Saúde
Zigue-zague
Texto da Wikipédia (pt), licença CC BY-SA. O BETARUBI mostra o verbete inteiro nesta página — a leitura não continua fora do site.




Zigue-zague (substantivo masculino com hífen; derivado do francêsː zigzag; erroneamente grafado, em português, ziguezague – embora assim esteja na primeira edição do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa[2][3] –, zigzag ou zig-zag;[2] com as formas sem hífen ziguezaguear, ziguezagueamento ou ziguezagueante sendo aceitas)[4] é um padrão geométrico construído por uma sequência de segmentos lineares alternados quanto à direção, formando linhas quebradas com a presença de ângulos salientes e reentrantes, ou agudos e obtusos.[3][5] O padrão pode ser visto na natureza ou como um artifício nas sociedades humanas.
Origem
Embora a origem da palavra não seja clara as suas primeiras aparições impressas foram em livros e objetos efêmeros de língua francesa do final do século XVII,[6][7] mais precisamente documentada desde 1662.[3] Como artifício a sua presença é tão antiga que há até mesmo o indício de um simples traço em forma de zigue-zague numa concha de um extinto bivalve dulciaquícola, feito há mais de 400.000 anos por um ancestral humano, o Homo erectus, em Java, Indonésia.[8][9] Na língua portuguesa o seu primeiro registro é de 1836.[7]
Fotografias da concha de um extinto bivalve dulciaquícola, com traçado em zigue-zague feito há mais de 400.000 anos por um ancestral humano, o Homo erectus, em Java, Indonésia.
Chevron
Um zigue-zague é composto por chevrons opostos, interligados e contínuos; cada chevron sendo um segmento em forma de V.[10]
Imagem de um chevron.
O zigue-zague nas sociedades humanas
Nas sociedades humanas pré ou pós-colonização o zigue-zague pode ser encontrado em vexilologia, heráldica, artes plásticas, logotipos, arquitetura (incluindo pavimentação), moda, design, origami e culinária (ver imagens). Nos grafismos indígenas dos guarani kaiowá o zigue-zague (hysy karêa) representa o andar da serpente, da água, ou o caminho estreito, sendo pintado de preferência em vermelho ou preto e utilizando pigmentos a base de urucum e jenipapo; com todos os trançados da cestaria em cipó guaimbê e, na falta dele, lona preta ou, no caso da tecelagem, linha preta;[11] também estando presente nas pinturas corporais.[12] Durante terremotos, os sismógrafos registram um traço em zigue-zague que mostra a amplitude variável das oscilações do solo abaixo do instrumento.[13] Em física e eletrônica, a onda triangular e a onda dente de serra podem ser exemplos de zigue-zague.[14] No design industrial aeronáutico podemos encontrar o zigue-zague rodeando a parte posterior das nacelas (o "corpo" aerodinâmico que envolve os propulsores, ou motores) dos aviões da Boeing, a partir de 2010, e sua função foi torná-los mais silenciosos e, assim, reduzir seu impacto de ruído, especialmente quando estão perto do solo, logo após a decolagem ou pouco antes do pouso.[15] Tesouras com lâminas em zigue-zague são utilizadas em costura para provocar cortes em zigue-zague.[16] Na cultura de massa um dos mais memoráveis exemplos de zigue-zague está presente na camiseta amarela do personagem de quadrinhos, ou banda desenhada, Charlie Brown.[17] O termo ainda designa uma fita sinuosa de tecido de algodão ou seda, a sianinha,[3][5][18] um tipo de costura em tecido têxtil[19] ou determinados movimentos de navegação marítima e combate terrestre.[3]
- Padrão de zigue-zague presente no fundo do logotipo da empresa francesa de jornalismo investigativo Mediapart.[20]
- Padrão de zigue-zague na fachada de um edifício em Minneapolis (arquitetura).
- Dobraduras de origami em zigue-zague.
- Corte em zigue-zague de uma meloa ou cantalupo (culinária).
