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TV Brasil
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Logotipo da rede desde 2023 | |
| Tipo | rede de televisão pública |
|---|---|
| País | Brasil |
| Área de transmissão | Brasil |
| Emissoras | TV Brasil Capital TV Brasil Rio de Janeiro TV Brasil São Paulo |
| Afiliadas | lista |
| Sede | Brasília, Distrito Federal |
| Programação | |
| Idioma | português |
| Propriedade | |
| Proprietário | EBC |
| Principais pessoas | Antonia Pellegrino (diretora-presidente da EBC)[1] |
| Canais irmãos | Canal Educação Canal Gov Canal Libras Canal Saúde Rádios EBC |
| História | |
| Lançamento | 2 de dezembro de 2007 |
| Substituiu | TVE Brasil TV Nacional TVE Maranhão |
| Ligações | |
| Website | tvbrasil |
A TV Brasil é uma rede de televisão pública brasileira administrada pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), conglomerado de mídia do governo federal. Lançada em 2 de dezembro de 2007, sua criação deu-se pela necessidade do poder executivo do país de formar um sistema público de comunicação unificado no país através da união de estruturas anteriormente vinculadas à Radiobrás e à Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (ACERP), tendo sido resultado da fusão de três de seus veículos — a TVE Brasil, do Rio de Janeiro, a TVE Maranhão e a TV Nacional, de Brasília.[2]
A programação da TV Brasil é formada por conteúdos generalistas produzidos tanto por sua geradora, em Brasília, quanto por estações parceiras e produtoras independentes. Coordena ainda a Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), reunindo emissoras públicas, educativas e culturais de diferentes estados para a distribuição e o intercâmbio de programas.[3]
Desde sua criação, a TV Brasil passou por mudanças administrativas e editoriais relacionadas às alterações na estrutura e na gestão da EBC que acompanharam diferentes orientações adotadas pelos governos federais, resultando em modificações na programação, na organização institucional e na forma de prestação do serviço. Sua atuação e seu modelo de gestão têm sido objeto de debates acadêmicos, políticos e institucionais sobre comunicação pública, financiamento estatal, autonomia editorial e o papel da radiodifusão pública no Brasil.[4]
História
A TV Brasil foi criada no contexto da reformulação da comunicação pública federal durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, onde pretendia se criar uma única rede nacional de televisão pública através da fusão da Radiobrás, mantenedora da TV Nacional, de Brasília, com a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto, gestora da TVE Brasil, do Rio de Janeiro, e com a TVE Maranhão, em um processo que deu origem à Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A proposta de unificação, formulada durante a gestão de Eugênio Bucci na Radiobrás e consolidada após um planejamento estratégico em 2006, recebeu apoio do ministro da Secretaria de Comunicação Social Franklin Martins e do ministro da secretaria-geral da presidência Luiz Dulci.[2]
A TV Brasil foi inaugurada ao meio-dia de 2 de dezembro em Brasília, no Rio de Janeiro, em São Paulo e em São Luís. A data foi escolhida por ser a de lançamento, na capital paulista, do sistema de transmissão digital de televisão no país. Durante o período pós-estreia, sua grade de programação, improvisada, era composta por atrações da Nacional, da TVE e reprises de programas da TV Cultura. Sua primeira e até aquele momento única produção própria foi o Repórter Brasil, telejornal apresentado em duas edições direto das três primeiras capitais.[5] Até o fim de 2008, apenas Rio de Janeiro, Brasília e São Luís podiam sintonizar a TV Brasil em canal aberto analógico. O sinal aberto chegou a ser disponibilizado em São Paulo, mas sofreu interferências provocadas por uma companhia telefônica, obrigando a mudança para o canal 62.
Ainda no primeiro semestre de 2008, o então editor-chefe do telejornal "Repórter Brasil", Luís Lobo, foi demitido. Na época, Lobo acusou o governo federal de interferir na divulgação de assuntos contrários ao governo. O conselho curador da TV Brasil refutou as acusações de Lobo.[6]
Em 3 de dezembro de 2008, comemorando um ano da TV Brasil, a emissora inaugurou seu canal digital em São Paulo.[7] Nessa data estreou também uma nova logomarca que ficaria até julho do ano seguinte.
