BETA SAÚDE
Transtorno do processamento auditivo central
Texto da Wikipédia (pt), licença CC BY-SA. O BETARUBI mostra o verbete inteiro nesta página — a leitura não continua fora do site.
| Transtorno do processamento auditivo central | |
|---|---|
| Especialidade | neurologia, audiologia |
| Classificação e recursos externos | |
| MeSH | D001308 |
Transtorno do processamento auditivo central (TPAC) é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta como o cérebro processa e interpreta os sons. Diferente de uma perda auditiva, indivíduos com TPAC têm a estrutura e a função normais da orelha, mas não conseguem processar as informações auditivas da mesma forma que outras pessoas, levando a dificuldades em reconhecer e interpretar sons. Acredita-se que essas dificuldades surjam devido a disfunções no sistema nervoso central.[1][2][3][4]
O sistema nervoso central é responsável por integrar e interpretar as informações que chegam por meio dos sentidos, e por responder a essas informações. [5] Esse processo ocorre com todos os sentidos, incluindo a audição, a qual realiza esse processo por meio do processamento auditivo central (PAC), que responde as informações recebidas por meio das orelhas.
O processamento auditivo central (PAC) é responsável por processar, interpretar e formular uma resposta a informação auditiva recebida pelo indivíduo. [3] O transtorno do processamento auditivo central (TPAC), ocorre quando há alteração nessa habilidade causando dificuldade na interpretação de sons, especialmente nos sons da fala, mesmo na presença de audição periférica dentro dos padrões da normalidade. [6] Indivíduos com TPAC podem apresentar dificuldades para compreender fala em ambientes ruidosos, localizar sons, discriminar estímulos auditivos e acompanhar instruções verbais complexas. [7]
O TPAC pode ter origem desenvolvimental, por atrasos na maturação do sistema auditivo, ou adquirida.[8] A privação sensorial por dores de ouvido (otites), a prematuridade, o baixo peso ao nascer e condições como traumatismos cranianos, tumores e lesões degenerativas; são fatores de risco que podem levar ao TPAC.[9][10] Isso pode acarretar em problemas nas funções auditivas de: localização e lateralização sonora (veja também condição binaural); discriminação auditiva; reconhecimento de padrões auditivos; aspectos temporais da audição, como integração temporal, discriminação temporal (por exemplo, detecção de intervalos temporais), ordenação temporal e mascaramento temporal; desempenho auditivo em sinais acústicos concorrentes (incluindo audição dicótica); e desempenho auditivo com sinais acústicos degradados.[8]
A Academia Americana de Audiologia observa que o TPAC é diagnosticado com base em dificuldades em um ou mais processamentos auditivos que refletem a função do sistema nervoso auditivo central. Ele pode afetar tanto crianças quanto adultos. Embora a prevalência exata seja atualmente desconhecida, estima-se que o transtorno impacte entre 2% e 7% das crianças nas populações dos EUA e do Reino Unido. Os homens têm o dobro de chance de serem afetados pelo transtorno em comparação com as mulheres.[11]
O Comitê de Profissionais Médicos do Reino Unido, que coordena o Programa de Pesquisa do Transtorno do Processamento Auditivo, desenvolveu uma definição funcional para o transtorno como resultante de uma função neural prejudicada, sendo caracterizado por deficiência no reconhecimento, discriminação, separação, agrupamento, localização ou ordenação de sons da fala. Não resulta apenas de um déficit na atenção geral, linguagem ou outros processos cognitivos.
Em 2005, a American Speech–Language–Hearing Association (ASHA) publicou "Transtornos do Processamento Auditivo Central" onde define formalmente o Transtorno do Processamento Auditivo Central (TPAC) como uma dificuldade na eficiência e na eficácia com que o sistema nervoso central (SNC) utiliza as informações auditivas.[12] A Academia Americana de Audiologia também lançou diretrizes mais atuais sobre a prática relacionada a esse transtorno.
Em 2018, a British Society of Audiology publicou um comunicado de posição e orientação prática sobre o transtorno do processamento auditivo e atualizou sua definição de TPAC. Segundo a sociedade, o TPAC refere-se à incapacidade de processar sons da fala e sons não relacionados à fala.[13]
Sinais e sintomas
Indivíduos com esse transtorno podem apresentar os seguintes sinais e sintomas:
- Falar mais alto ou mais baixo do que seria apropriado para a situação;
- Dificuldade em lembrar listas ou sequências;
- Necessidade de que palavras ou frases sejam repetidas;
- Capacidade prejudicada de memorizar informações aprendidas por meio da escuta;
- Interpretar as palavras de forma muito literal;
- Necessidade de ajuda para ouvir claramente em ambientes barulhentos;
- Dependência de estratégias de acomodação e modificação;
- Procurar ou pedir um espaço de trabalho silencioso, longe de outras pessoas;
- Solicitar material escrito ao participar de apresentações orais;
- Pedir que as instruções sejam dadas passo a passo;[14]
- Dificuldade nos mecanismos de atenção auditiva;[14]
- Aumento do tempo para responder aos sons.[14]
Esses sinais podem variar de pessoa para pessoa, dependendo da gravidade do transtorno.[14]
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é realizado por meio de avaliação audiológica especializada, composta por testes comportamentais e eletrofisiológicos que investigam habilidades auditivas centrais, como figura-fundo auditiva, memória auditiva e ordenação temporal. [15] O transtorno pode estar associado a dificuldades escolares, alterações de linguagem e prejuízos no desempenho acadêmico, especialmente em atividades que envolvem a atenção e a compreensão auditiva. [16] Por isso, o diagnóstico deve ser feito a partir dos sete anos de idade, quando o sistema auditivo já tem maturidade suficiente para passar por esses testes.[14]
A intervenção, feita por fonoaudiólogos, pode incluir: treinamento auditivo, estratégias compensatórias e orientações direcionadas à família e à escola, com o objetivo de favorecer o processamento das informações sonoras e a funcionalidade comunicativa. [17]
O profissional legalmente habilitado e responsável por atuar na prevenção, avaliação e reabilitação de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Processamento Auditivo Central é o fonoaudiólogo. [18] No entanto, o diagnóstico deve ser multidisciplinar, ou seja, realizado em conjunto por profissionais de diferentes áreas.[14] Esses profissionais são: médicos neurologistas, fonoaudiólogos e psicólogos.
