Saúde
Pico da Neblina
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Pico da Neblina | |
|---|---|
| Yaripo | |
| Pico da Neblina em fevereiro de 2015 | |
| Localização do Pico da Neblina no Brasil | |
| Ponto mais alto | |
| Coordenadas | 0° 48′ 17″ N, 66° 00′ 24″ O |
| Altitude | 2 995,30 m[1] |
| Listas | Ponto mais alto de um país Ponto culminante do Amazonas Pico ultraproeminente[2] |
| Tipo | montanha |
| Geografia | |
| Localização | Parque Nacional do Pico da Neblina, Terra Indígena Yanomami |
| País | Brasil |
| Estado | Amazonas |
| Município | Santa Isabel do Rio Negro |
| Geologia | |
| Cordilheira | Serra da Neblina |
| Escalada | |
| Primeira ascensão | 1965por José Ambrósio de Miranda Pombo[3] |
| Rota mais fácil | Via Maturacá e Porto Tucano[4] |
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Pico da Neblina (pronúncia em português: [ˈpiku dɐ neˈblĩnɐ]) é a montanha mais alta do Brasil, com 2 995,30 m de altitude. Ergue-se no noroeste do Amazonas, na Serra da Neblina, parte da Serra do Imeri, próximo à borda sul do Planalto das Guianas. O cume fica cerca de 687 m dentro do território brasileiro. O vizinho Pico 31 de Março, segundo ponto mais alto do país, com 2 974,18 m, fica diretamente na fronteira entre Brasil e Venezuela.[1][5] O Pico da Neblina é o ponto mais alto do Escudo das Guianas e o ponto mais alto da América do Sul a leste das cordilheiras andinas.[6][7]
Comunidades Yanomami da região do Cauaburis chamam a montanha de Yaripo, geralmente traduzido como "Montanha dos Ventos". O nome também abrange a crista elevada onde ficam o Pico da Neblina e o Pico 31 de Março.[8] Yaripo é sagrado na crença Yanomami. Locais ao longo da rota até o cume figuram em histórias ancestrais e em rituais ligados aos espíritos e ao mundo natural.[9][10] O cume fica dentro do Parque Nacional do Pico da Neblina e da Terra Indígena Yanomami. O parque nacional brasileiro foi criado em 1979.[11]
A montanha sobe de forma abrupta acima das terras baixas da bacia do alto Rio Negro. Rochas resistentes e ricas em quartzo formam boa parte de sua porção superior, onde cristas estreitas e escarpas se elevam acima de áreas com mais de 2 000 m de altitude.[12][13] A temperatura cai rapidamente com a altitude, e a chuva, as nuvens e a neblina mantêm as encostas superiores molhadas por longos períodos.[14] A floresta amazônica das áreas mais baixas passa a floresta montana e, mais acima, a arbustos baixos, ervas, rocha exposta e terrenos encharcados. Algumas espécies do maciço superior não ocorrem em nenhum outro lugar, ou aparecem em poucas outras áreas do Planalto das Guianas. Entre elas estão os sapos Neblinaphryne mayeri e Caligophryne doylei. Seus parentes vivos mais próximos divergiram dessas linhagens há mais de 45 milhões de anos.[15]
Naturalistas já haviam avistado as montanhas a partir do Rio Negro no século XIX, mas as expedições começaram a entrar nas partes altas do maciço na década de 1950. O topógrafo brasileiro José Ambrósio de Miranda Pombo fez a primeira ascensão conhecida ao Pico da Neblina em 1965, enquanto trabalhava na fronteira entre Brasil e Venezuela.[3][16] O turismo de subida cresceu nas últimas décadas do século XX, mas foi interrompido em 2003 após conflitos sobre a entrada em território Yanomami e danos dentro do parque nacional.[17][4] As visitas foram retomadas em 2022 pelo projeto de ecoturismo Yaripo, administrado pelos Yanomami.[17] O garimpo ilegal de ouro, a caça e a entrada não autorizada ainda afetam as áreas protegidas ao redor da montanha, enquanto espécies restritas às maiores altitudes enfrentam riscos ligados ao aquecimento e a doenças de anfíbios.[18][15]
Nomes
Comunidades Yanomami da região do Cauaburis chamam a montanha de Yaripo, geralmente traduzido como "Montanha dos Ventos". Serra Yaripo também dá nome à crista elevada onde ficam o Pico da Neblina e o vizinho Pico 31 de Março. Este último tem seu próprio nome Yanomami, Kurarana.[8][19] Na fala Yanomami, Pico da Neblina é um nome napëpë, trazido por brancos e outros não Yanomami.[8]
Viajantes do século XIX usaram outros nomes para as montanhas da região. Alfred Russel Wallace escreveu em 1853 que podia ver as "serras of the Cababurís" enquanto viajava perto de Marabitanas, no Rio Negro.[20] Richard Spruce também avistou da mesma região uma cadeia distante com escarpas íngremes. Os nomes antigos não se encaixam com facilidade nos mapas atuais. O botânico John F. Pruski interpretou as montanhas de Wallace como provavelmente correspondentes ao que hoje se chama Serra da Neblina, embora Wallace as tenha desenhado longe demais para oeste. Pirabuku e Imei também foram usados para montanhas próximas à fronteira, sem correspondência firme com os nomes adotados depois.[21]
Serra do Caburi foi outro nome antigo usado no lado brasileiro para montanhas ao norte do Rio Negro. O botânico brasileiro Ricardo de Lemos Fróis acreditava que o Cerro de la Neblina, divulgado na década de 1950, fosse um dos picos dessa serra. Ele havia visto as montanhas do ar em 1952 e escreveu que moradores da região do Rio Negro já conheciam a Serra do Caburi e contavam histórias indígenas sobre ela.[22] O nome não se tornou a denominação habitual do maciço.