Em 16 de outubro, a então presidente da EBC, Tereza Cruvinel, anunciou a criação do canal internacional, voltado para emigrantes e a África foi o primeiro continente a receber as transmissões, em 2010.[8]

Em 3 de maio, a emissora começa a operar oficialmente a Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), formada pelos quatro canais da EBC, sete emissoras universitárias e 15 estações estaduais.[9]
Em 13 de maio, foi anunciado o início das operações da TV Brasil Internacional a partir de 24 de maio, pela África, como previsto. Com um evento realizado no Itamaraty, foi realizada uma conversa ao vivo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente de Moçambique, Armando Guebuza, em Maputo. O canal só não estará disponível em cinco países do continente: Egito, Líbia, Argélia, Tunísia e Marrocos. O início pela África foi justificado por ser o primeiro contrato fechado de retransmissão local por cabo, com a distribuidora Multichoice. Diferentemente de outras estações internacionais, que transmitem nos seus idiomas, mas com legendas em línguas dos países receptores, neste momento inicial, não haverá legendas.[10][11]


Em 10 de abril de 2019, a TV Brasil anunciou uma nova programação substituindo a TV NBR, devido a cortes de gastos do Governo Federal.[12] Em 19 de agosto de 2019, a TV Brasil anunciou a transmissão dos jogos da Copa Verde de Futebol, em parceria com a Rede Cultura do Pará.[13] Até setembro de 2019, a TV Brasil perdeu 25% da audiência.[14]

Em 10 de dezembro, a EBC encerrou suas operações no estado do Maranhão, e passou o controle da TV Brasil Maranhão para o Instituto Federal do Maranhão por um prazo de 30 anos, da mesma forma que outros veículos de comunicação gerenciados no modelo da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP). A TV Brasil Maranhão, portanto, deixou de ser uma emissora própria da TV Brasil, que passou a ter operações apenas em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.[15]
Em abril de 2020, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) criticou a TV Brasil por ter dado espaço ao "proselitismo" religioso do presidente Jair Bolsonaro:
Neste Domingo de Páscoa a TV Brasil, transmitindo em rede nacional, dedicou duas horas de sua programação para fazer proselitismo do presidente Jair Bolsonaro e das políticas irresponsáveis que ele prega diante da pandemia do coronavírus. O espaço teve participação destacada de pastores representantes de igrejas fundamentalistas alinhadas com seu governo. Com a autoridade de seus 112 anos de existência em defesa das causas democráticas no país, a ABI lembra ao presidente da República que o Executivo dispõe da NBR para divulgar suas iniciativas e que a TV Brasil, por definição, é uma emissora pública, e não uma porta-voz de suas posições.
