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Giannini
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| Giannini | |
|---|---|
| Atividade | Música |
| Fundação | 1900 |
| Fundador(es) | Tranquillo Giannini |
| Sede | São Paulo, SP, Brasil |
| Área(s) servida(s) | Brasil |
| Produtos | Instrumentos musicais |
| Website | www |
Giannini é uma fabricante brasileira de instrumentos musicais e amplificadores, com foco em instrumentos de cordas, como violões, guitarras, baixos e violas. Foi fundada na cidade de São Paulo em 1900, pelo luthier italiano Tranquillo Giannini.
A Giannini é conhecida também por produzir diversas peças para instrumentos de cordas, como cordas, arcos, tarrachas, entre outros. Também produz flautas e instrumentos de cordas eruditos, assim como violões, violas, cavaquinhos, bandolins e ukuleles.
Durante o início do século, a Giannini foi responsável por popularizar os violões na cidade de São Paulo. No início da década de 1960, a Giannini decidiu começar a vender guitarras elétricas, seguindo as tendências da época e gêneros musicais como o rock, que começaram a fazer sucesso no país. De 1960 a 1980, a Giannini expandiu sua produção e se tornou uma das maiores fabricantes de instrumentos musicais do Brasil. Na década de 2000, a empresa passou por uma crise e parou de produzir amplificadores e peças de instrumentos musicais, passando a importar amplificadores e peças para venda nacional.
Atualmente, ainda é uma das maiores fabricantes de instrumentos do Brasil.[1]
História
Origem
A empresa foi fundada em 1900 pelo luthier italiano Tranquillo Giannini (1876-1952). Giannini nasceu na cidade de Luca, na Itália, em 8 de outubro de 1876, e veio ao Brasil em 1896, aos 20 anos de idade. Notando a oportunidade no mercado de instrumentos musicais no país, Giannini fundou sua empresa com o nome de "Grande Fábrica de Instrumentos de Cordas de Tranquillo Giannini – Ao Violão Moderno". Os instrumentos musicais na época eram todos feitos à mão por Tranquillo Giannini, em sua própria residência na Rua São João, na região central da cidade de São Paulo.
Com um investimento inicial, Giannini fez a aquisição de equipamentos para a fabricação dos instrumentos, assim como a contratação de mais funcionários. Dessa forma, a produção da empresa subiu para a fabricação de 2.500 violões por ano no final da década.
Na época, os violões não eram um instrumento muito aceito na sociedade paulistana, vistos como instrumentos de boêmios e marginalizados. Com a publicidade feita pela empresa, os instrumentos começaram a ser mais populares, passando a serem vendidos também no Rio de Janeiro. A empresa passou a fazer outros instrumentos de cordas, como bandolins, cavaquinhos e violas caipiras.[2]
A fábrica, que ficava na casa de Giannini, precisou ser mudada para um prédio maior e que abrigasse a fábrica de maneira apropriada. Em 1920, foi inaugurada a nova sede da fábrica, localizada na Rua dos Gusmões, em São Paulo. Com uma demanda crescente dos violões, com a criação de escolas de música pelo país, a fábrica passou a vender os instrumentos em mais cidades, com distribuição em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte, Salvador e Recife.
Em 1930, a empresa mudou de sede novamente, para uma nova expansão da fábrica. A marca se estabeleceu nacionalmente, mantendo um ritmo de produção normal durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), devido aos seus grandes estoques de matérias primas importadas e nacionais. Em 1938, Tranquillo montou uma pequena metalúrgica, para a criação de peças como tarrachas e cordas. Em 1940, foi inaugurada a primeira fábrica de encordoamentos da Giannini. Em 1948, a empresa se transformou em uma sociedade anônima, a Tranquillo Giannini S.A..[3]
Morte de Tranquillo Giannini e expansão
Em 1952, morre o fundador da empresa, Tranquillo Giannini. A empresa passa a ser gerenciada por sua viúva, Stela Coen Giannini, e a administração passa a ser dividida entre os diretores da empresa. Em 1956, Giorgio Coen Giannini, sobrinho de Tranquillo, assume a Diretoria Comercial da empresa.[4]
Na década de 1960, a empresa passa a aproveitar o momento de sucesso da Bossa nova e da Jovem Guarda, com o uso de publicidade envolvendo artistas dos gêneros. Nesse momento, a Giannini passa a produzir guitarras e contrabaixos elétricos, assim como amplificadores. Na época, esses equipamentos não eram de fácil acesso e não eram produzidos em série no país. Dessa forma, a Giannini criou uma fábrica voltada para a construção de eletrônicos. Nessa época, a empresa contava com Carlos Alberto "Sossego" Lopes, que criava os circuitos dos amplificadores da empresa na época, como o Tremendão. O produtor dos captadores usados nas guitarras elétricas da Giannini, Vitório Quintílio, também se tornou um nome conhecido pela qualidade dos equipamentos feitos.[5]
Neste período, a empresa apostou na criação de vários modelos de guitarras sólidas e semi-acústicas elétricas, como a Gemini, a Supersonic e a Apollo. Muitos artistas de sucesso da época utilizavam instrumentos feitos pela Giannini, como a Supersonic, usada por Lanny Gordin e Pepeu Gomes, na década de 1960. Em 1967, a empresa passou a produzir a revista Magazine Violão e Mestres, distribuída de forma gratuita.
