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Paulo Ximenes
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Paulo Cesar Ximenes | |
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Foto de Ximenes na galeria de ex-Secretários de Política Econômica. | |
| 18.º Presidente do Banco Central do Brasil | |
| Período | 26 de março de 1993 até 9 de setembro de 1993 |
| Antecessor(a) | Gustavo Loyola |
| Sucessor(a) | Pedro Malan |
| Presidente do Banco do Brasil | |
| Período | 16 de fevereiro de 1995 até 31 de dezembro de 1998 |
| Antecessor(a) | Alcir Augustinho Calliari |
| Sucessor(a) | Andrea Calabi |
| Dados pessoais | |
| Nome completo | Paulo César Ximenes Alves Ferreira |
| Nascimento | 30 de dezembro de 1943 (82 anos) Rio de Janeiro, Distrito Federal |
| Cônjuge | Sílvia Regina Jobim Alves Ferreira |
| Filhos(as) | 3 |
| Profissão | economista |
| Assinatura | |
Paulo César Ximenes Alves Ferreira (Rio de Janeiro, 30 de dezembro de 1943) é um economista brasileiro. Funcionário de carreira do Banco Central do Brasil, ocupou diversas posições no Ministério da Fazenda ao longo das décadas de 1980 e 1990, entre as quais a de secretário do Tesouro Nacional (1988). Foi diretor-executivo do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Presidiu o Banco Central do Brasil entre março e setembro de 1993, durante o governo Itamar Franco, e o Banco do Brasil de 1995 a 1998, no governo Fernando Henrique Cardoso.[1]
Origens e formação
Paulo César Ximenes nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em 30 de dezembro de 1943. É filho de Pedro da Costa Alves Ferreira e de Aura Ximenes Alves Ferreira.[1] Aos dezessete anos, prestou concurso para o Banco do Brasil, sendo classificado para a agência de Londrina, no Paraná, onde tomou posse em 1964.[2]
Em 1966, antes de completar dois anos na instituição, obteve requisição para ingressar no Banco Central, que estava em fase de organização. Inicialmente lotado na Contabilidade Geral, no Rio de Janeiro, transferiu-se em 1968 para Porto Alegre, onde foi criada uma área de contabilidade regional.[2] Na capital gaúcha, cursou a graduação em economia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), graduando-se em 1972.[1] Obteve, em 1977, especialização na área monetária junto ao Centro de Estudos Monetários Latino-Americanos.[1]
Carreira no Banco Central e no Ministério da Fazenda
Ainda em 1972, Ximenes foi transferido para Brasília, passando a atuar como economista no Departamento Econômico (Depec) do Banco Central. Naquela época, o Banco Central dividia com o Banco do Brasil a função de autoridade monetária, cabendo-lhe elaborar o Orçamento Monetário — tarefa cuja coordenação Ximenes posteriormente assumiu.[3] O Orçamento Monetário era o instrumento pelo qual se autorizava a expansão da base monetária a partir das operações do Banco Central e do Banco do Brasil, aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).[4]
Assessoria econômica e Secretaria-Geral
A partir de 1979, já no governo Figueiredo, Ximenes foi requisitado para a Assessoria Econômica do Ministério da Fazenda, então chefiada por Maílson da Nóbrega. Com a chegada de Ernane Galvêas à pasta, Maílson tornou-se secretário-geral do ministério e Ximenes exerceu por um período a função de secretário-geral adjunto.[5] De volta ao Banco Central, chefiou a Delegacia Regional de Porto Alegre entre 1985 e 1987.[1]
Reordenamento das finanças públicas
Durante a gestão de Maílson como secretário-geral, foi constituído um grupo de trabalho — coordenado por Raymundo Moreira e integrado por mais de 150 técnicos do Banco Central, Banco do Brasil e dos ministérios da Fazenda e do Planejamento — com o objetivo de reorganizar as finanças públicas do país. As conclusões do grupo recomendaram a unificação dos orçamentos (com a extinção do Orçamento Monetário), o fim da conta movimento do Banco do Brasil, a criação da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e a transferência das atividades de fomento do Banco Central para outras instituições. Ximenes participou do processo e considerou-o decisivo para o aperfeiçoamento da gestão fiscal brasileira.[6]
