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Estatuto Digital da Criança e do Adolescente
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| Estatuto Digital da Criança e do Adolescente | |
|---|---|
| Congresso Nacional do Brasil | |
| Citação | Lei nº 15.211 de 17 de setembro de 2025 |
| Jurisdição | Todo o Brasil |
| Aprovado por | Senado Federal |
| Aprovado em | 27 de agosto de 2025 |
| Aprovado por | Câmara dos Deputados |
| Aprovado em | 20 de agosto de 2025 |
| Transformado em lei por | Presidente Luiz Inácio Lula da Silva |
| Transformado em lei em | 17 de setembro de 2025 |
| Tipo do veto | Parcial |
| Em vigor | 17 de março de 2026 |
| Histórico Legislativo | |
| Casa iniciadora: Senado Federal | |
| Nome do projeto de lei | Projeto de Lei nº 2628/2022 |
| Citação do projeto de lei | Projeto de Lei n° 2628, de 2022 |
| Apresentado por | Alessandro Vieira (PSDB-SE) |
| Apresentado em | 18 de outubro de 2022 |
| Primeira leitura | 27 de novembro de 2024 |
| Segunda leitura | 27 de agosto de 2025 |
| Aprovado | 27 de agosto de 2025 |
| Casa revisora: Câmara dos Deputados | |
| Nome do projeto de lei | PL 2628/2022 |
| Citação do projeto de lei | PL 2628/2022 |
| Recebido de Senado Federal em | 10 de dezembro de 2024 |
| Primeira leitura | 20 de agosto de 2025 |
| Aprovado | 20 de agosto de 2025 |
| Resumo geral | |
| Estabelece regras para a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital no Brasil, impõe obrigações a plataformas e prevê sanções, como multas e suspensão de serviços, em caso de descumprimento. | |
| Palavras-chave | |
| Proteção infantil digital, regulação de plataformas, segurança digital | |
| Estado: Em vigor | |
Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, conhecido popularmente como Lei Felca ou ECA Digital, é um conjunto de normas voltadas à proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais. Instituído pela Lei n.º 15.211/2025, aplica-se a produtos e serviços de tecnologia da informação direcionados a esse público ou de acesso provável por ele, independentemente do local de desenvolvimento ou operação.[1][2]
A lei estabelece princípios para o uso de produtos e serviços de tecnologia da informação por crianças e adolescentes, entre os quais a proteção integral, a prevalência absoluta de seus interesses, a segurança contra intimidação, exploração, abuso e outras formas de violência, o respeito à autonomia e ao desenvolvimento progressivo do indivíduo, a proteção contra a exploração comercial, a promoção da educação digital e a transparência no tratamento de dados pessoais. O texto também define conceitos como rede social, caixa de recompensa, perfilamento e mecanismo de supervisão parental, além de determinar que tais produtos e serviços operem, por padrão, com o grau mais elevado de proteção da privacidade e dos dados pessoais.[3][4]
A legislação prevê ainda a remoção e a comunicação às autoridades competentes de conteúdos de aparente exploração sexual, abuso sexual, sequestro e aliciamento de crianças e adolescentes, bem como a disponibilização de mecanismos de denúncia. Provedores com mais de 1 milhão de usuários nessa faixa etária no Brasil devem publicar relatórios semestrais de transparência. Em caso de descumprimento, a lei prevê advertência, multa simples de até 10 por cento do faturamento do grupo econômico no Brasil no último exercício ou, na ausência de faturamento, multa de 10 a 1.000 reais por usuário cadastrado, limitada a 50 milhões de reais por infração, além de suspensão temporária ou proibição do exercício das atividades.[5]
Histórico e tramitação
A legislação teve origem no Projeto de Lei nº 2628/2022, apresentado em 18 de outubro de 2022, do senador Alessandro Vieira. Na tramitação inicial no Senado, a proposição passou pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, onde recebeu parecer favorável do senador Flávio Arns em junho de 2023.[6] Em 2024, o texto passou pela Comissão de Comunicação e Direito Digital, que promoveu audiências públicas em maio daquele ano; em 27 de novembro de 2024, a comissão aprovou a matéria.[7]
