Saúde
Rio Acaraú
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| Rio Acaraú | |
|---|---|
Rio Acaraú ao passar por Sobral | |
| Comprimento | 315 km |
| Nascente | Serra das Matas, em Monsenhor Tabosa, no Ceará |
| Foz | Oceano Atlântico, em Acaraú, no Ceará |
| Área da bacia | 14 500 km² |
| Afluentes principais | Rio Jaibaras, Rio Groaíras, Rio Jacurutu e Rio Sabonete. |
| País(es) | |
| País da bacia hidrográfica | |
O rio Acaraú é o segundo maior rio do Ceará, com 315 km de extensão, passando por 18 munícipios no noroeste do estado. Possui destaque na biodiversidade, cultura e história do Ceará.
Etimologia
O topônimo "Acaraú" é de origem tupi, sendo resultado da fusão de carás (cará) e 'hu (rio), significando portanto, "rio das garças".[1]
História
Era pré-colonial
As margens do rio Acaraú é habitada por povos indígenas desde tempos imemoriais. Nos últimos séculos o Ceará foi ocupado principalmente por povos Macro-Jê, que ficariam conhecidos como "tapuias" pelos colonos.
No século XVI, alguns dos povos que habitavam na região do Vale do Acaraú eram os Tremembés (litoral) e os Arérius (atual região de Sobral e Meruoca).[2]
Era colonial
Os primeiros colonos passaram pelo Acaraú no início do século XVII, em expedições rumo ao Maranhão e a Serra da Ibiapaba. Por ficar entre Fortaleza e a Ibiapaba, a região do Rio Acaraú sempre foi um local de trânsito de colonos, desde os primórdios da colonização.
Após os holandeses serem expulsos do nordeste, os portugueses investiram na ocupação do interior cearense, intensificando a política de doação de sesmaria nessa capitania. Assim, somente em 1682 chegaram os primeiros fazendeiros e suas famílias, iniciando a colonização efetiva da região e aumentando as disputas com os indígenas locais.[3]
Geografia

Nasce na Serra das Matas, um dos pontos mais altos da região. Saindo de Monsenhor Tabosa, em pleno sertão, percorre 320 quilômetros. Corta Sobral, uma das cidades mais importantes do Ceará. Banha 18 municípios e chega ao mar, em Acaraú. Nessas regiões, as chuvas são restritas e, por causa do calor, a evaporação é altíssima. Conclusão: evapora muito mais do que chove e a água some dos leitos. A terceira e última nascente fica a mais de mil metros de altitude, em São Gonçalo.[4]
Segundo outras fontes, nasce na Serra do Machado, em Itatira. Lança-se no oceano Atlântico por meio de dois braços: Cacimba e Mosqueiro. Banha as cidades de Acaraú, Tamboril, Pires Ferreira, Sobral, Santana do Acaraú, Morrinhos, Marco, Bela Cruz e Cruz, entre outras.
Açudes
A Bacia Hidrográfica do Acaraú possui quinze açudes, incluindo alguns dos mais importantes açudes cearenses: o Carão (em Tamboril), o Edson Queiroz (em Santa Quitéria), o Forquilha, (em Forquilha); o Aires de Sousa ou "Jaibaras" (em Sobral), além do Paulo Sarasate ou "Araras", que está construído sobre o leito do Rio Acaraú e cuja barragem está localizada no limite dos municípios de Varjota e Santa Quitéria.[5][6]
Condições pluviométricas


A maior parte da bacia está situada em região de clima tropical quente semiárido, sendo que apenas uma pequena porção (na base da Chapada da Ibiapaba) apresenta clima tropical quente semiárido brando[7]. A pluviometria, portanto, é baixa com volumes de chuva que vão de 500 a 1 000 mm em praticamente toda a sua área.
Principais Afluentes
O rio Acaraú possui diversos afluentes, o principal afluente da margem direita é o rio Groaíras, enquanto na margem esquerda é o rio Jaibaras. A seguir, uma lista dos principais afluentes:[8]
Biodiversidade
A Bacia do Acaraú possui pelo menos 25 espécies de peixes, principalmente da família Characidae, comum no nordeste brasileiro. Algumas espécies mais comumente encontradas são o lambari, a piabinha e o tetra-lips. [9]
Impactos
Por causa do excesso de chuvas ocorridas em 2009 no Ceará, o volume do rio aumentou drasticamente, coisa inesperada pelos habitantes que moram próximo do rio. Com a longa extensão deste rio, cidades próximas sofreram um grande impacto(enchentes). Cidades e estradas para transporte para outros estados foram praticamente inundadas. Em Sobral, por exemplo, canos estouraram, faltando água em muitas casas. Famílias perderam suas casas(algumas foram até destruídas). Em Sobral também, homens e mulheres perderam seus empregos. Doenças, como gripe, dengue, entre outras, aconteceram. Como as cheias aumentaram seu nível no ano de 2009, plantações também foram perdidas e barcos não puderam atravessar o rio por várias semanas devido à enchente ocorrida. Crianças tiveram que adiantar suas férias, por causa das cheias.
O uso inadequado do solo no baixo curso do rio Acaraú está acelerando processos de erosão, especialmente nas áreas onde a vegetação nativa foi removida.[10]
Notas e referências
- ↑ NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. 3ª edição. São Paulo. Global. 2005. p. 42.
- ↑ «Mapa Etno-Histórico de Curt Nimuendaju». mapa-nimuendaju.iphan.gov.br. Consultado em 14 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 2 de agosto de 2026
- ↑ R. Souza, Raimundo Nonato (2014). «Homens livres de cor na Ribeiro do Acaraú (1682-1720)». Revista Historiar. 6 (10): 64-80. Cópia arquivada em 14 de agosto de 2026
- ↑ BUENO, E. Brasil: uma história. Segunda edição revista. São Paulo. Ática. 2003. p. 18,19.
- ↑ https://www.opovo.com.br/noticias/ceara/varjota/2019/04/05/araras--quarto-maior-acude-do-estado--recebeu-o-maior-aporte-deste-ano--confira-video.html
- ↑ «Comitê da Bacia Hidrográfica do Acaraú». SRH - Secretaria dos Recursos Hídricos. Consultado em 14 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 14 de agosto de 2026
- ↑ Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos - FUNCEME.
- ↑ «Comitê da Bacia Hidrográfica do Acaraú». SRH - Secretaria dos Recursos Hídricos. Consultado em 14 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 14 de agosto de 2026
- ↑ Oliveira, Júlia Silva; Santos, Ana Márcia Pinto dos; Santos, Victor Coelho dos; Xavier, Antônio Lucas de Menezes; Conceição, Antônio Lucas Fernandes da; Terra, Bianca de Freitas (15 de dezembro de 2023). «BIODIVERSIDADE DE PEIXES EM RIACHOS INTERMITENTES DA REGIÃO SEMIÁRIDA BRASILEIRA (BACIA DO RIO ACARAÚ, BRASIL)». Essentia - Revista de Cultura, Ciência e Tecnologia da UVA. 24 (1). ISSN 1516-6406. Cópia arquivada em 15 de outubro de 2024
- ↑ https://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/geociencias/article/view/3413
