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The Wonderful World of Antonio Carlos Jobim
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| The Wonderful World of Antônio Carlos Jobim | ||||
|---|---|---|---|---|
| Álbum de estúdio de | ||||
| Lançamento | 1965 | |||
| Gravação | agosto de 1965[1] | |||
| Gênero | Bossa nova | |||
| Duração | 29:11 | |||
| Gravadora | Warner Bros. | |||
| Produção | Jimmy Hilliard | |||
| Cronologia de Antônio Carlos Jobim | ||||
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The Wonderful World of Antônio Carlos Jobim é um álbum de estúdio de Antônio Carlos Jobim, com arranjos de Nelson Riddle, lançado em 1965.[2] É o primeiro de dois discos que Jobim gravou pela Warner Bros. — sendo o segundo A Certain Mr. Jobim, de 1967) —, e seu segundo long-play solo.[1] No Brasil, o álbum foi lançado pela gravadora Elenco com o título Antonio Carlos Jobim com Nelson Riddle e sua orquestra.[2] Ficou em 57º lugar na parada de fim de ano da Billboard 200 em 1965.[3][4]
Gravação
The Wonderful World of Antonio Carlos Jobim foi gravado em Los Angeles, em agosto de 1965, após Jobim assinar contrato de exclusividade com a Warner Bros. para a gravação de dois discos.[1][5] Jobim realizaria o sonho de trabalhar com Nelson Riddle — o arranjador de Frank Sinatra, Nat King Cole e Ella Fitzgerald.[1][6] Os dois trabalhavam os arranjos em encontros na casa de Jobim, na Norma Place, nº 8986, que servia de ponto de encontro para músicos brasileiros que trabalhavam em Los Angeles na época, e também em encontros na casa de Riddle.[1][5] Durante o período de preparação, Riddle vivia um drama familiar: um de seus filhos havia sofrido um acidente de automóvel e estava em estado grave. Na opinião de Sérgio Cabral, a situação teria impedido o maestro de se dedicar plenamente aos arranjos.[1][5]
O disco marcou a estreia de Jobim como cantor de disco. Ao revelar sua insegurança diante do desafio, Jobim contou: "Tive de gravar cantando e tocando piano ou violão. Fiquei apavorado", acrescentando que "esse negócio de cantar, tocar violão e sair tudo perfeito é com João Gilberto".[1] Astrud Gilberto, com quem Jobim trabalhava na época, o ajudou ensinando exercícios vocais indicados pelo médico e fonoaudiólogo Pedro Bloch a João Gilberto.[1] As gravações foram realizadas ao vivo, com a orquestra regida por Riddle.[7] Jobim tocou piano e violão; quatro faixas foram cantadas em inglês e as demais em português.[1][7]
A única exigência de Jobim para a gravação foi a presença de um baterista brasileiro, preferencialmente Dom Um Romão. Na época, Dom Um trabalhava em Nova York com Astrud Gilberto e precisou voar para Los Angeles nas folgas disponíveis, em duas ocasiões, para gravar o disco em etapas.[1][7]
O álbum foi lançado nos Estados Unidos em 1965 pela Warner Bros. No Brasil, foi editado pela gravadora Elenco sob o título Antonio Carlos Jobim com Nelson Riddle e sua orquestra, com supervisão de Aloysio de Oliveira.[2] A perspectiva desse lançamento também no Brasil moldou em parte a escolha do repertório, que incluiu faixas cantadas em português e em inglês. Diferentemente do álbum anterior, o disco tinha caráter predominantemente cancional e mirava um público mais amplo do que o da música instrumental; a passagem de Jobim de um selo pequeno para uma grande gravadora gerou grandes expectativas comerciais e teria influenciado o formato do LP.[8]
Apenas duas faixas eram inéditas: Surfboard foi uma composição instrumental que Jobim escreveu após comprar uma prancha de surfe em Malibu para o filho Paulo, e que o lembrava do tempo de "pegar jacaré" em Ipanema.[9] Bonita foi inspirada em Candice Bergen, que o compositor conhecera durante uma viagem de avião[1][2]. Ambas seriam regravadas em A Certain Mr. Jobim, com arranjos de Claus Ogerman.
