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Imigração galega no Brasil
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A Imigração Galega no Brasil consiste na diáspora de espanhóis galegos, e os seus descendentes, que se assentaram em território brasileiro. No ano 2016, eram 47 753 habitantes, concentrados principalmente nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo.[1][2]
No Brasil, a diáspora foi um dos fluxos migratórios mais importantes da região sudeste do país, com um foco principal à cidade do Rio de Janeiro. Além disso, os galegos formam um dos maiores grupos imigrantes de origem espanhola no país, à frente dos bascos, catalães, e castelhanos, no entanto, atrás dos andaluzes.[3][2] Ao contrário de outras diásporas no Brasil, o processo migratório galego foi orgânico, sem grandes esforços do Estado, e ocorreu principalmente entre os séculos XIX e XX, fugindo da fome, a falta de trabalho, das pressões políticas e na procura de progresso social, com a última leva migratórias acontecendo ainda na década de 70, ainda durante o Regime Franquista.
A imigração para o Brasil fez parte de um fenômeno maior, a Diáspora Galega, que se destinou para regiões diversas do mundo, sobretudo para a América do Sul, continente que tem o maior número de seus descendentes fora da Espanha.[4] Respectivamente, as maiores populações no continente estão localizadas na Argentina, Brasil, Uruguai, e Venezuela, de acordo com os dados da Xunta de Galicia, governo regional galego.[5]
Especialmente no nordeste, pessoas com uma compleição magra, de olhos azuis ou verdes e de pele clara são típicamente chamados galegos, mesmo sem ser descendentes reais, já que um grande número de galegos se assentou nessa região no começo do século XX. No entanto, a associação trata-se de um erro, pois a população originária da Galícia, assim como do Norte de Portugal, é caracterizada por olhos e cabelos escuros, além da pele alva.[6][7][8]
| Censo eleitoral de galegos residentes no Brasil
por provincia de inscrição, em 1/9/2023 [9] | |
|---|---|
| Província da Corunha | 10.001 |
| Província de Lugo | 1.958 |
| Província de Ourense | 10.396 |
| Província de Pontevedra | 22.683 |
| Total de galegos no Brasil | 45.038 |
No Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, dentre os espanhóis, os galegos corresponderam à 80% dos imigrantes que desembarcaram na cidade, e foram os que mais se enraizaram em terras cariocas. Favorecidos pelas profundas afinidades étnicas, linguísticas e culturais que os aproximavam dos portugueses, a ponto de o termo "galego" passar a designar, de forma genérica, qualquer imigrante ibérico.
Essa integração, no entanto, não significou ascensão social, e a primeira leva da comunidade galega à chegar na Capital concentrava-se em áreas densamente povoadas, e ignoradas pelo ambicioso plano de remodelação e saneamento urbano conduzido pelo Prefeito Pereira Passos a partir de 1902, regiões onde predominavam as habitações coletivas conhecidas como cortiços. Longe dos bairros reformados e das avenidas que a cidade exibia como símbolo de modernidade, os imigrantes espanhóis partilhavam as condições precárias de vida dos segmentos mais pobres da população carioca, bem como as demais diásporas, inseridos nas margens de uma urbe que se transformava sem, contudo, incluí-los.[10]
No Rio, encontraram seu nicho no setor hoteleiro, não os grandes hotéis, mas os quartos modestos alugados à classe trabalhadora da zona portuária, uma adaptação mercantil rápida e pragmática à nova realidade. A concentração se deu sobretudo no centro da cidade, em ruas como a do Lavradio e a antiga Rua da Ajuda, onde a presença galega se tornava visível nas tabuletas dos pequenos estabelecimentos. As províncias de Pontevedra e Ourense, ambas fronteiriças com Portugal, eram as que mais contribuíam com esse fluxo migratório, que segundo algumas fontes, tinha uma dinâmica particular em relação às demais diásporas, no sentido de que não era patrocinada pelo Estado, mas sustentada por redes familiares, que financiavam a vinda de homens jovens, geralmente entre 14 e 35 anos, dispostos a trabalhar duro e poupar o máximo possível.[3]
Influência nos Esportes

Na Bahia, a comunidade galega fundou o Galícia Esporte Clube, agremiação poliesportiva localizada na cidade de Salvador. Atualmente, o clube é o quarto maior campeão do Campeonato Baiano, além de ter sido o primeiro tricampeão do estado.