Na Câmara dos Deputados, o projeto foi recebido em 10 de dezembro de 2024 e distribuído às comissões de Comunicação; de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.[8] Em 2025, foram apresentados requerimentos para audiências públicas e para tramitação em regime de urgência. Em 20 de agosto de 2025, o Plenário da Câmara aprovou a proposta com alterações, na forma de substitutivo relatado pelo deputado Jadyel Alencar, motivo pelo qual o texto retornou ao Senado para nova deliberação.[9][10] À época de tramitação, Estados Unidos também discutia as propostas Kids Online Safety Act (KOSA) e Kids Off Social Media Act (KOSPA).[11][12]
O Senado reapreciou o projeto em agosto de 2025. Segundo a Agência Senado, as manifestações em favor da proposta se intensificaram após denúncias públicas feitas pelo influenciador Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, sobre casos de erotização, exploração e abuso de menores em plataformas digitais.[13] Em 27 de agosto de 2025, o Plenário do Senado aprovou o substitutivo da Câmara, e o projeto seguiu para sanção presidencial. A lei foi sancionada em 17 de setembro de 2025 como Lei n.º 15.211/2025, com veto parcial. Posteriormente, a Lei n.º 15.352, de 25 de fevereiro de 2026, alterou a legislação para fixar o início de sua vigência em 17 de março de 2026.[14]
Conteúdo
Entre os principais pontos do projeto estão:
- obrigação de plataformas digitais adotarem mecanismos de design voltado à prevenção e mitigação de riscos para crianças e adolescentes, incluindo exposição a conteúdos impróprios, assédio e exploração;[15]
- implementação de controles parentais e canais de denúncia acessíveis;[16]
- regras mais restritivas para coleta e tratamento de dados de crianças e adolescentes.[17]
Repercussão
A aprovação teve ampla cobertura da imprensa nacional. O projeto foi apontado por diferentes veículos como um marco regulatório relacionado à proteção da infância no ambiente online.[18][19]
No entanto, a lei dividiu opiniões na imprensa, principalmente na questão das verificações de identidade e possíveis suspensões de serviços que não se adequarem as novas regras, afetando drasticamente servidores de jogos online, entre eles o Rockstar Games Store e o Rockstar Games Launcher, que anunciaram o encerramento das suas atividades no dia 17 de março de 2026, com a Rockstar Games mantendo a venda de seus produtos em empresas parceiras no Brasil.[20][21][22] Com a vigoração da lei no dia 17, redes sociais como o X, TikTok, YouTube, Discord e Instagram deram início ao serviço de verificação de idade em conteúdos sensíveis,[23][24] mas de maneira gradual, enquanto que outras redes sociais ainda não tinham aplicado o requisito enquanto era aguardada a publicação do decreto. Antes disso, o Discord tinha enviado a seus usuários em fevereiro que servidores com conteúdo sensível exigiriam a verificação. Em sites pornográficos, o RedTube e o PornHub ainda mantiveram a autoidentificação na tela inicial,[25] enquanto outros que adotaram identificação documental ou biométrica obtiveram menor tráfego de expectadores.[26][27]
Vazamento de dados é um tópico levantado para criticar a implementação da lei,[28][23] especialmente de dados sensíveis brasileiros,[29][30] além de alguns taxarem de entreguismo ou citarem a soberania digital,[31][32] como principal preocupação.[33][34] Plataformas como Discord sofreram coletas generalizadas de dados,[35][36] referente a seus usuários.[37][38]
Outra polêmica em relação à lei ficou com um possível bloqueio do Linux no Brasil, que veio à tona através de uma matéria publicada no site TecMundo em 13 de março de 2026, onde explicava a mudança de políticas do sistema operacional no país e também nas regiões do Colorado, Califórnia e Nova Iorque. A questão exposta no artigo englobava mais o sistema de código aberto MidnightBSD.[39] No dia 17, os testes do Arch Linux 32 foram suspensos em território brasileiro por uma decisão dos desenvolvedores.[40]
