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The Best of Both Worlds (Star Trek: The Next Generation)
Texto da Wikipédia (pt), licença CC BY-SA. O BETARUBI mostra o verbete inteiro nesta página — a leitura não continua fora do site.
| "The Best of Both Worlds" | |||
|---|---|---|---|
| 26.º & 1.º episódios das 3.ª & 4.ª temporadas de Star Trek: The Next Generation | |||
Picard transformado em Locutus dos Borg | |||
| Informação geral | |||
| Direção | Cliff Bole | ||
| Escrito por | Michael Piller | ||
| Música | Ron Jones | ||
| Cinematografia | Marvin V. Rush | ||
| Edição | John Farrell | ||
| Exibição original | 18 de junho de 1990 (Parte I) 24 de setembro de 1990 (Parte II) | ||
| Duração | 45 minutos (cada parte) | ||
| Convidados | |||
Apenas Parte II
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| Cronologia | |||
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| Star Trek: The Next Generation (3.ª temporada) Star Trek: The Next Generation (4.ª temporada) Lista de episódios | |||
"The Best of Both Worlds"[nota 1] é um episódio em duas partes, o último da terceira temporada e o primeiro da quarta, da série de ficção científica estadunidense Star Trek: The Next Generation. São o 74º e 75º episódios gerais da série e foram exibidos pela primeira vez nos Estados Unidos por redifusão em 18 de junho e 24 de setembro de 1990. Ambas as partes foram escritas por Michael Piller e dirigidas por Cliff Bole. The Next Generation se passa no século XXIV e acompanha as aventuras da tripulação da USS Enterprise-D. Neste episódio, os Borg iniciam uma invasão para conquistarem a Terra.
A história foi concebida como um meio de trazer os Borg de volta após sua estreia em "Q Who", na segunda temporada, com Piller usando suas experiências pessoais de insegurança para escrever o roteiro a partir do ponto de vista do comandante William Riker. A maquiagem dos Borg foi modificada para facilitar e acelerar o processo de aplicação. Os efeitos visuais envolveram a reciclagem de materiais de produções anteriores, bem como a criação de imagens e miniaturas novas exigidas pela história. A música foi composta por Ron Jones, que desenvolveu composições que tinha criado para "Q Who".
"The Best of Both Worlds" foi o primeiro episódio em duas partes da franquia Star Trek desde Star Trek: The Original Series e a primeira vez que uma temporada foi encerrada com um gancho. Houve rumores entre a exibição das duas partes de que o ator Patrick Stewart, intérprete do capitão Jean-Luc Picard, iria deixar a série. Os dois episódios tiveram bons números de audiência, especialmente a segunda parte, sendo aclamados pela crítica especializada como dois dos melhores episódios de The Next Generation e também de Star Trek como um todo. A segunda parte venceu dois Prêmios Emmy do Primetime.
Enredo
Parte I
Uma colônia da Federação dos Planetas Unidos desaparece e os Borg são os principais suspeitos. O almirante J. P. Hanson sobe a bordo da nave estelar USS Enterprise junto com a tenente-comandante Elizabeth Shelby, esta uma especialista nos Borg. Hanson revela ao capitão Jean-Luc Picard que foi oferecido ao comandante William Riker o comando da nave estelar USS Melbourne. Riker já recusou dois comandos anteriormente e sente-se inseguro sobre tornar-se capitão, apesar de ser seu desejo. Enquanto isso, Shelby confirma o envolvimento dos Borg no desaparecimento da colônia e rapidamente entra em conflito com Riker, pois deseja a posição de primeiro oficial dele.[2]
A Enterprise intercepta um Cubo Borg e os Borg exigem a rendição especificamente de Picard. A Enterprise escapa para uma nebulosa próxima, onde o tenente-comandante Geordi La Forge e o alferes Wesley Crusher sugerem adaptar uma ideia de Shelby para usar a antena defletora da Enterprise como um canhão de energia contra o cubo. Os Borg forçam a Enterprise sair da nebulosa e sequestram Picard, partindo em direção da Terra. Uma equipe avançada se infiltra no cubo e descobre que Picard foi assimilado pelos Borg. Estes entram em contato e Picard, se identificando como Lucutus dos Borg, exige a rendição de todos. Riker, no comando da nave, ordena o disparo da antena defletora.[2]
Parte II
