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Iazdanismo
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O Iazdanismo, ou culto dos anjos, é uma religião pré- islâmica proposta, com supostas ligações a uma religião mitraica dos curdos. O termo foi introduzido e proposto pelo estudioso curdo e belga Mehrdad Izady para representar o que ele considera a religião "original" dos curdos.[1]
Segundo Izady, o Iazdanismo continua agora nas denominações do iazidismo, iarsanismo e alevismo curdo.[2][3] O shabaquismo também foi incluído, embora mais tarde tenha entrado em declínio como religião.[4]
O conceito de Iazdanismo encontrou ampla aceitação tanto dentro quanto fora dos discursos nacionalistas curdos, mas tem sido contestado por outros estudiosos reconhecidos das religiões iranianas. No entanto, estão bem estabelecidas as semelhanças "impressionantes" e "inconfundíveis" entre os iazidis e os iaresanos ou Ahl-e Haqq (Povo da Verdade),[5] algumas das quais podem ser rastreadas até elementos de uma antiga fé que provavelmente era dominante entre os iranianos ocidentais e afins, mas separada do zoroastrismo[6][7] e comparada às práticas da religião mitraica pré-zoroastriana.[8]
Crenças principais
Nas teologias Yazdâni, uma força panteísta absoluta[9] (Haq ou Haqq) abrange todo o universo. Ele une o cosmos com sua essência e confiou ao universo o peso sirr (a "Hépted", "Sete Mistérios", "Sete Anjos"), que sustentam a vida universal e podem se encarnar em pessoas, bâbâ ("Portões" ou " Avatar ").[10] Essas sete emanações são comparáveis aos sete aspectos Anunáqui de Anu da antiga teologia mesopotâmica, e incluem Melek Tawûs (o "Anjo Pavão" ou "Rei"), que foi sugerido por alguns estudiosos como equivalente ao antigo deus Dumuzi, filho de Enqui.[11]
Alguns estudiosos apontaram para a origem iraniana dessas divindades, em particular Shaykh Shams al-Din, "o sol da fé", que é uma figura iazidi que tem muitas características em comum com o antigo deus iraniano Mitra, como ser associado ao Sol, desempenhar um papel importante nos juramentos e estar envolvido no sacrifício anual de touro que ocorre nos festivais de outono.[12][13]
A teologia pré-islâmica das religiões iranianas ocidentais indígenas e locais sobreviveu nessas três religiões, embora a expressão e o vocabulário tenham sido fortemente influenciados por um léxico sufi árabe e persa.[14][15][16][17][18]
Sete seres divinos
A principal característica do Iazdanismo é a crença em sete seres divinos benevolentes que defendem o mundo de um número igual de entidades malignas. Embora este conceito exista na sua forma mais pura no iarsanismo e no iazidismo, ele evolui para "sete santos/pessoas espirituais".[19] Outra característica importante dessas religiões é a doutrina da reencarnação. A crença na reencarnação também foi documentada entre os alauítas (Shamsi).[19]
Os iazidis acreditam em um único Deus como criador do mundo, que ele colocou sob os cuidados desses sete "seres sagrados" ou anjos, cujo "chefe" (arcanjo) é Melek Tawûs, o "Anjo Pavão". O Anjo Pavão, como governante do mundo, causa tanto o bem quanto o mal aos indivíduos, e esse caráter ambivalente se reflete nos mitos de sua própria queda temporária do favor de Deus, antes que suas lágrimas de remorso extinguissem as chamas de sua prisão infernal e ele se reconciliasse com Deus.
Melek Tawûs é por vezes identificado por muçulmanos e cristãos com Xaitã (Satanás). Os iazidis, no entanto, contestam fortemente isso, considerando-o o líder dos arcanjos, não um anjo caído.[20][21]
Devido a esta ligação à tradição sufi de Iblis, alguns seguidores do cristianismo e do islamismo equiparam o Anjo Pavão ao seu próprio espírito maligno não redimido, Satanás,[22][23][24][25] o que incitou séculos de perseguição aos yazidis como 'adoradores do diabo'. A perseguição aos iazidis continuou nas suas comunidades de origem dentro das fronteiras do Iraque moderno, tanto sob Saddam Hussein como sob revolucionários muçulmanos sunitas fundamentalistas.[26] Em agosto de 2014, os iazidis foram alvo do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, ou EIIL, em sua campanha para 'purificar' o Iraque e os países vizinhos de influências não islâmicas.[27]
Divisões
Segundo Izady, Iazdanismo estaria hoje dividido em três ramos:
- Alevismo (Curdistão ocidental, Turquia e costa da Síria)
- Iarsanismo (parte setentrional do Curdistão, Irã ocidental)
- Iazidismo (ou iezidismo) (Curdistão central)
Trocas e contatos entre estes ramos não são frequentes.
