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Torneio dos Campeões da CBD de 1969
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| Detalhes | |
|---|---|
| Participantes | 4 |
| Período | 16 de março de 1969 – 04 de abril de 1970 |
| Colocações finais | |
| Campeão | |
| Vice-campeão | |
| Estatísticas | |
| Melhor marcador | Osvaldo (Grêmio Maringá): 5 gols |
O Torneio dos Campeões da CBD, apelidado por alguns jornais de Taça Brasil,[1] foi um torneio de futebol realizado em 1969,[nota 1] pela Confederação Brasileira de Desportos, que definiria uma vaga brasileira na Taça Libertadores da América de 1970.[2][3][4][5] Vencido pelo Grêmio Maringá por w.o, o time não jogou a competição internacional, que não teve representantes brasileiros em 1970.[6]
História
Na temporada de 1968, o Grêmio Maringá e o Sport Recife venceram a primeira edição, respectivamente, do Torneio Centro-Sul e do Torneio Norte-Nordeste, e assim se qualificaram para o Torneio dos Campeões da CBD em 1969.[3] Vale ressaltar que tais torneios regionais não contavam com clubes que disputavam os campeonatos brasileiros de 1968 (Taça Brasil e Torneio Roberto Gomes Pedrosa), o que os configurava como espécies de 2ª divisão nacional daquela temporada.[7][6] A região Norte não era representada no Robertão, enquanto o Nordeste possuía apenas dois representantes.
Na primeira fase do Torneio dos Campeões da CBD, o Grêmio Maringá enfrentou o Sport Recife, vencendo o clube pernambucano duas vezes pelo placar de 3 a 0, em 16 e 23 de março de 1969. Conforme o Jornal do Commercio de Manaus (6 de agosto de 1969), os confrontos contra a equipe do Recife valeram o Torneio Centro-Sul x Norte-Nordeste de 1968.[8] A final entre os ganhadores dos torneios paralelos ao Robertão foi apelidada de Robertinho, conforme Isnard Cordeiro (1980), em matéria da Placar.[9]
Classificado, o clube paranaense empatou por 1 a 1 contra o Santos, campeão do Campeonato Brasileiro (TRGP) de 1968 (o primeiro Robertão gerido pela CBD), em 10 de maio de 1969, no Willie Davids. No mesmo estádio, em 4 de abril de 1970, a contagem ficou em 2 a 2. A equipe paulista, que jogou ambas vezes com uma maioria de reservas,[10] acabou desistindo de uma nova tentativa de desempate, em razão de amistosos internacionais já programados.[11] O Botafogo, que seria o outro finalista, como campeão do Campeonato Brasileiro (TB) de 1968, acabou também desistindo.[12] Assim, o Grêmio Maringá foi homologado campeão, mas não disputou a Copa Libertadores de 1970, a que originalmente teria direito, uma vez que a CBD já havia decidido por não enviar qualquer representante, muito em razão da preparação para a Copa do Mundo de 1970.[10][13][7][6][14][15]
O jogo anterior entre o time maringaense e o santista havia sido em 16 de maio de 1965, a primeira vez em que eles se enfrentaram: vitória do Santos por 11 a 1 (dois gols de Pelé), partida amistosa.[16] Entre os dois empates no Torneio dos Campeões, o Grêmio Maringá ganhou da equipe praiana por 2 a 1, em um novo amistoso, travado em 7 de agosto de 1969. Ambas partidas foram no Willie Davids.[17] Em 24 de agosto de 1969, em preliminar de jogo da Seleção Brasileira, o time sulista ficou com o vice do Torneio Centro-Sul x Norte-Nordeste de 1969 (agosto): contra o convidado pela CBD, o Nacional-AM, perdeu por 1 a 0, em pleno Maracanã.[18]
Cordeiro (1980) afirma que o Maringá conquistou contra o Santos um "título inédito" para o futebol paranaense, o de "campeão brasileiro".[9][nota 2] Foi sucedido pela Série B de 1980, do Londrina, e pelo Brasileirão de 1985, do Coritiba.
Uma vez que a Taça Brasil foi extinta em 1968 (ano de referência, pois o torneio terminou em outubro de 1969), foi o outro campeonato nacional de 1969. Neste ano, além da primeira ausência da Taça Brasil, o Centro-Sul não foi concluso, findando na fase de grupos. O Robertão e o Norte-Nordeste ainda seriam jogados em 1969 e 1970. Este e o Centro-Sul foram extintos enquanto competição independente (na primeira Série B nacional, em 1971, estipulou-se as chaves regionais Taça Norte-Nordeste e zona Centro-Sul, que definiram os finalistas),[7] já aquele foi sucedido pelo I Campeonato Nacional de Clubes (até 2010 considerado como primeira edição do Campeonato Brasileiro). Assim, não houve uma segunda edição do Torneio dos Campeões.