Na Venezuela, Cerro Jimé era usado quando a expedição Phelps viajou às montanhas em 1954. Kathleen Deery de Phelps manteve o nome no título de suas memórias, Memorias de Misia Kathy: Primera Expedición Phelps al "Cerro Jimé", actual Cerro de La Neblina.[23]
Em 1955, Bassett Maguire e Charles D. Reynolds já usavam Cerro de la Neblina em publicação.[24] Neblina significa névoa ou neblina. Na Venezuela, Cerro de la Neblina e Serranía La Neblina são usados para o maciço.[7] No Brasil, Pico da Neblina designa o cume mais alto, enquanto Serra da Neblina designa as montanhas ao redor. Pico da Neblina já era o nome federal quando o parque nacional foi criado em 1979.[11]
Pico Phelps não foi usado de maneira consistente. Uma planta coletada no lado brasileiro em dezembro de 1965 teve como localidade Pico Phelps, entre 2 600 e 2 700 m de altitude.[25] Trabalhos científicos da década de 1980 às vezes juntavam Pico Phelps e Pico da Neblina, e espécimes de uma expedição de 1984–1985 receberam a indicação "Pico Phelps (= Pico Neblina)".[26][27]
O serviço venezuelano de parques usa Pico Phelps para o cume mais alto do lado venezuelano do maciço.[5] Mapas brasileiros chamam o cume vizinho, sobre a fronteira internacional, de Pico 31 de Março, com altitude oficial de 2 974,18 m.[1] O nome Pico Phelps mudou entre pontos altos próximos e não se refere de forma consistente a um único cume.
Geografia
Localização e áreas protegidas

O Pico da Neblina ergue-se na Serra do Imeri, no noroeste do Amazonas, próximo à fronteira com a Venezuela. O cume fica no município de Santa Isabel do Rio Negro.[28] O Parque Nacional do Pico da Neblina se estende para leste até São Gabriel da Cachoeira. De sua área, 70,79% fica em Santa Isabel do Rio Negro e 29,21% em São Gabriel da Cachoeira.[29]
O cume fica dentro do parque nacional e da Terra Indígena Yanomami. O parque também se sobrepõe às terras indígenas Balaio, Médio Rio Negro II e Cué-Cué Marabitanas. Terras indígenas cobrem quase 72% do parque. Só a Terra Indígena Yanomami cobre pouco mais da metade.[29]
O Parque Nacional do Pico da Neblina foi criado em 5 de junho de 1979 ao longo da fronteira venezuelana.[11] Do outro lado da fronteira, o maciço entra no Parque Nacional Serranía La Neblina, criado na Venezuela em 1978.[7] O Brasil acrescentou o Parque Nacional do Pico da Neblina à sua Lista Indicativa de Patrimônio Mundial da UNESCO em 1996, pelos critérios naturais vii, ix e x.[30]
Fronteira internacional e cumes próximos
O maciço da Neblina atravessa a fronteira entre Brasil e Venezuela, mas seu cume mais alto não. O Pico da Neblina fica cerca de 687 m dentro do Brasil.[5]
O Pico 31 de Março ergue-se a menos de um quilômetro de distância, diretamente sobre a fronteira internacional. Com 2 974,18 m, é o segundo cume mais alto do Brasil e fica 21,12 m abaixo do Pico da Neblina.[1] Os dois cumes se elevam a partir da parte mais alta da Serra do Imeri.[29]
O Pico da Neblina é o ponto mais alto do Escudo das Guianas.[6] É também o ponto mais alto da América do Sul a leste das cordilheiras andinas.[7] A expressão "montanha mais alta da América do Sul fora dos Andes" é menos precisa. A Sierra Nevada de Santa Marta, na Colômbia, é fisicamente separada das principais cordilheiras andinas e se eleva a mais de 5 700 m.[31][32]
Medições de altitude
Durante décadas, atribuía-se ao Pico da Neblina uma altitude de 3 014,1 m. O número vinha de uma medição barométrica realizada na década de 1960 pela Primeira Comissão Demarcadora de Limites do Ministério das Relações Exteriores.[33]
Uma equipe do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e do Instituto Militar de Engenharia voltou ao cume em 2004 com equipamento GPS geodésico. A medição fazia parte do Projeto Pontos Culminantes, que voltou a medir as montanhas mais altas do país. O Pico da Neblina chegou a 2 993,78 m, cerca de 20 m abaixo do valor usado até então.[33][34]
O valor mudou novamente em 2016, sem nova subida à montanha. O GPS mede a altura em relação a um modelo matemático da forma da Terra. A conversão dessa medida em uma altitude baseada no nível do mar também exige um modelo do campo gravitacional terrestre. O MAPGEO2015 elevou em 1,52 m a altitude calculada a partir das observações de 2004, para 2 995,30 m. O Pico 31 de Março recebeu a mesma correção, de 2 972,66 m para 2 974,18 m.[34][35] Nenhuma das montanhas havia subido fisicamente. A diferença veio do novo modelo de conversão.
