Saúde
Tom Zé
Texto da Wikipédia (pt), licença CC BY-SA. O BETARUBI mostra o verbete inteiro nesta página — a leitura não continua fora do site.
| Tom Zé | |
|---|---|
Tom Zé em meados de 2019. | |
| Nome completo | Antônio José Santana Martins |
| Pseudônimo(s) | Tom Zé |
| Nascimento | |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Educação | |
| Ocupação | |
| Carreira musical | |
| Período musical | 1964—presente |
| Gênero(s) | |
| Gravadora(s) | |
| Website | tomze |
Antônio José Santana Martins, conhecido como Tom Zé (Irará, 11 de outubro de 1936), é um compositor, cantor e poeta brasileiro.[1][2][3]
É considerado uma das figuras mais originais da música popular brasileira, com seu estilo irreverente e experimental de composição musical. Participou do movimento tropicalista durante os anos 1960, se consolidando como uma voz alternativa influente no cenário musical brasileiro.
Em 2022, passou a ocupar uma cadeira na Academia Paulista de Letras.[4]
Biografia
Nascimento e infância
Antônio José Santana Martins nasceu em 11 de outubro de 1936, na cidade de Irará, Bahia. Sua família era abastada, com os ganhos provenientes de um bilhete premiado de loteria.[5]
Tom Zé passou sua infância no sertão baiano, em sua cidade natal. Na adolescência, passou a se interessar por música e aprender a tocar violão.
Sua primeira composição foi uma música chamada "Os Doidos de Irará", que relatava sobre personagens caricatos da cidade. A música foi tocada por uma banda local durante uma festa na cidade, sem que Tom Zé soubesse.[5]
Nessa época, também se apresentou em programas de calouros de televisão. Se tornou diretor musical do Centro Popular de Cultura, gerido pelo Partido Comunista Brasileiro.[6]
Em 1964, se matriculou na Escola de Música da Universidade Federal da Bahia e teve aulas com professores como Hans-Joachim Koellreutter, Ernst Widmer e Walter Smetak.[6][7] Se tornou bolsista, depois que o Centro Popular de Cultura foi perseguido pela ditadura militar. Na faculdade, Tom Zé passou a tocar violoncelo.
Em 1965, se apresentou no espetáculo Arena canta Bahia, musical dirigido por Augusto Boal em São Paulo, com a participação de outros músicos baianos, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethânia.
Carreira musical
Em 1968, convidado por Caetano Veloso, Tom Zé decide ir para São Paulo para fazer parte do movimento tropicalista. Em São Paulo, Tom Zé participou do álbum Tropicália ou Panis et Circensis. No mesmo ano, leva o primeiro lugar no IV Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record, com a canção "São Paulo, Meu Amor".
Ainda em 1968, Tom Zé lança seu primeiro álbum, Grande Liquidação. Nesse álbum, carregava fortes traços tropicalistas em suas canções. Nessa época, compôs diversas músicas junto com outros artistas, como a canção "2001", em parceria com Rita Lee. Com o fim do movimento tropicalista, Tom Zé passou a fazer shows em ambientes menores, principalmente associados ao movimento estudantil.[6]

Durante a década de 1970, lançou alguns álbuns como Todos os Olhos (1973) e Estudando o Samba (1976), que fizeram sucesso entre a crítica, tendo sido elogiado pela sua inventividade e criatividade, com o som experimental dos álbuns. Tom Zé passou a utilizar objetos não-convencionais para suas gravações, como uma enceradeira industrial.[5]
Com o fracasso comercial de seus álbuns, Tom Zé decide, no final da década de 1980, se mudar de volta para a Bahia, onde trabalharia como gerente no posto de gasolina de um primo, enquanto sua esposa seria realocada, por ser funcionária pública.[8] Antes de realizar a mudança, foi "descoberto" por David Byrne, ex-membro da banda Talking Heads, em uma visita ao Rio de Janeiro, que tinha a intenção de lançar Tom em seu selo Luaka Bop. Com o auxílio de Byrne, Tom Zé retomou sua carreira musical e fez uma turnê pela Europa.[5][6]
Na década de 1990, Tom Zé passou a ser reconhecido mundialmente, por conta de suas turnês pelos Estados Unidos e Europa. Em 1998, seu álbum Com Defeito de Fabricação foi eleito como um dos dez melhores álbuns do ano pelo The New York Times.[9] Compôs a trilha sonora do espetáculo de balé "Parabelo", que estreou em 1997, pelo Grupo Corpo.[10]
Em 2006, foi lançado o filme Fabricando Tom Zé, documentário dirigido por Décio Matos Jr., sobre a vida e obra do músico.[11]
Em 2013, lançou o álbum Tribunal do Feicebuqui, com parcerias com Emicida, Tim Bernardes e Tatá Aeroplano. O álbum foi criado em resposta à repercussão de sua participação como locutor em um comercial para a Coca-Cola.[12]