Em 1990, em premissa semelhante, a CBF criou a Supercopa do Brasil, desafio entre os principais campeões da temporada anterior (o campeão da Copa do Brasil, criada em 1989, e o campeão do Brasileirão). Apesar de serem tidos como regionais/inter-regionais, o Centro-Sul e o Norte-Nordeste foram organizados pela CBD. Na Copa dos Campeões Regionais (2000 a 2002), por sua vez, viu-se novos jogos oficiais entre campeões-representantes regionais.
Interesse em unificação
Em 2010, após a unificação da Taça Brasil e Robertão/Taça de Prata como edições do Campeonato Brasileiro, foi cogitada a busca pelo mesmo reconhecimento ao título do Galo do Norte.[2][5] O autor do dossiê unificador, o historiador Odir Cunha (2010), comentou que "não dá para (o Grêmio Maringá) ser considerado o campeão brasileiro de 1969" e que a competição "não tinha um nível superior" às duas homologadas.[19]
Em 2025, o presidente da Federação Paranaense de Futebol, Hélio Cury Filho, reforçou o pedido ao presidente da CBF, Samir Xaud, para que o título seja reconhecido como Campeonato Brasileiro.[20][21] Argumenta-se que a iniciativa do Museu Esportivo fundamenta-se na decisão adotada pela Confederação Brasileira de Futebol em 2010, que unificou os títulos da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa como Campeonatos Brasileiros.[20] Segundo o entendimento da comissão, esse precedente poderia ser estendido a outras competições organizadas pela Confederação Brasileira de Desportos na década de 1960, como o Torneio Centro-Sul de 1968, o Torneio dos Campeões de 1969 e o Torneio Norte-Nordeste.[20][21]
Participantes
| Clube | Classificação | Estado |
|---|---|---|
| Botafogo* | Campeão da Taça Brasil de 1968. | |
| Grêmio Maringá | Campeão do Torneio Centro-Sul de 1968. | |
| Santos | Campeão do Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1968. | |
| Sport | Campeão do Torneio Norte-Nordeste de 1968. |
*O Botafogo, que entraria diretamente na final, desistiu da competição.[22]
Confrontos
Fase preliminar
| 16 de março | Grêmio Maringá |
3 – 0 | Willie Davids, Maringá | |
| Reginaldo Osvaldo |
Ficha técnica | Público: 3 619 Renda: NCr$ 11.318 Árbitro: |
| 23 de março | Sport |
0 – 3 | Ilha do Retiro, Recife | |
| 16:00 |
Ficha técnica | Osvaldo Rodrigues |
Público: 12 811 Renda: NCr$ 49.551 Árbitro: |
Final
- O jogo entre Grêmio Maringá e Santos, que seria pela semifinal, foi considerado pela CBD como a final, sendo o Grêmio Maringá campeão e o Santos vice. O Sport foi o terceiro colocado e o Botafogo não participou.[12]
- O jogo de volta era para ser disputado em Santos, conforme o regulamento, porém devido às limitações financeiras da equipe paranaense o segundo jogo foi novamente disputado em Maringá, com o Grêmio oferecendo 60.000 cruzeiros novos para a equipe santista.[23]
- O Santos desistiu de jogar o terceiro jogo.[11] Computou-se 1-0 para o Grêmio Maringá.[carece de fontes]
- Fonte dos resultados:[10]
| 10 de maio de 1969 | 1 - 1 | Estádio Regional Willie Davids | ||
| Renda: NCr$ 54.380,00 Árbitro: José Aldo Pereira |
| 4 de abril de 1970 | 2 - 2 | Estádio Regional Willie Davids | ||
| Ficha técnica (A Tribuna) | Renda: NCr$ 37.568,00 Árbitro: Braúlio Zanoto |
| 3º jogo | W.O | |||
| Grêmio Maringá vence por W.O |
Classificação final
| Time | Pts* | J* | V* | E | D* | GP* | GC* | SG* |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 6 | 4 | 2 | 2 | 0 | 9 | 3 | +6 | |
| 2 | 2 | 0 | 2 | 0 | 3 | 3 | 0 | |
| 0 | 2 | 0 | 0 | 2 | 0 | 6 | -6 | |
| 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 |
(*) Não considerando vitória/derrota por wo.
