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Catamitas
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Os catamitas ou Banu Catame (em árabe: خثعم; romaniz.: Khathʿam) foram uma confederação tribal árabe estabelecida nas regiões montanhosas do sudoeste da Península Arábica, entre Taife, Najrã e as terras altas do Iêmem. Pelo menos desde o século VI, estavam presentes nas áreas de Turuba, Bixa, Tabala e Juraxe, ao longo das rotas que ligavam o Iêmem ao Hejaz. Sua origem genealógica era controversa: algumas tradições os consideravam adenanitas, enquanto outras os vinculavam aos catanitas do sul da Arábia. Os estudiosos modernos consideram que provavelmente constituíam uma confederação formada pela união de grupos tribais de origens diversas.
Durante a Jailia, os catamitas mantiveram relações estreitas, embora por vezes conflituosas, com os bajilaítas, tradicionalmente considerados seus parentes, e participaram de numerosos conflitos intertribais. Entre eles destacou-se o Dia de Faife Arri, no qual, sob a liderança de Anas ibne Mudrique, uma aliança liderada pelos catamitas derrotou os amiritas. Em Tabala, a tribo estava entre os grupos que cultuavam Dulcalaça, cujo santuário era também conhecido como "Casa de Catame". As tradições sobre sua participação na expedição do governante axumita Abramo contra Meca, em meados do século VI, são divergentes, apresentando-os tanto entre suas tropas quanto entre os grupos que lhe ofereceram resistência.
A reação inicial dos catamitas a Maomé foi hostil, mas uma delegação da tribo posteriormente foi a Medina e aceitou o Islã, recebendo um pacto que regulava, entre outras questões, as rixas de sangue e a tributação agrícola. Parte da tribo continuou a resistir, e Maomé enviou contra ela uma expedição comandada por Cuteba ibne Amir em 630; sua submissão definitiva esteve associada à destruição do santuário de Dulcalaça por Jarir ibne Abedalá Albajali. Após a morte de Maomé, alguns catamitas participaram das Guerras da Apostasia, enquanto outros membros da tribo tomaram parte nas primeiras conquistas muçulmanas, estabeleceram-se nas guarnições de Cufa e Baçorá e, durante a Primeira Guerra Civil Muçulmana, dividiram-se entre os partidários de Ali e Moáuia I.
Origens
As origens genealógicas dos catamitas foram contestadas pelos historiadores e genealogistas árabes medievais. Ibne Hixame (falecido em 833) e Ibne Cutaiba (falecido em 889) propuseram, com base nas informações fornecidas a eles pelos "genealogistas de Modar", que Catame era adenanita, o agrupamento abrangente de todas as tribos do norte da Arábia. Consequentemente, a linha de descendência da tribo era Catame ibne Anemar ibne Nizar ibne Maade ibne Adenane.[1] Segundo uma tradição mencionada por Algül, Anemar teria fugido do Hejaz para o Iêmem depois de encher o poço de seu irmão Modar ibne Nizar e, ali, teria se misturado às tribos catanitas. Em consequência disso, algumas fontes atribuíram a Catame e à tribo irmã dos bajilaítas uma genealogia catanita, fazendo-os descendentes de Anemar ibne Iraxe ibne Anre ibne Algaute ibne Nabte ibne Maleque Alquelani.[2]