Em 23 de março de 2026, Felca foi entrevistado no programa Roda Viva (TV Cultura), aonde falou sobre a legislação e o vídeo que iniciou. Felca menciona que quando publicou o vídeo, não conhecia o projeto de lei, que naquele momento se encontrava em tramitação sem previsão de ser votada.[41]
Em abril de 2026, revelou-se que a defesa de Hytalo Santos utilizou o ECA Digital para anular condenação, afirmando que a nova lei assegura a liberdade de expressão cultural, evocando a retroatividade judicial e argumento, de que o conteúdo se refere à manifestação periférica, ligada ao brega funk.[42] Além desta, ele e Israel Nata Vicente respondem a outras condenações por submeter pessoas a condições análogas à escravidão e tráfico humano para exploração sexual.[43]
Ver também
Referências
- ↑ «Lei nº 15.211, de 17 de setembro de 2025». Presidência da República. 17 de setembro de 2025. Consultado em 16 de março de 2026. Cópia arquivada em 8 de maio de 2026
- ↑ «Adultização: Lula sanciona estatuto que protege criança e adolescente na internet». Senado Federal. 18 de setembro de 2025. Consultado em 16 de março de 2026
- ↑ Betanin, Camila (2 de outubro de 2025). «"Lei Felca": O ECA Digital que redefine a proteção infantil na internet brasileira». Migalhas. Consultado em 16 de março de 2026. Cópia arquivada em 4 de abril de 2026
- ↑ Mognon, Mateus (13 de fevereiro de 2026). «Como a Lei Felca impacta loot boxes? Entenda quais jogos podem ser afetados». Tecmundo. Consultado em 16 de março de 2026. Cópia arquivada em 25 de março de 2026
- ↑ Yamamoto, Caetano (14 de março de 2026). «ECA Digital tenta frear a adultização nas redes sociais». Correio Braziliense. Consultado em 16 de março de 2026. Cópia arquivada em 16 de março de 2026
- ↑ «CDH aprova regras de proteção a crianças e adolescentes em ambientes digitais». Agência Senado. 14 de junho de 2023. Consultado em 16 de março de 2026. Cópia arquivada em 7 de março de 2026
- ↑ «Proteção a crianças em ambiente digital retorna à pauta da CCDD». Agência Senado. 22 de novembro de 2024. Consultado em 16 de março de 2026. Cópia arquivada em 14 de novembro de 2025
- ↑ «Vai à Câmara proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais». Agência Senado. 27 de novembro de 2024. Consultado em 16 de março de 2026
- ↑ «Câmara aprova projeto sobre proteção de crianças em ambientes digitais». Agência Câmara de Notícias. 20 de agosto de 2025. Consultado em 21 de agosto de 2025
- ↑ «Câmara dos Deputados aprova projeto sobre proteção de crianças em ambientes digitais». Terra. 20 de agosto de 2025. Consultado em 21 de agosto de 2025
- ↑ «O alerta das redes chega ao Congresso: o urgente debate sobre ameaças digitais à infância». VEJA
- ↑ Lorenz, Taylor (5 de março de 2026). «Congress Is Considering Abolishing Your Right to Be Anonymous Online». The Intercept (em inglês)
- ↑ «Adultização: Senado aprova projeto para proteger crianças em ambientes digitais». Agência Senado. 27 de agosto de 2025. Consultado em 16 de março de 2026. Cópia arquivada em 17 de março de 2026
- ↑ «Lei Felca proíbe LoL e outros jogos para menores no Brasil; entenda». CNN Brasil. 13 de março de 2026. Consultado em 16 de março de 2026. Cópia arquivada em 15 de março de 2026
- ↑ «Câmara aprova projeto contra adultização de crianças nas redes sociais». Brasil de Fato. 21 de agosto de 2025. Consultado em 21 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 3 de dezembro de 2025
- ↑ «Câmara aprova projeto sobre proteção de crianças em ambientes digitais». Agência Câmara de Notícias. 20 de agosto de 2025. Consultado em 21 de agosto de 2025
- ↑ Pedro Rafael Vilela (20 de agosto de 2025). «Câmara aprova projeto contra adultização de crianças nas redes sociais». Agência Brasil. Consultado em 21 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 15 de abril de 2026
