Saúde
Yvonne Pereira
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| Yvonne A. Pereira | |
|---|---|
Yvonne A. Pereira | |
| Nome completo | Yvonne do Amaral Pereira |
| Conhecido(a) por | Atuação como médium espírita e autora de obras psicografadas. |
| Nascimento | |
| Morte | Rio de Janeiro, RJ, Brasil |
| Nacionalidade | brasileira |
| Ocupação | Médium e costureira |
| Principais trabalhos | Memórias de um Suicida |
Yvonne do Amaral Pereira (Valença, 24 de dezembro de 1900 — Rio de Janeiro, 9 de março de 1984) foi uma médium brasileira, autora de diversos livros psicografados. [2]
Biografia
Filha de Manuel José Pereira Filho, um pequeno comerciante, e de Elizabeth do Amaral, foi a primeira de seis filhos do casal. A mãe já havia tido um filho de seu primeiro casamento.
Recém-nascida, com apenas 29 dias, teve um acesso de tosse que a sufocou, deixando-a em estado de catalepsia, em que se manteve por seis horas. O médico e o farmacêutico da localidade chegaram a atestar o óbito por sufocação. A família preparou o corpo da bebê para o velório, colocando-lhe um vestido branco e azul, adornando-a com uma grinalda, e encomendaram o pequeno caixão branco. Vendo que se aproximava a hora do enterro, sua mãe retirou-se para o interior da residência da família para orar. Quando voltou ao aposento e acariciou a bebê que ainda estava no berço, ela acordou chorando.[3]
Yvonne cresceu numa família espírita. O pai enfrentou a falência comercial por três vezes. Posteriormente viria a tornar-se funcionário público, cargo que ocupou até o fim da vida, em 1935. Era comum a família abrigar pessoas necessitadas, vivências que, segundo Yvonne, marcariam sua vida para sempre.[4]
Com quatro anos de idade, a menina já dizia ver e ouvir espíritos, os quais, segundo ela, considerava como pessoas normais. Dois dos amigos invisíveis apareciam com mais frequência: Charles, a quem ela considerava seu verdadeiro pai, devido a lembranças que teria de uma encarnação anterior, em que a "entidade" teria sido seu pai. Roberto de Canalejas, que teria sido um médico espanhol de meados do século XIX.[4]
As visões lhe perturbavam, e vinham junto com uma imensa saudade do que seria uma encarnação anterior, na Espanha, que, dizia, recordava com clareza.[5] Considerava seus atuais familiares, principalmente o pai e os irmãos, como pessoas estranhas, assim como estranhava a casa e a cidade onde morava.[6] Em razão desses conflitos, até os dez anos de idade passou a maior parte do tempo na casa da avó paterna.[4]
Aos oito anos de idade, a menina viveu novo episódio de catalepsia. Certa noite, durante o sono, percebeu-se diante de uma imagem do Senhor dos Passos pedindo socorro, pois sofria muito. A imagem, então, animando-se, dirigiu-lhe as palavras: Vem comigo minha filha: será o único recurso que terás para suportar os sofrimentos que te esperam. A menina, aceitando a mão que lhe era estendida pela imagem, subiu os degraus do altar e não se lembrou de mais nada.[7]
Nessa idade teve o primeiro contato com um livro espírita. Posteriormente, aos doze anos, ganhou de presente do pai O Evangelho segundo o Espiritismo e o Livro dos Espíritos. Aos treze anos de idade começou a frequentar sessões práticas de Espiritismo.[7]

Yvonne teve como estudos apenas o antigo curso primário (atual primeiro segmento do ensino fundamental). Devido às dificuldades financeiras da família não conseguiu prosseguir nos estudos. Para auxiliar a família, e o próprio sustento, dedicou-se à costura e ao bordado, e ao artesanato de rendas e flores.
Tendo cultivado desde a infância o estudo e a leitura, completou a sua formação como autodidata, pela leitura de livros e periódicos. Aos dezesseis anos já tinha lido obras clássicas de Goethe, Bernardo Guimarães, José de Alencar, Alexandre Herculano, Arthur Conan Doyle e outros.[4]
A partir dessa idade, fase da adolescência, a mediunidade tornou-se um fenômeno comum para Yvonne, que dizia receber a maior parte dos informes de além-túmulo, crônicas e contos em desdobramento, no momento do sono. A sua faculdade apresentava-se diversificada, tendo se dedicado à psicografia e ao receituário homeopático, à psicofonia e ao passe, e até mesmo, em algumas ocasiões, aos chamados efeitos físicos de materialização. Dedicou-se à atividade de desobsessão. Atuou em casas espíritas nas cidades de Lavras (MG), Barra do Piraí (RJ), Juiz de Fora (MG), Pedro Leopoldo (MG) e Rio de Janeiro (RJ), onde residiu sucessivamente.[4]
Um dos aspectos mais marcantes de sua atuação mediúnica foi a sua independência, que questionava com fundamento os entraves burocráticos que algumas casas espíritas impõem aos seus trabalhadores. Esperantista atuante, trabalhou na sua propaganda e difusão, através de correspondência que mantinha com outros esperantistas, tanto no Brasil, quanto no exterior.[7]
Homenagem
Quando dos dez anos de sua morte, a revista Reformador (março, 1994) publicou extensa matéria em memória da médium, de autoria de Augusto Marques de Freitas.
