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Forma real (teoria de Lie)
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Na matemática, a noção de uma forma real relaciona objetos definidos sobre o corpo dos números reais e complexos. Uma álgebra de Lie real g0 é chamada de uma forma real de uma álgebra de Lie complexa g se g for a complexificação de g0:[1][2][3]
A noção de uma forma real também pode ser definida para grupos de Lie complexos. As formas reais de grupos de Lie semissimples e álgebras de Lie complexas foram completamente classificadas por Élie Cartan.
Formas reais para grupos de Lie e grupos algébricos
Usando a correspondência de Lie entre grupos de Lie e álgebras de Lie, a noção de uma forma real pode ser definida para grupos de Lie. No caso dos grupos algébricos lineares, as noções de complexificação e forma real possuem uma descrição natural na linguagem da geometria algébrica.[4][5]
Classificação
Assim como as álgebras de Lie semissimples complexas são classificadas por diagramas de Dynkin, as formas reais de uma álgebra de Lie semissimples são classificadas por diagramas de Satake, os quais são obtidos a partir do diagrama de Dynkin da forma complexa rotulando alguns vértices de preto (preenchidos) e conectando alguns outros vértices em pares por setas, de acordo com certas regras.
É um fato básico na teoria de estrutura das álgebras de Lie semissimples complexas que toda álgebra desse tipo possui duas formas reais especiais: uma é a forma real compacta' e corresponde a um grupo de Lie compacto sob a correspondência de Lie (seu diagrama de Satake tem todos os vértices pintados de preto), e a outra é a forma real cindida (split real form) e corresponde a um grupo de Lie que está o mais distante possível de ser compacto (seu diagrama de Satake não tem vértices pretos e nem setas). No caso do grupo linear especial complexo SL(n,C), a forma real compacta é o grupo unitário especial SU(n) e a forma real cindida é o grupo linear especial real SL(n,R). A classificação das formas reais de álgebras de Lie semissimples foi realizada por Élie Cartan no contexto dos espaços simétricos riemannianos. Em geral, pode haver mais de duas formas reais.
Suponha que g0 seja uma álgebra de Lie semissimples sobre o corpo dos números reais. Pelo critério de Cartan, a forma de Killing é não degenerada e pode ser diagonalizada em uma base adequada com as entradas diagonais +1 ou −1. Pela lei da inércia de Sylvester, o número de entradas positivas, ou o índice positivo de inércia, é um invariante da forma bilinear, isto é, não depende da escolha da base diagonalizadora. Este é um número entre 0 e a dimensão de g que é um importante invariante da álgebra de Lie real, chamado de seu índice.
Forma real cindida
Uma forma real g0 de uma álgebra de Lie semissimples complexa de dimensão finita g é dita ser cindida, ou normal, se em cada decomposição de Cartan g0 = k0 ⊕ p0, o espaço p0 contiver uma subálgebra abeliana máxima de g0, ou seja, sua subálgebra de Cartan. Élie Cartan provou que toda álgebra de Lie semissimples complexa g possui uma forma real cindida, que é única a menos de isomorfismo.[6] Ela tem índice máximo entre todas as formas reais.
A forma cindida corresponde ao diagrama de Satake sem vértices pintados de preto e sem setas.
Forma real compacta
Uma álgebra de Lie real g0 é chamada de compacta se a forma de Killing for negativa definida, ou seja, se o índice de g0 for zero. Nesse caso, g0 = k0 é uma álgebra de Lie compacta. Sabe-se que, sob a correspondência de Lie, as álgebras de Lie compactas correspondem a grupos de Lie compactos.
A forma compacta corresponde ao diagrama de Satake com todos os vértices pintados de preto.
Construção da forma real compacta
Em geral, a construção da forma real compacta utiliza a teoria de estrutura das álgebras de Lie semissimples. Para as álgebras de Lie clássicas, existe uma construção mais explícita.
Seja g0 uma álgebra de Lie real de matrizes sobre R que seja fechada sob a aplicação transposta,
Então g0 se decompõe na soma direta da sua parte antissimétrica k0 e da sua parte simétrica p0. Esta é a decomposição de Cartan:
A complexificação g de g0 se decompõe na soma direta de g0 e ig0. O espaço vetorial real de matrizes
é um subespaço da álgebra de Lie complexa g que é fechado sob os comutadores e consiste em matrizes anti-hermitianas. Segue-se que u0 é uma subálgebra de Lie real de g, que sua forma de Killing é negativa definida (tornando-a uma álgebra de Lie compacta), e que a complexificação de u0 é g. Portanto, u0 é uma forma compacta de g.
Ver também
Referências
- ↑ Humphreys, James E. (1972). Introduction to Lie Algebras and Representation Theory. [S.l.]: Springer. ISBN 9780387900532 Verifique
|isbn=(ajuda) - ↑ Hall, Brian C. (2015). Lie Groups, Lie Algebras, and Representations: An Elementary Introduction. [S.l.]: Springer. ISBN 9783319134661 Verifique
|isbn=(ajuda) - ↑ Knapp, Anthony W. (2002). Lie Groups Beyond an Introduction. [S.l.]: Birkhäuser. ISBN 9780817642599 Verifique
|isbn=(ajuda) - ↑ Hall, Brian C. (2015). Lie Groups, Lie Algebras, and Representations: An Elementary Introduction. [S.l.]: Springer. ISBN 9783319134661 Verifique
|isbn=(ajuda) - ↑ Knapp, Anthony W. (2002). Lie Groups Beyond an Introduction. [S.l.]: Birkhäuser. ISBN 9780817642599 Verifique
|isbn=(ajuda) - ↑ Helgason 1978
Bibliografia
- Helgason, Sigurdur (1978). Differential geometry, Lie groups and symmetric spaces. [S.l.]: Academic Press. ISBN 0-12-338460-5
- Knapp, Anthony (2004). Lie Groups: Beyond an Introduction. Col: Progress in Mathematics. 140. [S.l.]: Birkhäuser. ISBN 0-8176-4259-5
