rumos da reunião e terminou com a escolha de Abu Becre como primeiro califa.[4][2]
Sade recusou-se a prestar juramento de fidelidade a Abu Becre e jamais reconheceu formalmente sua autoridade. Também não esqueceu as duras palavras dirigidas contra ele por Omar durante a reunião do Saquifa. Apesar disso, não promoveu qualquer revolta nem liderou oposição armada contra o novo governo. Já nos primeiros anos do califado de Omar, após um desentendimento entre ambos, deixou Medina e estabeleceu-se em Haurã, nas proximidades de Damasco. Sade ibne Ubada morreu em Haurã em 635 ou 636, sendo sepultado em Almania, na região de Guta, próxima a Damasco. Algumas tradições posteriores afirmam que teria sido assassinado por agentes coraixitas em razão de sua recusa em reconhecer Abu Becre e Omar, mas os autores da TDV İslâm Ansiklopedisi consideram essa narrativa destituída de fundamento histórico. Sade ibne Ubada foi um dos primeiros ançares a memorizar integralmente o Alcorão, figurando entre os seis habitantes de Medina que haviam completado sua memorização ainda durante a vida de Maomé. Também transmitiu cerca de dez hádices, preservados pelas coleções posteriores. Sua atuação durante a reunião do Saquifa tornou-o uma das figuras centrais da sucessão de Maomé e um dos principais representantes das aspirações políticas dos ançares no início do califado.[4]
Referências
- 1 2 Azimli 2008, p. 377.
- 1 2 Watt 1995, p. 698.
- ↑ Azimli 2008, pp. 377–378.
- 1 2 Azimli 2008, p. 378.
Bibliografia
- Azimli, Mehmet (2008). «Sa'd b. Ubâde». TDV İslâm Ansiklopedisi [Enciclopédia Islâmica TDV]. 35. Istambul: Türkiye Diyanet Vakfı İslâm Ansiklopedisi. pp. 377–378. Consultado em 27 de julho de 2026
- Watt, W. Montgomery (1995). «Saʿd b. ʿUbāda». In: Bosworth, C. E.; van Donzel, E.; Heinrichs, W. P.; Lecomte, G. The Encyclopaedia of Islam. VIII: Ned–Sam 2.ª ed. Leida: E. J. Brill. ISBN 978-90-04-09834-3