Ali, o articulista resumiu o sentimento que os espíritas dedicam-lhe: "A vida e a obra de Yvonne do Amaral Pereira ficarão gravadas para sempre no coração de todos nós e na História do Espiritismo."[8]
Obra
A obra mediúnica de Yvonne Pereira compreende mais de vinte livros. Embora, desde 1926, tenha escrito numerosas obras psicografadas, somente decidiu publicá-las na década de 1950, segundo ela mesma, após muita insistência dos "mentores espirituais". Dentre as mais conhecidas destacam-se:
- Memórias de um Suicida (Rio de Janeiro: FEB, 1955. 568 p.) – atribuída aos espíritos Camilo Castelo Branco e Léon Denis. Constitui-se num libelo contra o suicídio, descrevendo, em sua primeira parte, os sofrimentos experimentados pelos que atentaram contra a própria vida. Na segunda e na terceira partes focaliza os trabalhos de assistência e de preparação para uma nova encarnação. Esta obra é considerada um marco na bibliografia mediúnica brasileira e o melhor exame sobre o suicídio sob o ponto de vista doutrinário espírita.
- Nas Telas do Infinito – apresenta duas novelas: uma atribuída ao espírito Bezerra de Menezes e outra a Camilo Castelo Branco.
- Amor e Ódio (Rio de Janeiro: FEB, 1956. 553 p.) – atribuída ao espírito Charles, enfoca o drama de um ex-aluno francês do Prof. Rivail (Allan Kardec), o artista Gaston de Saint-Pierre, acusado de um crime que não cometera. Após grandes padecimentos, recebe os esclarecimentos elucidativos por meio de um exemplar de O Livro dos Espíritos, à época em que este foi lançado pelo codificador.
- A Tragédia de Santa Maria (Rio de Janeiro: FEB, 1957. 267 p.) – atribuída ao espírito Bezerra de Menezes, ambientada em uma fazenda de café em Vassouras (RJ), trata da história real de uma rica família escravocrata sobre a qual uma tragédia se abateu. Mostrando o ontem e o hoje, o romance de Bezerra é destinado sobretudo "a essa juventude tão rica de generosos pendores, tão enamorada de ardentes ideais quanto desordenada e inconsequente em suas diretrizes, e a quem escasseiam exemplos edificantes, lições enaltecedoras".[9]
- Ressurreição e Vida (Rio de Janeiro: FEB, 1963. 314 p.) – atribuída ao espírito Leon Tolstoi, compreende seis contos e dois mini-romances ambientados na Rússia dos czares.
- Nas Voragens do Pecado (Rio de Janeiro: FEB, 1960. 317 p.) – primeiro volume de uma trilogia atribuída ao espírito Charles, relata a trágica história do massacre dos huguenotes na Noite de São Bartolomeu (23 de Agosto de 1572), durante o que seria uma encarnação anterior da médium, na personalidade de Ruth-Carolina de la Chapelle.
- O Cavaleiro de Numiers (Rio de Janeiro: FEB, 1976. 216 p.) – segundo volume da trilogia, mostra outra suposta encarnação da médium, ainda na França, na personalidade de Berth de Sourmeville.
- O Drama da Bretanha (Rio de Janeiro: FEB, 1974. 206 p.) – terceiro e último volume da trilogia, ilustra como a médium, agora na personalidade Andrea de Guzman, não consegue suportar os embates de sua expiação e se suicida por afogamento.
- Dramas da Obsessão (Rio de Janeiro: FEB, 1964. 209 p.) – atribuído ao espírito Bezerra de Menezes, compreende duas novelas abordando o tema obsessão.
- Devassando o Invisível (Rio de Janeiro: FEB, 1963. 232 p.) – a autora desenvolve uma dezena de estudos sobre temas doutrinários, com base em suas experiências mediúnicas.
- Recordações da Mediunidade (Rio de Janeiro: FEB, 1966.) – a autora discorre sobre reminiscências de vidas passadas, arquivos da alma, materializações, premonição e obsessão.
- Sublimação (Rio de Janeiro: FEB, 1974. 221 p.) – apresenta dois contos atribuídos ao espírito Charles (um ambientado na Pérsia e outro na Espanha) e três contos atribuídos ao espírito Leon Tolstoi (ambientados na Rússia).
- Nas Trilhas da Imortalidade: A Verdade de Yvonne A. Pereira (São Paulo: EME, 2026. 320 p.) – obra psicografada por Élis Amarante Reis e atribuída ao espírito de Yvonne A. Pereira. O livro é apresentado como uma coletânea de relatos autobiográficos e revelações inéditas que, segundo sua introdução, não puderam ser publicados durante a vida da autora. A narrativa aborda memórias de existências anteriores, reflexões sobre temas como mediunidade, depressão e suicídio, além de descrever vínculos familiares, reencontros reencarnatórios e encontros com figuras históricas como Frédéric Chopin, Victor Hugo e Camilo Castelo Branco.[10]
Como escritora, publicou muitos artigos em jornais populares, produção atualmente desconhecida, que carece de um trabalho amplo de recuperação. São ainda da autora:
- A Família Espírita (Brasília: FEB, 2013. 111 p.) – O livro acompanha o cotidiano e as reuniões de estudo do Evangelho no Lar da família Vasconcelos, oferecendo lições de amor, moralidade e vivência cristã para toda a família.
