Saúde
Breakdance
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O breakdance (também conhecido como breaking ou b-boying) é um estilo de dança urbana com movimentos estilizados acrobáticos e atléticos, parte da cultura do hip hop criada por afro-americanos e latinos na década de 1970 na cidade de Nova Iorque (Estados Unidos),[1] normalmente dançada ao som do rap, funk, ou breakbeat. No início, o breakdance era utilizado como manifestação popular e alternativa aos jovens para não entrarem em gangues de rua (que tomavam Nova Iorque) na década de 1970.[2] O breaking foi influenciado por outras formas de dança, como o Uprockin, Popping e Lockin,[3] Jailhouse, Double Dutch, Electric Boogie, House e, capoeira.[4] Em 1980 a mídia dos EUA chamou genericamente todas essas danças de rua de breakdance,[5] que atualmente é utilizado como meio de recreação ou competição no mundo.
O breakdancer (termo midiático[5]), abreviado b-boy (masculino) e b-girl (feminino), é o termo dado a pessoa que dança o breakdance (dançarino breaking).
O COI (Comitê Olímpico Internacional) incluiu no programa esportivo da Olimpíada de Paris 2024 o breakdance, seguindo a tendência em tornar os jogos mais urbano e conectados com a juventude, de acordo com o lançamento da Agenda 20+20 em 2014.[6]
História

O principal artista da época era Mister Dynamite, James Brown, conhecido não só por sua voz ou canções, mas também por toda sua performance estética, que deu origem a todos os pop-stars que vemos hoje em dia. James Brown era idolatrado principalmente nos redutos negros e latinos das grandes metrópoles e influenciava todos os jovens com sua dança, chamada Good Foot (Pé Bom). No Brasil essa dança é chamada de Soul, pois é o estilo de música que Brown cantava.
No Bronx, a influência do Good Foot levou à criação de um passo chamado Top Rocking e depois foi somada a dança rocking (Brooklyn rock). Essa dança usava qualquer tipo de provocação vistas na TV, em filmes, etc. Preferiam provocar a brigar, na mais pura malandragem, utilizando a dança. Nesta mesma época, no Brooklyn, a mesma dança utiliza passos diferentes, além da combinação de ataques e defesas simultâneas, feitas por mais de um dançarino. Esta dança foi chamada de Brooklyn-Rock ou Up-Rock. Devido ao grande sucesso, surgiram equipes especializadas em combater com o Up-Rock.

O Bronx, notando que sua dança era menos chamativa que o Brooklyn-Rock já que este contava a participação de mais de um dançarino o confronto entre esses dois Up-Rockers era muito mais contundente que a de um Top-Rocker começou-se a experimentar novas concepções; com isso o Top-Rock rapidamente desceu para o chão criando-se o Floor-Rock (dança de chão) ou footwork (trabalhos dos pés). Essa dança consiste em praticamente se dançar o Top-Rocking em movimentos circulares de acordo com ritmo da música, logicamente com as mãos e pés no chão ao mesmo tempo. O término deste movimento chama-se de freeze (congelar); a força, rapidez e ousadia rapidamente suplantou o cenário Up-Rocking. A partir desse momento todas as pessoas queriam fazer Foot Work .
Nas Block Parties o pessoal esperava o dj Kool Herc começar a brincar com os Breaks (intervalos de compasso) e fabricar os beats. Como essas festas aconteciam principalmente no Bronx a dança predominante era o Top ou Floor Rocking então Kool Herc costumava pegar o microfone e anunciava a performance dos B-boys, aqueles que dançam nos intervalos da música. Com isso toda a dança do Bronx e Brooklyn acabaram sendo unificadas sob o nome de B-boying.
Entre as décadas de 1970 e 1980, os capoeiristas baianos que moravam em Nova York, Jelon Vieira e Loremil Machado, fizeram apresentações da arte na escola no distrito novaiorquino do Bronx.[7] Iniciando assim um intercâmbio de movimentos entre a capoeira e o breaking, que incorporou movimentos como: pião de cabeça, relógio, pião de mão (o executor gira apoiado em partes do corpo).[7] Neste mesmo perído ocorreu o boom do break nos Estados Unidos, todas as danças de rua (não importavam se fosse Locking, B-boying ou Popping), eram genericamente chamados com o mesmo termo que até hoje ficou conhecido mundialmente pela mídia como Breakdance.[1][5] Vários grupos aderiram ao break, os grupos são denominados de "crew", que em inglês significa equipe, gangue ou grupo, são manifestações do movimento hip-hop. A produção de reportagem e filmes popularizou mais o Breaking, em 1970 com a série televisiva Soul Train, em 1981 a ABC News exibiu uma apresentação do grupo Rock Steady e, em 1982 foi lançado o o filme-documentário “Style Wars” sobre a batalha entre Rock Steady e Dynamic Rockers.[5]
Elementos