O IBGE substituiu o MAPGEO2015 pelo modelo hgeoHNOR2020 em 2021. Ele converte medições GNSS nas altitudes normais usadas pelo Sistema Geodésico Brasileiro.[36] A altitude oficial do Pico da Neblina é de 2 995,30 m.[1]
Geologia e topografia
Geologia
O Pico da Neblina se ergue na parte ocidental do Escudo das Guianas, integrante do antigo Cráton Amazônico. O maciço da Neblina fica próximo à borda sul das terras altas do Pantepui, separado de outros blocos montanhosos elevados do Escudo das Guianas por terrenos muito mais baixos. Estende-se por cerca de 50 km de norte a sul e 20 km de leste a oeste, com a maior parte do maciço na Venezuela.[15]
Rochas cristalinas antigas formam a base do maciço. A Formação Neblina compõe grande parte da montanha superior, com arenito rico em quartzo, quartzito e rocha conglomerática, em parte alterados por metamorfismo.[12] As camadas ricas em quartzo se desgastam mais lentamente que as rochas ao redor, deixando falésias e cristas estreitas.
As rochas da Neblina já foram agrupadas com o Supergrupo Roraima, cujos arenitos formam muitas das montanhas tabulares mais ao norte. Elas pertencem a uma bacia sedimentar mais jovem. A sequência Roraima contém material vulcânico datado de cerca de 1,87 bilhão de anos e já havia sido cortada por intrusões máficas há aproximadamente 1,78 bilhão de anos. Os sedimentos da Neblina se acumularam depois, a partir de material erodido de cinturões mais antigos a leste e nordeste.[37]
As camadas não permaneceram horizontais. Partes da bacia ocidental foram deformadas há cerca de 1,33 bilhão de anos, e as camadas rochosas próximas ao Pico da Neblina apresentam forte inclinação.[37] A erosão deixou as camadas mais resistentes em pé ao longo da crista do cume. O Pico da Neblina forma um hogback, uma crista estreita escavada ao longo de camadas rochosas fortemente inclinadas.[13]
Relevo

O Pico da Neblina se eleva a partir do divisor de águas Amazonas-Orinoco, um cinturão montanhoso que atravessa aproximadamente de sudoeste para nordeste a borda norte do Amazonas. Planaltos elevados são cortados por encostas íngremes, escarpas e vales fluviais muito próximos entre si.[13] Grande parte do terreno imediatamente ao sul das montanhas fica a apenas 100–250 m acima do nível do mar.[13][38]
A mudança de altitude é especialmente brusca no lado brasileiro. Próximo à foz do rio Tucano, o lado sudeste do maciço fica a apenas cerca de 50 m acima do nível do mar. O terreno então sobe até 2 400 m no alto da Cachoeira do Anta antes de alcançar as cristas mais elevadas.[39] O Pico da Neblina se eleva mais de 2 900 m acima de algumas terras baixas próximas.

A parte alta do maciço não é uma única montanha pontiaguda. Extensas áreas elevadas ficam entre aproximadamente 2 000 e 2 400 m, interrompidas por vales e paredões rochosos.[14] A Neblina difere dos amplos tepuis de topo plano encontrados em outras partes do Planalto das Guianas. A erosão recortou profundamente o planalto, e o Pico da Neblina se eleva de sua borda sul como uma crista estreita.[15][13]
O Pico 31 de Março se eleva ao lado, a partir do mesmo terreno alto. Uma sela separa os cumes, e a fronteira internacional atravessa o Pico 31 de Março antes de continuar pelo maciço.[38] Vistos de algumas direções, os dois picos se confundem na mesma crista, embora o Pico da Neblina seja 21,12 m mais alto.[1]
Mais ao norte, no lado venezuelano, o planalto se alarga antes de cair em falésias e vales profundamente entalhados. O Cañon Grande avança pelo maciço e recebe as cabeceiras do Río Mawarinuma.[40]
Drenagem e erosão
A crista da Serra do Imeri divide as águas entre os sistemas do Amazonas e do Orinoco. A água que corre para o sul entra em afluentes do Rio Negro e depois no Rio Amazonas. Os cursos d'água do lado norte descem em direção ao Orinoco.[13][14]
No lado brasileiro, o Cauaburis drena grande parte do terreno abaixo do Pico da Neblina. O parque nacional também contém as cabeceiras dos rios Yá-Mirim, Yá, Maiá, Marauiá e Ariabu.[38] Seus afluentes cortam canais muito próximos entre si pelo cinturão montanhoso.