Secretário do Tesouro Nacional
Em 1987, quando Bresser Pereira assumiu o Ministério da Fazenda, Maílson da Nóbrega tornou-se secretário-geral e convidou Ximenes para secretário-geral adjunto. Após o fracasso do Plano Bresser e a posse de Maílson como ministro, em 1988, Ximenes primeiro ocupou a Secretaria de Assuntos Econômicos e, em seguida, assumiu a chefia da Secretaria do Tesouro Nacional, sucedendo Andrea Calabi.[7][1] Quando Mário Berard foi deslocado para a presidência do Banco do Brasil, Ximenes passou à Secretaria-Geral do Ministério da Fazenda, transmitindo o comando da STN a Luiz Antônio Andrade Gonçalves.[7]
Chefia do Departamento de Operações Bancárias
Antes de deixar o governo, Ximenes ainda chefiou o Departamento de Operações Bancárias (Deban) do Banco Central. Nessa função, executou uma das recomendações do grupo de trabalho de finanças públicas: a transferência para o Banco do Brasil das atividades de fomento até então exercidas pelo Banco Central, como o redesconto a manufaturados exportáveis e os financiamentos a trading companies.[8] No Deban, também lidou com a questão dos bancos estaduais, que sacavam contra seus próprios depósitos e se endividavam junto ao Banco Central no redesconto ou deixavam de recolher o depósito compulsório, configurando o que Ximenes qualificou como emissão irregular de moeda.[9]
Banco Mundial e BID
Durante a maior parte do governo Collor, Ximenes ocupou cargos em organismos multilaterais. Exerceu brevemente a função de secretário-geral do Ministério da Infraestrutura, sob o ministro Ozires Silva, e em seguida partiu para Washington, D.C., onde atuou como diretor-executivo do Banco Mundial, representando o Brasil, por três anos (1990–1992).[10][1] Em 1992, serviu como diretor-executivo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), representando Brasil, Equador e Suriname.[1]
Presidência do Banco Central
Nomeação e contexto
Em março de 1993, já sob a presidência de Itamar Franco, o ministro da Fazenda Eliseu Resende convidou Ximenes a retornar ao Brasil para assumir a presidência do Banco Central, em substituição a Gustavo Loyola.[1] A indicação foi bem recebida pelo mercado financeiro, mas gerou desconforto no Palácio do Planalto, pois Ximenes, quando secretário-geral da Fazenda, havia sido responsável pelo afastamento de Alcir Calliari da Diretoria de Recursos Tecnológicos do Banco do Brasil.[1] Ximenes condicionou a aceitação do convite à prerrogativa de influir na composição da nova diretoria do Banco Central.[1]
Na sabatina perante a Comissão Econômica do Senado, Ximenes defendeu controle rigoroso sobre os bancos estaduais e propôs uma reforma fiscal ampla, negociada com o Congresso, que permitisse ao governo maior flexibilidade na gestão das receitas tributárias, com o objetivo de reduzir juros e inflação. Declarou que seria difícil assegurar crescimento econômico durante a administração Itamar, e que a redução dos índices inflacionários só seria possível mediante uma ampla reforma tributária.[1] Essas declarações provocaram irritação no presidente Itamar Franco, que cogitou demiti-lo antes mesmo da posse, sendo dissuadido por Eliseu Resende.[1]
Gestão e conflitos com o governo
A posse de Ximenes ocorreu em 6 de abril de 1993.[11] Ainda naquele mês, Itamar Franco divulgou um programa de desenvolvimento que ia contra o compromisso assumido pelo Banco Central de evitar receituários heterodoxos. A autarquia não acatou a orientação de cortar juros, e o presidente reagiu chamando a instituição de "caixa preta", ordenando que Vando Borges, então ministro interino da Fazenda, tomasse providências para subordinar o Banco Central às metas do governo.[1]