O disparo não tem efeito no Cubo Borg, pois Locutus detém todo o conhecimento de Picard. O cubo segue em direção da Terra, deixando a Enterprise incapaz de segui-lo. Riker é promovido a capitão e faz de Shelby temporariamente sua primeira oficial. Os Borg enfrentam e derrotam uma grande frota liderada por Hanson em Wolf 359, destruindo inclusive a Melbourne. A Enterprise consegue interceptar o cubo e Riker, adaptando uma sugestão de Shelby, separa a seção do disco da seção da engenharia. Enquanto as naves se enfrentam, o tenente-comandante Data e o tenente Worf conseguem entrar no cubo e sequestrar Locutus, porém os Borg ignoram isso e continuam em direção da Terra.[3]
Data estabelece uma conexão neural com Locutus a fim de acessar a consciência coletiva dos Borg. Data tenta desativar suas armas e sistemas defensivos, porém não consegue por causa de protocolos de segurança. A consciência de Picard consegue se libertar tempo suficiente para sugerir que Data acesse outra área menos protegida da consciência dos Borg. Data faz isso e consegue emitir um comando para que os Borg entrem no modo de regeneração, o que leva à destruição do cubo. Picard sobrevive e seus implantes e aprimoramentos cibernéticos são removidos. Riker decide permanecer como primeiro oficial da Enterprise e Shelby é designada para ajudar na reconstrução da frota.[3]
Produção
Roteiro
Star Trek: The Next Generation era exibida nos Estados Unidos diretamente por redifusão, significando que diferentes emissoras pelo país exibiam seus episódios em dias, horários e ordens diferentes. Especialmente por este último motivo, a Paramount Television queria evitar narrativas que durassem mais de um episódio. Os produtores da série há muito tentavam fazer a Paramount afrouxar essa posição, com os executivos finalmente cedendo no final da terceira temporada. Isto ocorreu apenas porque a primeira parte seria o último episódio da terceira temporada e a segunda o episódio de estreia da quarta, o que minimizaria problemas de programação para as emissoras locais.[4]

Os roteiristas de The Next Generation conversaram várias vezes sobre a possibilidade de trazerem os Borg de volta desde que estes fizeram sua estreia em "Q Who", da segunda temporada. Entretanto, por conta da mente coletiva da espécie, muitos dos roteiristas os achavam chatos porque não tinham personalidade, assim sempre sugeriam a criação de uma "abelha-rainha" que atuasse como porta-voz para os Borg e fosse uma personagem que os telespectadores poderiam se interessar. Entretanto, o coprodutor executivo Michael Piller achava que a mente coletiva era o que fazia dos Borg únicos e resistiu a essas sugestões, comentando que "para mim existia algo de especial e assustador sobre os Borg que sua falta de personalidade trazia". Mesmo assim, foi Piller quem criou a ideia de um "abelha-rei" na forma do capitão Jean-Luc Picard sendo assimilado pelos Borg, porém em uma versão inicial Picard e o tenente-comandante Data seriam combinados em um único Borg.[5]
Piller na época não estava com um bom relacionamento com a equipe de roteiristas, muitos dos quais deixariam a série ao final da terceira temporada, assim ele decidiu escrever o episódio sozinho sem consultar os outros, passando a história apenas para o roteirista Ira Steven Behr dar suas opiniões.[6] Piller também tinha um contrato de apenas uma temporada e estava considerando se ficava ou não na série, com essa indecisão e insegurança o levando a perceber que estava na mesma posição que o comandante William Riker, algo que o fez escrever o roteiro do ponto de vista deste personagem. A tenente-comandante Elizabeth Shelby foi criada para desafiar Riker e, segundo Piller, "brincar com as emoções de Riker e o conflito sobre aceitar o outro trabalho ou não, e isto constrói em cima da questão se ele é grande o bastante para sentar na cadeira".[5] Segundo Behr, transformar Picard em Borg também explorava sua humanidade e abordava críticas dos fãs de que o personagem era "muito frio".[6]