Ibne Alcalbi (falecido em 819), por sua vez, afirmou que os catamitas eram descendentes dos sabeus do sul da Arábia e apresentou sua genealogia como Catame ibne Anemar ibne Iraxe ibne Anre ibne Algaute, sendo Algaute o suposto pai da tribo Azede.[3] O ancestral epônimo da tribo teria originalmente se chamado Afetal, sendo Catame um epíteto. Segundo a tradição, Afetal recebeu esse nome por ter untado as mãos e o corpo com o sangue de um animal sacrificado por ocasião de um pacto.[2] O nome da tribo foi igualmente relacionado à expressão árabe takhath'ama, "manchar-se de sangue", em referência à celebração de um pacto.[4] As tradições divergentes acerca da ascendência dos catamitas são compatíveis com a composição heterogênea atribuída à tribo. Algül considera que sua origem resultou da união de diferentes grupos tribais,[2] enquanto o historiador moderno Giorgio Levi Della Vida os considera provavelmente uma confederação de tribos menores de origens distintas. Em suas alianças ou expedições tradicionais, os catamitas eram tipicamente associados a grupos da Arábia do Sul. Seus principais clãs eram Xarã, Naixe e Aclube; o último era considerado descendente dos rebiaítas e teria se integrado aos catamitas por meio de um pacto.[4]
História
Segundo a tradição genealógica, Anemar estabeleceu-se nas montanhas de Sarate, onde seus filhos Catame e Bajila se multiplicaram e seus descendentes passaram a ocupar uma extensa região entre Tabala, situada a cerca de 120 quilômetros de Taife, e as terras altas montanhosas do Iêmem.[2] Pelo menos desde o século VI, os catamitas moravam nas áreas de Turuba, Bixa, Tabala e Juraxe, todas na região montanhosa do sudoeste da Arábia, entre as cidades de Najrã e Taife e na rota de caravanas entre o Iêmem e Meca.[4] Os catamitas entraram em conflito tanto com as tribos vizinhas quanto, ocasionalmente, com os próprios bajilaítas, tradicionalmente considerados seus parentes. Entre os principais confrontos dos quais participaram estavam o Dia de Aquil, o Dia de Alcarne e Faife Arri. Com o tempo, diferentes ramos da tribo dispersaram-se por outras regiões e se misturaram às populações tribais locais. À época do surgimento do Islã, os catamitas habitavam a região que se estendia ao longo da rota de peregrinação entre o Iêmem e o Hejaz até Tabala.[2] Em Tabala, os catamitas cultuavam Dulcalaça, juntamente com os bajilaítas, bailaítas e daucitas.[4] Durante a Jailia, o santuário de Dulcalaça frequentado pelos catamitas era também conhecido como "Casa de Catame".[2] De acordo com os estudiosos muçulmanos xiitas medievais Almajlici (m. 1699) e Atabarci (m. 1153) e o estudioso muçulmano sunita Albaiaqui (m. 1066), os catamitas, juntamente com as tribos do sul da Arábia de aquitas e axaritas, formaram a maioria das tropas nas fileiras de Abramo, o governante axumita do Iêmem, em meados do século VI. Esses mesmos relatos afirmam que, quando Abramo chegou a Meca com o objetivo de destruir a Caaba, então o principal santuário dos árabes politeístas, os catamitas e axaritas se recusaram a participar.[5] O historiador Maomé ibne Habibe (falecido em 860) também registra que, sob seu chefe Nufail ibne Habibe, os catamitas se juntaram ao exército de Abramo,[6] enquanto Ibne Isaque (falecido em 767) afirma que não faziam parte desse exército e que, sob o comando de Nufail, combateram Abramo no sul da Arábia durante sua marcha contra Meca; os catamitas foram derrotados e Nufail foi capturado.[7]
A batalha mais conhecida envolvendo os catamitas no período pré-islâmico foi o Dia de Faife Arri (Fayf al-Rih), no qual a tribo, sob seu líder, o poeta guerreiro Anas ibne Mudrique, liderou uma aliança que incluía os madijitas, derrotou os amiritas e feriu seu líder Amir ibne Atufail. Anas novamente conduziu sua tribo à vitória contra os juxamitas, liderados pelo poeta e salteador Sulaique ibne Sulaca. Anas viveu por um período considerável após o advento do Islã na década de 620.[4] A reação inicial dos catamitas a Maomé foi hostil, mas a tribo acabou enviando uma delegação a Medina e aceitando o Islã.