A chuva e a água corrente recortaram as rochas superiores em escarpas, cachoeiras e vales de vertentes íngremes. Camadas mais resistentes e ricas em quartzo permanecem como falésias e cristas enquanto materiais mais frágeis se desgastam ao redor.[13] A Cachoeira do Anta cai das terras altas do lado brasileiro, enquanto o Cañon Grande corta profundamente o planalto venezuelano.[39][40]
Clima
O clima muda rapidamente com a altitude. Abaixo de cerca de 500 m, as temperaturas médias anuais ficam acima de 24 °C. Entre 500 e 1 500 m, caem para aproximadamente 18–24 °C. Mais acima passam pela faixa de 12–18 °C e chegam a cerca de 8–12 °C na faixa altitudinal mais elevada.[14]
As terras baixas recebem cerca de 3 000 mm de chuva por ano e não têm estação seca. A umidade relativa média fica entre 85 e 90% nessa área.[14] A precipitação aumenta nas encostas até cerca de 1 800 m. Mais acima, a neblina acrescenta mais umidade e o ar se aproxima da saturação.[14]
Nuvens podem cobrir a parte superior da montanha por longos períodos, mantendo rochas, vegetação e solo molhados.[14] A água se acumula em depressões rasas nas terras altas, onde solos saturados e turfa aparecem entre rochas expostas. Uma dessas depressões, acima de 2 000 m, é a Bacia do Gelo, abaixo da crista do cume.[38]
Flora e fauna
Vegetação
Quase três quilômetros verticais separam as terras baixas amazônicas do cume. Abaixo de aproximadamente 600 m, florestas altas cobrem boa parte do terreno. A campinarana cresce sobre areias claras e pobres em nutrientes nas menores altitudes. Florestas de terra firme, chavascais alagados e faixas estreitas de igapó ocorrem nas terras baixas do Cauaburis.[38][41] Em uma área de dois hectares de floresta de terras baixas, foram encontradas pelo menos 229 espécies de árvores de 45 famílias. Eperua leucantha e Hevea cf. brasiliensis, juntas, correspondiam a 29% das árvores.[41]
A floresta montana começa mais acima nas encostas. Entre cerca de 600 e 2 000 m, árvores sobem pelas cristas e planaltos, mas ficam menores onde as encostas são íngremes ou os solos são rasos. Bromélias, líquens e fungos se tornam comuns acima de aproximadamente 1 000 m, com manchas de bambu na floresta úmida perene. Sobre rocha exposta, arbustos, gramíneas, orquídeas e plantas carnívoras crescem sob chuva, neblina e vento frequentes.[38][14]
Algumas plantas atravessam as terras altas da Neblina desde a Venezuela até o Brasil, enquanto outras têm distribuição muito pequena. A conífera Podocarpus acuminatus cresce desde o sul da Venezuela até a Serra da Neblina. Heliamphora neblinae cresce nas terras altas venezuelanas e na Serra da Neblina, no norte do Brasil.[42][43]
As árvores se tornam escassas perto dos planaltos mais altos. Acima de cerca de 2 400 m, arbustos baixos e ervas crescem entre rocha exposta, solos rasos, turfa e depressões úmidas.[38] Uma dessas depressões é a Bacia do Gelo, acima de 2 000 m. A planta carnívora Heliamphora tatei cresce ali em solos saturados. Saxofridericia compressa e Bonnetia neblinae crescem nas proximidades, enquanto Macairea neblinae é endêmica da Serra da Neblina.[38]
Poucas coletas botânicas foram feitas nas encostas superiores. Vinte e sete espécies de samambaias e licófitas coletadas no lado brasileiro em 2003 e 2004 ainda não haviam sido encontradas em outros pontos do Brasil.[39] Coletas feitas ao redor da Bacia do Gelo e perto do cume em 2012 acrescentaram 23 táxons aos então conhecidos no país.[38][44] A samambaia Sticherus brevitomentosus ainda não havia sido encontrada no Brasil quando um exemplar foi coletado no igarapé Cuiabixi, a 2 060 m de altitude, em 2012.[45] Duas espécies de Mandevilla, M. neblinensis e M. yanomamii, foram descritas a partir da área do Pico da Neblina em 2026.[46]
Animais
As comunidades animais também mudam rapidamente com a altitude. Pelo menos 529 espécies de aranhas, pertencentes a 39 famílias, foram encontradas entre 100 e 2 400 m.[47] Por volta de 1 550 m, a composição das espécies começa a mudar de forma acentuada. As comunidades encontradas a 2 000 e 2 400 m diferem bastante das que vivem nas partes mais baixas da montanha.[14] Sete espécies do gênero de aranhas orbitelas Chrysometa encontradas no Pico da Neblina eram novas para a ciência quando foram descritas em 2011, e a maioria veio de altitudes médias ou elevadas.[48]
Mamíferos maiores vivem nas florestas abaixo dos planaltos mais altos. Onças-pintadas, onças-pardas, antas e cachorros-vinagre já foram encontrados no parque nacional.[38][49] Uacaris-de-cabeça-preta comem principalmente sementes e frutos verdes e já foram observados se alimentando de pelo menos 120 espécies vegetais. Eperua leucantha, Hevea cf. brasiliensis e Micrandra sprucei estão entre as árvores que usam com maior frequência.[50]
Dois sapos minúsculos vivem na parte superior do maciço. Neblinaphryne mayeri e Caligophryne doylei receberam esses nomes em 2024. Cada um pertence a uma linhagem distinta o bastante para ter gênero e família próprios, Neblinaphrynidae e Caligophrynidae. Seus parentes vivos mais próximos divergiram deles há mais de 45 milhões de anos.[15]

As flores das encostas altas alimentam seus próprios polinizadores. Entre aproximadamente 1 850 e 2 100 m, no lado venezuelano, abelhas nativas polinizam Heliamphora tatei, Saxofridericia compressa e outras plantas. O asa-de-sabre-de-peito-camurça bebe néctar das flores alaranjadas e avermelhadas de Psittacanthus montis-neblinae, enquanto o morcego Anoura geoffroyi visita Macrocarpaea neblinae.[26]