A divergência sobre o nível dos juros foi o principal foco de atrito ao longo de toda a gestão. O presidente Itamar recebia de colaboradores — entre os quais José Eduardo Andrade Vieira, ministro da Indústria e do Comércio e proprietário do Banco Bamerindus — a avaliação de que a taxa de curto prazo poderia ser drasticamente reduzida. Ximenes discordava, sustentando que, embora isso pudesse ser viável em outros países, não se aplicava à realidade brasileira da época.[12][1] Chegou a colocar o cargo à disposição, argumentando que as cobranças públicas pela imprensa desgastavam a autoridade das instituições.[12]
No início de junho de 1993, o governo lançou o Plano de Ação Imediata (PAI), com corte de despesas e redução do deficit público. Ximenes avaliou que a disposição do governo de conter gastos, abrindo espaço para uma reforma fiscal a partir da revisão constitucional, criava condições favoráveis à desaceleração da inflação.[1] Destacou, ainda, que a renegociação da dívida junto ao Clube de Paris refletia a credibilidade do plano e alertou os bancos públicos a se prepararem para operar em ambiente de inflação mais baixa.[1]
Em agosto, novos atritos surgiram quando Itamar Franco voltou a cobrar redução dos juros e determinou medidas relativas aos cheques pré-datados, tema sobre o qual Ximenes sustentava que não poderia, como presidente do Banco Central, contrariar a legislação vigente, que definia o cheque como meio de pagamento à vista.[12][1] Fernando Henrique Cardoso, já à frente da Fazenda desde maio, interveio para evitar a demissão de Ximenes.[1]
Demissão
O episódio decisivo foi o anúncio, por Itamar Franco, de uma redução nas tarifas bancárias, contrariando a posição do Banco Central, que considerava que a medida levaria os bancos a repassar custos administrativos às taxas de juros nominais. Com a situação insustentável, Ximenes pediu demissão em 13 de agosto de 1993, sendo substituído por Pedro Malan, então negociador da dívida externa.[1]
Presidência do Banco do Brasil
Nomeação e resistências
Após a posse de Fernando Henrique Cardoso na chefia do Executivo federal, em janeiro de 1995, Ximenes recebeu a indicação para comandar o Banco do Brasil. A escolha gerou resistências na base aliada do governo, sobretudo entre parlamentares vinculados ao setor rural, que temiam o fechamento de agências mantidas por pressão política.[1] As objeções atrasaram sua posse por cerca de um mês; ao final das negociações, Ximenes assegurou a nomeação de cinco dos seis diretores do banco e assumiu o cargo em 16 de fevereiro de 1995, no lugar de Alcir Calliari.[1]
Crise financeira e programa de ajustes
O Banco do Brasil enfrentava um quadro financeiro grave. Com a estabilização trazida pelo Plano Real, o sistema bancário perdera receitas derivadas do float inflacionário. No caso do BB, esses ganhos representavam cerca de 40% das receitas de intermediação financeira no primeiro semestre de 1994 e caíram para menos de 5% nos períodos seguintes, gerando perdas anuais estimadas em quatro bilhões de reais.[13] Ao mesmo tempo, o aperto de liquidez provocou aumento da inadimplência, e as oscilações cambiais causaram prejuízos nos investimentos internacionais da instituição. O BB registrou prejuízo de 85,4 milhões de reais no segundo semestre de 1994 — o primeiro resultado negativo de sua história recente.[13]
Ximenes implantou, já em fevereiro de 1995, um programa de ajustes com dois eixos: no curto prazo, elevação de receitas e redução de despesas; no médio e longo prazo, modernização da empresa para competir em um ambiente de inflação baixa.[14] Uma das primeiras medidas foi adotar a gestão colegiada com foco em resultados. Na área de crédito, a análise de risco foi segregada das funções operacionais, implantou-se uma central de análise de crédito (que obteve certificação ISO 9002 em novembro de 1997) e foi adotado o sistema de credit scoring para pessoas físicas.[14]