- À Luz do Consolador (Rio de Janeiro: FEB, 1997.) – coletânea de artigos da médium na revista Reformador, originalmente entre a década de 1960 e a de década de 1980.
- Cânticos do Coração (Rio de Janeiro: Ed. CELD, 1994. 2 v. 246 p.) – Coletânea de artigos publicados no jornal Obreiros do Bem.
- Contos Amigos (Brasília: FEB, 2021. 156 p.) – reúne histórias educativas e bucólicas focadas em crianças e jovens. As narrativas fundamentam-se nos ensinos e exemplos de Jesus, transmitindo lições morais sob a luz da Doutrina Espírita.
- Evangelho aos Simples (Brasília: FEB, 2021. 102 p.) – o livro apresenta a família Vasconcelos, que procura viver segundo os princípios da Doutrina Espírita. Por meio das experiências cotidianas de pais e filhos, desenvolvem-se diálogos simples e educativos sobre o Evangelho de Jesus, oferecendo às crianças e aos adultos exemplos práticos de vivência cristã.
- As Três Revelações (Brasília: FEB, 2014. 217 p.) – aborda o ensino espírita e a vivência do Evangelho no ambiente familiar, utilizando situações do cotidiano para ilustrar princípios morais e espirituais.
Obras relacionadas a Yvonne Pereira
- Leila, A Filha de Charles (São Paulo: EME, 2016. 272 p.) – a obra não é de autoria de Yvonne Pereira, e sim de Denise Corrêa de Macedo, pelo espírito Arnold de Numiers. O romance retrata a penúltima reencarnação de Yvonne como Leila de Vilares Montalban Guzman, uma jovem espanhola que acabou por suicidar-se no rio Tejo. O espírito Charles, que acompanhou Yvonne, seria seu pai quando ela era Leila, e o espírito Roberto de Canallejas seria seu marido.[11]
Referências
- ↑ «Yvonne do Amaral Pereira». Folha Espírita. Consultado em 13 de agosto de 2020. Cópia arquivada em 1 de março de 2021
- ↑ «Obras Psicografadas». Cópia arquivada em 20 de dezembro de 2022
- ↑ Pereira, Yvonne do Amaral (1966). Recordações da Mediunidade. [S.l.]: FEB
- 1 2 3 4 5 Camilo, Pedro (2003). Yvonne Pereira: uma heroína silenciosa. Salvador: IDEBA. pp. 25–30
- ↑ Pereira, Yvonne do Amaral (1966). «Do meu passado espiritual». Recordações da Mediunidade. Rio de Janeiro: FEB
- ↑ Pereira, Yvonne do Amaral (1966). Recordações da Mediunidade. Rio de Janeiro: FEB
- 1 2 3 Federação Espírita Brasileira. «Biografia de Yvonne do Amaral Pereira». Consultado em 27 de junho de 2026. Cópia arquivada em 2 de dezembro de 2023
- ↑ Freitas, Augusto Marques de (março de 1994). «Yvonne do Amaral Pereira: Em Memória». Reformador (3): 14-17
- ↑ Pereira, Yvonne (2008). A tragédia de Santa Maria. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira. 7 páginas
- ↑ Reis, Élis Amarante (2026). Nas Trilhas da Imortalidade: A Verdade de Yvonne A. Pereira. São Paulo: EME. 320 páginas. ISBN 978-65-5543-194-0
- ↑ Macedo, Denise Corrêa de (2016). Leila, a Filha de Charles. Capivari: EME. 272 páginas. ISBN 978-85-7353-569-3
Notas
- ↑ Yvonne nasceu em Santa Teresa de Valença, então Distrito de Valença, que se emanciparia apenas em 1929, como Rio das Flores.[1]
Bibliografia
- CAMILO, Pedro. Yvonne Pereira: uma heroína silenciosa. Salvador: IDEBA, 2003.
- CAMILO, Pedro. Yvonne Pereira: uma heroína silenciosa. Bragança Paulista (SP): Lachâtre, 2005.
- PEREIRA, Yvonne A.. Pelos Caminhos da Mediunidade Serena. São Paulo: Lachâtre, 2007. 192p.
- Jorge Rizzini|RIZZINI, Jorge. Kardec, Irmãs Fox e Outros. Capivari (SP): Editora EME, 1994. 194p. ISBN 8573531517
- PEREIRA, Yvonne A.. Luiz Guilherme Marques (médium). Remédio contra o suicídio e outras misérias humanas. Rio de Janeiro: Editora AMCGuedes, 2013.
- SESTINI, Gerson. Yvonne, a Médium Iluminada. Rio de Janeiro: Edições Léon Denis, 2007. ISBN 9788572973684