História humana e exploração
Conhecimento Yanomami de Yaripo

Muito antes de topógrafos e naturalistas chegarem às partes altas da montanha, comunidades Yanomami percorriam a região ao redor de Yaripo. Alguns caminhos para o cume seguem antigas rotas de migração. Ao longo deles ficam antigos locais de moradia, áreas de caça e coleta de alimentos, abrigos, lagos e lugares relacionados aos espíritos hekura.[51]
Yaripo é sagrado na crença Yanomami e é entendido como morada de espíritos. O conselheiro Yanomami do parque Salomão Mendonça Ramos contou a história de Yoyoma, um grande xamã que conheceu Yaripo por meio de uma visão espiritual. Lugares sagrados ficam ao longo do caminho para o cume e na própria montanha.[9] Xamãs se referem a Yaripo em rituais ligados aos espíritos e às forças do mundo natural.[10]
Primeiras observações externas

Naturalistas europeus talvez tenham avistado o maciço da Neblina no século XIX. Alfred Russel Wallace, viajando pelo Rio Negro, escreveu em 1853 que havia avistado as "serras of the Cababurís" perto de Marabitanas.[20] Richard Spruce também viu, a partir do alto Rio Negro, uma cadeia distante com escarpas íngremes. O botânico John F. Pruski interpretou essas observações, e uma anterior feita por Robert Hermann Schomburgk, como prováveis avistamentos do que hoje é a Serra da Neblina, embora os antigos nomes e posições geográficas não se ajustem facilmente aos mapas atuais.[21]
Em 12 de março de 1952, as montanhas foram avistadas do ar. O botânico brasileiro Ricardo de Lemos Fróis voava de Tapuruocara, atual Santa Isabel do Rio Negro, em direção a Mercês quando viu uma cadeia montanhosa que estimou ter cerca de 3 000 m. O Catalina da Panair do Brasil era pilotado por Richer e Mário Jucá. Fróis acreditava que as montanhas pertenciam à antiga Serra do Caburi e escreveu que moradores da região do Rio Negro já as conheciam.[22]
Expedições e demarcação da fronteira

Bassett Maguire, John J. Wurdack e George S. Bunting entraram nas bacias dos rios Pacimoni e Yatua em novembro de 1953 e passaram os meses seguintes explorando o Cerro de la Neblina.[52] Em 27 de dezembro, já haviam subido à escarpa superior, entre aproximadamente 1 600 e 1 800 m.[53] No início de janeiro de 1954, chegaram à vegetação aberta das terras altas, perto do acampamento Cumbre, a cerca de 1 900 m.[54]
Uma expedição separada, financiada pelo ornitólogo venezuelano William H. Phelps Jr., saiu de Caracas em 2 de janeiro de 1954. O grupo atravessou a região do alto Orinoco e entrou no Río Pacimoni em 5 de janeiro. Alexander Wetmore e James H. Kempton permaneceram em um acampamento nas terras baixas, enquanto Phelps, o geólogo Charles D. Reynolds e o grupo de montanha seguiram para a Neblina e se juntaram à equipe de Maguire.[55]
Em 1955, Maguire e Reynolds publicaram Cerro de la Neblina, Amazonas, Venezuela: A Newly Discovered Sandstone Mountain.[24] Fróis rejeitou a ideia de que a montanha tivesse acabado de se tornar conhecida, citando seu voo de 1952 e o conhecimento da Serra do Caburi entre moradores da região do Rio Negro.[22]
Maguire e Wurdack voltaram entre outubro de 1957 e janeiro de 1958 e trabalharam no planalto elevado a oeste do acampamento Cumbre.[52] Em 17 de dezembro de 1957, Maguire, Wurdack e Celia K. Maguire coletaram plantas na cabeceira oriental do Cañon Grande, entre 1 900 e 2 000 m.[56] O artigo publicado por eles em 1959 examinou a posição do Cerro de la Neblina em relação à fronteira Brasil–Venezuela.[57]
Equipes brasileiras e venezuelanas de demarcação da fronteira se aproximaram do maciço pelo lado brasileiro em 1964. A expedição passou por Maturacá e seguiu pela bacia do Cauaburis antes de subir a partir do rio Tucano. Em 22 de abril, o grupo chegou à fronteira internacional a cerca de 1 700 m. O trabalho prosseguiu por trechos mais elevados da fronteira, entre aproximadamente 1 800 e 2 200 m, ainda naquele mês.[52][58]
Cume e expedições científicas
O topógrafo brasileiro José Ambrósio de Miranda Pombo fez a primeira ascensão conhecida ao Pico da Neblina em 1965. Pombo trabalhava na fronteira entre Brasil e Venezuela e comandou a primeira expedição conhecida a alcançar o cume.[3][16] A Primeira Comissão Demarcadora de Limites também mediu o cume na década de 1960. A medição barométrica chegou a 3 014,1 m, valor que permaneceu em uso oficial por quase quatro décadas.[33]
Bassett Maguire voltou em outubro de 1965 com um grupo que incluía o botânico brasileiro João Murça Pires e Julian Alfred Steyermark. A expedição permaneceu na região da Neblina até fevereiro de 1966.[52] Em 2 de dezembro de 1965, Maguire, Pires e Celia K. Maguire coletaram plantas entre aproximadamente 2 600 e 2 700 m no lado brasileiro.[25]
Uma expedição brasileira em 1991 passou cerca de vinte dias ao redor da Bacia do Gelo, coletando espécimes biológicos na parte superior da montanha.[59]
Em 2016, guias Yanomami voltaram ao cume com um grupo do ICMBio, da Funai e de organizações parceiras para uma expedição de etnomapeamento. A viagem de dez dias seguiu antigas rotas pela floresta e passou novamente por antigos assentamentos, locais de descanso e lugares sagrados no caminho para Yaripo.[51] O grupo mapeou rotas e topônimos Yanomami, depois usados em trabalhos sobre o parque nacional e a Terra Indígena.