A Valsa de Porto das Caixas havia sido composta anteriormente como um dos temas no filme Porto das Caixas de Paulo César Saraceni, para o qual Jobim compusera a trilha sonora.[10]
Faixas
| Lado 1 (Face A) | |||||
|---|---|---|---|---|---|
| N.º | Título | Compositor(es) | Título na edição brasileira | Duração | |
| 1. | "She's a Carioca" | Jobim, Vinicius de Moraes, Ray Gilbert | Ela é carioca | 2:38 | |
| 2. | "Aqua de Beber" | Jobim, Vinicius de Moraes, Norman Gimbel | Água de beber | 2:29 | |
| 3. | "Surfboard" | Jobim | Surf board | 2:24 | |
| 4. | "Useless Landscape" | Jobim, Aloísio de Oliveira, Ray Gilbert | Useless landscape | 2:18 | |
| 5. | "Só Tinha de Ser Com Você" | Jobim; Oliveira | Só tinha de ser com você | 2:29 | |
| 6. | "A Felicidade" | Jobim; Moraes | A felicidade | 2:07 | |
| Lado 2 (Face B) | |||||
|---|---|---|---|---|---|
| N.º | Título | Compositor(es) | Título na edição brasileira | Duração | |
| 1. | "Bonita" | Jobim; Ray Gilbert; Gene Lees [en] | 2:09 | ||
| 2. | "Favela" | Jobim; Vinicius de Moraes | O morro não tem vez | 2:37 | |
| 3. | "Valsa de Pôrto das Caixas" | Jobim | Valsa do Pôrto das Caixas | 3:22 | |
| 4. | "Samba do Aviao" | Jobim | Samba do avião | 2:13 | |
| 5. | "Por Tôda a Minha Vida" | Jobim; Moraes | Por tôda minha vida | 1:51 | |
| 6. | "Dindi" | Jobim; Gilbert; Aloísio de Oliveira | Dindi | 2:35 | |
Recepção
| Críticas profissionais | |
|---|---|
| Avaliações da crítica | |
| Fonte | Avaliação |
| AllMusic | |
O próprio Jobim não ficou plenamente satisfeito com o resultado do disco. Ele diria ao jornalista João Máximo que Riddle "não sentiu minha música como Claus Ogerman. Não entendeu bem aquela suavidade, aquela economia que sempre foi a minha proposta para a música orquestral". Vinicius de Moraes, ao ouvir as gravações, concordou que Riddle não era o arranjador ideal para Jobim.[1] As músicas Bonita e Surfboard seriam regravadas no álbum seguinte, A Certain Mr. Jobim (1967), com arranjos de Claus Ogerman. Segundo Jobim, na primeira gravação ele não havia gostado de sua própria voz em Bonita e via problemas de ritmo em Surfboard. A versão de 1967 tornou-se a referência para gravações posteriores de Bonita.[5][11]
No Brasil, a recepção ao disco foi mista. Uma resenha publicada no Diário da Manhã por volta de 1965 argumentava que o álbum "só se justifica nos Estados Unidos", onde o prestígio de Jobim era suficiente para que "qualquer coisa sua é aceita", mas que no Brasil o público "tem coisa muito melhor" — as próprias músicas de Jobim gravadas "pelos grandes da MPM". O crítico previa que os fãs de música popular moderna comprariam o disco "para guardar como uma relíquia", não pelo desempenho vocal, mas pelo peso do nome do compositor.[8]
O musicólogo Silvio Merhy analisou a faixa "Favela" e observou que os arranjos de Riddle resultaram em "um samba acompanhado por big band", com percussão e metais "pesados" e sem conexão com a letra original.[12] O historiador Fabio Poletto também notou que, em comparação com o álbum anterior, a orquestra exerce um papel mais proeminente, com maior número de instrumentos, combinações timbrísticas mais densas e momentos em tutti mais frequentes, nos quais se sobressaem as cordas, as trompas e os trombones. Para Poletto, a escolha de Riddle como arranjador foi um "lance crucial" no esforço de adaptar as obras de Jobim ao mercado cancional americano.[8]
O biógrafo de Nelson Riddle, Peter Levinson, descreveu o álbum como "o mais belo que Nelson arranjou em toda a sua carreira", destacando "a ternura e a sensualidade que predominaram ao longo dessa gravação" e a forma como os arranjos — com uma mistura de flautas, trombones e cordas — revelavam o quanto os dois eram "almas gêmeas". Segundo Levinson, "os vocais e o violão de Jobim, em português e com forte sotaque inglês, combinavam perfeitamente com os arranjos de Nelson".[13]
