BETA SAÚDE
Sebastião de São Pedro
Texto da Wikipédia (pt), licença CC BY-SA. O BETARUBI mostra o verbete inteiro nesta página — a leitura não continua fora do site.
Sebastião de São Pedro | |
|---|---|
| Arcebispo da Igreja Católica | |
| Arcebispo de Goa | |
Título |
Primaz do Oriente |
| Atividade eclesiástica | |
| Ordem religiosa | Ordem de Santo Agostinho |
| Diocese | Arquidiocese de Goa |
| Nomeação | 7 de outubro de 1624 |
| Predecessor | Cristóvão de Sá e Lisboa, O.S.H. |
| Sucessor | Manuel Teles de Brito, O.P. |
| Mandato | 1624–1629 |
| Ordenação e nomeação | |
| Profissão Solene | 2 de julho de 1582 Convento da Graça |
| Ordenação presbiteral | 1590 |
| Nomeação episcopal | 9 de janeiro de 1606 |
| Nomeado arcebispo | 7 de outubro de 1624 |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | Condeixa c. 1565 |
| Morte | Goa 7 de novembro de 1629 (64 anos) |
| Nome nascimento | Sebastião Álvares |
| Nacionalidade | português |
| Funções exercidas | - Bispo de São Tomé de Meliapor (1606-1615) - Bispo de Cochim (1615-1625) |
| Sepultado | Sé de Santa Catarina |
| dados em catholic-hierarchy.org Arcebispos Categoria:Hierarquia católica Projeto Catolicismo | |
Sebastião de São Pedro, O.S.A. (Condeixa, c. 1565 – Goa, 7 de novembro de 1629), foi um prelado português da Igreja Católica com atuação na Índia Portuguesa, foi o primeiro bispo de São Tomé de Meliapor, quinto bispo de Cochim e nono arcebispo de Goa.
Biografia
Nascido em Condeixa-a-Nova, nas cercanias de Coimbra, por volta de 1565, era filho de Estêvão Álvares e Mónica Luísa. A sua profissão de fé na ordem de Santo Agostinho ocorreu a 2 de julho de 1582, no convento da ordem em Lisboa.[1]
Em 1583, terá partido para a Índia. Terá recebido a ordenação presbiteral em 1590, embora não se saiba ao certo onde. Sabe-se, contudo, que em 1597 se deslocou a Madrid, na qualidade de procurador da sua ordem, porventura já depois de ter andado pela Pérsia, em missão de que foi incumbido pelo arcebispo de Goa D. Frei Aleixo de Meneses, de quem teria sido protegido.[1]
Estava, portanto, no reino, apesar de já ter tido experiência de vida na Ásia, quando, em 1 de junho de 1605, quando era leitor no colégio dos eremitas de Santo Agostinho em Lisboa, fez profissão de fé e juramento como bispo de São Tomé de Meliapor, diocese recém criada, vendo a sua nomeação para a prelatura desta cidade surgir dois meses depois, a 31 de julho. Acabou por ser confirmado em 9 de janeiro de 1606.[1][2]
Após a sua nomeação, D. Frei Sebastião de São Pedro escreveu ao rei, D. Filipe II, pedindo-lhe ajuda financeira para pontificais e ornamentos da Sé, tendo alcançado uma doação de 2.000 pardaos para prato, turíbulos, castiçais, cálice, e outras alfaias e ornamentos. Por outro lado, em virtude da geografia da sua diocese, extensa e com uma costa recortada por várias ilhas, o bispo foi agraciado com um acrescentamento de 500 cruzados no seu ordenado, com a condição de visitar toda a diocese num espaço de tempo máximo de quatro anos. E deve ter partido para a diocese ainda em 1606.[1]
A Diocese de São Tomé de Meliapor era de criação recente. Assim, em março de 1606, o monarca autorizou a criação de um provisor de justiça eclesiástica, com 90.000 réis de ordenado, e três capelães, que deveriam auferir 40.000 réis cada um. Esta ordem vinha acompanhada de um alvará de 600.000 réis de mercê e um dote de 500 cruzados anuais.[1]
Em outubro de 1614, o seu procurador frei João de Valadares fez em seu nome o juramento e profissão de fé como bispo de Cochim, sendo confirmado no cargo em 16 de fevereiro de 1615.[1][2] Foi autor de dois textos manuscritos. Um, hoje guardado no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, intitula-se Sobre os estrangeiros e barcos que passam de Ormuz à Índia. O segundo, de teor polêmico e anti-jesuítico, tem por título Recopilação das causas, porque o Imperador de Japão desterrou de seus Reinos todos os Padres, onde critica a atuação dos jesuítas no Japão.[1][3]
A sua animosidade aos padres da Companhia colocou-o em conflito com os missionários jesuítas da sua diocese, levando o monarca a admoestar o bispo e a obrigá-lo a devolver aos jesuítas as igrejas que lhe pertenciam. Ordenou o monarca ao prelado “que se aquiete e não queira levantar novidades contra o dito meu padroado e estilo em que sempre correram aquelas Igrejas”.[1]
Em 1623 foi nomeado governador do arcebispado de Goa, por morte do arcebispo D. Frei Cristóvão de Sá e Lisboa, O.S.H. e depois foi nomeado como arcebispo de Goa e Primaz do Oriente, em 7 de outubro de 1624, dia em que também foi dispensado do vínculo de Cochim.[1][2] Durante a sua prelatura goense, Sebastião de São Pedro viu o rei D. Filipe III lhe conceder um alvará de ordenado de 10.000 cruzados, em 1626, e outro, de 1628, autorizando-o a nomear o importante cargo de recebedor das rendas de Bardez, rentável território da região de Goa, por onde eram pagas os salário do arcebispo.[1] Mandou construir o Cruzeiro e a capela-mor da Sé de Santa Catarina, que sagrou em 1628.[4]
Morreu em Goa, em 7 de novembro de 1629, sendo sepultado na Sé goense.[1][2]
Referências
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 «Religião, administração e justiça eclesiástica no Império Português (1514-1750)» (PDF). António Vitor Ribeiro - Universidade de Coimbra - Biografias dos bispos de Goa
- 1 2 3 4 «Biografia no Catholic Hierarchy»
- ↑ «Jesuítas e franciscanos perante as culturas e as religiões do Extremo Oriente: o caso da Apologia do Japão e a dramática missionação das Ilhas do Sol Nascente» (PDF), artigo de José Eduardo Franco, Unisinos, 2007, página 7.
- ↑ Fortunato de Almeida 1910, p. 1016.
Ligações externas
- «GCatholic» (em inglês)
- «Catholic Hierarchy» (em inglês)
| Precedido por Ereção da Diocese |
Bispo de São Tomé de Meliapor 1606 — 1615 |
Sucedido por Frei Luís de Brito e Meneses, O.S.A. |
| Precedido por Frei André de Santa Maria, O.F.M. |
Bispo de Cochim 1615 — 1624 |
Sucedido por Frei Luís de Brito e Meneses, O.S.A. |
| Precedido por Frei Cristóvão de Sá e Lisboa, O.S.H. |
Arcebispo de Goa 1624 — 1629 |
Sucedido por Frei Manuel Teles de Brito, O.P. |