Escalada e acesso
Rota
As expedições partem de São Gabriel da Cachoeira em veículos com tração nas quatro rodas e percorrem cerca de 85–88 km da BR-307, sem pavimentação, até Frente-Sul, no igarapé Yá-Mirim. De lá, lanchas motorizadas levam cerca de seis horas até Maturacá. Na manhã seguinte, a viagem continua por aproximadamente duas horas pelo rio Cauaburis até Porto Tucano, onde começa a caminhada.[4]
O percurso a pé tem cerca de 70 km, ida e volta. Grande parte passa sob floresta fechada, por terreno úmido e em subida constante. Os dias de caminhada costumam durar de seis a oito horas, e as noites são passadas em redes, em acampamentos simples próximos a fontes de água potável.[17]
A trilha passa pelos acampamentos Irokae, Gavião, Bebedouro Novo e Laje antes de chegar a Areal, abaixo do cume. No itinerário de 2026, a caminhada de Laje até Areal leva cerca de oito horas. Os montanhistas tentam alcançar o cume no dia seguinte, com outras oito horas previstas para a subida e a volta a Areal.[4]
A subida final ganha cerca de 1 000 m em poucas horas. A floresta dá lugar a terras altas úmidas e rocha exposta, com pequenos trechos em que é preciso escalar ou transpor a rocha.[17] Cordas e degraus metálicos foram instalados em partes da rota superior, e trabalhos nos degraus em direção ao cume fizeram parte dos preparativos da trilha para 2026.[60][4]
A dificuldade da rota vem principalmente de sua extensão, das trilhas íngremes e molhadas, da lama e do isolamento. Não é necessária escalada técnica contínua em rocha, mas o dia do cume chega depois de vários dias de caminhada pela floresta.[17][60] A descida volta a passar por Bebedouro Novo e Irokae antes do retorno de barco a Maturacá e depois a São Gabriel da Cachoeira. O itinerário de 2026 dura onze dias.[4]
Segurança e atendimento de emergência
O Pico da Neblina fica longe de hospitais e de serviços convencionais de resgate. As expedições passam dias viajando por estrada, rio e trilha na floresta antes de chegar à parte superior da montanha.[4] Operadores autorizados precisam manter um plano de resgate para áreas remotas. Os visitantes devem apresentar atestado médico, reconhecer os riscos da expedição e ter seguro de viagem com cobertura para atendimento médico e resgate.[4]
Guias Yanomami receberam treinamento em primeiros socorros e resgate em áreas remotas. Em 2023, o ICMBio e organizações parceiras realizaram um curso de dez dias para guias do projeto Yaripo, com treinamento em atendimento de emergência e resgate em terrenos isolados.[61]
A água pode ficar escassa nas áreas mais altas. Uma expedição de 2015 passou três dias no cume e exigiu logística adicional para abastecer o grupo em um ponto onde havia pouca água disponível.[9]
Entre 26 de janeiro e 6 de fevereiro de 2026, uma expedição do ICMBio inspecionou a trilha e os acampamentos para reduzir o risco de acidentes durante a subida.[62] As equipes também levam equipamentos de comunicação por satélite, e internet Starlink foi acrescentada às comunicações de campo em 2026.[63]
Fechamento e reabertura
As subidas turísticas começaram na década de 1980. À medida que mais agências passaram a levar grupos ao parque, não havia regras acordadas para a entrada em território Yanomami nem para a distribuição da renda com as comunidades ao longo da rota. Surgiram conflitos e preocupações com danos dentro do parque. O acesso turístico foi suspenso em 2003 após recomendação do Ministério Público Federal.[17][4]
Em 2013, a Associação Yanomami do Rio Cauaburis e Afluentes, AYRCA, pediu ao ICMBio e à Funai que elaborassem novas regras para as visitas. Lideranças e moradores Yanomami passaram os quatro anos seguintes preparando o plano de visitação Yaripo, com participação da Associação das Mulheres Yanomami Kumirayoma, AMYK.[17] O plano ficou pronto em julho de 2017 e foi aprovado pelo ICMBio em maio de 2018. A Funai deu sua anuência em setembro de 2019.[64][17]
Viagens comerciais estavam sendo preparadas para 2020 quando a pandemia de COVID-19 adiou a reabertura. O primeiro grupo pagante no novo sistema saiu de São Gabriel da Cachoeira em março de 2022.[60][65] Cinco expedições levaram 43 visitantes pagantes entre março e julho daquele ano. Em abril de 2024, 73 visitantes pagantes haviam subido a montanha em nove expedições comerciais.[17]
A Funai renovou em junho de 2026 sua anuência ao plano de visitação Yaripo por mais três anos.[66]
Ecoturismo Yaripo