Críticas
O conceito de Iazdanismo como uma religião distinta tem sido contestado por vários académicos. Richard Foltz considera o Iazdanismo, ou o “Culto dos Anjos”, como a "religião inventada" de Izady, afirmando que "deve mais ao sentimento nacional curdo contemporâneo do que a verdadeira história religiosa".[28]
O antropólogo iraniano Ziba Mir-Hosseini escreve:
- O caso mais notável é o de Izady (1992) que, no seu afã de distanciar os Ahl-e Haqq do Islão e dar-lhe um pedigree puramente curdo, afirma que a seita é uma denominação de uma religião muito antiga a que ele chama "O Culto dos Anjos"". Este "Culto", afirma ele, é "fundamentalmente uma religião não semítica, com uma superestrutura ariana suportando uma fundação religiosa indígena nos Zagros. Identificar o culto ou alguma das suas denominações como islâmico é simplesmente um erro nascido da falta de conhecimento da religião, que precede o Islão por milénios." Ele não consegue, no entanto, produzir nenhuma prova que sustente a sua teoria, e algumas das suas afirmações só podem ser chamadas de absurdas.[29]
Referências
- ↑ Foltz, Richard (7 de novembro de 2013). «Two Kurdish Sects: The Yezidis and the Yaresan». Religions of Iran: From Prehistory to the Present. [S.l.]: Oneworld Publications. p. 219. ISBN 978-1-78074-307-3
- ↑ Alex Domenech (20 de agosto de 2015). The Domenech Bible Interpretations: The Bible & Climate Change. [S.l.]: WestBow Press. pp. 166–. ISBN 978-1-5127-0849-3. Cópia arquivada em 15 de janeiro de 2026.
According to Izady, Yazdanism is now continued in the denominations of Yazidism, Yarsanism, and Chinarism
- ↑ «Cult of Angels – KURDISTANICA» (em inglês). 11 de outubro de 2018. Consultado em 10 de junho de 2021. Cópia arquivada em 11 de novembro de 2021
- ↑ The Struggle of Ethno-Religious Minorities in Iraq: The case of Kaka'is, Nazdar Qudrat Abas, Dilshad Jaff, Hashem M. Karami, pp. 148
- ↑ Kreyenbroek 1995, pp. 54; 59.
- ↑ Foltz, Richard (7 de novembro de 2013). «Two Kurdish Sects: The Yezidis and the Yaresan». Religions of Iran: From Prehistory to the Present. [S.l.]: Oneworld Publications. p. 219. ISBN 978-1-78074-307-3
- ↑ Kreyenbroek, Philip G. «YEZIDISM ITS BACKGROUND OBSERVANCES AND TEXTUAL TRADITION». Texts and studies in religion (em inglês). Cópia arquivada em 24 de dezembro de 2024
- ↑ Foltz, Richard (7 de novembro de 2013). «Mithra and Mithraism». Religions of Iran: From Prehistory to the Present. [S.l.]: Oneworld Publications. p. 30. ISBN 978-1-78074-307-3. Consultado em 3 de dezembro de 2017. Arquivado do original em 4 de fevereiro de 2015 Parâmetro desconhecido
|seçãourl=ignorado (ajuda) - ↑ «Yezidi Spirits?». ResearchGate (em inglês). Consultado em 8 de maio de 2019
- ↑ Kurdistanica – Encyclopaedia of Kurdistan: Cult of Angels
- ↑ Açıkyıldız 2010, p. 74.
