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Operação Lucid
Texto da Wikipédia (pt), licença CC BY-SA. O BETARUBI mostra o verbete inteiro nesta página — a leitura não continua fora do site.
| Operação Lucid | |
|---|---|
| Parte de Frente Ocidental da Segunda Guerra Mundial | |
RFA War Nawab | |
| Planejamento | 1940 à 1941 |
| Planejado por | |
| Objetivo | Defesa do Reino Unido contra à invasão alemã |
| Executado por | Marinha Real Britânica |
| Resultado | Cancelado |
A Operação Lucid foi um plano britânico para usar navios incendiários para atacar barcaças de invasão que se reuniam em portos na costa norte da França, em preparação para uma invasão alemã do Reino Unido em 1940. O ataque foi iniciado diversas vezes em setembro à outubro daquele ano, mas a falta de confiabilidade dos navios e o clima desfavorável fizeram com que o plano fosse abortado em todas as ocasiões.
Início
Após a queda da França em julho de 1940, os alemães ameaçaram invadir o Reino Unido. O governo britânico fez grandes esforços para conter a invasão e também procurou atacar os alemães antes que qualquer desembarque ocorresse. À medida que barcaças de invasão eram vistas se reunindo em portos franceses ao longo do Canal da Mancha, a Força Aérea Real Britânica (RAF) foi enviada para atacá-las com bombardeios.[1]
Experimentos realizados pelo Departamento de Guerra Petrolífera (PWD) visavam incendiar as barcaças de invasão antes que pudessem alcançar a costa britânica. A primeira ideia era simplesmente explodir uma embarcação cheia de petróleo, e isso foi testado em Maplin Sands, onde um petroleiro do rio Tâmisa, o Suffolk, com 50 toneladas de petróleo, foi explodido em águas rasas. Outra ideia era que o petróleo fosse mantido na água por uma calha formada por esteiras de fibra de coco. Uma máquina formava a calha a partir de uma esteira plana enquanto esta era desenrolada sobre a popa de um navio. Testes com o Ben Hann produziram uma fita flamejante de 800 metros por 1.8 metros que podia ser rebocada a 7.4 km/h. Nenhuma das ideias se mostrou viável.[2]
Suffolk serviu de teste para um plano mais ambicioso de queimar barcaças de invasão antes de deixarem o porto. O plano foi apresentado pela primeira vez no início de junho-julho de 1940 e ficou conhecido como Operação Lucid.[3][4] A Operação Lucid tinha o apoio de Winston Churchill. A ideia de usar navios incendiários contra a invasão de Adolf Hitler, assim como os britânicos atacaram a Invencível Armada em 1588, agradava ao senso de história de Churchill. Lembrando-se de um ataque preventivo de Francis Drake, Churchill disse que, assim como Drake havia "chamuscado a barba do Rei da Espanha", ele queria "chamuscar o bigode do Sr. Hitler".[5]
Preparação
O capitão Augustus Agar, um oficial da Marinha Real Britânica, que havia recebido a Cruz Vitória em 1918, foi escolhido para liderar a operação.[6] Agar escolheu Morgan Morgan-Giles como seu oficial de estado-maior por causa de sua experiência em colocar cargas explosivas.[5]
Navios-petroleiro eram necessários para a operação, mas estes eram escassos. Apenas os "navios mais velhos, ancorados em nossos rios e córregos, que não navegavam há anos e eram inúteis, exceto como sucata" puderam ser disponibilizados.[7] Os trabalhadores foram incumbidos da tarefa de colocar 3 desses navios velhos de volta em serviço. O tempo era essencial e Agar lamentou que, por questões de sigilo, não pudesse revelar aos operários a finalidade dos navios; ele tinha certeza de que eles teriam trabalhado com mais entusiasmo se soubessem a verdade. Espalhou-se o boato de que eles seriam usados como navios-bloqueio.[8] Outro problema relacionado ao sigilo era a dificuldade em adquirir lanchas confiáveis para a fuga da tripulação; havia relutância em liberar boas embarcações para equipar os antigos navios-petroleiro e houve um pânico de última hora para conseguir lanchas rápidas.[9] O navio Oakfield (antigo War Africain) e os navios da Frota Auxiliar Real (RFA), RFA War Nawab e War Nizam, que estavam inativos há anos, foram então convencidos a voltar ao serviço, mas eram lentos, menos de 11 km/h, e pouco confiáveis.