O roteirista não tinha ideia de como resolver o gancho do final da primeira parte quando escreveu seu roteiro, principalmente porque ele não esperava retornar para a quarta temporada, comentando que "Eu imaginei que seria o problema de outra pessoa!".[7] Desta vez a história foi discutida desde o princípio com a equipe de roteiristas da série.[8] Piller começou escrevendo a segunda parte ainda sem saber como derrotar os Borg, afirmando que "Eu basicamente descobri a solução ao mesmo tempo que os personagens". Foi apenas dois dias antes das filmagens começarem que ele teve a ideia de transformar uma das qualidades dos Borg em uma fraqueza:[9] sua interpendência. Piller considerou que a história da segunda parte não era tão interessante quanto a da primeira, pois precisava "cumprir o que fora prometido" antes e incluir cenas de batalhas, coisas que ele pessoalmente não gostava de escrever.[10] O dilema de Riker continuou na segunda parte na forma de um confronto de "mestre versus pupilo" contra o Picard assimilado.[5]
Filmagens
"The Best of Both Worlds" foi dirigido por Cliff Bole.[10] O elenco convidado teve George Murdock como o almirante J. P. Hanson, que antes tinha interpretado "Deus" em Star Trek V: The Final Frontier.[11] Elizabeth Dennehy interpretou a tenente-comandante Elizabeth Shelby, afirmando que teve grandes dificuldades na primeira parte porque não conhecia nada sobre Star Trek, especialmente os diálogos: "Era como aprender um idioma estrangeiro por fonética"; entretanto, ela achou que foi muito mais fácil na segunda parte.[12] Whoopi Goldberg também apareceu como Guinan.[11] O ator LeVar Burton, intérprete do tenente-comandante Geordi La Forge, precisou fazer uma cirurgia de emergência durante as filmagens da segunda parte, o que fez com que seu papel na resolução da história fosse reescrito para o ator Colm Meaney no papel do chefe Miles O'Brien. Um dublê de corpo foi usado nas cenas em que La Forge está com outros personagens e Burton posteriormente filmou seus diálogos em planos fechados ou em que só ele aparecia.[13]
A experiência da filmagem de "Q Who" influenciou a produção de "The Best of Both Worlds", com os cenários, as maquiagens e figurinos dos Borg sendo alterados de acordo com as lições aprendidas.[5] Para facilitar e acelerar a aplicação da maquiagem, o supervisor de maquiagem Michael Westmore criou uma única prótese de cabeça básica que poderia ser alterada e usada por qualquer ator, enquanto novas aplicações faciais e próteses oculares foram criadas para poderem serem usadas em diferentes combinações. Todos os itens de maquiagem foram pintados antes de serem aplicados, incluindo pequenos implantes que eram colados na pele dos atores.[14] O mestre de objetos de cena Alan Sims criou as próteses de braço que tinham vários elementos e aberturas móveis, com estes sendo controlados pelo próprio Sims atrás das câmeras com um controle remoto.[8]
Westmore considerou a maquiagem para o Picard assimilado na forma de Locutus dos Borg como um dos maiores desafios do episódio. Para a cena em que ele é operado pelos Borg, o ator Patrick Stewart recebeu uma maquiagem para deixá-lo mais pálido "para mostrar sua humanidade sendo gradualmente sugada". Sua maquiagem de Borg incluía uma prótese parcial na cabeça que ia desde seu olho direito até a nuca, na frente da qual ficava um mecanismo de varredura conectado com um servomotor e ligado a baterias com fios que ficavam escondidos dentro da prótese. O figurino limitava bastante os movimentos de Stewart.[15] Michael Wesmore Jr., filho de Westmore, comprou um laser de duzentos dólares e também o montou na prótese.[8] Como um laser assim nunca tinha sido usado na televisão estadunidense, a equipe não sabia ao certo como filmá-lo, com o diretor de fotografia Marvin V. Rush usando fumaça para destacar o feixe. Para aumentar o efeito dramático, Stewart foi instruído a olhar diretamente para a câmera com o laser.[16]
