Saúde
Guedê
Texto da Wikipédia (pt), licença CC BY-SA. O BETARUBI mostra o verbete inteiro nesta página — a leitura não continua fora do site.
A tradução deste artigo está abaixo da qualidade média aceitável. (setembro de 2021) |
Guedê ou Guedé (Gede em crioulo haitiano) são uma família de loás no vodu haitiano associados aos poderes da morte e da fertilidade. Esses espíritos são frequentemente associados a locais de sepultamento, onde conduzem os falecidos ao pós-vida. Entre os espíritos Guedê estão Guedê Doub, Guedê-Linto, Guedê L'Orage, Guedê Oussou, Guedê Nibo, Guedê Masaka e Guedê Ti Malice. Seus ritos são acompanhados pelo ritmo de percussão e pela dança conhecidos como banda (pronuncia-se "bandá"). Durante estados de possessão, seus devotos bebem ou passam pelo corpo uma mistura de rum artesanal (kleren) com pimentas.
O festival anual em homenagem aos Guedê, o Fèt Gede, é celebrado em 1 e 2 de novembro, correspondendo com o feriado cristão do Dia de Finados.
Membros da família Guedê
Papa Guedê
Papa Guedê é o cadáver do primeiro homem a morrer. Ele é reconhecido como um homem baixo e de pele escura, que usa uma cartola e gosta de fumar charutos e comer maçãs. Papa Guedê é um psicopompo que aguarda nas encruzilhadas para conduzir as almas ao além-túmulo. Ele é considerado a contraparte benevolente do Barão Samedi. Recorre-se a Papa Guedê em oração quando uma criança está à beira da morte; acredita-se que ele não ceifará uma vida antes da hora e que protegerá os pequeninos. Papa Guedê possui um senso de humor bastante grosseiro, a capacidade divina de ler a mente das pessoas e o dom de saber tudo o que acontece nos mundos dos vivos e dos mortos.
Guedê Nibo
Guede Nibo é um loá da nação radá que é considerado um grande curandeiro. Guede Nibo era um belo jovem que foi morto violentamente. Após a morte, ele foi adotado como um loá pelo casal Barão Samedi e Mãe Brigitte. Nibo é representado como um dândi afeminado de fala anasalada. Nibo veste um casaco de montaria preto ou com roupas femininas. Quando possui humanos, os inspira a uma sexualidade lasciva de todos os tipos.[1]Ele é visto carregando uma garrafa de rum branco com infusão de ervas medicinais, e frequentemente carrega um cajado e fuma um charuto. Nibo é o padroeiro especial daqueles que morrem jovens e dos mortos por causas não naturais, e como tal, é frequentemente associado ao santo católico Gerardo Majella, que é representado com uma caveira. Nibo é o guardião dos túmulos daqueles que morreram prematuramente, particularmente daqueles cujo local de descanso final é desconhecido. Ele é um psicopompo, um intermediário entre os vivos e os mortos. Ele dá voz aos espíritos dos mortos que não saíram de "debaixo das águas", estando em uma condição semelhante a de uma alma penada, e seus chwals ("cavalos", devotos possuídos) também podem dar voz aos espíritos dos mortos cujos corpos não foram encontrados.[1]
Barão Kriminel
O "Barão dos Criminosos" é o executor das vontades dos Guedê. Ele foi a primeira pessoa a matar outra (provavelmente Nibo). Como o primeiro assassino, ele é o senhor daqueles que cometem homicídios ou usam a violência para ferir o próximo. Famílias de vítimas de assassinato e de pessoas que sofreram abusos recorrem a ele em oração para se vingar daqueles que lhes fizeram mal. Seus devotos possuídos possuem um apetite insaciável e atacam as pessoas até que lhes ofereçam comida. Se a oferta não os agrada ou demora demais, eles podem morder a quem esteja por perto ou até a si mesmos. Ele é sincretizado com São Martinho de Porres, talvez porque o dia de sua festa seja 3 de novembro, logo após o Fèt Gede. Sacrificam-se para ele galos pretos que são amarrados, banhados em bebida alcoólica forte e, em seguida, incendiados.
Guedê Massacá
Massacá é um assistente de Guedê Nibo. Ele é um homem andrógino ou coveiro transexual e espírito do morto, reconhecido por sua camisa preta, jaqueta branca, e véu branco. Ghede Masaka carrega um saco contendo folhas venenosas e um cordão umbilical. Ghede Masaka é por vezes descrito como o companheiro de Ghede Oussou. Ambos são bissexuais. Ghede Oussou é por vezes, também relacionado com o sexo feminino Ghede L'Oraille. Ghede Oussou veste uma jaqueta preta ou roxa marcada nas costas com uma cruz branca, e um véu preto ou roxo. Seu nome significa "alegre (bêbado, embriagado) devido ao seu amor ao rum branco.[2]
Referências
- 1 2 Conner 1998, p. 963.
- ↑ "Queer Myth, Symbol & Spirit." Randy Conner, David Hatfield Sparks & Mariya Sparks. Cassell, 1997.
- Voodoo: Search for the Spirit. Laennec Hurbon. Harry N. Abrams, Inc. 1995.
- "Ghede" A Dictionary of World Mythology. Arthur Cotterell. Oxford University Press, 1997.
