Saúde
Saída da OTAN
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A saída da OTAN é o processo jurídico e político pelo qual um Estado-membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) se retira do Tratado do Atlântico Norte e, consequentemente, deixa de integrar a organização. O procedimento formal está previsto no artigo 13 do Tratado.[1] Segundo a disposição, qualquer país que deseje sair deve enviar aos Estados Unidos, na qualidade de Estado depositário, uma "notificação de denúncia", que os Estados Unidos então comunicariam aos demais aliados. Após um período de espera de um ano, o país deixa formalmente a organização.
Até 2026, nenhum Estado-membro denunciou sua participação, embora essa possibilidade tenha sido considerada por vários países. Apesar disso, diversas antigas dependências de membros da OTAN nunca solicitaram adesão depois de se tornarem Estados independentes.
Procedimento
O artigo 13 do Tratado do Atlântico Norte é a disposição utilizada pelos Estados-membros para informar aos demais membros ou partes que desejam deixar a Organização do Tratado do Atlântico Norte. O artigo estabelece:
Após o Tratado estar em vigor por vinte anos, qualquer Parte poderá deixar de ser Parte um ano após a entrega de sua notificação de denúncia ao Governo dos Estados Unidos da América, que informará os Governos das demais Partes sobre o depósito de cada notificação de denúncia.
Isso significa que, passados vinte anos desde a assinatura do tratado original, em 1949 — portanto, desde 1969 —, qualquer Estado-membro que deseje sair precisa informar os Estados Unidos de sua intenção e, após um ano, deixa formalmente a organização.[2]
Retiradas consideradas
Bulgária
O partido de extrema-direita Reavivamento apoia a retirada da Bulgária da OTAN.
Canadá
O Canadá é membro fundador da OTAN e continua a integrar a organização. Em 2019, o Partido Verde do Canadá defendeu uma revisão da participação canadense na aliança.[3] A posição do social-democrata Novo Partido Democrático é complexa;[4] embora exista apoio geral à permanência na OTAN dentro do partido, inclusive por parte de antigos líderes como Jack Layton e Tom Mulcair,[5] o Caucus Socialista do NPD defende a revogação da participação canadense.[6] Entre os motivos de oposição à participação na aliança estão a percepção de incompatibilidade com a tradição canadense de manutenção da paz e preocupações com a soberania do Canadá sobre suas forças de defesa.[5]
Em 2022, o consenso político canadense era favorável à participação na OTAN como parte da política de defesa nacional. Entre os partidos com representação no Parlamento do Canadá que apoiam a permanência estão o governista Partido Liberal do Canadá,[7] o oposicionista Partido Conservador do Canadá,[8] e o soberanista quebequense Bloco Quebequense.
Dinamarca
A Aliança Vermelha e Verde, de extrema-esquerda, apoiou até 2022 a retirada da OTAN. Posteriormente, o partido adotou uma posição de abordagem crítica à organização, mas deixou de apoiar a retirada enquanto não existir uma "alternativa".[9]
França
Em 1966, devido à deterioração das relações entre Washington e Paris, causada pela recusa em integrar a dissuasão nuclear francesa às demais potências do Atlântico Norte ou em aceitar qualquer forma coletiva de controle sobre suas forças armadas, o presidente francês Charles de Gaulle reduziu o nível de participação da França na OTAN e retirou o país da estrutura militar integrada da organização, buscando opções de defesa mais independentes.[10] Contudo, ele também declarou que a França permaneceria na aliança mesmo após o término, em 1969, do período de compromisso de vinte anos, a menos que os "elementos fundamentais das relações entre Leste e Oeste" mudassem.[11]
Em 1967, após a decisão de De Gaulle, todas as cerca de trinta bases da OTAN na França, ocupadas principalmente por forças dos Estados Unidos, foram evacuadas, juntamente com 27 mil militares e 37 mil civis.[12] A sede da OTAN deixou Yvelines e foi transferida para a Bélgica.
Em 2009, a França voltou a participar da estrutura militar integrada da OTAN. A reversão foi anunciada pelo presidente Nicolas Sarkozy e apoiada pelo Parlamento francês.[13]
Atualmente, entre os partidos políticos relevantes da França, defendem a retirada da OTAN a soberanista União Popular Republicana,[14] a esquerdista França Insubmissa e o Partido Comunista Francês, de extrema-esquerda. O gaullista de direita Levantar a França e o nacionalista Reagrupamento Nacional defendem reverter a decisão de 2009 de reintegrar a França ao comando da OTAN.[15] Em uma pesquisa de julho de 2024, 54% dos franceses tinham uma opinião favorável da OTAN, enquanto 37% tinham opinião desfavorável.[16]
Alemanha
Durante as negociações que levaram à reunificação alemã, a União Soviética procurou fazer com que a união da Alemanha Ocidental, integrante da OTAN, com a Alemanha Oriental, integrante do Pacto de Varsóvia, resultasse em neutralidade e desnuclearização.