A superfície do planeta Jouret IV no início da primeira parte foi construída no Estúdio 16 da Paramount Pictures pelo diretor de arte Richard D. James, com uma pintura sendo usada para ampliar o cenário, enquanto a cratera foi baseada em uma cratera no Arizona e criada por um matte painting. O interior do Cubo Borg também ficava no Estúdio 16 e foi erguido sobre uma área em que o chão podia ser removido, desta forma permitindo que uma iluminação fosse colocada para brilhar de baixo para cima. O teto do cenário tinha várias luzes amarelas que eram na verdade coberturas de filtros de piscinas. Um matte paiting do interior do cubo criado por Syd Dutton para "Q Who" foi alterado para "The Best of Both Worlds". A ponte de batalha da USS Enterprise foi modificada em relação às suas aparições anteriores, pois muitos elementos tinham sido removidos para uso nos filmes. O mesmo cenário foi modificado para ser a ponte da capitânia de Hanson. O laboratório onde Locutus é examinado era uma modificação dos aposentos da conselheira Deanna Troi.[17]
Efeitos

"The Best of Both Worlds" teve aproximadamente oitenta planos com efeitos visuais,[18] sendo um dos poucos episódios da série que necessitaram da criação de novas imagens da Enterprise. Os planos da Enterprise ao lado da capitânia de Hanson eram recicladas do episódio "The Child" da segunda temporada, porém recompostas pelo supervisor de efeitos visuais Robert Legato. A Nebulosa de Paulson era uma reciclagem da Nebulosa de Mutara de Star Trek II: The Wrath of Khan, com a Enterprise filmada em fumaça para ajudar na ilusão de que estava na nebulosa. A miniatura do Cubo Borg criada para "Q Who" também foi reutilizada.[17]
A segunda parte foi o primeiro episódio de The Next Generation em que as diferentes imagens para a composição dos planos de efeitos visuais foram unidas digitalmente, em vez de oticamente como era feito desde Star Trek: The Original Series na década de 1960, porém a série continuou a trabalhar principalmente com miniaturas.[17] A miniatura de 1,8 metro da Enterprise, que não era usada desde que uma nova e mais prática miniatura de 1,2 metro fora criada no início da terceira temporada, foi utilizada para as cenas em que a nave separa sua seção do disco da seção da engenharia, pois era a única miniatura disponível que podia fazer a separação.[19] Esta foi a terceira e última vez que a separação do disco foi mostrada em The Next Generation, após os episódios "Encounter at Farpoint" e "The Arsenal of Freedom" da primeira temporada, com outra só ocorrendo novamente no filme Star Trek Generations.[13]
Legato queria mostrar a Batalha de Wolf 359, porém isto foi não foi possível devido a limitações de orçamento.[20] As miniaturas das naves destruídas foram criadas pela equipe do coordenador de efeitos visuais Gary Hutzel, com o processo envolvendo pegar miniaturas de brinquedo e misturar suas partes para a criação de naves novas; estas então foram danificadas para parecerem destroços. Hutzel colocou iluminação interna para que parecessem que estavam pegando fogo.[17] Parte da batalha foi depois mostrada em "Emissary", o episódio piloto de Star Trek: Deep Space Nine.[20]
As naves do Perímetro de Defesa de Marte foram criadas a partir da miniatura do casco do submarino do filme The Hunt for Red October,[19] enquanto as imagens do próprio planeta Marte foram pegas da série documental Cosmos: A Personal Voyage. Uma nova miniatura menos detalhada do Cubo Borg foi construída para a sua destruição no final da segunda parte,[17] com essa miniatura também sendo construída por Hurtzel porque não havia dinheiro para contratar alguém especializado para a construção.[8][18] Ele colocou arame dentro da miniatura e esta foi armada com um cordão detonador, porém, segundo o próprio, "Eu não sabia que colocar arame dentro de algo com um cordão detonador faria com que se tornasse uma grande granada".[8] A explosão foi um sucesso e capturada na primeira tomada,[18] mas criou uma bagunça maior do que o esperado no estúdio.[8]
Música
A trilha sonora das duas partes foi composta por Ron Jones,[21] que também tinha composto a música de "Q Who". Ele pegou composições que tinha criado no primeiro episódio e as desenvolveu mais em "The Best of Both Worlds".[22] Jones usou um motivo condutor de cinco notas[23] e tratou os Borg como "o fim da humanidade", criando um réquiem eletrônico que os produtores acharam que era religioso demais.[22] Ele incorporou um coral sintetizado em referência aos Borg, algo que os produtores inicialmente resistiram, mas aceitaram depois de Jones persistir. Ele usou o tema de The Original Series composto por Alexander Courage para a cena que a tripulação descobre que Picard foi assimilado,[21] apenas a segunda e última vez que Jones usou esse tema na terceira temporada.[24] A trilha sonora da segunda parte foi gravada com uma orquestra de 49 músicos.[25]