John Bush, em uma resenha da AllMusic, foi mais crítico. Para ele, o que prometia ser uma excelente colaboração entre dois talentos tão distintos acabou por produzir resultados mais insípidos do que o esperado: os arranjos de Riddle eram "surpreendentemente comedidos" — uma decepção para quem "havia elevado o patamar da arte do arranjo" ao lado de Frank Sinatra — e a Warner parecia querer posicionar Jobim como um astro pop. Bush reconheceu que a voz de Jobim era a de um compositor, e que o que lhe faltava em qualidade e potência tonal era compensado com a sutileza da interpretação, sobretudo nas faixas de caráter contemplativo como Dindi e A Felicidade. Elogiou também a leveza bem-humorada de Surfboard e chamou She's a Carioca de "uma alegre continuação" de Garota de Ipanema.[14]
Ficha técnica
- Antônio Carlos Jobim — piano, violão, voz
- Nelson Riddle — arranjos, regência
- Dom Um Romão — bateria
- Pete Candoli — trompete
- Jimmy Hilliard — produção
- Lowell Frank — engenharia de som
- Stan Cornyn — texto do encarte
- Ed Thrasher — fotografia[2][15][16][17]
Referências
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Cabral, Sérgio (1997). Antonio Carlos Jobim: Uma Biografia. Rio de Janeiro: Lumiar Editora. ISBN 85-85426-42-X
- 1 2 3 4 5 «The wonderful world of Antonio Carlos Jobim». Instituto Antonio Carlos Jobim. Consultado em 13 de março de 2025. Cópia arquivada em 25 de abril de 2024
- ↑ Cabison, Rosalie (2 de janeiro de 2013). «Billboard 200™». Billboard (em inglês). Consultado em 13 de março de 2025
- ↑ «Antonio Carlos Jobim | Biography, Music & News». Billboard (em inglês). Consultado em 13 de março de 2025. Cópia arquivada em 17 de julho de 2024
- 1 2 3 4 Mendes, Flávio. «Bonita, Tom Jobim». YouTube. O Arranjo. Consultado em 1 de maio de 2025
- ↑ «Nelson Riddle | Jazz Arranger, Composer, Bandleader | Britannica». Encyclopædia Britannica (em inglês). Consultado em 13 de março de 2025. Cópia arquivada em 23 de fevereiro de 2025
- 1 2 3 Mendes, Flávio. «A Felicidade». YouTube. O Arranjo. Consultado em 1 de maio de 2025. Cópia arquivada em 28 de julho de 2024
- 1 2 3 Poletto, Fabio Guilherme (2011). Saudade do Brasil: Tom Jobim na cena musical brasileira (1963–1976) (Tese de Doutorado). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo. doi:10.11606/T.8.2011.tde-27052011-164629
- ↑ Jobim, Helena (1996). Antonio Carlos Jobim: um homem iluminado. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. ISBN 85-209-0684-2
- ↑ Poletto, Fabio Guilherme; Silva, Marllon Eduardo Martins (2022). «A música de Antonio Carlos Jobim para o filme Porto das Caixas». Opus. 28: 1-22. doi:10.20504/opus2022.28.20
- ↑ Rezende, Gabriel S. S. Lima; Santos, Rafael dos (dezembro de 2014). «"Bonita" natureza e romantismo, forma e canção em Tom Jobim». Instituto de Estudos Brasileiros. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros (59): 97–128. ISSN 0020-3874. doi:10.11606/issn.2316-901X.v0i59p97-128
- ↑ Merhy, Silvio Augusto (julho de 2010). «Letra, melodia, arranjo: componentes em tensão em O morro não tem vez de Antonio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes». Escola de Música da UFMG. Per Musi (22): 90–98. ISSN 1517-7599. doi:10.1590/S1517-75992010000200008
- ↑ Levinson, Peter J. (2005). September in the Rain: The Life of Nelson Riddle (em inglês). [S.l.]: Taylor Trade Publications. Cópia arquivada em 5 de janeiro de 2026
- ↑ The Wonderful World of Antonio Carlos Jobim (em inglês), AllMusic, consultado em 13 de março de 2025
- ↑ «THE WONDERFUL WORLD OF ANTÔNIO CARLOS JOBIM - WITH THE NELSON RIDDLE ORCHESTRA». IMMuB. Consultado em 13 de março de 2025. Cópia arquivada em 8 de julho de 2022
- ↑ Kfouri, Maria Luiza Amaral. «The Wonderful World of Antonio Carlos JObim». Discos do Brasil. Consultado em 13 de março de 2025. Cópia arquivada em 13 de março de 2025
- ↑ Antonio Carlos Jobim - The Wonderful World Of Antonio Carlos Jobim, 1965, consultado em 13 de março de 2025, cópia arquivada em 13 de março de 2025
