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Rocaia binte Maomé
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Rocaia binte Maomé (em árabe: رُقَيَّة بِنْت مُحَمَّد; romaniz.: Ruqayya bint Muḥammad; Meca, c. 602 – Medina, março de 624) foi uma das filhas do profeta islâmico Maomé e de sua primeira esposa, Cadija binte Cuailide. Segundo a tradição mais difundida, foi a terceira dos filhos do casal, embora algumas fontes a apresentem como a mais velha das quatro filhas de Maomé. Esteve entre os primeiros adeptos do Islã, juntamente com sua mãe e suas irmãs. Antes do início da missão profética de seu pai, Rocaia foi ligada em casamento a Oteba ibne Abi Laabe, filho de Abu Laabe, mas a união foi posteriormente desfeita. Casou-se então com Otomão ibne Afane, futuro terceiro califa ortodoxo, com quem participou da migração para a Abissínia em 615. O casal retornou posteriormente a Meca e realizou a Hégira para Medina. Rocaia e Otomão tiveram um filho chamado Abedalá, que morreu ainda criança. Rocaia adoeceu de sarampo quando Maomé se preparava para a Batalha de Badre, e Otomão permaneceu em Medina para cuidar dela em vez de participar da expedição. Ela morreu aos 22 anos, durante o ramadã de 2 A.H. (março de 624), enquanto seu pai estava ausente na campanha, e foi sepultada no cemitério de Albaqui. A notícia da vitória muçulmana em Badre chegou a Medina quando seu sepultamento estava sendo realizado.
Vida
Rocaia nasceu em Meca cerca de vinte anos antes da Hégira, por volta de 602, filha de Maomé e Cadija binte Cuailide.[1] Pelo lado paterno, pertencia aos haxemitas, clã dos coraixitas, enquanto sua mãe pertencia ao clã coraixita dos assaditas e era, pelo lado materno, de ascendência amirita.[2] Segundo a tradição seguida por Aynur Uraler, foi a terceira dos filhos de Maomé e Cadija e converteu-se ao Islã juntamente com sua mãe e suas irmãs.[1] Outras tradições apresentam-na como a mais velha das quatro filhas de Maomé, possibilidade considerada improvável por William Montgomery Watt.[3] Antes do início da missão profética de Maomé, Rocaia casou-se ou foi prometida em casamento a Oteba, filho de Abu Laabe, enquanto sua irmã Ume Cultume foi ligada ao irmão dele, Utaiba. Segundo a tradição islâmica, os casamentos foram desfeitos por determinação de Abu Laabe e de sua esposa depois da revelação da sura al-Masadd, que condena o casal; Rocaia e Maomé também teriam desejado o rompimento.[1] Watt observa, contudo, que a cronologia dessa versão depende de al-Masadd ter sido uma revelação do início do período mecano. Também considera provavelmente uma elaboração posterior destinada a preservar a família de Maomé de uma ligação consumada com a de Abu Laabe a alegação, encontrada em algumas fontes, de que os divórcios ocorreram antes da consumação dos casamentos.[4]
Após o rompimento com Oteba, Rocaia casou-se com Otomão ibne Afane. À medida que se tornava mais difícil para os primeiros muçulmanos praticarem sua religião em Meca, Maomé recomendou que o casal emigrasse para a Abissínia. Em rajabe do quinto ano da missão profética (abril de 615), Rocaia e Otomão integraram o primeiro grupo de muçulmanos que realizou a migração para a Abissínia. Segundo uma tradição, Maomé teria comparado a emigração do casal àquela realizada por Ló — e, em outra versão, também por Abraão — com sua família em nome de Deus. Rocaia e Otomão posteriormente retornaram da Abissínia enquanto Maomé ainda se encontrava em Meca e, depois, realizaram a Hégira para Medina.[5] As fontes preservam relatos divergentes sobre os filhos de Rocaia. Segundo a tradição apresentada pela TDV, ela sofreu inicialmente um aborto e posteriormente teve um filho, a quem Maomé deu o nome de Abedalá; há também uma versão segundo a qual a criança nasceu durante a permanência do casal na Abissínia.[1] Watt menciona vários abortos antes do nascimento de Abedalá.[5] O menino sobreviveu à mãe, mas morreu ainda na infância depois de ser bicado no rosto por um galo; segundo a cronologia apresentada por Uraler, tinha cerca de dois anos e morreu em jamada alula de 4 A.H. (outubro de 625).[1]
Quando Maomé preparava a expedição que culminaria na Batalha de Badre, Rocaia adoeceu de sarampo. Com o agravamento de seu estado, Maomé determinou que Otomão permanecesse em Medina para cuidar da esposa, motivo pelo qual ele não participou da batalha. Rocaia morreu aos 22 anos, durante os últimos dez dias do ramadã de 2 A.H. (março de 624), enquanto Maomé estava ausente de Medina na campanha de Badre.[5] Seu corpo foi lavado por Ume Aimane, e Otomão conduziu a oração fúnebre. Quando chegou a Medina a notícia da vitória muçulmana em Badre, Rocaia estava sendo sepultada no cemitério de Albaqui, razão pela qual Maomé não esteve presente em seu funeral. Algumas tradições afirmam que Maomé chegou a tempo de participar do funeral de Rocaia, mas esses relatos são considerados resultado de uma confusão entre seu sepultamento e o de sua irmã Ume Cultume, que morreu alguns anos depois. Há também relatos segundo os quais, diante das mulheres que choravam a morte de Rocaia, Omar tentou impedi-las, mas Maomé declarou que o choro sem gritos ou lamentações decorria da compaixão. Outro relato descreve Fátima chorando junto ao túmulo da irmã enquanto Maomé enxugava suas lágrimas; como ele estava ausente de Medina no momento do funeral, o episódio deve ter ocorrido durante uma visita posterior ao túmulo, após seu regresso de Badre.[1]
Referências
Bibliografia
- Uraler, Aynur (2008). «Rukıyye» [Rocaia]. Türkiye Diyanet Vakfı İslâm Ansiklopedisi [Enciclopédia Islâmica TDV]. 35. Istambul: Türkiye Diyanet Vakfı. p. 219
- Watt, W. Montgomery (1995). «Ruḳayya». In: Bosworth, C. E.; van Donzel, E.; Heinrichs, W. P.; Lecomte, G. The Encyclopaedia of Islam. VIII, Ned–Sam 2.ª ed. Leida: E. J. Brill. pp. 594–595. ISBN 978-90-04-09834-3