As subidas são organizadas pelo projeto Yaripo Ecoturismo Yanomami. Operadores turísticos precisam de autorização do ICMBio e do consentimento da AYRCA e da AMYK antes de levar grupos à rota. Cada grupo pode ter no máximo dez visitantes.[4]
Depois que a viagem entra em território Yanomami, equipes Yanomami conduzem grande parte da expedição. Pilotos de barco transportam os grupos pelos rios, enquanto guias, cozinheiros e carregadores acompanham a caminhada e cuidam dos acampamentos.[4] A trilha não passa por aldeias Yanomami. As lideranças deixaram as aldeias fora da rota turística porque as comunidades não haviam concordado em receber visitantes ali.[17]
Antes de sair de Maturacá para a trilha, os visitantes participam de um ritual de proteção conduzido por anciãos Yanomami. O ritual dá ao grupo permissão para entrar no território sagrado de Yaripo e pede proteção durante a viagem.[17]
Os visitantes devem permanecer na rota acordada dentro da Terra Indígena. Caçar, pescar, coletar plantas ou pedras, portar bebidas alcoólicas ou armas de fogo e deixar resíduos são proibidos.[4] A administração do parque pode suspender expedições quando as condições se tornam inseguras, e a Funai pode pedir a suspensão do acesso pelo território Yanomami.[4]
Conservação
A maior parte do maciço da Neblina permanece em bom estado, mas o garimpo ilegal de ouro, a caça, a pesca, a ocupação irregular ao longo da BR-307 e a entrada sem autorização danificaram partes do parque nacional.[18]
Os danos do garimpo são especialmente visíveis nas áreas mais altas. Garimpeiros trabalharam na Bacia do Gelo, acima de 2 000 m e abaixo da crista do cume, por volta do início dos anos 2000. O terreno alterado ainda não havia se recuperado em 2022. O garimpo também danificou áreas ao redor da trilha do Pico da Neblina e outros pontos das montanhas.[18]
O garimpo também alterou cabeceiras. Cursos d'água em áreas mineradas foram desviados ou preenchidos por sedimentos, prejudicando a qualidade da água e habitats aquáticos. A maioria das cabeceiras em outras partes do parque permanece em bom estado.[18] A extensão da contaminação por mercúrio ao redor do Pico da Neblina ainda não havia sido estabelecida quando o plano de manejo de 2022 foi concluído. O plano pediu exames das cabeceiras e dos moradores indígenas.[18] Em outras partes da Terra Indígena Yanomami, mercúrio e outros metais pesados liberados pela mineração contaminaram rios, solo e animais usados como alimento.[67] O mercúrio do garimpo artesanal pode se transformar em metilmercúrio na água e no solo e se acumular na cadeia alimentar.[68]
O garimpo ilegal persistiu perto da montanha. Em março de 2023, uma operação conjunta percorreu mais de 90 km de trilhas pelo parque nacional e pela Terra Indígena Yanomami depois que comunidades próximas a Maturacá denunciaram garimpo na área.[69] Outra operação, em junho de 2025, usou imagens de satélite para encontrar rotas clandestinas e terrenos alterados antes que as equipes percorressem as áreas dos rios Cauaburis, Tucano, Maricibueri e Titiricô e desmontassem estruturas de mineração ilegal.[70]
O garimpo ilegal em outras partes da Terra Indígena Yanomami dependeu fortemente de aeronaves. Pistas clandestinas e apreendidas abasteceram minas em áreas inacessíveis por estrada.[71] Em fevereiro de 2023, o governo federal iniciou uma operação destinada a retirar mais de 20 mil garimpeiros ilegais do território Yanomami.[72] Em 2024, o Primeiro Comando da Capital também estava envolvido no garimpo ilegal de ouro em áreas indígenas remotas do norte da Amazônia.[73] Órgãos de direitos humanos das Nações Unidas pediram que o Brasil interrompesse o garimpo ilegal em terras indígenas e manifestaram preocupação com violações contra comunidades Yanomami.[74]
A caça, a pesca e o acesso por estrada criam outras pressões. A BR-307 permite chegar a áreas que, de outra forma, seriam difíceis de alcançar e também foi usada para ocupações não autorizadas.[18] A abertura de estradas em outras áreas da Amazônia permitiu repetidamente que assentamentos e desmatamento avançassem sobre florestas remotas.[75] As patrulhas se concentram na BR-307, nos rios Cauaburis e Marauiá e no igarapé Inambú, usados para entrar no parque.[18]
Visitantes anteriores também deixaram danos no cume. Uma expedição em 2011 retirou placas presas às rochas. Em 2015, trabalhadores Yanomami e do ICMBio removeram lixo, parafusos e bases de placas, apagaram pichações e recolheram cartuchos de armas e outros resíduos.[9]