A Palmers Shipbuilding and Iron Company construiu o War Nizam em 1918 e o War Nawab em 1919. Ambos os navios tinham 126 m de comprimento e 15.95 m de boca, com um calado de 7.80 m e uma arqueação bruta de cerca de 5.600 toneladas.[10][11] O Oakfield foi construído em 1918 com uma arqueação bruta de 5.218 toneladas, 122 m de comprimento e 15.93 m de boca.[12]
Os navios foram rapidamente preparados e cada um carregado com 2.000 à 3.000 toneladas de Agar's Special Mixture (Mistura Especial de Agar), um coquetel de 50% de óleo combustível pesado, 25% de óleo diesel e 25% de gasolina, desenvolvido pelo Departamento de Guerra Petrolífera (PWD). Os anteparos com vazamentos fizeram com que as salas de máquinas do War Nawab se enchessem de vapores que causaram desmaios nos homens e, posteriormente, levaram a capitania do porto a concluir que a tripulação estava embriagada. A essa carga letal, foram adicionados feixes de cordite, algodão-pólvora e antigas cargas de profundidade para dar aos navios mais poder de destruição.[7] A ideia era navegar à noite até que os navios incendiários estivessem perto das entradas dos portos-alvo. Todos, exceto 2 ou 3 tripulantes, seriam retirados, os temporizadores de detonação seriam ajustados e cada navio seguiria em sua rota final em direção à entrada de um porto. A tripulação restante escaparia em um barco a motor no último minuto. Quando os explosivos detonassem, o porão do navio incendiário se romperia e, com um navio dentro ou o mais próximo possível da entrada do porto, uma mancha de combustível em chamas seria arrastada para o porto pela maré crescente.[9]
O suboficial Ronald Apps foi convocado,
Em julho de 1940, juntei-me a um navio-petroleiro da Frota Auxiliar Real, o War African, que estava ancorado perto de Sheerness, para uma ideia que sempre presumi ter sido concebida por Churchill. Esses navios-petroleiro eram carregados com óleo combustível e continham minas e detonadores nos porões. A ideia era levá-los até Boulogne-sur-Mer e, a cerca de 8 ou 10 km do porto, acionar os controles e amarrá-los, com as caldeiras a todo vapor, e conduzi-los até o porto de Boulogne-sur-Mer para que explodissem, destruindo a potencial frota de invasão alemã. Chamava-se Operação Lucid e passamos 4 semanas nos preparando. Praticamos o acionamento dos controles e a evacuação do navio com duas lanchas rápidas ao nosso lado, que haviam sido requisitadas de Southend. Essas lanchas eram máquinas extraordinárias. Podiam atingir 65 ou 75 km/h e a ideia era que, ao soar de um apito, devíamos correr até lá, entrar nas lanchas e partir. Aquelas 4 semanas foram um pouco tensas porque o navio-petroleiro chegou até nós cheio de óleo combustível, pronto para explodir, e havia ataques aéreos à noite. Quando você está dentro de um navio-petroleiro, sentado em cima de todo aquele material explosivo, e os alemães estão vindo e lançando bombas, não é uma experiência muito... digamos, 'inspiradora de sono'. Cheguei à conclusão de que precisava dormir ou não conseguiria andar no dia seguinte.