No ano de 1969, a Craviola foi criada em conjunto entre Giorgio Giannini e o violonista Paulinho Nogueira. Supostamente, o desenho do modelo teria sido criado em uma conversa entre os dois em uma lanchonete, enquanto desenhavam formatos de violão em guardanapos. Depois, decidiu-se usar 12 cordas para o modelo, que foi bem aceito no mercado brasileiro. Até hoje, se trata de um dos modelos de maior sucesso da empresa. Foi utilizada por diversos músicos ao redor do mundo, como Jimmy Page, Bill Withers, Robert Plant e Linda Perry.[6]
Na década de 1970, a empresa se muda para uma nova sede, na Vila Leopoldina, em São Paulo. Na mesma época, o presidente da empresa, Giorgio Giannini, comprou um terreno em Salto, no interior do estado de São Paulo, já com o planejamento de se tornar a próxima sede da empresa. Durante a década de 1970, a Giannini continuou com a produção de guitarras, deixando de focar na criação de modelos próprios para continuar com desenhos mais parecidos com a de modelos estrangeiros.[7]
Expansão na década de 1980 e declínio
Na década de 1980, Giorgio Giannini começa a investir uma parte do faturamento da empresa em pesquisas e na expansão do ensino musical no Brasil. Nessa época, a empresa passa a vender teclados e outros instrumentos eletrônicos, conforme as tendências da época.
Em 1990, a Giannini se muda para uma nova sede, construída em Salto, no interior do estado de São Paulo, onde se encontra até hoje. Em 1991, a empresa passa a produzir a linha Fender Southern Cross, uma linha de instrumentos mais acessíveis, vendidos sob o nome da empresa americana Fender, com uma produção aproximada de 6 mil instrumentos por ano, que foram produzidos até 1994. [3]
Mesmo apesar de todos os investimentos, o mercado nacional de instrumentos sofreu uma crise com os planos econômicos do governo Collor e a chegada dos produtos importados ao nosso mercado, com custos mais baixos que os produtos nacionais. Com isso, no começo dos anos 2000, a Giannini tentou trazer a reedição da guitarra Supersonic e do amplificador Tremendão, baseados nos modelos clássicos vendidos entre as décadas de 60 e 70. Apesar disso, a empresa encerrou suas atividades na cidade de São Paulo, passando a concentrar sua produção apenas na fábrica de Salto.
Com o fechamento da sua fábrica em São Paulo, a Giannini parou de produzir equipamentos eletrônicos, como amplificadores, e começou a importar peças fabricadas na China. Além disso, algumas linhas de guitarra da Giannini passaram a ser importadas da China.[6]
Em 2018, morre Giorgio Giannini, presidente da empresa. Seu filho, Roberto Giannini, assumiu o cargo e é presidente da empresa desde então. Seu irmão, Flávio Giannini, se tornou vice-presidente e diretor de marketing da empresa.[1]
Ver também
Ligações externas
- 1 2 «Conheça a Giannini». Consultado em 10 de maio de 2026
- ↑ «Tratados como relíquias, instrumentos brasileiros antigos movimentam mercado informal de luthiers, músicos e colecionadores». O Globo. 18 de julho de 2021. Consultado em 10 de maio de 2026
- 1 2 Redação (23 de maio de 2021). «Giannini, o italiano que marcou gerações de músicos brasileiros». Italianismo – Notícias sobre a Itália. Consultado em 10 de maio de 2026
- ↑ Redação (23 de maio de 2021). «Giannini, o italiano que marcou gerações de músicos brasileiros». Italianismo – Notícias sobre a Itália. Consultado em 10 de maio de 2026
- ↑ «R.I.P Carlos Alberto "Sossego"». www.contrabaixobr.com. Consultado em 10 de maio de 2026
- 1 2 Neves, Thiago (17 de novembro de 2015). «Comemorando 115 anos, a marca de instrumentos Giannini foi colaboradora constante da MPB». Rolling Stone Brasil. Consultado em 10 de maio de 2026
- ↑ Nascimento, Douglas (23 de janeiro de 2012). «Tranquillo Giannini S/A (Violões Giannini) » São Paulo Antiga». São Paulo Antiga. Consultado em 10 de maio de 2026