Um álbum contendo a maior parte da trilha sonora dos dois episódios foi lançado em 1991 pela gravadora GNP Crescendo Records como o segundo álbum comercial com músicas de The Next Generation.[26] A GNP tinha feito um acordo de licenciamento com a Paramount Pictures e assim manteve os direitos da música "em perpetuidade", porém uma cláusula do contrato de gravação permitia que até cinco minutos da trilha de "The Best of Both Worlds" fosse lançada comercialmente sem o envolvimento da gravadora,[27] assim algumas faixas curtas que tinham sido cortadas do lançamento original para facilitar a experiência foram incluídas em 2010 pela gravadora e revista Film Score Monthly em uma caixa com todas as trilhas de Jones para a série. Um álbum com a trilha sonora completa dos dois episódios, incluindo as faixas cortadas, foi lançado pela GNP em 2013.[26]
Repercussão
Transmissão
"The Best of Both Worlds" foi exibido nos Estados Unidos por redifusão na semana que começou em 18 de junho de 1990.[28] Foi o primeiro episódio em duas partes da história da franquia Star Trek desde "The Menagerie" de The Original Series, além de ser o primeiro final de temporada com um gancho.[7] Teve um índice Nielsen de 10,1, refletindo a porcentagem de residências que assistiram ao episódio na estreia. Isto foi uma ligeira queda em relação aos 10,2 por cento de "Transfigurations", o episódio anterior.[29]
Surgiu um rumor durante os três meses que separaram a exibição das duas partes que dizia que as negociações de renovação de contrato de Stewart tinham parado, um rumor que também correu dentro da própria Paramount. Os fãs e até mesmo publicações impressas debateram se assimilação era um meio de Picard ser morto e assim Stewart sair da série;[4][7] na realidade, o ator tinha um contrato para seis temporadas e sua saída da série nunca chegou a ser sequer cogitada.[4] Para a segunda parte, a Paramount acabou realizando sua primeira campanha de divulgação para um episódio específico de The Next Generation desde o episódio piloto "Encounter at Farpoint".[30]
"The Best of Both Worlds, Part II" foi exibido pela primeira vez na semana que começou em 24 de setembro de 1990.[31] Teve uma audiência de 12,3 por cento no índice Nielsen durante sua primeira exibição. Este número empatou com "Clues" como a segunda maior audiência da quarta temporada, atrás apenas de "Devil's Due" com treze por cento.[29] Também foi a primeira vez que The Next Generation alcançou uma audiência acima de doze por cento desde "Justice", o oitavo episódio da primeira temporada.[29][32]
Crítica
Keith R. A. DeCandido da Reactor definiu a primeira parte como "uma obra estelar" que era "poderosa, cheia de suspense, dramática e intensa". Ele achou que a presença de Shelby desequilibrava as coisas de uma forma positiva e que todos os membros do elenco tinham algo para fazer, também elogiando a atuação de Jonathan Frakes como Riker e como o conflito pessoal do personagem se destacava em meio da ação.[11] Entretanto, DeCandido achou que a segunda parte era uma decepção em relação à primeira, elogiando a cena de ação de Data e Worf pegando Lucutus e o desenvolvimento da relação de Riker e Shelby, porém achou que a resolução do episódio não fazia sentido e contradizia o que tinha sido mostrado em "Q Who". Ele resumiu dizendo que "como sequência de um dos melhores episódios da história da franquia, simplesmente não se sustenta totalmente".[13]
Zack Handlen da The A.V. Club descreveu a primeira parte como "merecidamente icônica" e um excelente modo de encerrar a terceira temporada. Ele achou que fazer Picard ser assimilado era um risco grande que The Next Generation raramente fazia com seus personagens, mas achou o resultado "inebriante". Handlen também considerou que centrar o episódio em Riker era "uma daquelas escolhas laterais que parecem contra-intuitivas, mas na verdade funcionam em benefício do programa".[33] Sobre a segunda parte, ele achou que era "um conclusão excelente para um dos momentos mais brilhantes" de The Next Generation, apesar de admitir que a resolução imediata do gancho da primeira parte era um pouco decepcionante. Handlen considerou que sua cena favorita foi a última, em que Picard silenciosamente reflete sobre sua experiência como um Borg.[34]