— Paulo Jeronimo de Sousa, presidente da ABI, [16]
Em 22 de junho de 2020, o canal virtual da TV Brasil mudou de 62.x para 1.x em São Paulo. Em 10 de julho de 2020, o Aos Fatos publicou uma investigação mostrando que a TV Brasil, e outros veículos de comunicação do governo do Brasil, que pertencem a EBC, está promovendo medicamentos sem eficácia comprovada para tratar COVID-19. As drogas promovidas são defendidas pelo presidente Jair Bolsonaro.[17] A TV Brasil também transmitiu programas do canal Brasil Paralelo, um canal do YouTube que é próximo do governo.[18]
Em agosto de 2020, foi nomeado José Emílio Ambrósio, com passagens pela RedeTV!, Rede Bandeirantes e Rede Globo.[19][20]
Em 13 de outubro de 2020, a TV Brasil transmitiu o jogo do Brasil X Peru. Nas redes sociais, a partida foi alvo de críticas, após o narrador André Marques dizer: "E um abraço especial ao presidente Jair Bolsonaro, que está assistindo ao jogo. Um abraço, presidente!". Rodrigo Mattos, colunista do UOL Esporte no YouTube, chamou o jogo de "instrumento de propaganda do governo Bolsonaro" e que no intervalo do jogo foram apresentados "noticiários/divulgação de feitos do governo" com membros políticos. Ainda segundo Mattos, as falas do narrador André Marques, agradecendo a políticos, pareciam que estavam sendo lidas.[21] Em rede social, Ricardo Noblat chamou o canal de "chapa branca". Renato Souza, do Correio Braziliense, disse que a "TV pública brasileira está parecendo o canal estatal da Coreia do Norte". O Antagonista reportou que o clima do jogo parecia o mesmo do Pra Frente, Brasil, uma das propagandas da ditadura militar brasileira: "O clima de 'Pra frente, Brasil' refletiu-se até no resultado, que foi igual ao da partida do Brasil contra o Peru na Copa de 1970: 4 a 2. (...) Só faltou o Pelé. E o pau-de-arara. Mas a gente ainda chega lá."[22][23] O jornalista esportivo Tiago Maranhão questionou quem pagou o jogo, se a negociação foi feita com a CBF e se o Brasil virou Venezuela.[24] Mais tarde, foi divulgado que a CBF tinha comprado o jogo e cedeu gratuitamente a transmissão à TV Brasil.[21] A oposição política pediu que o Ministério Público Federal (MPF) e o Tribunal de Contas da União (TCU) investigue a EBC por promover o presidente Jair Bolsonaro no jogo do Brasil.[25]
Em 4 de dezembro de 2020, O Estado de S.Paulo revelou detalhes das investigações feitas pela Polícia Federal sobre influenciadores que teriam ganhado dinheiro com ajuda do Palácio do Planalto. Em trecho da reportagem, um depoente declarou que o canal Bolsonarista "Foco do Brasil" recebeu ajuda de funcionários da EBC e da TV Brasil para ter acesso via satélite a imagens oficiais do governo como se fosse um canal de televisão. Procurada pelo jornal, a TV Brasil disse que cede o acesso das imagens do satélite a veículos de imprensa, mas se recusou a informar quais canais do YouTube utilizam ele.[26]
Em junho de 2023, com Lula tendo retornado à presidência, a EBC lançou nos canais secundários da TV Brasil o Canal Gov, destinado à exibir programação subordinada a ações governamentais, oficializando a separação dos conteúdos públicos da estação principal.[4]
Ver também
Referências
- ↑ Poliana Santos (10 de abril de 2026). «Antonia Pellegrino assume presidência da EBC». CNN Brasil. São Paulo
- 1 2 Aguiar (2012), p. 165 e 166.
- ↑ «Rede Nacional de Comunicação Pública - RNCP». EBC. Cópia arquivada em 24 de agosto de 2025
- 1 2 Luigi Mazza (15 de junho de 2023). «Menos Lula na TV Brasil». Revista Piauí
- ↑ Bernardo Mello Franco (2 de dezembro de 2007). «TV Brasil estréia hoje com grade improvisada». O Globo. TV-Pesquisa. Consultado em 12 de março de 2021. Cópia arquivada em 10 de dezembro de 2024