Como símbolos, carrega um escudo que porta a Cruz de Santiago, símbolo galego distinto, associado ao Caminho de Santiago, no entanto, tem suas origens na Ordem de Santiago, ordem religiosa de caráter militar, atualmente chefiada pelo Rei da Espanha. Demais disso, tem como suas cores o azul e branco, as cores nacionais da Galiza, e como uniforme principal, uma cruz azul transversal, que faz aluzão à bandeira da região.
No Rio de Janeiro, também existe o Deportivo La Coruña Brasil Futebol Clube, agremiação esportiva da cidade fundada a 15 de novembro de 1994, inspirada pelo clube homônimo galego.
Além disso, o Brasil também foi alvo de um rico intercâmbio de atletas com clubes galegos, como o La Coruña, que contou como jogadores como Bebeto, Rivaldo, Djalminha e Mauro Silva em seus elencos históricos na era do Super Depor. Já no lado brasileiro, o país contou com o bi-campeão mundial Pepe, galego-brasileiro multicampeão pelo Santos, e bi-campeão do mundo pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a qual também já foi presidida pelo galego-brasileiro José Maria Marin.[11]
Muitos clubes brasileiros também já participaram do torneio Teresa Herrera, amistoso internacional organizado pelo Deportivo, bem como pela Junta da Galícia. Dentre estes, Botafogo, Santos e Fluminense saíram campeões, e trouxeram para o Brasil um troféu que simboliza a Torre de Hércules, famoso farol romano localizado na Galiza.[12]
Influência Linguística
Segundo alguns autores, como Vamireh Chacon, a influência da diáspora galega disseminou no Brasil o uso do nome "Galícia" em detrimento de "Galiza", já que se referem à sua terra pelo nome mais comum em galego, "Galicia". Assim, o termo "Galiza" passou a ser mais adotado em Portugal, enquanto no Brasil se utiliza com maior frequência a versão galega castelhanizada do nome.[13] A preferência pelo termo foi tamanha, que que diversas obras utilizam o termo "Galícia", inclusive dicionários e enciclopédias tais como o Minidicionário Antônio Olinto da Língua Portuguesa[14], o Minidicionário Soares Amora da Língua Portuguesa[15], a Grande Enciclopédia Larousse Cultural[16] , a Enciclopédia Geográfica Universale[17] o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, de Antônio Houaiss. Esta última utiliza tanto "Galiza" como "Galícia" no seu verbete sobre o gentílico "galiciano", não o citando, porém, no verbete "galego", em que aparece apenas a forma vernácula.
Na Política

A diáspora galega no Brasil produziu diversos políticos de grande relevância nacional, sobretudo nos estados de São Paulo e Bahia. Em São Paulo, o estado já foi por duas vezes governado por galego-brasileiros, sendo estas ocasiões os governos de José Maria Marin, e Mário Covas, pai de Bruno Covas, ex-prefeito da cidade de São Paulo.