James Hunt da Den of Geek afirmou que a primeira parte era tão boa quanto era quando foi originalmente exibida. Ele elogiou como o conflito pessoal de Riker sobre não aceitar promoções é usado para construir o gancho final, como se o personagem, ao dar a ordem de abrir fogo, está tentando provar algo. Hunt também elogiou outros momentos, como a primeira aparição de Locutus e a conversa de Riker e Troi.[35] Handlen lamentou a estrutura episódica da série ao falar da segunda parte, já que tudo precisava voltar ao normal no final, também achando um pouco decepcionante que as tensões estabelecidas na última cena do primeiro episódio são rapidamente resolvidas. Mesmo assim, ele achou que era um bom episódio e considerou que as cenas de ação tinham qualidade cinematográfica, especialmente a infiltração de Data e Worf no Cubo Borg para pegarem Locutus.[36]
Phil Pirrello da The Hollywood Reporter considerou que a primeira parte era "uma das melhores horas de televisão que [a ficção científica] já produzidu", enquanto a segunda parte conseguiu fechar a história de forma satisfatória. Pirrello também destacou como o arco de Riker nas duas partes ainda permanecia relevante mesmo três décadas depois.[37] Rob Vaux da Collider considerou "The Best of Both Worlds" como o conflito definitivo contra os Borg e que os dois episódios eram até melhores que alguns filmes da franquia, também elogiando como a presença de Shelby aumenta o drama entre a tripulação principal.[38] Laura Evans da Comic Book Resources achou que os episódios tinham um ritmo perfeito e descreveu ambos como "obras-primas da ficção científica", salientando como a segunda parte constantemente aumentava os riscos e o que estava em jogo.[39]
Prêmios
As duas partes foram indicadas ao Prêmio Emmy do Primetime de Melhor Realização em Efeitos Visuais Especiais; Gary Hutzel, Robert Legato, David Takemura, Michael Okuda, Don Greenberg, Erik Nash, Steve Price, Syd Dutton, Robert Stromberg, Bill Taylor e Don Lee foram indicados pela primeira parte, enquanto as mesmas pessoas foram indicadas pela segunda parte, com exceção de Patrick Clancy no lugar de Stromberg.[40] Wilson Dyer, Mace Matiosian, Gerry Sackman, Masanobu Tomita, William Wistrom, James Wolvington e Dan Yale venceram em Melhor Edição de Som para uma Série pela segunda parte,[41] bem como Alan Bernard, Doug Davey, Chris Haire e Richard Morrison em Melhor Mixagem de Som para uma Série Dramática.[42] Além disso, Richard D. James e Jim Mees foram indicados em Melhor Direção de Arte para uma Série também pela segunda parte.[43]
Mídia caseira
"The Best of Both Worlds" foi lançado em LaserDisc nos Estados Unidos em 3 de outubro de 1995 junto com o episódio "Transfigurations",[44] já "The Best of Both Worlds, Part II" foi lançado em 27 de fevereiro de 1996 junto com "Suddenly Human".[45] As duas partes foram lançadas em LaserDisc no Reino Unido em uma edição única em junho de 1996.[46] No Japão, a primeira parte foi lançada em 10 de outubro de 1996 como parte da coleção da segunda metade da terceira temporada,[47] enquanto a segunda parte foi lançada em 21 de dezembro do mesmo ano como parte da coleção da primeira metade da quarta temporada.[48] Foram lançados na Alemanha também em LaserDisc em 1996.[49]
A primeira parte foi lançada em DVD pela primeira vez nos Estados Unidos em 2 de julho de 2002 como parte da coleção da terceira temporada,[50] já a segunda parte estreou no formato em 3 de dezembro do mesmo ano como parte da coleção da quarta temporada.[51] Os dois episódios já foram relançados em DVD várias outras vezes como parte de diferentes compilações de episódios: com outros episódios em duas partes na Star Trek: The Next Generation – The Complete TV Movies em 6 de outubro de 2003,[52] com outros episódios envolvendo os Borg em Star Trek: Fan Collective – Borg em 7 de maio de 2006[53] e na de melhores episódios The Best of Star Trek: The Next Generation em 12 de maio de 2009.[54] A versão incluída em Fan Collective – Borg vinha com uma faixa de comentários em texto pelos artistas cênicos Michael Okuda e Denise Okuda.[53]
