BETA SAÚDE
XIV dinastia egípcia
Texto da Wikipédia (pt), licença CC BY-SA. O BETARUBI mostra o verbete inteiro nesta página — a leitura não continua fora do site.
| XIV Dinastia do Egito | ||||
| ||||
| Capital | Xois ou Ávaris | |||
| Língua oficial | Egípcio médio (até c. 1350 a.C.) Egípcio tardio (a partir de c. 1350 a.C.) Línguas cananeias Línguas núbias Acádio (língua diplomática e comercial) | |||
| Religião | Religião no Antigo Egito | |||
| Governo | Monarquia absoluta | |||
| Período histórico | Império Médio | |||
| • c. 1725 BC | Fundação | |||
| • c. 1650 BC | Dissolução | |||
A XIV dinastia egípcia do Egito consistiu em uma série de governantes que reinaram na região do Delta do Nilo durante o Segundo Período Intermediário.
Sua duração variou entre 75 anos (c. 1725–1650 a.C.) e 155 anos (c. 1805–1650 a.C.), dependendo do especialista. Segundo o historiador egípcio Manetão, a capital da dinastia era Xois (atual Sakha), situada na parte central do Delta; contudo, Kim Ryholt e outros historiadores acreditam que a capital provavelmente fosse Ávaris. A 14ª Dinastia foi mais uma dinastia egípcia a coexistir com a 13ª Dinastia, sediada em Tebas. Os governantes egípcios da 14ª Dinastia estão registrados e comprovados no antigo Cânone Real de Turim. Por outro lado, uma lista adicional, proposta por Kim Ryholt,[1] de vassalos ou governantes cuja classificação é debatida identifica indivíduos de ascendência cananeia (semítica), com base na origem estrangeira dos nomes de alguns desses governantes e príncipes, como Ipqu (termo semítico ocidental para "graça"), Yakbim ("ia-ak-bi-im", um nome amorreu), Qareh (semítico ocidental para "o careca") ou Yaqub-Har. Também há registro de nomes associados à Núbia em dois casos: o rei Neesi ("O Núbio") e a rainha Tati. Isso provavelmente marca o início do controle e da dominação dos hicsos sobre a região oriental do Delta.[2]
Cronologia
A 14ª Dinastia é comumente agrupada com as dinastias 13ª, 15ª, 16ª e 17ª no chamado Segundo Período Intermediário. Menos frequentemente, a 14ª Dinastia é incluída no período do Império Médio do Egito juntamente com as dinastias 11ª, 12ª e 13ª, embora a 14ª Dinastia apresente uma sobreposição, pelo menos parcial, com a 13ª e/ou a 15ª Dinastia.[1]
Existem lacunas significativas no conhecimento sobre a 14ª Dinastia, de modo que sua posição cronológica absoluta é objeto de debate, podendo variar em até 75 anos entre os especialistas. O egiptólogo Kim Ryholt propõe que a 14ª Dinastia surgiu no final da 12ª Dinastia, por volta de 1805 a.C., durante ou logo após o reinado de Neferusebeque. Ele sustenta que imigrantes cananeus, infiltrados na região oriental do Delta, declararam independência e repeliram possíveis tentativas dos reis da 13ª Dinastia (sediados em Mênfis) de retomar o controle do Delta. Segundo Ryholt, a 14ª Dinastia perdurou de cerca de 1805 a.C. até sua queda diante da 15ª Dinastia (hicsos), por volta de 1650 a.C., totalizando aproximadamente 155 anos de existência.
Essa hipótese não é compartilhada por alguns egiptólogos, como Manfred Bietak, Daphna Ben Tor e James e Susan Allen, que argumentam que a 14ª Dinastia não poderia ter surgido antes de meados da 13ª Dinastia, por volta de 1720 a.C., após o reinado de Sebecotepe IV. Eles argumentam, em particular, que as evidências provenientes dos estratos onde foram descobertos selos da 14ª Dinastia estabelecem de forma conclusiva que essa dinastia foi contemporânea à 13ª apenas durante o último meio século de existência desta última, ou seja, após cerca de 1700 a.C.[3] Além disso, Manfred Bietak datou as inscrições e monumentos de Nehesy, possivelmente o segundo governante da 14ª Dinastia, também para o período em torno de 1700 a.C. Após o reinado muito breve de Nehesy, a maioria dos estudiosos, incluindo Manfred Bietak e Kim Ryholt, concorda que a região do Delta foi assolada por uma fome prolongada e, talvez, por uma epidemia que perdurou até o final da 13ª Dinastia. Essa mesma fome pode ter afetado a 13ª Dinastia, que também apresentou instabilidade e numerosos reis de reinados efêmeros em seus últimos 50 anos de existência, de cerca de 1700 a.C. até 1650 a.C. O estado de enfraquecimento de ambos os reinos pode explicar, em parte, por que eles sucumbiram rapidamente ao poder emergente dos hicsos por volta de 1650 a.C.[4]
Segundo Manetão, atribui-se à 14ª Dinastia até 76 reis que teriam governado a partir de Xois, e não de Avaris. No entanto, o egiptólogo Kim Ryholt observa que o Cânone de Turim menciona apenas cerca de 56 reis e não dispõe de espaço suficiente para ter registrado mais de 70. Ryholt também aponta para escavações em Avaris que revelaram a existência de um grande palácio real datado do Segundo Período Intermediário. Um de seus pátios abrigava uma estátua de um rei ou de um alto funcionário — com dimensões superiores ao dobro do tamanho natural e apresentando características não egípcias. Por essas razões, Ryholt e a maioria dos egiptólogos compartilham a opinião de que Avaris, e não Xois, era a sede de poder da 14ª Dinastia.[1]
Referências
- 1 2 3 Ryholt, Kim (1997). The Political Situation in Egypt during the Second Intermediate Period. [S.l.]: Museum Tusculanum Press. ISBN 978-8772894218
- ↑ Ilin-Tomich, Alexander (2016). «Second Intermediate Period». UCLA Encyclopedia of Egyptology. 3 páginas
- ↑ Bourriau, Janine (2000). «The Second Intermediate Period (c.1650-1550 BC)». The Oxford History of Ancient Egypt: 192 & 194
- ↑ Ryholt, Kim (1999). «The Political Situation in Egypt during the Second Intermediate Period c. 1800-1550». Basor (315): 47-73. doi:10.2307/1357532
| Precedido por XIII dinastia |
Dinastias faraónicas |
Sucedido por XV dinastia |