Existem quatro elementos primários que formam o breakdance: toprock, downrock, power moves e freezes.
- Toprock (baile dos pés): geralmente é qualquer sequência de passos executados a partir de uma posição em pé. Geralmente é a primeira e principal exibição de estilo de abertura, embora os dançarinos muitas vezes façam a transição de outros aspectos do break para o toprock e vice-versa. Toprock tem uma variedade de passos que podem ser variados de acordo com a expressão do dançarino (ou seja, agressivo, calmo, excitado). Uma grande liberdade é permitida na definição de toprock: desde que o dançarino mantenha limpeza, forma e atitude. Toprock é baseado em outros estilos de dança popping, sapateado, locking, tap dance, Lindy hop e, house dance.[8] Transições de toprock para downrock e movimentos de energia são chamados de "drops".[9]
- Downrock ou footwork ou floorwork (trabalho de pés e mãos no solo): é usado para descrever qualquer movimento no chão com as mãos ou pés apoiando o dançarino.[10] Inclui movimentos como o 6-step,[11] ou apoiado nas costas como o powermove moinho de vento. O downrock mais básico é feito inteiramente nos pés e nas mãos, as variações mais complexas podem envolver os joelhos ao enfiar os membros um no outro na forma de laço.
- Power move (movimentos de poder ou movimentos de dificuldade): são movimentos acrobáticos que exigem impulso, velocidade, flexibilidade e controle para serem executados; geralmente acontece quando o dançarino impulsiona seu corpo em uma rotação contínua, equilibrando-se apoiando-se na parte superior do corpo,[12] enquanto as outras partes criam um impulso circular. Alguns exemplos são o windmill, swipe, back spin e head spin. Alguns movimentos são emprestados da ginástica e artes marciais,[13] como o Thomas Flair, que é chamado apenas como flare no break dance.
- Freeze (posturas congeladas): o dançarino interrompe todos os movimentos do corpo, parando em uma posição/pose elegante ou de grande equilíbrio por alguns segundos;[14] se suspenda do chão usando a força da parte superior do corpo em poses como o pike. Eles são usados para enfatizar batidas fortes na música ou sinalizar o fim de um set de movimentos.[15] Freezes podem ser feitos em cadeias/stacks, onde o dançarino vai congelando, a fim de atingir as batidas da música unindo musicalidade e força física.
Praticantes
O breaking é praticado pelo dançarino breakdancer, que comumente chamado pela termo abreviado masculino b-boy e feminino b-girl, ou seja, é a abreviatura de breakdancer-boy e breakdancer-girl respectivamente, que representam as pessoas que dançam o breakdance, os dançarinos de breaking.
Referências
- 1 2 «Break dancing | History, Characteristics, Olympics, & Facts | Britannica». www.britannica.com (em inglês). Consultado em 17 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 1 de março de 2026
- ↑ «National Public Radio. Breakdancing, Present at the Creation» (em inglês). Consultado em 18 de maio de 2009
- ↑ «Breakdance: a dança que saiu das ruas para os Jogos Olímpicos». Olimpíada Todo Dia. 26 de dezembro de 2020. Consultado em 4 de agosto de 2022. Cópia arquivada em 28 de março de 2025
- ↑ «KRS-One e os 9 elementos da cultura hip hop». Bocada Forte. 12 de novembro de 2017. Consultado em 3 de agosto de 2022. Cópia arquivada em 11 de agosto de 2025
- 1 2 3 4 «História da dança de rua». DNA Urbano. 3 de agosto de 2010. Consultado em 17 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 7 de novembro de 2025
- ↑ Rubio, Katia (28 de março de 2016). «Agenda 20+20 e o fim de um ciclo para o Movimento Olímpico Internacional». Revista USP (108): 21–28. ISSN 2316-9036. doi:10.11606/issn.2316-9036.v0i108p21-28. Consultado em 28 de agosto de 2024
- 1 2 «Breaking: os heróis capoeiristas que influenciaram a nova modalidade olímpica e ganharam o mundo». BBC News Brasil. 8 de agosto de 2024. Consultado em 17 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 28 de novembro de 2025
- ↑ «Top Rock | The Breaks, a breaking encyclopedia». thebreaks.org. Consultado em 19 de outubro de 2021. Cópia arquivada em 23 de janeiro de 2026
- ↑ Chang, Jeff (2006). Total Chaos: The Art and Aesthetics of Hip-Hop
. New York City: BasicCivitas. p. 20. ISBN 0-465-00909-3. The transition between top and floor rockin' was also important and became known as the 'drop'.
- ↑ Smith, J.C. (2010). «Break Dancing». Encyclopedia of African American Popular Culture. [S.l.]: ABC-CLIO. ISBN 978-0-313-35797-8
- ↑ Marylou, K. (2014). Trends in Hip-Hop Dance. [S.l.]: Mitchell Lane Publishers. ISBN 978-1-61228-595-5. Cópia arquivada em 19 de fevereiro de 2024
- ↑ «Aprenda o breaking: um guia de movimentos básicos». Red Bull. Consultado em 3 de agosto de 2022. Cópia arquivada em 19 de maio de 2026
- ↑ Okumura, Kozo. «B-boying». Dancers Delight. Consultado em 10 de dezembro de 2013. Cópia arquivada em 30 de outubro de 2025
- ↑ Banes, Sally (1 de março de 2011). Writing Dancing in the Age of Postmodernism (em inglês). [S.l.]: Wesleyan University Press. Cópia arquivada em 29 de julho de 2023
- ↑ «Aprenda o breaking: um guia de movimentos básicos». Red Bull. Consultado em 3 de agosto de 2022. Cópia arquivada em 19 de maio de 2026

