BRZEN
Velocidade peculiar
Texto da Wikipédia (pt), licença CC BY-SA. O BETARUBI mostra o verbete inteiro nesta página — a leitura não continua fora do site.
O movimento peculiar ou velocidade peculiar refere-se à velocidade de um objeto em relação a um referencial de repouso — geralmente um referencial no qual a velocidade média de alguns objetos é zero.
Astronomia galáctica
Na astronomia galáctica, o movimento peculiar refere-se ao movimento de um objeto (geralmente uma estrela) em relação a um referencial de repouso Galáctico.
Os objetos locais são comummente examinados quanto aos seus vetores de movimento próprio (ângulo de posição) e velocidade radial. Estes podem ser combinados através de adição vetorial para determinar o movimento do objeto em relação ao Sol. As velocidades de objetos locais são, por vezes, reportadas em relação ao padrão local de repouso (LSR) em vez do referencial de repouso do Sol. A conversão entre os referenciais LSR e heliocêntrico requer o cálculo da velocidade peculiar do Sol no LSR.[1]
Cosmologia
Na cosmologia física, a velocidade peculiar refere-se aos componentes da velocidade de uma galáxia que se desviam do fluxo de Hubble. De acordo com a lei de Hubble, as galáxias afastam-se umas das outras a uma velocidade proporcional à sua distância. Na ausência de outros efeitos, esta relação entre velocidade e distância seria exata.
No entanto, as galáxias não estão distribuídas uniformemente pelo espaço observável, mas encontram-se tipicamente em grupos ou aglomerados de galáxias, variando em tamanho desde menos de uma dúzia até diversos milhares de componentes. Todos estes objetos próximos exercem um efeito gravítico mútuo, o que pode conferir a uma galáxia uma velocidade acima de 1000 km/s num sentido aparentemente aleatório. Esta velocidade peculiar irá somar-se ou subtrair-se à velocidade radial que seria esperada pela lei de Hubble.[2]
Consequências nas medições de distância
A principal consequência disto, ao determinar a distância de uma galáxia isolada, é que deve ser assumido um erro potencial. Este erro torna-se proporcionalmente menor em relação à velocidade total à medida que a distância do objeto aumenta, uma vez que o fluxo de Hubble passa a dominar a componente da velocidade peculiar.
Uma estimativa mais precisa pode ser obtida através do cálculo da velocidade média de um grupo de galáxias: as velocidades peculiares, assumidas como sendo essencialmente aleatórias, tendem a cancelar-se mutuamente, permitindo uma medição mais rigorosa da velocidade de recessão global daquela região.
Formulação matemática
O desvio para o vermelho (redshift) observado é afetado pela velocidade peculiar via efeito Doppler relativista:
Isto combina-se com o desvio para o vermelho do fluxo de Hubble ($z_H$) e o desvio para o vermelho do nosso próprio movimento ($z_\odot$) para dar o desvio observado:[3]
A velocidade radial de um objeto cosmologicamente "próximo" pode ser aproximada por:
onde é a constante de Hubble e é a distância ao objeto.
Distorções no espaço de redshift
As distorções no espaço de redshift podem fazer com que as distribuições espaciais de objetos cosmológicos pareçam deformadas no mapeamento. O alongamento, conhecido como o efeito "Dedos de Deus" (Fingers of God), é causado pelo movimento térmico aleatório; já o achatamento (efeito Kaiser) é causado por velocidades peculiares correlacionadas devido à queda (infall) gravítica em direção a grandes estruturas.[4]
Fluxo de volume (Bulk flow)
A média da velocidade peculiar sobre uma grande região esférica é chamada de fluxo de volume (bulk flow). Análises experimentais destes fluxos são fundamentais para testar o Modelo Lambda-CDM, embora existam debates sobre se os valores observados estão em total acordo com o modelo padrão.[5]
Ver também
Referências
- ↑
Schönrich, R.; Binney, J. (2010). «Local kinematics and the local standard of rest». Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. 403 (4): 1829–1833. Bibcode:2010MNRAS.403.1829S. arXiv:0912.3693
. doi:10.1111/j.1365-2966.2010.16253.x - ↑ Girardi, M.; Biviano, A.; Giuricin, G.; Mardirossian, F.; Mezzetti, M. (1993). «Velocity dispersions in galaxy clusters». The Astrophysical Journal. 404: 38–50. Bibcode:1993ApJ...404...38G. doi:10.1086/172256
- ↑ Davis, T. M.; Hui, L.; Frieman, J. A.; Haugbølle, T.; Kessler, R.; Sinclair, B.; Sollerman, J.; Bassett, B.; Marriner, J.; Mörtsell, E.; Nichol, R. C.; Richmond, M. W.; Sako, M.; Schneider, D. P.; Smith, M. (2011). «The Effect of Peculiar Velocities on Supernova Cosmology». The Astrophysical Journal. 741 (1). 67 páginas. Bibcode:2011ApJ...741...67D. arXiv:1012.2912
. doi:10.1088/0004-637X/741/1/67
- ↑ Percival, W. J.; Samushia, L. (2011). «Redshift-space distortions». Philosophical Transactions of the Royal Society A. 369 (1957): 5058–5067. doi:10.1098/rsta.2011.0370
- ↑ Said, Khaled (2023). «Tully-Fisher relation». Hubble Constant Tension. [S.l.: s.n.] arXiv:2310.16053

Ligações externas
- Munelar de Assis Falcão, André Luís Batista Ribeiro; OBTENÇÃO DA FUNÇÃO DE DISTRIBUIÇÃO DE VELOCIDADES PECULIARES DE GALÁXIAS; ANAIS DO 11º SEMINÁRIO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA – CIÊNCIAS EXATAS E DA TERRA