(**) O Botafogo desistiu de jogar a competição.[22]
Premiação
| Torneio dos Campeões da CBD |
|---|
| Grêmio Maringá Campeão |
Ver também
Notas e referências
Notas
Referências
- ↑ «Santos de nôvo no Paraná; agora é pela Taça Brasil». A Tribuna (5): 13. 1 de abril de 1970. Consultado em 28 de julho de 2026
- 1 2 Garcia, Diego. «Odir Cunha desaprova unificação de título do Maringá: "é forçar a barra"». Terra. Consultado em 22 de fevereiro de 2021. Cópia arquivada em 1 de abril de 2026
- 1 2 Nunes, André Luiz Pereira (6 de outubro de 2020). «Grêmio Maringá e o ocaso de um título esquecido». Diário do Rio. Consultado em 29 de janeiro de 2022. Cópia arquivada em 10 de dezembro de 2024
- ↑ Zirpoli, Cassio (15 de dezembro de 2010). «Vespeiro de Série A – Blog de Esportes». blogs.diariodepernambuco.com.br. Consultado em 29 de janeiro de 2022. Cópia arquivada em 8 de outubro de 2025
- 1 2 «Unificação de títulos abre brecha e pedidos para CBF viram moda entre clubes - 25/12/2010 - UOL Esporte - Top 5». www.uol.com.br. Consultado em 14 de agosto de 2022. Cópia arquivada em 6 de outubro de 2025
- 1 2 3 Freire, Diego (24 de junho de 2016). «Ei, CBF, pague a Libertadores do Grêmio Maringá!». Última Divisão. Consultado em 14 de agosto de 2022. Cópia arquivada em 5 de dezembro de 2023
- 1 2 3 «Os torneios de antigamente - Blog João Nassif». 4oito. Consultado em 14 de agosto de 2022
- ↑ «Adversário do Naça no Maracanã é conhecido como "Galo do Norte"». Jornal do Commercio. Manaus, AM. 6 de agosto de 1969. Consultado em 5 de novembro de 2022. Cópia arquivada em 5 de novembro de 2022
- 1 2 Cordeiro, Isnard (1 de agosto de 1980). O Norte Comanda o Espetáculo. [S.l.]: Revista Placar, Editora Abril. p. 81. Cópia arquivada em 6 de junho de 2025
- 1 2 3 Gabriel Santana (22 de junho de 2014). «Torneio dos Campeões da CBD de 1969». Acervo do Santos FC. Consultado em 5 de novembro de 2022. Arquivado do original em 25 de janeiro de 2025
- 1 2 Moreira, Jorge Fernando Albuquerque D’Amaral. As Excursões Futebolísticas segundo a Revista Placar 1970-1971: primeiras reflexões. Vozes, Pretérito & Devir, v. 5, n. I, 2016. Disponível em: http://revistavozes.uespi.br/ojs/index.php/revistavozes/article/view/110
- 1 2 Pereira, Edilson (13 de outubro de 2014). «Grêmio Maringá foi campeão nacional com um WO | Arquivo Tribuna, Lendas Vivas». Tribuna do Paraná. Consultado em 28 de agosto de 2023. Cópia arquivada em 25 de março de 2026
- ↑ Grêmio Maringá vai entrar na Justiça para ter reconhecido título brasileiro Gazeta do Povo - acessado em 23 de dezembro de 2010
- ↑ Ayres, Marcus. «Maringá exige da CBF título nacional de 69». Gazeta do Povo. Consultado em 14 de agosto de 2022. Cópia arquivada em 11 de dezembro de 2024
- ↑ Torraga, Tales (26 de fevereiro de 2018). «Obsessão? Brasil já virou as costas e deixou de disputar a Libertadores». UOL Esporte. Consultado em 28 de agosto de 2023. Cópia arquivada em 28 de agosto de 2023
- ↑ «16/05/1965 - Grêmio Maringá 1 x 11 Santos - Amistoso». Acervo Santista. 16 de maio de 1965. Consultado em 15 de novembro de 2023. Cópia arquivada em 15 de novembro de 2023
- ↑ «Confrontos - Santos x Grêmio Maringá (PR)». Acervo Santista. 6 de maio de 2013. Consultado em 15 de novembro de 2023. Cópia arquivada em 6 de junho de 2025
- ↑ Lucena, André (19 de agosto de 2015). «Final com times de Amazonas e do Paraná com 120 mil no Maracanã completa 46 anos». RedeTV! - Esportes. RedeTV!. Consultado em 14 de agosto de 2022. Cópia arquivada em 6 de abril de 2023
- ↑ Baltar, Marcelo (24 de dezembro de 2010). «Unificação de títulos causa onda de reivindicações por todo o país». globoesporte.com. Consultado em 28 de agosto de 2023. Cópia arquivada em 20 de outubro de 2020
- 1 2 3 «Presidente da FPF se junta ao Museu Esportivo na luta pelo reconhecimento dos títulos do Grêmio». 13 de novembro de 2025. Consultado em 10 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 9 de dezembro de 2025
- 1 2 maringamanchete.com.br, 28/10/2025: Museu Esportivo de Maringá lidera movimento para o reconhecimento na CBF dos dois títulos nacionais do extinto Grêmio Esportivo Maringá.
- 1 2 Auriel de Almeida (05 de maio de 2015). TU ÉS O GLORIOSO - 15. Site oficial do Botafogo.
- ↑ «Mosaico». A Tribuna (227): 15. 18 de dezembro de 1969. Consultado em 1 de julho de 2026