No entanto, o chanceler da Alemanha Ocidental Helmut Kohl e o presidente dos Estados Unidos George H. W. Bush desejavam que a Alemanha reunificada permanecesse na OTAN, apesar do considerável ceticismo entre alemães ocidentais quanto à permanência na organização após a reunificação — apoio que teria chegado a apenas 20%, segundo uma reportagem da Der Spiegel.[17] Mikhail Gorbatchov acabou retirando a objeção soviética, e os novos territórios orientais da Alemanha passaram a ser cobertos pela OTAN, sob a condição de que forças estrangeiras ou armas de destruição em massa não fossem estacionadas neles.[17]
O partido de esquerda A Esquerda se opõe a alianças militares, inclusive à participação na OTAN.[18]
Grécia
Em 1974, devido à crise de Chipre, a Grécia retirou unidades militares das forças da OTAN no sul do Mediterrâneo diante de ameaças de invasão de Chipre pela Turquia, também membro da organização.[19] Mais tarde, ainda em 1974, em razão da invasão de Chipre por forças turcas, a Grécia retirou-se do comando militar da OTAN. Apesar disso, o país não deixou completamente a organização, mas tornou-se significativamente menos ativo.[20]
Em 1980, o ministro das Relações Exteriores da Grécia, Konstantínos Mitsotákis, fez declarações nas quais admitia uma possível retirada completa da Grécia da organização. Posteriormente, contudo, a pressão diplomática dos Estados Unidos levou à reintegração plena da Grécia à aliança.[21]
Segundo uma pesquisa realizada em 2022, a OTAN permanecia popular entre o público grego: 78% desejavam permanecer na aliança e apenas 18% queriam sair.[22]
Islândia
A Islândia é singular entre os membros da OTAN por não possuir um exército permanente; suas forças de defesa consistem em uma guarda costeira militarizada e uma força paramilitar de manutenção da paz. A forte tradição pacifista islandesa levou a uma oposição considerável à participação na OTAN. Apesar disso, o país abrigou a importante base naval dos Estados Unidos no aeroporto de Keflavík, próximo à capital, Reiquiavique.[23]
O principal grupo de pressão apartidário do país favorável à saída da Islândia da OTAN é o Samtök hernaðarandstæðinga, uma seção da War Resisters' International.
Em 2019, durante uma visita do secretário-geral Jens Stoltenberg à Islândia, a primeira-ministra Katrín Jakobsdóttir declarou apoiar a retirada do país da OTAN. Seu partido, o Movimento de Esquerda Verde, era o principal parceiro do governo islandês e também apoiava a saída, mas não havia maioria no parlamento islandês a favor da medida.[24] Em maio de 2022, ela continuava contrária à participação da Islândia na OTAN.[25]
Uma pesquisa da Gallup realizada em abril de 2025 mostrou que 71% dos islandeses apoiavam a participação do país na OTAN, enquanto 12% se opunham.[26]
Montenegro
Vários partidos políticos de Montenegro, entre eles a Nova Democracia Sérvia e o Partido Popular Democrático, se opõem à participação na OTAN.[27][28] As eleições parlamentares montenegrinas de 2020 resultaram na vitória desses partidos pela primeira vez em trinta anos. Contudo, eles não buscaram formalmente a retirada após assumirem o poder.[29]
Macedônia do Norte
O partido de esquerda Levica apoia a retirada da Macedônia do Norte da OTAN.
