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Anarquismo social
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O anarquismo social, ou anarquismo socialista, é uma tradição anarquista que enfatiza que a liberdade individual e a igualdade social são mutuamente compatíveis e desejáveis. Defende uma revolução social para eliminar estruturas de poder hierárquicas, como o capitalismo e o Estado. Em seu lugar, os anarquistas socialistas incentivam a colaboração social voluntária por meio da ajuda mútua e idealizam formas não hierárquicas de organização social, como redes de assembleias populares e cooperativas de trabalhadores.
Identificado com a tradição socialista de Mikhail Bakunin e Piotr Kropotkin, o anarquismo social é frequentemente contrastado com o anarquismo individualista.

Princípios políticos
O anarquismo social opõe-se a todas as formas de estruturas hierárquicas de poder e opressão, incluindo (mas não se limitando a) o Estado e o capitalismo.[1] Ele vê a liberdade como interligada à solidariedade social,[2] e considera a maximização de uma necessária para a maximização da outra.[3] Como tal, busca garantir direitos iguais à liberdade e à segurança material para todas as pessoas.[4]
O anarquismo social também prevê a derrubada do capitalismo e do Estado em uma revolução social,[5] que estabeleceria uma sociedade federal de associações voluntárias e comunidades locais,[6] baseada em uma rede de ajuda mútua.[7] Os princípios fundamentais que formam o núcleo do anarquismo social incluem o anticapitalismo, o antiestadismo e a política prefigurativa.[8] Há uma grande influência do hegelianismo de esquerda.[9]
Escolas de pensamento
A primeira escola do anarquismo social foi formulada por Pierre-Joseph Proudhon, cuja teoria do mutualismo previa uma forma de propriedade privada,[10] defendendo que as empresas fossem autogeridas por cooperativas de trabalhadores, que remunerariam seus trabalhadores com vales-trabalho emitidos por "bancos populares".[11]
O mutualismo de Proudhon foi posteriormente suplantado pelo anarquismo coletivista de Mikhail Bakunin, que defendia a propriedade coletiva de todos os bens, mas mantinha uma forma de remuneração individual.[12] Isso finalmente levou ao desenvolvimento do anarcocomunismo por Piotr Kropotkin, que considerava que os recursos deveriam ser distribuídos livremente "de cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades", sem dinheiro ou salários.[13]
Os anarquistas socialistas também adotaram a estratégia do sindicalismo, que via os sindicatos como a base para uma nova economia socialista, sendo que o anarcossindicalismo atingiu sua maior influência durante a Revolução Espanhola de 1936.[14]
Na era contemporânea, o anarcocomunismo e o anarcossindicalismo são as tendências dominantes do anarquismo social.[15]
Referências
- ↑ Morland 2004, p. 26.
- ↑ Adams 2001, p. 120; Franks 2018, p. 557; Jun 2018, pp. 51-56; Marshall 2008, pp. 653-654; Ostergaard 1991, p. 21; Ostergaard 2006, p. 13; Suissa 2001, pp. 629-630.
- ↑ Jun 2018, pp. 51-56; Ostergaard 1991, p. 21; Ostergaard 2006, p. 13.
- ↑ Marshall 2008, pp. 653-654.
- ↑ Firth 2018, p. 495; Suissa 2001, pp. 637-638; Ostergaard 2006, p. 13.
- ↑ Adams 2001, p. 120; Firth 2018, p. 495; Suissa 2001, pp. 637-638; Ostergaard 2006, p. 13.
- ↑ Marshall 2008, pp. 655-656; Ostergaard 2006, p. 13; Suissa 2001, pp. 629-630; Thagard 2000, pp. 148-149.
- ↑ Franks 2013, p. 390.
- ↑ McLaughlin 2007, p. 116.
- ↑ Adams 2001, pp. 120-121; Busky 2000, p. 5; Marshall 2008, p. 7.
- ↑ Busky 2000, p. 5; Marshall 2008, p. 7.
- ↑ Adams 2001, pp. 121-123; Busky 2000, p. 5; Marshall 2008, pp. 7-8.
- ↑ Adams 2001, pp. 123-124; Busky 2000, p. 5; Marshall 2008, p. 8.
- ↑ Adams 2001, p. 126; Marshall 2008, pp. 9-10; Ostergaard 2006, p. 13.
- ↑ Franks 2013, p. 394.
Bibliografia
- Adams, Ian (2001). Political ideology today. Manchester: Manchester University Press. pp. 120–126. ISBN 978-0-7190-6020-5
- Busky, Donald F. (2000). Democratic socialism: a global survey. Westport: Praeger. ISBN 978-0-275-96886-1
- Firth, Rhiannon (2018). «Utopianism and Intentional Communities». In: Adams, Matthew S.; Levy, Carl. The Palgrave Handbook of Anarchism. London: Palgrave Macmillan. pp. 491–510. ISBN 978-3-3197-5619-6
- Franks, Benjamin (2013). «Anarchism». In: Freeden, Michael; Stears, Marc. The Oxford Handbook of Political Ideologies. Oxford: Oxford University Press. pp. 385–404. ISBN 978-0-19-958597-7
- Franks, Benjamin (2018). «Anarchism and Ethics». In: Adams, Matthew S.; Levy, Carl. The Palgrave Handbook of Anarchism. London: Palgrave Macmillan. pp. 549–570. ISBN 978-3-3197-5619-6
- Marshall, Peter (2008). Demanding the impossible: a history of anarchism. London: Harper Perennial. ISBN 978-0-00-686245-1
- McLaughlin, Paul (2007). Anarchism and authority: a philosophical introduction to classical anarchism. Aldershot: Ashgate. ISBN 978-0-7546-6196-2
- Morland, David (2004). «Anti-capitalism and poststructuralist anarchism». In: Bowen, James; Purkis, Jon. Changing Anarchism: Anarchist Theory and Practice in a Global Age. Manchester: Manchester University Press. pp. 23–38. ISBN 978-0-7190-6694-8
- Ostergaard, Geoffrey (1991). «Anarchism». In: Bottomore, Tom; Harris, Laurence; Kiernan, Victor Gordon; Miliband, Ralph. A dictionary of marxist thought. Oxford: Blackwell. pp. 21–23. ISBN 978-0-631-16481-4
- Ostergaard, Geoffrey (2006). «Anarchism». In: Outhwaite, William. The Blackwell dictionary of modern social thought. Malden: Blackwell. pp. 12–14. ISBN 978-0-470-99902-8
- Suissa, Judith (novembro de 2001). «Anarchism, Utopias and Philosophy of Education». Journal of Philosophy of Education (em inglês) (4): 627–646. ISSN 0309-8249. doi:10.1111/1467-9752.00249
- Thagard, Paul (2000). «Ethics and Politics». Coherence in Thought and Action. Cambridge: MIT Press. pp. 149–154. ISBN 978-0-262-20131-5
