BRZEN
Parque Nacional da Serra da Canastra
Texto da Wikipédia (pt), licença CC BY-SA. O BETARUBI mostra o verbete inteiro nesta página — a leitura não continua fora do site.
| Parque Nacional da Serra da Canastra | |
|---|---|
| Categoria II da IUCN (Parque Nacional) | |
Vista parcial do Parque Nacional da Serra da Canastra. | |
| Localização | Capitólio, Delfinópolis, Sacramento, São João Batista do Glória, São Roque de Minas, Vargem Bonita |
| País | |
| Estado | |
| Mesorregiões | Sudoeste de Minas e Oeste de Minas |
| Microrregiões | Passos e Piumhi |
| Localidades mais próximas | Capitólio, Delfinópolis, Sacramento, São João Batista do Glória, São Roque de Minas, Vargem Bonita |
| Área | 197 809,78 hectares (1 978,1 km2) |
| Criação | 3 de abril de 1972 (54 anos) |
| Visitantes | 35 390[1](em 2011) |
| Gestão | Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade |
| Coordenadas | 20° 20′ 58″ S, 46° 38′ 18″ O |
| editar - editar código-fonte - editar Wikidata | |
O Parque Nacional da Serra da Canastra é uma unidade de conservação federal de proteção integral localizada no sudoeste do estado de Minas Gerais, no Brasil. Administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o parque foi criado pelo Decreto nº 70.355, de 3 de abril de 1972, com o objetivo de proteger as nascentes do rio São Francisco, do rio Araguari e de tributários da bacia do rio Grande, além dos ecossistemas associados.[2][3]
A unidade está inserida no domínio do Cerrado, com influência de formações associadas à Mata Atlântica, e abriga campos rupestres, campos limpos, campos sujos, cerrado sensu stricto, matas de galeria, matas ciliares e capões de mata.[4] Entre seus principais atrativos naturais estão a nascente histórica do rio São Francisco e a cachoeira Casca d'Anta, uma das quedas d'água mais conhecidas da região.[5]
História
O Parque Nacional da Serra da Canastra foi criado em 1972 pelo Decreto nº 70.355, em uma área originalmente estimada em cerca de 200 mil hectares.[6] Segundo o ICMBio, a área oficial atual da unidade é de 197.971,96 hectares.[2]
A consolidação territorial do parque, porém, foi marcada por conflitos fundiários. A área de 71.525 hectares correspondente ao Chapadão da Canastra foi demarcada em 1977, enquanto a porção sul, conhecida como Chapadão da Babilônia, permaneceu por décadas com propriedades particulares e usos produtivos incompatíveis com a categoria de parque nacional.[4] O Plano de Manejo Integrado do Fogo registra que, em outubro de 2022, cerca de 47% do parque estava sob domínio efetivo do ICMBio, enquanto o restante era formado por propriedades privadas, de populações tradicionais e de não tradicionais.[4]
A revisão do plano de manejo da unidade foi aprovada pela Portaria ICMBio nº 2.801, de 11 de outubro de 2023, substituindo o plano anterior de 2005.[7][3]
Geografia e hidrografia
O parque situa-se no sudoeste de Minas Gerais e abrange partes dos municípios de São Roque de Minas, Sacramento, Delfinópolis, São João Batista do Glória, Capitólio e Vargem Bonita.[3] A região é caracterizada por chapadões, escarpas, vales encaixados, afloramentos quartzíticos e numerosas cachoeiras.