Países Baixos
O consenso neerlandês sobre política externa e de defesa é favorável à permanência na aliança. A participação é apoiada pelos cinco principais partidos tradicionais nos Estados Gerais dos Países Baixos: o liberal-conservador Partido Popular para a Liberdade e Democracia (VVD),[30] o social-democrata Partido do Trabalho (PvdA),[31] o democrata-cristão Apelo Democrata-Cristão (CDA),[32] o populista de direita Partido pela Liberdade (PVV)[33] e o social-liberal Democratas 66 (D66).[34][35] Outros partidos apoiam a permanência, mas desejam reformar a aliança, como a Esquerda Verde.[36]
Embora o populista de extrema-direita Fórum pela Democracia apoie a participação na OTAN, o programa investigativo Zembla informou que, em privado, o líder do partido, Thierry Baudet, desejaria que os Países Baixos deixassem a OTAN e alinhassem sua política externa à Rússia.[37][38]
Romênia
Alguns pequenos partidos políticos da Romênia se opõem à participação do país na OTAN. Um deles é a Nova Direita, que também se opõe à União Europeia.[39]
Espanha
A aliança eleitoral de esquerda Unidas Podemos apoiava a retirada da Espanha da OTAN.[40]
Eslováquia
O partido de extrema-direita Movimento República defende a retirada da Eslováquia da OTAN.
Turquia
Desde a tentativa de golpe de Estado de 2016, a ofensiva turca de 2019 no nordeste da Síria, a deterioração das relações entre Turquia e Estados Unidos, a deterioração das relações entre Grécia e Turquia, o aquecimento das relações entre Turquia e Rússia e a oposição à entrada da Finlândia e da Suécia em 2022, que provocou atrasos na adesão desses países, surgiram apelos para que a Turquia deixasse ou fosse expulsa da OTAN.[41][42][43][44]
Na Turquia, políticos como o líder do Partido de Ação Nacionalista (MHP), Devlet Bahçeli, sugeriram que a saída da OTAN deveria ser considerada uma opção.[45] Em maio de 2022, o líder da oposição Kemal Kılıçdaroğlu afirmou que, se o Partido da Justiça e Desenvolvimento e o Partido de Ação Nacionalista decidissem fechar a Base aérea de İncirlik à OTAN, o Partido Republicano do Povo também apoiaria a medida.[46]
Reino Unido
O consenso estabelecido da política externa e de defesa do Reino Unido inclui a participação plena na OTAN. A permanência é apoiada pelos dois principais partidos britânicos — o Partido Conservador[47] e o Partido Trabalhista[48] — e pelos Liberais Democratas.[49]
Entre os partidos com representação na Câmara dos Comuns do Reino Unido, inicialmente apenas o Partido Verde da Inglaterra e do País de Gales era contrário à participação na OTAN e defendia a saída da aliança.[50] Isso mudou durante a conferência de primavera do partido em 2023, quando foi aprovada uma moção que abandonou a oposição à OTAN. A mudança ocorreu durante uma revisão das políticas de segurança e defesa do partido, à luz da invasão da Ucrânia pela Rússia.[51] Ainda assim, há parlamentares individualmente favoráveis à retirada britânica, como Jeremy Corbyn.[52][53]
Em outubro de 2017, a ala jovem do Partido Trabalhista, Young Labour, aprovou em sua conferência anual uma moção pedindo a retirada britânica da OTAN, classificando a organização como instrumento do imperialismo americano.[54][55][56] A organização reafirmou sua posição favorável à retirada durante a invasão russa da Ucrânia em 2022, por meio do Twitter.[57] O apoio à OTAN é elevado no Reino Unido: uma pesquisa de 2017 indicou que 62% dos britânicos tinham uma opinião favorável sobre a organização, contra 19% com opinião desfavorável.[58]
A questão de uma Escócia independente aderir ou não à OTAN caso se torne independente tem sido controversa entre os defensores da independência. Originalmente, o Partido Nacional Escocês (SNP) se opunha à participação na OTAN, em grande parte devido à postura antinuclear do partido, enquanto a Escócia abriga o programa nuclear Trident na Base Naval de Clyde. Isso mudou em 2012, quando o SNP, sob a liderança de Alex Salmond, alterou seu manifesto para afirmar que apoiaria a participação na OTAN e que aderiria à organização caso a Escócia se tornasse independente, desde que a aliança respeitasse a postura antinuclear escocesa.[59] Isso levou alguns membros importantes do SNP, entre eles John Finnie e Jean Urquhart, a deixarem o partido.[60] Durante a crise que antecedeu a invasão russa da Ucrânia, o porta-voz de defesa do SNP, Stewart McDonald, reafirmou o apoio do partido à OTAN.[61]
Outros partidos independentistas, entre eles o Partido Socialista Escocês[62] e o Partido Verde Escocês,[63][64] assim como parte dos membros do SNP, sobretudo à esquerda, não apoiam a participação escocesa e não desejariam aderir caso a Escócia se tornasse independente.