- ↑ Bidlisi, Izady. 2000. p. 80
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- ↑ Foltz, Richard (7 de novembro de 2013). «Two Kurdish Sects: The Yezidis and the Yaresan». Religions of Iran: From Prehistory to the Present. [S.l.]: Oneworld Publications. p. 219. ISBN 978-1-78074-307-3
- ↑ Kreyenbroek, Philip G. «YEZIDISM ITS BACKGROUND OBSERVANCES AND TEXTUAL TRADITION». Texts and studies in religion (em inglês). Cópia arquivada em 24 de dezembro de 2024
- ↑ Turgut, Lokman. Ancient rites and old religions in Kurdistan. [S.l.: s.n.] OCLC 879288867
- ↑ Bozarslan; Gunes, Cengiz; Yadirgi, Veli, eds. (22 de abril de 2021). The Cambridge History of the Kurds 1 ed. [S.l.]: Cambridge University Press. ISBN 978-1-108-62371-1. doi:10.1017/9781108623711
- ↑ "A belief system of great antiquity that is fundamentally a non-Semitic religion, with an Aryan superstructure overlaying a religious foundation indigenous to the Zagros. To identify the Cult or any of its denominations as Islamic is simply a mistake born of a lack of knowledge of the religion, which pre-dates Islam by millennia." Mukri, Muhammad (1966), L'Esotrérism kurde 2nd (2002) ed. , Paris
- 1 2 Izady 1992, pp. 170 passim.
- ↑ Kurdish Society by Martin Van Bruinessen, in The Kurds: A Contemporary Overview, ed. Philip G. Kreyenbroek, Stefan Sperl, Routledge, 17 Aug 2005, p. 29 “The Peacock Angel (Malak Tawus) whom they worship may be identified with Satan, but is to them not the Lord of Evil as he is to Muslims and Christians.”
- ↑ The Yezidis: The History of a Community, Culture and Religion, by Birgül Açıkyıldız, I. B. Tauris, 30 Sep 2010, p. 2 “Muslim and Christian neighbors of the Yezidis in the Middle East consider the Peacock Angel as the embodiment of Satan and an evil, rebellious spirit.”
- ↑ “The Peacock Angel (Malak Tawus) whom they worship may be identified with Satan, but is to them not the Lord of Evil as he is to Muslims and Christians.” In: Martin van Bruinessen (2005). «Kurdish Society». In: Kreyenbroek; Sperl, Stefan. The Kurds: A Contemporary Overview. [S.l.: s.n.] p. 29
- ↑ “Muslim and Christian neighbors of the Yezidis in the Middle East consider the Peacock Angel as the embodiment of Satan and an evil, rebellious spirit”. In: Açıkyıldız 2010, p. 2
- ↑ Berman, Russell (8 de agosto de 2014). «A Very Brief History of the Yazidi and What They're Up Against in Iraq». The Wire. Consultado em 13 de agosto de 2014. Arquivado do original em 12 de agosto de 2014
- ↑ "Iraq crisis: who are the Yazidis and why is Isis hunting them?". The Guardian. 8 August 2014.
- ↑ The Devil Worshippers, of Iraq. «The Devil Worshippers of Iraq». The Telegraph. Consultado em 7 de julho de 2014. Cópia arquivada em 7 de fevereiro de 2026
- ↑ «Who are the Yazidi, and Why is ISIS Targeting Them?». NBC News. Cópia arquivada em 14 de novembro de 2025
- ↑ Foltz 2013, p. 219
- ↑ Mir-Hosseini 1992, p. 132
Bibliografia
- Foltz, Richard (2013). «Two Kurdish Sects: The Yezidis and the Yaresan». Religions of Iran: From Prehistory to the Present (em inglês). [S.l.: s.n.] ISBN 9781780743097
- Izady, Mehrdad R. (1992). «The Kurds: a concise handbook» (em inglês). Washington & London: Taylor & Francis. ISBN 0-8448-1727-9
- Mir-Hosseini, Ziba (1992). «Faith, ritual and culture among the Ahl-e-Haqq». In: Philipp G. Kreyenbroek; Christine Allison. Kurdish culture and identity (em inglês). London: Zed Books. pp. 111–134. ISBN 1-85649-330-X
Ligações externas
- «Iazdanismo: Culto dos Anjos» (em inglês)
