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Baraítas
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Os baraítas ou Bara (em árabe: بَهْرَاء; romaniz.: Bahrāʾ) foram uma tribo árabe pertencente à confederação dos cudaaítas, que habitou o vale médio do rio Eufrates em torno do centro comercial e cidade santa árabe-cristã de Resafa, durante o final do Império Bizantino, e posteriormente a região de Hómece, na Síria, durante o período islâmico. Após converterem-se ao cristianismo e integrarem a confederação tribal dos gassânidas, federada ao Império Bizantino no final do século VI, os baraítas receberam a incumbência de proteger Resafa. Participaram das coalizões árabo-bizantinas contra os primeiros muçulmanos em 8 A.H. (629), 12 A.H. (633) e 13 A.H. (634), convertendo-se ao islã após a conquista muçulmana da Síria. Nos séculos seguintes estabeleceram-se principalmente na Síria central, dando seu nome à cadeia montanhosa do Jabal Bara.
História
Segundo o entendimento predominante entre os genealogistas e historiadores, os baraítas pertenciam à confederação tribal dos cudaaítas, embora uma tradição minoritária os considere um ramo dos judamitas.[1][2] De acordo com a genealogia árabe tradicional, preservada por Ibne Abede Rabi, a tribo descendia de Bara ibne Anre ibne Alhafe ibne Cudaa. Segundo essa tradição, Bara teve cinco filhos — Auade, Cacite, Abada, Cácer e Adi —, cujos descendentes formaram os principais clãs da tribo.[3] Inicialmente, os baraítas habitavam a região compreendida entre Iambo e Aila, mas posteriormente migraram para a costa do mar Vermelho, espalhando-se por uma extensa área entre o Alto Egito e a Abissínia, chegando, segundo a tradição, a exercer domínio sobre a Núbia.[2] As informações sobre os baraítas durante o período pré-islâmico são escassas. Sabe-se, contudo, que integravam a confederação tribal árabe liderada pelos gassânidas, federada ao Império Bizantino no deserto da Síria.[4] A tribo é mencionada num único verso conservado na coletânea Al-Mufaḍḍaliyyāt, que a situa em Resafa (Sergiópolis), importante entreposto comercial entre Palmira e Sura, na Mesopotâmia, onde também se encontrava o célebre santuário de São Sérgio, amplamente venerado pelas tribos árabo-cristãs federadas do Império Bizantino.[5] O poema afirma: "Quanto aos baraítas, sabemos onde habitam; seu caminho em torno de Resafa é bem conhecido".[6] Não se sabe exatamente quando os baraítas adotaram o cristianismo, embora a conversão provavelmente tenha ocorrido após sua incorporação ao serviço bizantino e sua aliança com os gassânidas, no final do século VI. Antes disso, professavam o paganismo, conforme sugere um poema pré-islâmico no qual ridicularizam as "espadas cristãs" da tribo dos taglibitas.[4] Segundo Clifford Edmund Bosworth, a conversão ocorreu por volta de 580, posteriormente à dos tanuquitas e dos taglibitas, seus vizinhos no médio Eufrates. Já Irfan Shahîd sustenta que os baraítas eram responsáveis pela defesa de Resafa e das rotas comerciais que convergiam para a cidade contra tribos beduínas não federadas e contra os lacmitas, protegendo ainda o santuário de São Sérgio e, possivelmente, assegurando o abastecimento da cidade.[7]