Em 2019, foi publicada a biografia "Tom Zé: o último tropicalista", escrita pelo italiano Pietro Scaramuzzo. Em 2026, foi publicada a biografia "Stray Dog in the Milky Way", escrita pelo americano Christopher Dunn, lançada no Brasil sob o nome "Vira lata na Via Láctea", mesmo nome do álbum de Tom Zé lançado em 2014.[13][14]
Vida pessoal
Tom Zé é casado com a jornalista e produtora Neusa Martins desde 1970. O casal se conheceu no final dos anos 1960, quando Neusa foi escolhida para entrevistar Tom.[15]
Tom Zé é torcedor fanático do Corinthians. Em 1990, fez uma música em homenagem ao jogador Neto, o Xodó da Fiel, em alusão à sua não convocação para a Seleção Brasileira que disputaria a Copa do Mundo de 1990.[16]
Discografia
Álbuns de estúdio
- Tom Zé (Grande Liquidação) (1968)
- Tom Zé (1970)
- Tom Zé (Se o Caso é Chorar) (1972)
- Todos os Olhos (1973)
- Estudando o Samba (1976)
- Correio da Estação do Brás (1978)
- Nave Maria (1984)
- The Hips of Tradition (1992)
- Parabelo (com José Miguel Wisnik) (1997)
- No Jardim da Política (1998)
- Com Defeito de Fabricação (1998)
- Jogos de Armar (Faça Você Mesmo) (2000)
- Santagustin (2002)
- Imprensa Cantada (2003)
- Jogos de Armar (2003)
- Estudando o Pagode (2005)
- Danç-Êh-Sá - Pós-Canção/Dança dos Herdeiros do Sacrifício / 7 Caymianas para o Fim da Canção (2006)
- Estudando a Bossa (2008)
- Tropicália Lixo Lógico (2012)
- Tribunal do Feicebuqui (2013)
- Vira Lata na Via Láctea (2014)
- Canções Eróticas de Ninar (2016)
- Sem Você Não A (2017)
- Língua Brasileira (2022)[17]
Ao Vivo
- Cantando com a Plateia (com Gereba) (1990)
- O Pirulito da Ciência (2010)
Coletâneas
- The Best of Tom Zé (1990)
- Tom Zé (1994)
- 20 preferidas (2002)
- Explaining Things So I Can Confuse You (2010)
Bibliografia
- Pietro Scaramuzzo, Tom Zé. O último tropicalista, Prefácio de David Byrne, Add Editore, São Paulo 2020, ISBN 658611120X
- ZÉ, Tom. Tropicalista lenta luta. São Paulo: Publifolha, 2003.
- MORAIS JUNIOR, Luis Carlos de. O Sol nasceu pra todos:a História Secreta do Samba. Rio de Janeiro: Litteris, 2011.
Ver também
Referências
- ↑ «Tom Zé, um artista que se imola e devora as críticas - Cultura - Estadão». Estadão
- ↑ «Biografia no Cravo Albin». dicionariompb.com.br. Consultado em 24 de janeiro de 2014. Cópia arquivada em 23 de agosto de 2019
- ↑ «Tom Zé». upf.br. Consultado em 24 de janeiro de 2014. Cópia arquivada em 3 de março de 2016
- ↑ «Tom Zé é eleito para a Academia Paulista de Letras». Folha de S.Paulo. Ilustrada. 28 de setembro de 2022. Consultado em 29 de setembro de 2022. Cópia arquivada em 18 de novembro de 2025
- 1 2 3 4 Provoca. Entrevista com Tom Zé, 19/07/2022.
- 1 2 3 4 Entrevista com Tom Zé | Drauzio Entrevista | 2017.
- ↑ «Tom Zé». Editora Cobogó. Consultado em 12 de maio de 2026. Cópia arquivada em 10 de março de 2026
- ↑ Roda Viva - Tom Zé. TV Cultura. 6 de maio de 2013. Consultado em 21 de maio de 2026. Cópia arquivada em 25 de janeiro de 2024
- ↑ Bonacorci, Ricardo (2 de março de 2018). «Músicas: Com Defeito de Fabricação - O maluco álbum de Tom Zé». bonashistorias. Consultado em 12 de maio de 2026. Cópia arquivada em 13 de novembro de 2025
- ↑ «Grupo Corpo faz temporada popular de '21' e 'Parabelo' em Belo Horizonte». G1. 25 de novembro de 2018. Consultado em 12 de maio de 2026. Cópia arquivada em 26 de novembro de 2018
- ↑ «Fabricando Tom Zé – Muiraquitã Filmes». muiraquitafilmes.com. Consultado em 13 de maio de 2026. Cópia arquivada em 8 de março de 2026
- ↑ Rodrigues, Bruce (22 de fevereiro de 2021). «TMDQA! Entrevista: "Tribunal do Feicebuqui", de Tom Zé, finalmente chega às plataformas digitais». TMDQA!. Consultado em 12 de maio de 2026. Cópia arquivada em 27 de abril de 2025
- ↑ «À beira dos 90 anos e em atividade, Tom Zé admite: 'Não tenho queixa de nada'». O Globo. 7 de maio de 2026. Consultado em 12 de maio de 2026
- ↑ «Tom Zé: explicar para confundir, confundir para esclarecer». O Globo. 12 de setembro de 2016. Cópia arquivada em 16 de abril de 2025
- ↑ «Ao lado do gênio: como Neusa Martins se tornou o anjo da guarda de Tom Zé». musica.uol.com.br. Consultado em 12 de maio de 2026. Cópia arquivada em 9 de dezembro de 2025
- ↑ PIOVAN, Marco. Corinthians - 100 Anos de Paixão. São Paulo: Magma Cultural, 2010.
- ↑ Dunn, Christopher (17 de junho de 2025). «Língua Brasileira: Tom Zé como intérprete do Brasil». Nau Literária (1): 69–84. ISSN 1981-4526. doi:10.22456/1981-4526.144233. Consultado em 3 de janeiro de 2026