Ximenes também alterou os critérios de provisão de créditos inadimplentes, passando a realizar o provisionamento integral já após sessenta dias de vencimento, em vez do prazo anterior de 180 dias — mudança que, embora agravasse os resultados contábeis no curto prazo, visava conferir maior transparência patrimonial ao banco.[1] Os prejuízos acumulados atingiram 4,3 bilhões de reais em 1995 e 7,8 bilhões no primeiro semestre de 1996, levando o patrimônio líquido do banco abaixo do mínimo exigido pelo Acordo da Basileia.[15]
Capitalização e modernização
Diante do desequilíbrio patrimonial, o governo promoveu em maio de 1996 uma chamada de capital de oito bilhões de reais. Como o mercado não absorveu a totalidade da emissão, o Tesouro Nacional assumiu as sobras, elevando sua participação no capital do banco de 29% para 73%.[15][1] A operação foi acompanhada de uma ampliação das prerrogativas dos acionistas minoritários nas deliberações dos conselhos de administração e fiscal, medida que Ximenes apresentou como forma de reduzir a ingerência política na gestão da instituição.[1]
No campo tecnológico, o BB encontrava-se defasado em relação à concorrência privada: em 1995, dispunha de pouquíssimos caixas eletrônicos e ainda utilizava processos manuais para a leitura de cartões de crédito. Sob a liderança de Hugo Dantas Pereira, que chefiou a área tecnológica, foi executado um plano de investimentos de 1,7 bilhão de reais, que incluiu a construção do Complexo Central de Tecnologia em Brasília, a automatização de todas as agências em regime online/real time e a redução dos centros de backoffice de 143 para 33.[16] A criação da Cielo, com a participação dos bancos operadores da bandeira Visa, permitiu ao BB modernizar as operações com cartões.[16]
Na política de pessoal, Ximenes instituiu o Programa de Desligamento Voluntário (PDV), ao qual aderiram cerca de treze mil funcionários, e contratou consultoria para reestruturar o sistema de remuneração, atrelando-o às funções exercidas em vez da mera antiguidade. O quadro de funcionários caiu de 143 mil (incluindo estagiários) ao final de 1994 para 87 mil ao final de 1999.[17] Foram fechadas dezoito agências no país e oito no exterior.[17]
Resultados e saída
Ao final da gestão, o BB era considerado competitivo no mercado bancário. Em novembro de 1998, a instituição recebeu o prêmio Qualidade em Bancos, concedido pela revista Banco Hoje por recomendação de 22 entidades empresariais.[13] Ximenes deixou a presidência do Banco do Brasil em 31 de dezembro de 1998, sendo substituído por Andrea Calabi.[1] Em junho de 1999, ingressou no setor financeiro privado, assumindo a presidência do Grupo Financeiro Meridional, controlado pelo Bozano, Simonsen.[1]
Vida pessoal
É casado com Sílvia Regina Jobim Alves Ferreira; o casal tem três filhos.[1]
Referências
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 Cruz & Costa 2010.
- 1 2 Ferreira 2019, p. 15.
- ↑ Ferreira 2019, pp. 15–16.
- ↑ Ferreira 2019, p. 18.
- ↑ Ferreira 2019, p. 16.
- ↑ Ferreira 2019, pp. 18–19.
- 1 2 Ferreira 2019, p. 23.
- ↑ Ferreira 2019, p. 22.
- ↑ Ferreira 2019, p. 29.
- ↑ Ferreira 2019, p. 26.
- ↑ Patu, Gustavo (26 de novembro de 1994). «Saiba quem é Paulo Ximenes». Folha de S.Paulo. Consultado em 21 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 11 de dezembro de 2024
- 1 2 3 Ferreira 2019, p. 28.
- 1 2 3 Ferreira 2019, p. 43.
- 1 2 Ferreira 2019, p. 44.
- 1 2 Ferreira 2019, p. 47.
- 1 2 Ferreira 2019, p. 45.
- 1 2 Ferreira 2019, p. 46.
Bibliografia
- Cruz, Ednílson; Costa, Marcelo (2010). «XIMENES, Paulo César». Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. Rio de Janeiro: Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC/FGV)
- Ferreira, Paulo César Ximenes Alves (2019). Paulo César Ximenes Alves Ferreira (depoimento). Col: Coleção História Contada do Banco Central do Brasil. 18. Brasília: Banco Central do Brasil
Ligações externas
| Precedido por Andrea Calabi |
Secretário do Tesouro Nacional 1988 |
Sucedido por Luiz Antônio Andrade Gonçalves |
| Precedido por Gustavo Loyola |
Presidente do Banco Central do Brasil 1993 |
Sucedido por Pedro Malan |
| Precedido por Alcir Augustinho Calliar |
Presidente do Banco do Brasil 1995–1999 |
Sucedido por Andrea Calabi |