A Serra da Canastra constitui uma zona de recarga hídrica regional. Suas áreas elevadas favorecem a infiltração e o armazenamento de água em aquíferos fissurais e rochas quartzíticas, influenciando tanto os fluxos superficiais quanto os subterrâneos.[4] As nascentes do parque drenam para três grandes bacias hidrográficas: a do rio São Francisco, a do rio Grande e a do rio Paranaíba.[4] A nascente histórica do rio São Francisco está localizada na área do parque, em São Roque de Minas.[5]
Clima
O clima regional é tropical, com duas estações bem definidas. A estação úmida ocorre entre outubro e março, com maior excedente hídrico entre dezembro e fevereiro. A estação seca ocorre entre abril e setembro, com déficit hídrico mais acentuado entre junho e agosto. A pluviosidade média anual varia de 1.000 a 1.500 mm, e as temperaturas médias oscilam entre cerca de 18 °C nos meses mais frios e 22 °C nos meses mais quentes.[4]
Biodiversidade
O Parque Nacional da Serra da Canastra está integralmente situado no Cerrado, um dos biomas brasileiros mais ameaçados, e protege formações campestres, savânicas e florestais.[8] A proximidade com o domínio da Mata Atlântica faz com que parte das formações florestais apresente elementos florísticos associados a esse bioma.[4]
Até a elaboração do Plano de Manejo Integrado do Fogo 2023–2026, haviam sido identificadas aproximadamente 1.635 espécies vegetais no parque, incluindo espécies endêmicas da unidade e do oeste e sudoeste de Minas Gerais. Entre elas, 61 eram consideradas ameaçadas de extinção.[4] O parque também possui expressiva diversidade faunística, com registros de 646 espécies de invertebrados, 52 espécies de peixes, 67 espécies de répteis, 49 espécies de anfíbios, 405 espécies de aves e 96 espécies de mamíferos.[4]
Entre as espécies de maior relevância para a conservação está o pato-mergulhão (Mergus octosetaceus), ave criticamente ameaçada de extinção. Segundo o ICMBio, estima-se que a região da Canastra abrigue entre 100 e 110 indivíduos da espécie, correspondendo a cerca de 42% da população conhecida na natureza.[4] Também ocorrem na unidade o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), o veado-campeiro (Ozotoceros bezoarticus), o tatu-canastra (Priodontes maximus) e felídeos ameaçados, como o gato-do-mato (Leopardus tigrinus).[4]
Uso público e turismo
A visitação é uma das principais atividades associadas ao parque e ao seu entorno. O Plano de Uso Público de 2025 identificou 21 áreas de visitação, agrupadas em cinco polos: Chapadão da Canastra, Vale do São Francisco, Face Norte, Rio Grande e Mar de Minas.[3] Entre os principais atrativos estão a cachoeira Casca d'Anta, a nascente histórica do rio São Francisco, trilhas, mirantes, cursos d'água e áreas de observação de fauna e flora.
O Plano de Uso Público estabelece diretrizes para ordenar as atividades, diversificar oportunidades de visitação, promover a valorização do patrimônio histórico-cultural e fortalecer a relação com as comunidades locais e tradicionais.[3]
Gestão e conflitos socioambientais
A gestão do parque é realizada pelo ICMBio. A unidade possui plano de manejo, plano de uso público e plano de manejo integrado do fogo, além de instrumentos voltados ao ordenamento da visitação, à conservação da biodiversidade e à regularização territorial.[2][3][4]
A história da unidade é marcada por conflitos relacionados à regularização fundiária, à presença de propriedades privadas no interior do parque, ao uso do fogo, à produção agropecuária, à mineração de quartzito e à permanência de populações tradicionais. O Plano de Manejo Integrado do Fogo registra que o laudo pericial histórico-antropológico do Projeto Canastra: Justiça e Reconciliação reconheceu populações tradicionais denominadas canastreiros, com ocupações rurais que remontam a pelo menos 250 anos.[4]
Entre as ameaças ambientais registradas pelo ICMBio estão espécies exóticas invasoras, como javalis e javaporcos (Sus scrofa), braquiária (Urochloa decumbens), tilápia (Coptodon rendalli) e abelha-europeia africanizada (Apis mellifera), além de impactos associados à circulação de cães e gatos domésticos.[4]
Patrimônio cultural
A região da Serra da Canastra é reconhecida por sua tradição agropecuária e pela produção do queijo canastra, bem cultural associado aos modos de vida locais. O Plano de Manejo Integrado do Fogo registra que a produção do queijo canastra nos municípios da região foi reconhecida como patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.[4]
Ver também
Referências
- ↑ «Ranking Visitação» (PDF). Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. 2011
- 1 2 3 «Parque Nacional da Serra da Canastra». Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Consultado em 14 de maio de 2026
- 1 2 3 4 5 6 «Plano de Uso Público do Parque Nacional da Serra da Canastra» (PDF). ICMBio. 2025. Consultado em 14 de maio de 2026
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 «Plano de Manejo Integrado do Fogo do Parque Nacional da Serra da Canastra 2023–2026» (PDF). ICMBio. Consultado em 14 de maio de 2026
- 1 2 «Parque Nacional da Serra da Canastra (MG)». Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Consultado em 14 de maio de 2026
- ↑ «Decreto nº 70.355, de 3 de abril de 1972». Presidência da República. Consultado em 14 de maio de 2026
- ↑ «PARNA da Serra da Canastra». Instituto Socioambiental. Consultado em 14 de maio de 2026
- ↑ «Informações sobre visitação — Parque Nacional da Serra da Canastra». ICMBio. Consultado em 14 de maio de 2026