O zigue-zague na natureza
Na natureza o zigue-zague não segue o mesmo padrão de perfeição da mente humana, mas podemos ver seus indícios em uma série de organismos, em suas criações ou até mesmo na paisagem. Em botânica a planta da pimenta-malagueta (Capsicum frutescens) possui padrões de galhos em zigue-zague.[21] Algumas espécies de animais com tal padronagem, classificadas pelo homem, incluindo Lineu, o pai da taxonomia atual, recebem o descritor específico ziczac em sua nomenclatura binomial, como é o caso dos moluscos marinhos Echinolittorina ziczac,[22] Palmadusta ziczac[23] ou Euvola ziczac.[24] Em entomologia, o estudo zoológico dos insetos, zigue-zague é a nomenclatura vernácula dada para a mariposa (ou traça) europeia da espécie Lymantria dispar (Lepidoptera) ou para as libélulas (odonatos) da Região Norte e Nordeste do Brasil.[3][25] No caso de aranhas, o estabilimento de teias de aranhas do gênero Argiope possui um padrão em zigue-zague.[26] Em ornitologia existe uma ave Ardeidae sul-americana com a denominação vernácula socoí-zigue-zague (Zebrilus undulatus: cujo significado é "pequena zebra ondulada" ou "zebrinha ondulada" devido a sua plumagem).[27] Em meteorologia os zigue-zagues são formados pelos raios durante as descargas elétricas atmosféricas.[28]
- O zigue-zague em uma teia.
- Padrão em zigue-zague na asa de Callicore sorana.
- Padrão em zigue-zague na superfície da concha de Cymbiola nobilis.
Referências
- ↑ «White Zig-Zags, 1922 by Wassily Kandinsky» (em inglês). Wassily Kandinsky. 1 páginas. Consultado em 9 de julho de 2025. Cópia arquivada em 13 de dezembro de 2025.
White Zig-Zags, 1922 by Wassily Kandinsky.
- 1 2 Nogueira, Sérgio (10 de julho de 2015). «Zigue-zague, zig-zag ou ziguezague?». g1. 1 páginas. Consultado em 4 de março de 2025. Cópia arquivada em 8 de março de 2026
- 1 2 3 4 5 6 HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles; FRANCO, Francisco Manoel de Mello (2001). Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa 1ª ed. Rio de Janeiro: Objetiva. p. 2907. 2922 páginas. ISBN 85-7302-383-X
- ↑ O Dia (RJ) (4 de março de 2012). «Alguns casos de hífen». Academia Brasileira de Letras. 1 páginas. Consultado em 4 de março de 2025. Cópia arquivada em 24 de abril de 2025
- 1 2 FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda (1986). Novo Dicionário da Língua Portuguesa 2ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. p. 1805. 1838 páginas
- ↑ LIBERMAN, Anatoly (2009). Word Origins...And How We Know Them: Etymology for Everyone (em inglês) 1ª ed. New York: Oxford University Press. 312 páginas. ISBN 978-0-19-538707-0. Cópia arquivada em 24 de abril de 2025
- 1 2 Rodrigues, Sérgio (31 de julho de 2020). «A língua do zigue-zague e o zigue-zague da língua». Veja. 1 páginas. Consultado em 29 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 30 de agosto de 2025
- ↑ Thompson, Helen (3 de dezembro de 2014). «Zigzags on a Shell From Java Are the Oldest Human Engravings» (em inglês). Smithsonian Magazine. 1 páginas. Consultado em 6 de março de 2025. Cópia arquivada em 22 de junho de 2026
- ↑ Domínguez, Nuño (4 de dezembro de 2014). «O desenho mais antigo da humanidade». El País. 1 páginas. Consultado em 6 de março de 2025. Cópia arquivada em 11 de novembro de 2025
- ↑ «Chevron / Zigzag» (em inglês). Illustrated Architecture Dictionary (Buffalo as an Architectural Museum). 1 páginas. Consultado em 4 de março de 2025. Cópia arquivada em 24 de abril de 2025.
Zigzag molding: An ornamental molding running of continued chevrons.
