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Saidaítas
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Os saidaítas ou Banu Saida (em árabe: بنو ساعدة; romaniz.: Banū Sāʿida) foram um dos principais ramos dos cazerajitas, tribo árabe de Iatrebe (posteriormente Medina) que, juntamente com os aucitas, integrou o grupo dos ançares após a Hégira. Seu membro mais célebre foi Sade ibne Ubada, chefe do clã e um dos principais líderes dos cazerajitas durante a vida de Maomé. A notoriedade histórica dos saidaítas deve-se sobretudo ao fato de que a Saquifa pertencente ao clã foi o local onde os ançares se reuniram após a morte de Maomé, em 632, para discutir a sucessão do profeta e apresentar a candidatura de Sade ibne Ubada ao califado, assembleia que culminou na eleição de Abu Becre (r. 632–634) como primeiro califa.
História
Os saidaítas constituíam um dos principais ramos dos cazerajitas, tribo árabe que, juntamente com os aucitas, formava o grupo conhecido como cailaíta. Segundo a tradição genealógica árabe, o clã descendia de Saida, integrante da linhagem de Cazeraje ibne Alharite, ancestral epônimo dos cazerajitas. Os saidaítas figuravam entre os principais ramos da tribo, ao lado dos najaritas, anritas, cauaquilaítas, sauaditas, zuraiquitas, taziditas, salimaítas, baiadaítas e hublaítas.[1] Como os demais ramos cazerajitas, os saidaítas estabeleceram-se em Iatrebe após a migração de seus antepassados provenientes do Iêmen, passando inicialmente a viver sob a influência política e econômica das tribos judaicas da região. Posteriormente integraram a confederação tribal cazerajita que, juntamente com os aucitas, assumiu o controle da cidade. Durante o período pré-islâmico participaram das prolongadas rivalidades entre aucitas e cazerajitas, que culminaram na Batalha de Buate, poucos anos antes da Hégira.[2]
Durante a vida de Maomé, os saidaítas destacaram-se como um dos mais influentes clãs dos ançares. Seu principal chefe era Sade ibne Ubada, reconhecido como líder do ramo e considerado um dos cámil (kāmil), denominação atribuída aos homens que reuniam qualidades como leitura e escrita, natação e habilidade no tiro com arco.[3][4] Sob sua liderança, os saidaítas desempenharam papel de destaque entre os cazerajitas durante a consolidação da comunidade muçulmana em Medina. Após a morte de Maomé, em 632, os ançares reuniram-se na Saquifa dos saidaítas para deliberar sobre a sucessão do profeta. Os chefes cazerajitas defenderam que o novo dirigente da comunidade fosse escolhido entre os ançares, em reconhecimento aos serviços prestados por aucitas e cazerajitas desde a Hégira, indicando Sade ibne Ubada como candidato ao califado. A chegada dos muajiritas, contudo, alterou o rumo da assembleia, que terminou com o reconhecimento de Abu Becre (r. 632–634) como primeiro califa. Embora Sade ibne Ubada jamais lhe prestasse juramento de fidelidade, os demais chefes cazerajitas aceitaram sua autoridade, contribuindo para preservar a unidade da comunidade muçulmana nos primeiros anos após a morte de Maomé.[5]
Referências
- ↑ Önkal 1998, p. 143.
- ↑ Önkal 1998, pp. 143–144.
- ↑ Azimli 2008, p. 377.
- ↑ Watt 1995, p. 698.
- ↑ Önkal 1998, p. 144.
Bibliografia
- Azimli, Mehmet (2008). «Sa'd b. Ubâde». TDV İslâm Ansiklopedisi [Enciclopédia Islâmica TDV]. 35. Istambul: Türkiye Diyanet Vakfı İslâm Ansiklopedisi. pp. 377–378. Consultado em 27 de julho de 2026
- Önkal, Ahmet (1998). «Hazrec (Benî Hazrec)» [Cazerajitas (Banu Cazeraje)]. TDV İslâm Ansiklopedisi [Enciclopédia Islâmica TDV]. 17. Istambul: Türkiye Diyanet Vakfı İslâm Ansiklopedisi. pp. 143–144. Consultado em 1 de agosto de 2026
- Watt, W. Montgomery (1995). «Saʿd b. ʿUbāda». In: Bosworth, C. E.; van Donzel, E.; Heinrichs, W. P.; Lecomte, G. The Encyclopaedia of Islam. VIII: Ned–Sam 2.ª ed. Leida: E. J. Brill. ISBN 978-90-04-09834-3