- ↑ «Câmara dos Deputados aprova projeto sobre proteção de crianças em ambientes digitais». Terra. 20 de agosto de 2025. Consultado em 21 de agosto de 2025
- ↑ «Câmara aprova projeto contra adultização de crianças nas redes sociais». Brasil de Fato. 21 de agosto de 2025. Consultado em 21 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 3 de dezembro de 2025
- ↑ Farah, João Pedro (17 de março de 2026). «Novo: "A Lei Felca não protege as crianças"». O Antagonista. Consultado em 17 de março de 2026
- ↑ Corumba, Diego (17 de março de 2026). «Lei Felca estreia causando alvoroço e já mexe com LoL, Fortnite e GTA». Canaltech. Consultado em 17 de março de 2026
- ↑ Pontes, Igor (17 de março de 2026). «GTA 6 | 'Lei Felca' vai impedir a venda no Brasil? Entenda decisão da Rockstar». Omelete. Consultado em 17 de março de 2026. Cópia arquivada em 18 de março de 2026
- 1 2 França, Auricélia Santos Mota M. de; Freitas, Simone Denny de; Gomes, Jennifer Alves Rates (28 de abril de 2026). «A exposição infantil nas redes sociais: limites jurídicos e riscos de exploração digital no caso Hytalo Santos». RCMOS - Revista Científica Multidisciplinar O Saber. 1 (1). ISSN 2675-9128. doi:10.51473/rcmos.v1i1.2026.2276
- ↑ Távora, Mariana Gomes de Barros Fernandes (12 de março de 2026). O dever de cuidado das redes sociais para a proteção de crianças e adolescentes: perspectivas regulatórias para mitigar os riscos de conteúdo no Brasil. [S.l.]: Editora Thoth. ISBN 978-65-5113-507-1
- ↑ «ECA Digital começou a valer, mas parece que nada mudou; entenda». G1. 18 de março de 2026. Consultado em 18 de março de 2026
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- ↑ «Tribunal superior francês restabelece obrigação de verificar idade em sites de conteúdo adulto». UOL. Cópia arquivada em 15 de agosto de 2025
- ↑ «"Altamente técnico": entenda esquema que fornecia dados a criminosos; Felca foi uma das vítimas». GZH. 16 de setembro de 2025
- ↑ TecMundo (12 de março de 2026). «Verificação de idade: o custo de privacidade da "Lei Felca" dos EUA». TecMundo: Tudo sobre Tecnologia, Entretenimento, Ciência e Games
- ↑ Martins, Laís (16 de maio de 2023). «Exclusivo: Clearview ofereceu fotos de brasileiros para polícias e Ministério da Justiça». Intercept Brasil
- ↑ Junior, Sidney Regi (20 de março de 2026). «A Lei FELCA e o Risco de um Apagão Digital no Agronegócio Brasileiro». Farmnews
- ↑ Okumura, Normah Saty (2026). «A responsabilidade civil dos influenciadores digitais na publicidade abusiva e marketing de influência.»
- ↑ «Com Lei Felca, dados de todos os brasileiros serão entregues a EUA e 'Israel' - Diário Causa Operária». 20 de março de 2026
- ↑ «Hacker preso em operação vazou quase 240 milhões de chaves Pix, diz polícia». CNN Brasil. 16 de setembro de 2025
- ↑ Faustino, Felipe. «Discord confirma vazamento de dados de usuários após ataque • Tecnoblog». Tecnoblog
- ↑ Faria, Lucas Ribeiro de (23 de janeiro de 2026). «Conectados e divididos: o risco das redes sociais algorítmicas e a resposta do direito brasileiro para os agentes digitais»
- ↑ «Discord confirma vazamento de dados e documentos de usuários». UOL. 4 de outubro de 2025
- ↑ «Discord sofre vazamento de dados após ataque a prestador de serviços». www.welivesecurity.com
- ↑ Colunista, Thiago Ayub- (13 de março de 2026). «A Lei Felca pode bloquear o Linux no Brasil?». TecMundo: Tudo sobre Tecnologia, Entretenimento, Ciência e Games. Consultado em 18 de março de 2026. Cópia arquivada em 5 de maio de 2026
- ↑ «Dois sistemas operacionais anunciam saída do Brasil e 'culpam' ECA Digital; entenda o que está em jogo». G1. 19 de março de 2026. Consultado em 27 de março de 2026
- ↑ Roda Viva; TV Cultura (23 de março de 2026). «RODA VIVA | FELCA | 23/03/2026». YouTube. Consultado em 3 de abril de 2026. Cópia arquivada em 24 de março de 2026
- ↑ «Defesa de Hytalo Santos tenta anular condenação com base na 'lei Felca'». F5. 2 de abril de 2026
- ↑ «Hytalo Santos pede na Justiça anulação de condenação usando lei Felca». Migalhas. 2 de abril de 2026
