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Partido de Ação Popular
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Partido de Ação Popular People's Action Party 人民行动党 Parti Tindakan Rakyat மக்கள் செயல் கட்சி | |
|---|---|
| Sigla | PAP |
| Fundadores |
|
| Fundação | 21 de novembro de 1954 (71 anos) |
| Ideologia | |
| Espectro político | Centro-direita[7] |
| Ala de juventude | PAP Jovem |
| Antecessor | Fórum Malaio |
| Sucessor | Partido da Ação Democrática (na Malásia) |
| Afiliação internacional | Internacional Socialista (1954–1976) |
| Parlamento (2025-) | 87 / 99
|
| Cores | Branco Azul (habitual) Vermelho |
| Slogan | “Mundo Transformado, Equipe Renovada, Nova Determinação – Garantindo um Futuro Radiante para Você.”[a] |
| Página oficial | |
| pap.org.sg | |
O Partido de Ação Popular ou Partido da Ação Popular[9][10] (PAP; em inglês: People's Action Party; em chinês: 人民行动党, Rénmín Xíngdòngdǎng; em malaio: Parti Tindakan Rakyat; em tâmil: மக்கள் செயல் கட்சி, Makkaḷ Ceyal Kaṭci) é o partido político maioritário de Singapura desde sua vitória nas eleições de 1959.
Inicialmente fundado como um partido de centro-esquerda em 1954, o PAP teve sua facção de esquerda expulsa em 1961 por Lee Kuan Yew em meio à fusão de Singapura com a Malásia, numa tentativa de mover a ideologia do partido para o centro após sua primeira vitória eleitoral, em 1959.[11] A partir da década de 1960, o partido passou a tender à centro-direita.[12] Após o acordo de 1965, que levou à saída de Singapura da Malásia, quase toda a oposição, exceto o Partido dos Trabalhadores, boicotou as seguintes eleições de 1968 em resposta à sua incredulidade em relação à independência, então dando ao PAP a oportunidade de exercer monopólio sobre as instituições nacionais e se tornar o maior partido do país.[13]
Entre 1965 e 1981, o PAP foi a única força política representada no parlamento até ser derrotado pelo Partido dos Trabalhadores numa eleição suplementar. No entanto, a sigla não viu a sua hegemonia efetivamente ameaçada e sempre ultrapassou 60% dos votos e 80% dos assentos em todas as eleições subsequentes. Atualmente, é partido que está ininterruptamente no poder a mais tempo entre as democracias parlamentares multipartidárias do mundo, com 67 anos consecutivos, bem como o segundo na história depois do mexicano Partido Revolucionário Institucional, que liderou por 71 anos (1929–2000).[14]
O PAP é descrito como um partido conservador[15][16] de centro-direita,[7] sendo mais precisamente socialmente conservador e economicamente liberal. O partido geralmente favorece a economia de livre mercado, tendo transformado a economia de Singapura numa das mais livres e abertas do mundo,[17] mas por vezes envolveu-se num intervencionismo estatal reminiscente das políticas do capitalismo bem-estarista. Notavelmente, apoiou a criação de empresas estatais, conhecidas localmente como "empresas ligadas ao governo". Isso foi feito para impulsionar a industrialização, liderar o desenvolvimento econômico e levar ao crescimento econômico, principalmente à geração de empregos, em vários setores da economia de Singapura. Socialmente, o partido apoia o comunitarismo, o nacionalismo cívico, e o secularismo, com a coesão dos principais grupos étnicos do país (chineses, malaios e indianos) numa identidade nacional unida formando muitas das suas políticas.[18] Na política externa, favorece a manutenção de um exército forte e robusto que sirva como garantidor da soberania contínua do país no contexto da sua posição estratégica para as finanças e o comércio internacionais.[19][20]
História

Lee Kuan Yew, Toh Chin Chye e Goh Keng Swee estiveram envolvidos no Fórum Malaio, um grupo de ativistas estudantis sediado em Londres que se opunha ao domínio colonial na Malásia durante as décadas de 1940 e início de 1950.[21][22] Ao retornarem para Singapura, o grupo passou a se reunir regularmente para discutir estratégias para alcançar a independência dos territórios malaios e começou a procurar pessoas com ideias semelhantes para fundar um partido político. O jornalista S. Rajaratnam foi apresentado a Lee por Goh.[23] Lee também foi apresentado a vários estudantes de esquerda educados em inglês, bem como a líderes sindicais e estudantis educados em chinês, enquanto trabalhava no julgamento por sedição do jornal Fajar e no caso da revolta do Serviço Nacional.[24]
Formação
O Partido de Ação Popular foi oficialmente registrado como partido político em 21 de novembro de 1954. Os membros do primeiro Comitê Executivo Central (CEC) do partido incluíam um grupo de sindicalistas, advogados e jornalistas, como Lee Kuan Yew, Abdul Samad Ismail, Toh Chin Chye, Devan Nair, S. Rajaratnam, Chan Chiaw Thor, Fong Swee Suan, Tann Wee Keng e Tann Wee Tiong.[25] O partido era liderado por Lee Kuan Yew como secretário-geral, enquanto Toh Chin Chye ocupava o cargo de presidente fundador. Outros dirigentes incluíam Tann Wee Tiong, Lee Gek Seng, Ong Eng Guan e Tann Wee Keng.[26]