- ↑ Demétrio Weber (3 de dezembro de 2008). «TV Brasil: 1 ano com dificuldade de chegar ao grande público». O Globo Online. Consultado em 5 de junho de 2010. Cópia arquivada em 22 de maio de 2011
- ↑ «TV Brasil inaugura canal digital em São Paulo». Agência Brasil [ligação inativa]
- ↑ «TV Brasil terá canal internacional voltado para emigrantes». Estadão Online. 16 de outubro de 2009. Consultado em 5 de junho de 2010
- ↑ «TV Brasil começa a operar rede nacional na segunda». Estadão Online. 30 de abril de 2010. Consultado em 5 de junho de 2010. Cópia arquivada em 17 de janeiro de 2012
- ↑ Wilson Tosta (13 de maio de 2010). «TV Brasil começa a transmitir na África». Estadão Online. Consultado em 5 de junho de 2010. Cópia arquivada em 18 de abril de 2014
- ↑ «"TV Brasil Internacional" inicia transmissões na África». G1. 24 de maio de 2010. Consultado em 5 de junho de 2010. Cópia arquivada em 27 de dezembro de 2024
- ↑ «EBC unifica programações das TVs Brasil e NBR». noticias.uol.com.br. Consultado em 14 de setembro de 2020. Cópia arquivada em 4 de dezembro de 2025
- ↑ «TV Brasil transmite jogos da Copa Verde nesta terça». EBC. Esportes. 19 de agosto de 2019. Consultado em 25 de agosto de 2019. Cópia arquivada em 26 de dezembro de 2024
- ↑ Ricardo Feltrin. «Ibope da TV Brasil regride um ano com governo Bolsonaro». TV E Famosos. Uol. Consultado em 26 de outubro de 2019
- ↑ «IFMA recebe cessão de uso das instalações da EBC no Maranhão». IFMA. 10 de dezembro de 2019. Consultado em 6 de março de 2020. Cópia arquivada em 6 de abril de 2023
- ↑ Flávia Said (13 de abril de 2020). «ABI critica "proselitismo" religioso de Bolsonaro na TV Brasil». Congresso em Foco. UOL. Consultado em 24 de abril de 2020. Cópia arquivada em 24 de abril de 2020
- ↑ Bruno Fávero (10 de julho de 2020). «TV pública federal promove drogas sem comprovação contra Covid-19 defendidas por Bolsonaro». Aos Fatos. Consultado em 10 de julho de 2020. Cópia arquivada em 10 de julho de 2020
- ↑ João Filho (1 de março de 2020). «Todos nessa foto prometeram jamais receber dinheiro do governo. A maioria recebeu.». The Intercept Brasil. First Look Media. Consultado em 2 de agosto de 2020
- ↑ «Frustrada contratação do Datena expõe as pedras de tropeço do SBT». R7.com. 14 de agosto de 2020. Consultado em 14 de agosto de 2020. Cópia arquivada em 13 de abril de 2025
- ↑ «Governo escolhe ex-diretor da Band para substituir general no comando da EBC - Política». Estadão. Consultado em 14 de agosto de 2020
- 1 2 Rodrigo Mattos (14 de outubro de 2020). Opinião: jogo da seleção brasileira vira instrumento de propaganda do governo Bolsonaro (vídeo). Brasil: UOL (YouTube). Consultado em 14 de outubro de 2020
- ↑ «"Pra frente, Brasil"». O Antagonista. 14 de outubro de 2020. Consultado em 14 de outubro de 2020
- ↑ Paulo Pacheco (13 de outubro de 2020). «"André Marques", saudade da Globo e abraço para Bolsonaro: como foi a seleção na TV Brasil». Notícias da Tv. Uol. Consultado em 13 de outubro de 2020
- ↑ «Transmissão do jogo da Seleção na TV Brasil 'bomba' nas redes sociais». Correio Braziliense. 13 de outubro de 2020. Consultado em 14 de outubro de 2020
- ↑ Guilherme Amado (14 de outubro de 2020). «OPOSIÇÃO PEDE QUE MPF E TCU INVESTIGUEM USO DA EBC PARA PROMOVER BOLSONARO EM JOGO DO BRASIL». Época. Rede Globo. Consultado em 14 de outubro de 2020
- ↑ Patrik Camporez, Breno Pires e Rafael Moraes Moura (4 de dezembro de 2020). «PF investiga se canais que faturam mais são de 'laranjas' do Planalto; Carlos Bolsonaro nega». O Estado de S. Paulo. Grupo Estado. Consultado em 4 de dezembro de 2020
Bibliografia
- Aguiar, Itamar (2012). TV Brasil: Algo Novo no Ar (PDF). Florianópolis: Editora Tribo da Ilha. 240 páginas. ISBN 9788562946219. Cópia arquivada (PDF) em 29 de março de 2025