- ↑ Saldanha, Gilcácia Gündel (2016). «Grafismo na comunidade Kaiowá de Itay Ka'aguyrusu» (PDF). XIII Encontro Regional de História da Anpuh-Rio: Saberes e práticas científicas. p. 7. 16 páginas. Consultado em 4 de março de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 24 de abril de 2025
- ↑ Saldanha, Gilcácia Gündel (ibid., p.12.).
- ↑ «Seismograph (Seismometer) - What is a seismograph» (em inglês). SMS-Tsunami-Warning.com. 1 páginas. Consultado em 6 de março de 2025. Cópia arquivada em 25 de abril de 2026
- ↑ Lambert, Graham. «How to Build a Sawtooth and Triangle Wave Generator» (em inglês). Circuit Basics. 1 páginas. Consultado em 4 de março de 2025. Cópia arquivada em 30 de janeiro de 2025
- ↑ Legnani, Matteo (1 de junho de 2024). «The 'knurling' on Boeing engines? That's what it's for. And why the 777x doesn't have it» (em inglês). The Flight Club. 1 páginas. Consultado em 4 de março de 2025
- ↑ Mayyica (12 de março de 2009). «Tijeras zig zag» (em espanhol). Flickr. 1 páginas. Consultado em 6 de março de 2025. Cópia arquivada em 24 de abril de 2025
- ↑ «Charlie Brown» (em inglês). Peanuts.com. 1 páginas. Consultado em 4 de março de 2025. Cópia arquivada em 2 de abril de 2026
- ↑ León, Glória (15 de abril de 2010). «Almofadas com sianinha». Flickr. 1 páginas. Consultado em 4 de março de 2025. Cópia arquivada em 24 de abril de 2025
- ↑ Rogedo, Lara (15 de outubro de 2018). «Zigue-zague: variações de comprimento e largura do ponto». Lara Rogedo Algodão Cru. 1 páginas. Consultado em 4 de março de 2025. Cópia arquivada em 11 de fevereiro de 2026
- ↑ «Mediapart» (em francês). 1 páginas. Consultado em 4 de março de 2025
- ↑ «Como identificar Pimenta-malagueta (Capsicum frutescens)». PictureThis - Aplicativo Identificador de Plantas. 1 páginas. Consultado em 16 de julho de 2026. Cópia arquivada em 16 de julho de 2026
- ↑ «Echinolittorina ziczac (Gmelin, 1791)» (em inglês). World Register of Marine Species. 1 páginas. Consultado em 4 de março de 2025. Cópia arquivada em 18 de novembro de 2025
- ↑ «Palmadusta ziczac (Linnaeus, 1758)» (em inglês). World Register of Marine Species. 1 páginas. Consultado em 4 de março de 2025. Cópia arquivada em 15 de fevereiro de 2026
- 1 2 «Euvola ziczac (Linnaeus, 1758)» (em inglês). World Register of Marine Species. 1 páginas. Consultado em 4 de março de 2025. Cópia arquivada em 1 de junho de 2023
- ↑ Oliveira, Tomás Matheus Dias de; Ferreira, Eike Daniel Fôlha; Silva, Maria Luiza Simões; Gouvêa, Taiguara Pereira de; Vilela, Diogo Silva; Souza, Marcos Magalhães de (julho de 2024). «O zigue-zague das libélulas (Insecta: Odonata) na cultura brasileira: uma análise bibliográfica». A Bruxa v. 8, n. 7 (ResearchGate). p. 100-101. Consultado em 20 de março de 2025
- ↑ «Aranha-de-prata, equilíbrio do ecossistema». Parque Ecológico Imigrantes. 1 de setembro de 2025. 1 páginas. Consultado em 14 de maio de 2026. Cópia arquivada em 12 de dezembro de 2025
- ↑ «Socoí-zigue-zague». WikiAves. 1 páginas. Consultado em 20 de março de 2025. Cópia arquivada em 15 de maio de 2023
- ↑ Morais, Rodilei (2 de janeiro de 2023). «Você sabe por que os raios fazem zigue-zague no céu?». Canaltech. 1 páginas. Consultado em 20 de março de 2025. Cópia arquivada em 9 de fevereiro de 2026