O sistema de visitação Yaripo mantém os grupos em uma trilha acordada, limita seu tamanho e exige que os resíduos sejam levados para fora da Terra Indígena.[4] O projeto verifica as condições das trilhas e dos acampamentos e os efeitos das visitas.[17][18] O trabalho como guia, piloto de barco, cozinheiro ou carregador gera renda para comunidades Yanomami participantes e oferece uma alternativa ao garimpo ilegal.[17][18]
Espécies confinadas às encostas mais altas enfrentam outros riscos. Neblinaphryne mayeri foi encontrado desde 2 013 m até o cume, a 2 995 m, mas apenas dois dos 33 exemplares da série original foram coletados abaixo de 2 600 m.[76] Caligophryne doylei vive principalmente em torno de 2 000 m no mesmo maciço.[77]
Anfíbios de grandes altitudes enfrentam riscos particulares com o aquecimento e as doenças, e linhagens do Pantepui ainda desconhecidas podem desaparecer antes de serem encontradas.[15] Boa parte da flora e da fauna nas maiores altitudes ainda é pouco conhecida, e o plano de manejo do parque prevê mais trabalhos sobre espécies endêmicas nessas áreas.[18]
Referências culturais e homenagens
Guimarães Rosa trabalhou no Ministério das Relações Exteriores em questões de fronteira envolvendo a região da Neblina antes de morrer em 1967. Em dezembro de 1969, um cume de 2 150 m na Cordilheira Curupira, na fronteira Brasil–Venezuela, recebeu o nome Pico Guimarães Rosa.[78][79]
Em 2001, o fotógrafo José de Paula Machado e o escritor Márcio Souza publicaram Pico da Neblina: Origens de Nossa Civilização. O livro, com 176 páginas, combina fotografias de Machado sobre o parque nacional com textos de Souza sobre a região e seus povos indígenas.[80]
A partir de 2001, militares de infantaria da Força Aérea Brasileira em Manaus passaram a subir o Pico da Neblina por volta do Dia da Bandeira, em 19 de novembro, para substituir a bandeira brasileira no cume. Chegar ao topo exigia dias de viagem a pé a partir da região de Maturacá. A bandeira antiga era queimada durante a cerimônia do Dia da Bandeira e uma nova era hasteada em um mastro de 4 m no ponto mais alto do Brasil.[81]
A montanha deu nome ao drama brasileiro da HBO Pico da Neblina, lançado em agosto de 2019. A história se passa em uma São Paulo fictícia após a legalização da cannabis e acompanha Biriba, um ex-traficante que entra no mercado legal.[82] A série estreou nos Estados Unidos pela HBO Latino com o título Joint Venture em 9 de agosto de 2019.[83] A segunda temporada foi lançada em 2022.[84]
Ver também
Referências
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Leitura adicional
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- Beau-Douëzy, Jean-Philippe; Cambornac, Michel; Sampers, Erik (1999). Neblina: Of Mists and Scents. Paris: Éditions de La Martinière. ISBN 978-2-7324-2255-8
- Brewer-Carías, Charles, ed. (1988). Cerro de la Neblina: Resultados de la Expedición 1983–1987 (em espanhol). Caracas: Fundación para el Desarrollo de las Ciencias Físicas, Matemáticas y Naturales. 922 páginas. ISBN 978-980-300-437-8
- Gentry, Alwyn H. (1986). «Exploring the Mountain of the Mists». Science Year: The World Book Science Annual 1986. [S.l.: s.n.] pp. 125–139
- Kopenawa, Davi; Albert, Bruce (2013). The Falling Sky: Words of a Yanomami Shaman. Tradução de Nicholas Elliott e Alison Dundy. Cambridge, Massachusetts: Belknap Press of Harvard University Press. ISBN 978-0-674-72707-6
- Machado, José de Paula; Souza, Márcio (2001). Pico da Neblina: Origens de Nossa Civilização. Rio de Janeiro: Agir. 176 páginas. ISBN 978-85-220-0530-7
- Milliken, William; Albert, Bruce; Gomez, Gale Goodwin (1999). Yanomami: A Forest People. Richmond, Surrey: Kew Publishing. 169 páginas. ISBN 978-1-900347-73-0
- Phelps, Kathleen Deery de (1986). Memorias de Misia Kathy: Primera Expedición Phelps al "Cerro Jimé", actual Cerro de La Neblina, enero-febrero, 1954 (em espanhol). Caracas: TecniProven. 194 páginas. ISBN 980-265-446-9
- Ramos, Alcida Rita; Taylor, Kenneth I. (1979). The Yanoama in Brazil 1979. Col: IWGIA Document. 37. Copenhague: Anthropology Resource Center, Survival International and International Work Group for Indigenous Affairs. 170 páginas. ISSN 0105-4503
- Steyermark, Julian A.; Berry, Paul E.; Holst, Bruce K.; Yatskievych, Kay (1995). «Introduction». Flora of the Venezuelan Guayana. 1. St. Louis: Missouri Botanical Garden Press. 363 páginas. ISBN 978-0-915279-73-9