— [elipse no original][13]
Execução e cancelamento
No final da tarde de 26 de setembro de 1940, o War Nizam e o Oakfield partiram de Sheerness em direção a Calais, enquanto o War Nawab partiu de Portsmouth rumo a Boulogne-sur-Mer. Um bombardeio de distração pela Força Aérea Real Britânica (RAF) também foi ordenado contra Oostende. Vários contratorpedeiros, lanchas torpedeiras e outras embarcações escoltaram os navios incendiários. Augustus Agar comandou a operação a partir do contratorpedeiro HMS Campbell. Um vento desfavorável soprou e o Oakfield logo desistiu; pouco depois, o War Nizam sofreu problemas na caldeira, deixando apenas o War Nawab para continuar. Sem querer sacrificar o elemento surpresa e sob ordens de Winston Churchill para não hesitar em cancelar a operação caso o plano não desse certo, Agar a cancelou. O alerta de retorno alcançou o War Nawab a 13 km de Boulogne-sur-Mer. Outra tentativa foi feita em 3 de outubro, mas foi frustrada pelo mau tempo, assim como uma tentativa na noite seguinte.[14] Na noite de 7/8 de outubro, uma mina acústica danificou um contratorpedeiro de escolta com Agar a bordo; o comboio dispersou-se e o contratorpedeiro regressou cambaleando para casa. Foram feitos planos para outra tentativa no início de novembro, mas nessa altura Adolf Hitler já tinha adiado a Operação Leão Marinho e o Almirantado Britânico, correspondentemente, adiou a Operação Lucid.[15] O plano foi retomado na primavera de 1941, mas nunca foi posto em prática.[16]
O War Nawab continuou em serviço como um casco de petróleo até ser desmantelado em 1958. Em 1962, o sino do seu navio foi remontado no convés de popa da unidade de Cadetes do Mar da Marinha Real da Nova Zelândia, sediada em Whanganui, na Ilha Norte da Nova Zelândia.[17]
Ver também
Referências
Notas
- ↑ «A History of the Battle of Britain: Bomber Command». Battle of Britain. RAF Museum. Consultado em 18 outubro 2010. Arquivado do original em 27 setembro 2010
- ↑ Banks 1946, p. 48.
- ↑ Piece reference PREM 3/264—LUCID operation (fireships)., The Catalogue, The National Archives
- ↑ Piece reference WO 193/734—Use of oil for defensive and offensive purposes, The Catalogue, The National Archives
- 1 2 Morgan-Giles, Morgan. «Operation Lucid (extract from The Unforgiving Minute)» (PDF). The Cachalot. Southampton Master Mariners' Club. pp. 4–5. Consultado em 29 julho 2010[ligação inativa]
- ↑ «Captain Augustus Agar, VC (Obituary)». The Times. 1 janeiro 1969. p. 10 column F
- 1 2 Agar 1961, p. 147.
- ↑ Agar 1961, p. 149.
- 1 2 Agar 1961, p. 152.
- ↑ Jordan 2006, p. 85.
- ↑ «WWI Standard Ships: War I — War O». World Ship Society. Consultado em 18 agosto 2010.
Gives comparable, but slightly different figures
- ↑ «WWI Standard Ships: War A — War B». World Ship Society. Consultado em 18 agosto 2010
- ↑ Levine 2007, p. 58.
- ↑ Agar 1961, pp. 153–154.
- ↑ Agar 1961, p. 155.
- ↑ Hayward 1994, pp. 37–41.
- ↑ White, Christopher J.; Robinson, Peter. «RFA Fire Ships in World War 2». Historical RFA. Consultado em 29 julho 2010. Arquivado do original em 26 julho 2011
Referências gerais
- Agar, Augustus (1961). Footprints in the Sea. [S.l.]: Cox & Wyman
- Banks, Sir Donald (1946). Flame Over Britain. [S.l.]: Sampson Low, Marston and Co. OCLC 2037548
- Hayward, James (1994). Shingle Street. [S.l.]: LTM Publishing. ISBN 0-9522780-0-6
- Jordan, Roger (2006). The World's Merchant Fleets, 1939: The Particulars and Wartime Fates of 6,000 Ships. [S.l.]: US Naval Institute Press. ISBN 978-1-59114-959-0
- Levine, Joshua (2007). Forgotten Voices of the Blitz and the Battle of Britain. [S.l.]: Ebury Press & Imperial War Museum. ISBN 978-0-09-191004-4
Coleções
- «WW2 People's War». BBC. Consultado em 19 fevereiro 2007 – an online archive of wartime memories contributed by members of the public and gathered by the BBC.
