Saúde
Aine Atanre
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Aine Atanre | |
|---|---|
Cidade | |
| Localização de Aine Atanre no Iraque | |
| Coordenadas: 32° 33′ N, 43° 29′ L | |
| Província | Carbala |
| Distrito | Aine Atanre |
Aine Atanre (em árabe: عَيْن التَّمْر; romaniz.: ʿAyn al-Tamr) é uma cidade do Iraque, situada em uma depressão fértil na borda do deserto, entre Ambar e Cufa, a cerca de 130 quilômetros a oeste de Carbala. Conhecida desde a Antiguidade, constituiu um importante centro agrícola e estratégico nas rotas que ligavam o centro do Iraque ao deserto sírio, destacando-se pela abundância de tamareiras, característica refletida em seu nome, que significa "fonte das tâmaras". Durante o período sassânida, integrou a organização administrativa da região e tornou-se um posto militar fortificado. Em 633–634, foi conquistada por Calide ibne Alualide durante a conquista muçulmana da Pérsia, episódio marcado pelo massacre da guarnição e pelo cativeiro de parte da população civil, cujos descendentes vieram posteriormente a desempenhar papéis de destaque na vida política, militar e intelectual do mundo islâmico. Ao longo do período islâmico, Aine Atanre conservou sua importância econômica, administrativa e militar graças à sua produção agrícola e ao controle de uma das principais rotas entre o Iraque e a Síria. A partir do século XII, as referências à cidade tornam-se menos frequentes, embora ela continuasse habitada e figurasse nas fontes posteriores, mantendo-se atualmente como centro administrativo de um distrito iraquiano.
História
Aine Atanre é uma pequena cidade do Iraque, situada em uma depressão fértil na borda do deserto, entre Ambar e Cufa, a cerca de 130 quilômetros a oeste de Carbala. Seu nome, em árabe, significa "fonte das tâmaras", denominação provavelmente relacionada à abundância de tamareiras na região. Segundo Hixame ibne Alcalbi, Aine Atanre integrava o reino de Jadima Alabraxe, soberano de Hira. A tradição também afirma que foi ali que o xainxá sassânida Sapor I (r. 240–270) desposou Nadira, filha do rei de Hatra. Do ponto de vista administrativo, é provável que a localidade constituísse um tassuje do astã de Bicubade Alalá, condição que ainda conservava durante o Califado Abássida. Quando Calide ibne Alualide atacou Aine Atanre em 12 A.H. (633–634), a cidade constituía um importante posto militar sassânida e possuía uma cidadela fortificada. Após derrotar a guarnição, Calide ordenou o massacre de seus defensores e capturou parte da população civil, que foi reduzida à escravidão. Esses prisioneiros tornaram-se os primeiros cativos escravizados a chegar a Medina após o início das conquistas islâmicas. Muitos de seus filhos e netos vieram posteriormente a ocupar posições de destaque na vida militar, administrativa e intelectual do mundo islâmico. As fontes relativas às conquistas muçulmanas indicam que Aine Atanre possuía uma população cristã, com pelo menos uma igreja, além de uma comunidade judaica dotada de sinagoga. É provável, contudo, que a maior parte de seus habitantes fosse composta por árabes sedentários dedicados à agricultura, pertencentes principalmente às tribos dos taglibitas, anamiritas e assaditas.[1]
Aine Atanre preservou sua importância durante o período islâmico tanto por sua produção agrícola, que abastecia os nômades da Arábia e do Iraque, quanto por sua posição estratégica nas rotas de comunicação entre o centro fértil do Iraque e o deserto sírio. A localidade também controlava uma das principais vias de acesso militar do deserto ocidental em direção ao Iraque, especialmente a Cufa.[1] Em razão dessa importância estratégica, os governadores de Cufa mantinham em Aine Atanre uma guarnição destinada a proteger uma das aproximações à cidade. Sua posição relativamente isolada também levou diferentes grupos carijitas a utilizá-la como centro de reunião e organização de movimentos revolucionários. No final do século IX, a localidade era habitada pelos assaditas.[2] No século X, continuava sendo uma cidade fortificada e integrava administrativamente um tassuje do astã de Bicubade Alalá. Sua produção anual incluía catorze baydar, trezentos kurr de trigo, quatrocentos kurr de cevada e uma arrecadação de 45 mil dirrãs. Suas terras eram classificadas como ʿushrī, sujeitas ao imposto agrícola conhecido como ʿushr.[3]
As informações sobre Aine Atanre tornam-se escassas a partir do século XII, período em que a cidade passou a ser frequentemente confundida nas fontes com a vizinha Xetata. Durante a invasão mongol do Iraque, foi capturada e saqueada pelas forças que conquistaram Baguedade. No conturbado século XVI, grupos de beduínos utilizaram a localidade como refúgio. No início do século XX, Gertrude Bell descreveu Aine Atanre como uma aldeia murada dotada de cidadela. Segundo seu relato, a localidade possuía águas sulfurosas, extensas áreas cultivadas com cereais e cerca de 170 mil tamareiras. À época da publicação da Encyclopaedia of Islam, Aine Atanre constituía o centro administrativo de uma anaia. O núcleo urbano era dividido em quatro bairros — Albu Hardane, Cácer Tamir, Cácer Alaine e Cácer Abu Huaidi — e, de acordo com o censo iraquiano de 1947, possuía 2 144 habitantes sedentários e 3 183 habitantes rurais e nômades.[3]
Referências
- 1 2 El-Ali 1986, p. 788.
- ↑ El-Ali 1986, pp. 788–789.
- 1 2 El-Ali 1986, p. 789.
Bibliografia
- El-Ali, Saleh A. (1986). «ʿAyn al-Tamr». The Encyclopaedia of Islam. I: A–B 2 ed. Leida: E. J. Brill. pp. 788–789