O partido nacionalista galês Plaid Cymru se opõe completamente à participação na OTAN e apoia a retirada da aliança caso a independência do País de Gales seja alcançada.[65][66] Em vez disso, o partido defende uma política de defesa não alinhada semelhante à da Irlanda. A então líder do Plaid Cymru, Leanne Wood, criticou seus homólogos escoceses em uma entrevista.[67]
Entre os partidos da Irlanda do Norte, a política em relação à OTAN tende a acompanhar o eixo unionista–nacionalista, com base na participação do Reino Unido e no não alinhamento da Irlanda. Todos os principais partidos que defendem que a Irlanda do Norte permaneça no Reino Unido, incluindo o Partido Unionista do Ulster[68] e o Partido Unionista Democrático,[69] apoiam a participação na OTAN. Já os partidos que defendem a unificação da Irlanda do Norte com a Irlanda, entre eles o Partido Social Democrata e Trabalhista e o Sinn Féin, apoiam a neutralidade irlandesa. Entre os partidos não sectários, que não são nem unionistas nem nacionalistas, o Partido da Aliança da Irlanda do Norte apoia a participação na OTAN,[70] o People Before Profit se opõe fortemente,[71] enquanto o Partido Verde da Irlanda do Norte mantém uma posição ambígua.
Entre as organizações não governamentais britânicas, tanto a pacifista Campaign for Nuclear Disarmament[72] quanto a Stop the War Coalition[73] defendem a retirada britânica da aliança.
Estados Unidos
Embora os dois principais partidos apoiem a participação na OTAN,[74] todos os principais terceiros partidos, incluindo o Partido Verde,[75] o Partido Libertário[76] e o Partido da Constituição,[77] defendem a retirada dos Estados Unidos da OTAN.
Pesquisas do Pew Research Center realizadas em 2017 indicaram que 62% dos norte-americanos tinham opinião favorável sobre a OTAN, contra 23% com opinião desfavorável. Entre os eleitores, mais de três quartos dos democratas eram favoráveis, enquanto apenas 48% dos republicanos tinham essa posição. Entre os entrevistados, 47%, uma pluralidade das respostas, afirmaram que a OTAN fazia pouco demais no cenário global.[78] Em outra pesquisa de 2019, às vésperas do 70.º aniversário da fundação da OTAN, 77% dos norte-americanos afirmaram que a participação na organização era positiva para os Estados Unidos.[79]
A Lei de Autorização de Defesa Nacional para o Ano Fiscal de 2024, promulgada em 22 de dezembro de 2023, proíbe o presidente de retirar unilateralmente o país da OTAN sem a aprovação de dois terços do Senado ou uma lei do Congresso. A disposição foi aprovada em meio a mensagens ambíguas do então candidato presidencial Donald Trump sobre a organização.[80] Contudo, não está claro se a lei poderia, juridicamente, impedir o presidente de se retirar unilateralmente, em razão da autoridade constitucional presidencial em matéria de política externa.[81]
Em dezembro de 2024, o presidente eleito Donald Trump sugeriu que poderia apoiar a retirada da OTAN diante do que considerava baixos gastos de defesa dos aliados europeus dos Estados Unidos.[82] A posição foi posteriormente repetida de maneira mais enfática por seu conselheiro sênior, Elon Musk, que em março de 2025 afirmou que os Estados Unidos deveriam deixar tanto as Nações Unidas quanto a OTAN.[83] Em 2024 e 2025, o Pew Research Center informou que o apoio à participação na OTAN havia diminuído entre eleitores republicanos no contexto da invasão russa da Ucrânia.[84][85] Em fevereiro de 2025, 51% dos eleitores republicanos ou inclinados ao Partido Republicano acreditavam que os Estados Unidos não se beneficiavam da participação na OTAN, em comparação com 17% dos eleitores democratas ou inclinados ao Partido Democrata.[85]
No início de abril de 2026, o presidente Trump chamou a OTAN de "tigre de papel" e voltou a cogitar a retirada dos Estados Unidos da aliança, diante da recusa de países da OTAN em participar diretamente da guerra do Irã, auxiliando na reabertura do Estreito de Ormuz. Países como a França não consideraram que isso justificasse missões ofensivas.[86][87][88] Na cimeira da OTAN em Ancara de 2026, em julho, contudo, Trump afirmou que os Estados Unidos não se retirariam da OTAN.[89]
Antigos territórios ultramarinos e dependências de Estados-membros da OTAN
Na época da criação do Tratado do Atlântico Norte, em 1949, muitas partes do mundo eram territórios ultramarinos ou dependentes de países como a França e o Reino Unido. Assim, regiões que hoje constituem Estados independentes, como Argélia e Malta, faziam então parte da área coberta pela OTAN. O tratado, contudo, limita sua aplicação à região do Atlântico ao norte do Trópico de Câncer, restringindo de facto seu alcance, nos termos dos artigos V e VI, à América do Norte e à Europa.[1] Isso significa que, após esses territórios ultramarinos conquistarem a independência, aqueles situados fora dessa área não poderiam simplesmente voltar como membros plenos.