Referências
- ↑ Albuquerque, Isabelle Canevari de; Brocchi, Beatriz Servilha (7 de julho de 2023). «Roteiro de avaliação auditiva e do processamento auditivo central para pré-escolares». CoDAS: e20210122. ISSN 2317-1782. doi:10.1590/2317-1782/20232021122pt. Consultado em 10 de setembro de 2024. Cópia arquivada em 18 de janeiro de 2025
- ↑ Jerger, J., & Musiek, F. (2000). Report of the Consensus Conference on the Diagnosis of Auditory Processing Disorders in School-Aged Children. Journal of the American Academy of Audiology, 11(9), 467–474.
- 1 2 «Central Auditory Processing Disorder». American Speech-Language-Hearing Association (em inglês). Consultado em 14 de setembro de 2024. Cópia arquivada em 7 de março de 2026
- ↑ Albuquerque, Isabelle Canevari de; Brocchi, Beatriz Servilha (2023). «Roteiro de avaliação auditiva e do processamento auditivo central para pré-escolares». CoDAS (3). ISSN 2317-1782. doi:10.1590/2317-1782/20232021122pt. Consultado em 14 de setembro de 2024
- ↑ THAU, L.; SINGH, P.; REDDY, V. Anatomy, Central Nervous System. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK542179/>.
- ↑ «American Speech-Language-Hearing Association | ASHA». American Speech-Language-Hearing Association (em inglês). Consultado em 23 de maio de 2026. Cópia arquivada em 17 de maio de 2026
- ↑ Alonso, Renata. «Avaliação eletrofisiológica e comportamental do processamento auditivo (central) e treinamento auditivo em indivíduos idosos»
- 1 2 Aristidou, Isaac L.; Hohman, Marc H. (2026). «Central Auditory Processing Disorder». Treasure Island (FL): StatPearls Publishing. PMID 36508531. Cópia arquivada em 15 de novembro de 2025
- ↑ FILIPPINI, R. et al. Manutenção das habilidades auditivas pós treinamento auditivo. Audiology - Communication Research, v. 19, n. 2, p. 112–116, abr. 2014.
- ↑ MUSIEK, F. E. et al. Guidelines for the Diagnosis, Treatment and Management of Children and Adults with Central Auditory Processing Disorder. [s.d.].
- ↑ «CAPD Guidelines» (PDF). Consultado em 10 de setembro de 2024. Cópia arquivada (PDF) em 28 de abril de 2026
- ↑ «Central Auditory Processing Disorder». American Speech-Language-Hearing Association (em inglês). Consultado em 19 de abril de 2026. Cópia arquivada em 7 de março de 2026
- ↑ MOORE, D. R.; CAMPBELL, N. G. Position Statement and Practice Guidance Auditory Processing Disorder (APD). Disponível em: <www.thebsa.org.uk/wp-content/uploads/2023/10/Position-Statement-and-Practice-Guidance-APD-2018.pdf>. Acesso em: 18 abr. 2026.
- 1 2 3 4 5 6 MENDES-CIVITELLA , M. et al. Guia de Orientação Avaliação e Intervenção no Processamento Auditivo Central. Disponível em: <www.fonoaudiologia.org.br/wp-content/uploads/2020/10/CFFa_Guia_Orientacao_Avaliacao_Intervencao_PAC.pdf>. Acesso em: 18 abr. 2026.
- ↑ Chermak, Gail D.; Musiek, Frank E. (1 de agosto de 2011). «Neurological Substrate of Central Auditory Processing Deficits in Children». Current Pediatric Reviews. 7 (3): 241–251. ISSN 1573-3963. doi:10.2174/157339611796548393
- ↑ Shive, Terri; Bellis, Teri James. «(Central) Auditory Processing Disorders». Routledge. ISBN 978-0-203-84800-5
- ↑ «American Speech-Language-Hearing Association | ASHA». American Speech-Language-Hearing Association (em inglês). Consultado em 23 de maio de 2026. Cópia arquivada em 17 de maio de 2026
- ↑ «LEI Nº 6.965, DE 09 DE DEZEMBRO DE 1981». Jusbrasil. Consultado em 18 de abril de 2026. Cópia arquivada em 21 de maio de 2009

