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Modar ibne Nizar
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Modar ibne Nizar (em árabe: مضر بن نزار; romaniz.: Muḍar ibn Nizār), também conhecido pelo epíteto de Hâmera ("vermelho"), é um ancestral da tradição genealógica árabe, apresentado como filho de Nizar, neto de Maade e bisneto de Adenane. Era considerado o ancestral epônimo dos modaritas, um dos principais agrupamentos dos árabes setentrionais, e figurava em algumas classificações entre os quatro grandes ramos aos quais eram atribuídas as tribos árabes, juntamente com Rebia, Cudaa e Iêmem. Segundo a tradição preservada por Kindermann, sua mãe era Sauda binte Aque ibne Adenane. Outras tradições incluíam Modar entre os primeiros árabes que conheceram a leitura e a escrita em árabe. A historicidade de Modar como indivíduo não pode ser estabelecida a partir das tradições genealógicas posteriores. Grupos designados como Modar, ao lado de Rebia e Maade, aparecem nas tradições relativas à Arábia pré-islâmica e estiveram associados aos domínios dos reis de Quinda, mas permanece incerto em que medida essas coletividades correspondiam às relações de descendência posteriormente sistematizadas pelos genealogistas. Kindermann observa que alguns estudiosos modernos interpretaram parte das grandes divisões genealógicas árabes à luz das rivalidades tribais intensificadas no período omíada.
Vida e genealogia
Modar era filho de Nizar ibne Maade ibne Adenane e de Sauda binte Aque ibne Adenane. Segundo a genealogia reproduzida por Kindermann, Nizar teve com Sauda dois filhos, Modar e Iade, enquanto Rebia e Anemar nasceram de sua união com Jadala binte Ualane, pertencente aos jurumitas. Essa tradição constitui uma das variantes preservadas acerca da descendência de Nizar, uma vez que outras genealogias apresentam filiações diferentes para alguns de seus filhos. Uma narrativa tradicional sobre a divisão da herança de Nizar relaciona a esse episódio o epíteto de Modar, Hâmera ("vermelho"), que ele teria recebido por lhe ter cabido uma tenda vermelha.[1] A cor vermelha aparece também associada aos modaritas na tradição posterior, sendo empregada em suas bandeiras e turbantes.[2] Modar teria se estabelecido em Meca e, após sua morte, sido sepultado em Arrauá, situada a dois dias de viagem de Medina. Segundo a tradição registrada por Kindermann, seu túmulo tornou-se local de peregrinação.[1] As fontes atribuem ainda a Modar uma posição entre os primeiros árabes que conheceram a leitura e a escrita em árabe.[2]
Na sistematização genealógica tradicional, Modar figurava como ancestral epônimo dos modaritas e, numa classificação mais ampla das linhagens árabes, como um dos quatro grandes ramos, ao lado de Rebia, Cudaa e Iêmem.[2] Eram-lhe atribuídos dois filhos, Ilias e Ailane Anás, este último ancestral dos Caice Ailane. Ilias, por sua vez, teve com Laila binte Huluane, conhecida como Hindife, três filhos: Mudrica, Tabica e Camaa. Os descendentes dos três ficaram coletivamente conhecidos como hindifitas (Banu Hindife) em referência à mãe. De Mudrica e Tabica procederiam algumas das mais importantes linhagens atribuídas a Modar. Mudrica foi apresentado como pai de Hudail e Cuzaima, este último ancestral, entre outros, dos Assade e Quinana, dos quais descendiam os coraixitas. Tabica teve um filho chamado Ude, a quem eram atribuídos Daba, Abede Manafe, Anre, Murra e Humaice. Os descendentes de Anre ficaram conhecidos como muzainaítas a partir do nome de sua esposa, Muzaina, enquanto Tamime, filho de Murra, tornou-se o ancestral epônimo dos tamimitas, um dos maiores agrupamentos tribais árabes.[1]
Historicidade
A relação entre Modar como ancestral genealógico e os grupos historicamente designados por seu nome é incerta. As tradições árabes situam Modar e Rebia entre os grandes ancestrais dos povos da Arábia central, mas a organização desses grupos segundo as genealogias posteriormente sistematizadas pelos autores muçulmanos não pode ser projetada sem ressalvas sobre o período pré-islâmico. Kindermann observa que Modar e Rebia aparecem nas tradições relativas à Arábia pré-islâmica e que os reis de Quinda exerceram autoridade sobre grupos identificados como Maade, Modar e Rebia. A existência histórica de coletividades designadas por esses nomes, contudo, não permite determinar em que medida sua formação correspondia às relações de descendência apresentadas posteriormente pelos genealogistas árabes.[3] A própria divisão dos povos árabes em grandes conjuntos genealógicos tornou-se objeto de discussão na historiografia moderna. Kindermann assinala que não é possível estabelecer até que ponto agrupamentos como Modar e Rebia se desenvolveram historicamente segundo o esquema preservado pelas genealogias ou foram posteriormente reorganizados e interpretados à luz de rivalidades intertribais. A oposição entre os povos iamanitas e os grupos setentrionais, em particular, foi considerada por alguns estudiosos uma sistematização posterior que refletiria as rivalidades políticas do Califado Omíada, em vez de reproduzir diretamente a estrutura tribal da Arábia anterior ao islã.[4]
Referências
- 1 2 3 Kindermann 1995, p. 352.
- 1 2 3 Küçükaşcı 2020, p. 356.
- ↑ Kindermann 1995, pp. 352–354.
- ↑ Kindermann 1995, p. 354.
Bibliografia
- Kindermann, H. (1995). «Rabīʾā and Muḍar». In: Bosworth, C. E.; Donzel, E. van; Heinrichs, W. P.; Lecomte, G. The Encyclopedia of Islam, New Edition. VIII: Ned–Sam. Leida e Nova Iorque: BRILL. p. 352–354. ISBN 90-04-09834-8
- Küçükaşcı, Mustafa Sabri (2020). «Mudar (Benî Mudar)». Türkiye Diyanet Vakfı İslâm Ansiklopedisi [Enciclopédia Islâmica TDV] (em turco). 30. Ancara: Türkiye Diyanet Vakfı. pp. 356–358