Argélia
Quando a França aderiu à OTAN em 1949, o território norte-africano da Argélia fazia parte da França Metropolitana. Em virtude disso, a Argélia integrava a área da OTAN desde sua criação. De fato, o artigo VI afirmava expressamente que um ataque armado contra a Argélia seria considerado um ataque à OTAN.
Quando a Argélia conquistou sua independência da França em 1962, essa condição deixou de existir e a cláusula do artigo VI deixou de ser aplicável. Como muitos países do Magrebe e do mundo árabe, o país se alinhou posteriormente à União Soviética até o fim da Guerra Fria. Desde 2000, a Argélia participa do fórum Diálogo do Mediterrâneo da OTAN, além de realizar treinamentos com países membros e cooperação militar na indústria de defesa, sobretudo com a Alemanha.[90][91]
Malta
Na época da assinatura do Tratado do Atlântico Norte, em 1949, a ilha mediterrânica de Malta era um território dependente do Reino Unido, na forma de uma colônia da Coroa autônoma. Territórios dependentes como Malta compartilhavam as filiações internacionais de sua potência administradora e, por isso, a ilha fazia parte da área da OTAN. De fato, a sede das Forças Aliadas do Mediterrâneo esteve localizada na cidade de Floriana entre 1952 e 1965.
Quando Malta conquistou a independência em 1964, o país não solicitou adesão à OTAN, devido às relações então existentes entre a organização e o primeiro-ministro George Borg Olivier, embora apoiasse a aliança.[92] Isso mudou em 1971, quando Dom Mintoff, do Partido Trabalhista, foi eleito primeiro-ministro e declarou que Malta era um país neutro em sua política externa,[93] posição posteriormente incorporada à constituição do país em 1974. Mais tarde, Malta aderiu ao Movimento dos Países Não Alinhados em 1979, ao mesmo tempo em que a Marinha Real Britânica deixou sua base no estaleiro de Malta.
Em 1995, Malta aderiu ao Conselho de Parceria Euro-Atlântica e ao programa de defesa Parceria para a Paz da OTAN. No entanto, retirou-se de ambos um ano depois, em 1996, por decisão do novo governo trabalhista. A política externa maltesa mudou significativamente em 2004, com a adesão do país à União Europeia, e Malta voltou a participar do Conselho de Parceria Euro-Atlântica e da Parceria para a Paz em 2008, indicando uma mudança nas relações externas da ilha. Ao longo do tempo, Malta passou a aprofundar suas relações com a OTAN e a participar de projetos mais amplos, como o Processo de Planejamento e Revisão da Parceria para a Paz e o Programa Ciência para a Paz e Segurança da OTAN.[94][95]
A participação na OTAN não é apoiada por nenhum dos partidos políticos do país, incluindo o governista Partido Trabalhista e o oposicionista Partido Nacionalista. Uma pesquisa do Ministério das Relações Exteriores de Malta constatou, em fevereiro de 2022 — antes da invasão russa da Ucrânia —, que quase dois terços dos entrevistados apoiavam a posição de neutralidade da ilha e apenas 6% se opunham.[96] O secretário-geral da OTAN, Stoltenberg, afirmou que a aliança respeitava plenamente a neutralidade de Malta e não exercia pressão para que o país aderisse.[97]
Chipre
Assim como Malta, Chipre era uma colônia da Coroa sob domínio britânico até conquistar a independência em 1960. Desse modo, o Chipre britânico também estava incluído na área da OTAN sob a Coroa britânica. A atual não participação de Chipre na organização está relacionada ao conflito cipriota de 1974 e às relações entre Grécia e Turquia. Essa situação também se estende à não participação de Chipre no programa Parceria para a Paz e no Conselho de Parceria Euro-Atlântica. Em maio de 2022, o ministro da Defesa de Chipre, Charalambos Petrides, confirmou que o país não solicitaria adesão à OTAN apesar da invasão russa da Ucrânia.[98]
No entanto, as Áreas das Bases Soberanas de Acrotíri e Deceleia permanecem sob controle britânico como território ultramarino britânico.[99]
Ver também
Referências
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