[4] Entre os integrantes dessa delegação estavam alguns dos principais membros da tribo, incluindo Aças ibne Zar e Anas ibne Mudrique. A pedido dos delegados, Maomé mandou redigir um pacto que deveria ser observado por todos os catamitas. O documento abolia as rixas de sangue e estabelecia que as terras irrigadas por cursos de água estariam sujeitas à entrega de um décimo da produção, enquanto nas irrigadas por poços a proporção seria de um vigésimo; determinava ainda que aqueles que cultivassem terras irrigadas pelas chuvas poderiam beneficiar-se de sua produção. Parte dos catamitas, contudo, não respeitou o acordo. Em safar de 9 A.H. (junho de 630), Maomé enviou uma expedição de vinte homens comandada por Cuteba ibne Amir contra grupos da tribo que então viviam entre Bixa e Turuba. Seguiu-se um combate intenso, no qual alguns dos catamitas foram mortos e mulheres foram capturadas; os muçulmanos também apreenderam ovinos, caprinos e camelos e retornaram a Medina, onde o espólio foi repartido depois de separada a parcela destinada ao tesouro público.[2] A submissão definitiva da tribo esteve associada à destruição do santuário de Dulcalaça.[4] Maomé encarregou Jarir ibne Abedalá Albajali, um bajilaíta convertido ao Islã antes da Conquista de Meca, de chefiar uma expedição destinada a destruí-lo. Jarir matou alguns dos que ofereceram resistência e demoliu o santuário. Após a morte de Maomé, contudo, parte dos catamitas, liderada por Humaida ibne Numane, participou das Guerras da Apostasia juntamente com grupos dos azeditas e bajilaítas. Depois da repressão das revoltas, membros da tribo participaram das primeiras conquistas muçulmanas na Síria e no Iraque durante a década de 630 e formaram parte das guarnições árabes de Cufa e Baçorá.[4] Durante o conflito entre Ali e Moáuia, os catamitas dividiram-se entre os dois lados e combateram em exércitos adversários.[8]
Membros notáveis
Entre os companheiros de Maomé pertencentes aos catamitas, Algül menciona Abu Ruaia Alfazai, Tamime ibne Uarca e Maleque ibne Abedalá Alcatami. Quando Abu Ruaia se converteu ao Islã, Maomé entregou-lhe um estandarte branco e declarou que aqueles que se reunissem sob ele estariam em segurança. Mais tarde, Abu Ruaia foi a Medina para anunciar ao califa Omar (r. 634–644) a conquista da Palestina. Maleque ibne Abedalá, por sua vez, tornou-se conhecido pelo epíteto de "comandante da Palestina" e serviu entre os comandantes dos exércitos muçulmanos durante os reinados de Moáuia I (r. 661–680) e de seu filho Iázide I (r. 680–683). Em 58 A.H. (678), participou de uma expedição militar contra os bizantinos. Algumas mulheres catamitas estabeleceram vínculos matrimoniais com os coraixitas. Entre elas estavam as irmãs Asma binte Umais e Salma binte Umais, ambas entre as primeiras mulheres convertidas ao Islã. Asma casou-se inicialmente com Jafar ibne Abi Talibe e o acompanhou na migração à Abissínia; após a morte de Jafar, casou-se sucessivamente com Abu Becre e, depois da morte deste, com Ali. Salma foi esposa de Hâmeza ibne Abede Almotalibe. Outra catamita chamada Asma, filha de Anas ibne Mudrique, foi esposa de Calide ibne Alualide. Entre os estudiosos da tradição islâmica oriundos da tribo estavam ainda Uçaide ibne Abderramão Alcatami, de quem Alauzai transmitiu relatos, e Abede Aljabar Alcatami, ambos mencionados como tradicionistas.[8]
Referências
Bibliografia
- Algül, Hüseyin (1997). «Has'am (Benî Has'am)». Türkiye Diyanet Vakfı İslâm Ansiklopedisi [Enciclopédia Islâmica TDV] (em turco). 16. Istambul: Türkiye Diyanet Vakfı. pp. 281–282. Cópia arquivada em 1 de agosto de 2026