O primeiro episódio foi remasterizado e lançado no formato Blu-ray em 30 de abril de 2013 na coleção da terceira temporada,[55] enquanto o segundo foi incluído na coleção da quarta temporada lançada em 28 de julho do mesmo ano.[56] Os dois episódios foram unidos em um formato de telefilme, com a recapitulação e sequência de créditos da segunda parte omitidos, e lançado em Blu-ray em 30 de abril de 2013 em uma edição chamada Star Trek: The Next Generation – The Best of Both Worlds. Este lançamento também incluí um documentário de bastidores, erros de gravação, comerciais de divulgação da época e uma faixa de comentários em áudio com Bole, Dennehy e os dois Okuda.[57]
Legado
Segundo os autores Paula Block e Terry Erdmann, "foi 'The Best of Both Worlds' que elevou The Next Generation das Ligas Pequenas de Star Trek para as grandes".[6] Evans afirmou que a franquia Star Trek estava com problemas em meados da década de 1990, por conta do fracasso do filme The Final Frontier um ano antes e dos vários problemas das primeiras três temporadas de The Next Generation, mas o sucesso dos dois episódios revitalizou o interesse do público.[39] Para Pirrello, até então os personagens não tinham se formado direito ou mesmo avançado nos limites narrativos rígidos impostos por Gene Roddenberry, seu criador, mas "The Best of Both Worlds", ao "trabalhar dentro dessas restrições, e usando as vidas internas de seus personagens para servir ao conflito externo, revigorou a série de um modo que impulsionaria a franquia por três décadas".[37] Para Evans, os episódios só funcionaram por causa dos arcos de personagens estabelecidos nas temporadas anteriores, algo que The Original Series nunca teve.[39]
Block e Erdmann comentaram que a franquia Star Trek até então jamais tinha abordado dor persistente e trauma profundo como o sofrido por Picard após sua assimilação.[58] Piller queria explorar esses temas e,[59] apesar da relutância por parte dos produtores acostumados com uma estrutura episódica, conseguiu convencer os produtores executivos Roddenberry e Rick Berman da necessidade de uma história assim, afirmando "para um programa que se orgulha na sua abordagem narrativa realista, como podemos ter um cara que foi basicamente estuprado estar bem na semana seguinte? Há uma história em um homem como Picard que perdeu o controle. Investigando a crise psicológica que um homem como esse tem que enfrentar, o que ele tem que fazer?"[60] Isto levou ao episódio "Family", escrito por Ronald D. Moore, que explorou os efeitos da assimilação de Picard e serviu como uma espécie de epílogo para "The Best of Both Worlds".[59] Apesar de ser o quarto episódio produzido na quarta temporada, "Family" foi exibido como o segundo.[60]
Os Borg reapareceriam em The Next Generation nos episódios "I, Borg" da quinta temporada[61] e o duas partes "Descent", o último da sexta temporada e o primeiro da sétima.[62] Entretanto, estas poucas aparições nunca envolveram os Borg em força total por conta de limitações de orçamento e o medo de que eles deixariam de serem assustadores para o público caso fossem usados em excesso.[63] A espécie mesmo assim permaneceu popular com os fãs, o que fez com que Moore e o roteirista Brannon Braga escolhessem usá-los como os vilões do filme Star Trek: First Contact de 1996, o segundo estrelado pelo elenco de The Next Generation,[64] que serve de continuação para "The Best of Both Worlds".[8] Os Borg desempenhariam um papel importante no decorrer da série Star Trek: Voyager, inclusive com a personagem Sete de Nove fazendo parte de seu elenco principal.[13] Os Borg retornariam novamente para a franquia Star Trek e também para a história de Picard durante a segunda e terceira temporadas da série Star Trek: Picard.[65]
Notas
Referências
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Bibliografia
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- Westmore, Michael G.; Nazzaro, Joe (1993). Star Trek: The Next Generation Make-Up FX Journal. Londres: Titan Books. ISBN 978-1-85286-491-0
Ligações externas
- "The Best of Both Worlds" (em inglês) no IMDb
- "The Best of Both Worlds, Part II" (em inglês) no IMDb