Os baraítas integraram as forças árabes federadas do exército bizantino na Batalha de Muta, em 8 A.H. (629), quando os bizantinos derrotaram os primeiros exércitos muçulmanos. Após a Expedição de Tabuque, uma delegação de treze membros da tribo dirigiu-se a Medina, onde foi hospedada pelo companheiro Miquedade ibne Anre e recebida por Maomé. Os integrantes da delegação converteram-se ao islã, permaneceram alguns dias aprendendo os princípios da nova religião e regressaram à sua terra com presentes oferecidos pelo profeta. Entretanto, nem toda a tribo abraçou imediatamente o islã. Em 12 A.H. (633), quando Calide ibne Alualide se aproximou de Dumate Aljandal, os cristãos da cidade solicitaram auxílio aos baraítas e a outras tribos árabes contra os muçulmanos. Diante das dificuldades enfrentadas por Iade ibne Ganme, Calide foi chamado em seu socorro e lançou uma incursão contra os baraítas, capturando seus rebanhos e outros bens.[2] Nesse mesmo ano, os baraítas e outras tribos árabes aliadas do Império Bizantino foram mobilizados para enfrentar as tropas de Calide na Batalha de Dumate Aljandal, sendo derrotados.[4] Voltaram a combater ao lado dos bizantinos durante a Batalha do Jarmuque e outras campanhas, juntamente com calbitas, tanuquitas, lacmitas, judamitas e gassânidas. Somente após a conquista muçulmana da Síria converteram-se coletivamente ao islã e migraram gradualmente para as planícies da região de Hómece.[1][2] O geógrafo Iacubi registra que, no século IX, os baraítas e os tanuquitas constituíam as principais tribos da região de Hamá.[8] Na época em que Ceife Adaulá estabeleceu seu emirado no norte da Síria, durante o século X, o território dos baraítas situava-se na região montanhosa costeira entre Lataquia e Trípoli.[9] A partir desse período, a cadeia montanhosa costeira da Síria passou a ser conhecida como Jabal Bara, em referência à tribo.[8][10]
Referências
- 1 2 Bosworth 1991, p. 938.
- 1 2 3 4 Özaydın 1992, p. 356.
- ↑ Ibne Abede Rabi 1949, p. 276.
- 1 2 3 Shahid 2002, p. 118.
- ↑ Shahid 2002, pp. 118–119.
- ↑ Shahid 2002, p. 116.
- ↑ Shahid 2002, p. 119.
- 1 2 Shahid 1984, p. 407.
- ↑ Bianquis 1997, p. 106.
- ↑ Salibi 2005, p. 89.
Bibliografia
- Bianquis, Thierry (1997). «Sayf al-Dawla». In: Bosworth, C. E.; van Donzel, E.; Heinrichs, W. P.; Lecomte, G. The Encyclopaedia of Islam. IX: San–Sze 2 ed. Leida: E. J. Brill. pp. 103–110. ISBN 978-90-04-10422-8. doi:10.1163/1573-3912_islam_COM_1010
- Bosworth, C. E. (1960). «Bahrāʾ». In: Gibb, H. A. R.; Kramers, J. H.; Lévi-Provençal, E.; Schacht, J. The Encyclopedia of Islam. I: A–B nova ed. Leida e Nova Iorque: E. J. Brill. ISBN 978-90-04-08114-7
- Ibne Abede Rabi (2011). Boullata, Issa J., ed. The Unique Necklace. III. Reading: Garnet Publishing & Southern Court. ISBN 9781859642405
- Özaydın, Abdülkerim (1992). «Behrâ (Benî Behrâ)» [Enciclopédia Islâmica TDV]. TDV İslâm Ansiklopedisi. 5. Istambul: Türkiye Diyanet Vakfı. p. 356. Consultado em 2 de agosto de 2026
- Salibi, Kamal (2005). A House of Many Mansions: The History of Lebanon Reconsidered. Londres: I. B. Tauris. ISBN 978-1860649127
- Shahid, Irfan (1984). Byzantium and the Arabs in the Fourth Century. Washington, D.C.: Dumbarton Oaks Research Library and Collection. ISBN 978-0-88402-116-2
- Shahid, Irfan (2002). Byzantium and the Arabs in the Sixth Century. 2, parte 1. Washington, D.C.: Dumbarton Oaks Research Library and Collection. ISBN 978-0-88402-284-8