Galego-Brasileiros Notáveis


- Analy Alvarez
- Antônio Alvarez Parada, escritor
- Billy Blanco, cantor e compositor
- Bruno Covas, advogado e político, ex-prefeito de São Paulo
- Cassandra Rios, escritora
- Chico Recarey, empresário
- David Rangel, radialista
- Drauzio Varella, médico oncologista, cientista e escritor[18]
- Eduardo Frieiro, escritor
- Emanuel Bouzon, sarcedote e poeta
- Everardo Dias, jornalista e anarquista
- Francisco Ferreira Antero, sacerdote, político
- Jorge Solla, médico sanitarista e político
- José Maria Marin, advogado, político, ex-governador de São Paulo e ex-presidente da CBF
- Lolita Rodrigues, atriz, apresentadora e locutora
- Lourdes Sola, investigadora
- Lua Blanco, atriz, cantora, compositora e escritora
- Lucila Nogueira, escritora
- Luiz Paulo Conde, arquiteto
- Manuel Barreiro Cabanelas, empresário e filantropo
- Maria del Carmen, engenheira civil e política
- Mário Covas, político, senador, deputado federal e ex-governador de São Paulo
- Jesus Santiago Moure, entomologista
- Nélida Piñon, escritora
- Oscar Lorenzo Fernández, compositor
- Pedro Sol, músico
- Pepe (futebolista brasileiro), jogador de futebol bi-campeão do mundo
- Renard Perez, escritor
- Rossini Perez, artista e fotógrafo
Ver também
Referências
- ↑ Míguez, Marcos (15 de março de 2017). «Unos 8.000 gallegos emigraron en el 2016». Consultado em 15 de março de 2017
- 1 2 «Galegos no Brasil». La Voz de Galicia. 16 de junho de 2019. Consultado em 4 de abril de 2022. Cópia arquivada em 26 de abril de 2025
- 1 2 «Uma historiadora mapeou a nossa imigração galega». oestrangeiro.org. 16 de novembro de 2019. Consultado em 6 de junho de 2026
- ↑ López Taboada, Xosé Antonio (1979). Economía e poboación en Galicia. [S.l.]: Edicións do Rueiro. ISBN 84-85220-27-7
- ↑ «Desciende la cifra de emigrantes gallegos en el exterior mientras se incrementa el número de descendientes nacidos ya en su país de destino». Xunta de Galicia. 19 de março de 2026. Consultado em 12 de julho de 2026
- ↑ aulete.com.br (ed.). «Galego no dicionario en liña Aulete». Consultado em 4 de maio de 2022. Cópia arquivada em 11 de março de 2026
- ↑ dicionario.priberam.org (ed.). «Galego no dicionario en liña Priberam». Consultado em 4 de maio de 2022. Cópia arquivada em 16 de abril de 2026
- ↑ michaelis.uol.com.br (ed.). «Galego no dicionario en liña Michaelis». Consultado em 4 de maio de 2022. Cópia arquivada em 13 de junho de 2025
- ↑ Instituto Nacional de Estadística
- ↑ IBGE. «O imigrante espanhol no cotidiano urbano brasileiro». IBGE. Consultado em 6 de junho de 2026
- ↑ «La Coruña já teve craques brasileiros, peitou Real dos galácticos e foi campeão espanhol hoje corre risco de acabar na 5ª divisão». ESPN BRASIL. Consultado em 18 de abril de 2026
- ↑ http://www.notasdefutbol.com/cultural/teresa-herrera-estrellas-equipazos-tortillas-y-empanadas
- ↑ Chacon, Vamireh (2009). A grande Ibéria: convergências e divergências de uma tendência. São Paulo: UNESP
- ↑ Minidicionário Antônio Olinto da Língua Portuguesa, 2ª edição. São Paulo, Moderna, 2001. [S.l.: s.n.]
- ↑ Minidicionário Soares Amora da Língua Portuguesa, 17ª edição. São Paulo, Saraiva, 2003. [S.l.: s.n.]
- ↑ Grande Enciclopédia Larousse Cultural. São Paulo, Nova Cultural, 1998. [S.l.: s.n.]
- ↑ Enciclopédia Geográfica Universal. São Paulo, Globo, 1996. [S.l.: s.n.]
- ↑ Alves, Michelaine. «Drauzio Varella O médico mais popular do país abre o jogo nas Páginas Negras do especial Segurança». Revista Trip, Uol line feed character character in
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