O PAP disputou pela primeira vez as eleições gerais de 1955, nas quais 25 dos 32 assentos da legislatura estavam em disputa. Nessa eleição, os quatro candidatos do PAP receberam amplo apoio de membros dos sindicatos e de grupos estudantis, como o University Socialist Club, que fizeram campanha em seu favor.[27] O partido conquistou três assentos: um por seu líder Lee Kuan Yew na divisão de Tanjong Pagar e outro por um dos fundadores do PAP, Lim Chin Siong, na divisão de Bukit Timah.[28][29] Aos 22 anos, Lim Chin Siong tornou-se, e continua sendo, o mais jovem deputado já eleito para o Legislativo. A eleição foi vencida pelo partido Frente Trabalhista, liderada por David Marshall.[30]
Em abril de 1956, Lim e Lee representaram o PAP nas negociações constitucionais realizadas em Londres, ao lado do ministro-chefe David Marshall. As conversas fracassaram porque os britânicos se recusaram a conceder autogoverno interno à Singapura. Em 7 de junho de 1956, decepcionado com o resultado, Marshall renunciou ao cargo, conforme havia prometido caso a autonomia não fosse alcançada. Ele foi substituído por Lim Yew Hock, outro membro da Frente Trabalhista.[31] Lim Yew Hock conduziu uma campanha fortemente anticomunista e conseguiu convencer os britânicos a estabelecer um plano definitivo para o autogoverno. Como resultado, a Constituição de Singapura foi revisada em 1958, substituindo a Constituição Rendel por uma nova estrutura que concedia autogoverno e permitia que a população elegesse integralmente sua Assembleia Legislativa.
O PAP e seus membros de esquerda ligados ao movimento comunista foram criticados por supostamente incitarem distúrbios em meados da década de 1950.[32][33] Lim Chin Siong, Fong Swee Suan, Devan Nair e diversos sindicalistas foram detidos pela polícia após os tumultos nas escolas secundárias chinesas.[34] Lim Chin Siong permaneceu em confinamento solitário por quase um ano, separado de outros membros do PAP, que foram enviados para uma prisão de segurança média.[35] O número de membros do PAP presos aumentou em agosto de 1957, quando integrantes do partido ligados aos sindicatos (considerados “comunistas ou pró-comunistas”) conquistaram metade dos assentos do Comitê Executivo Central. Os membros considerados “moderados”, incluindo Lee Kuan Yew, Toh Chin Chye e outros, recusaram-se a assumir seus cargos. O governo de Lim Yew Hock então realizou uma nova onda de prisões, encarcerando todos os membros classificados como comunistas, antes que os moderados reassumissem o controle do partido.[36]
Posteriormente, o PAP decidiu restabelecer laços com a ala trabalhista de Singapura para conquistar os votos dos chineses da classe trabalhadora, muitos dos quais apoiavam os sindicalistas presos. Lee Kuan Yew convenceu líderes sindicais encarcerados a assinar documentos declarando apoio ao partido e às suas políticas, prometendo libertar os membros presos do PAP caso o partido vencesse as próximas eleições.[37] O ex-membro do Barisan Sosialis, Tan Jing Quee, afirmou que Lee colaborou secretamente com os britânicos para impedir que Lim Chin Siong e seus apoiadores trabalhistas chegassem ao poder, devido à enorme popularidade que possuíam. Segundo Quee, Lim Yew Hock teria provocado deliberadamente os estudantes a se rebelarem para então justificar a prisão dos líderes trabalhistas.[38] O acadêmico Greg Poulgrain, da Griffith University, argumentou que “Lee Kuan Yew colaborou secretamente com Lim Yew Hock ao pressionar o Secretário Colonial a impor a proibição dos subversivos, tornando ilegal que ex-presos políticos concorressem a eleições”.[38] Posteriormente, Lee Kuan Yew acusou Lim Chin Siong e seus apoiadores de serem comunistas ligados à Frente Comunista Unida. Entretanto, a existência de provas conclusivas de que Lim fosse um quadro comunista permanece objeto de debate entre historiadores, já que muitos documentos relevantes continuam classificados e indisponíveis ao público.[39][40]
Primeiros anos no governo

O PAP acabou vencendo as eleições gerais de 1959.[41] Essa eleição também foi a primeira a produzir um parlamento totalmente eleito e um gabinete com plenos poderes de autogoverno interno. Desde então, o partido permaneceu no poder, conquistando a maioria dos assentos em todas as eleições gerais subsequentes. Lee Kuan Yew, escolhido para ser o primeiro premiê após uma eleição interna do PAP, permaneceria no cargo pelos 31 anos seguintes.[42] Ele solicitou aos britânicos a libertação dos membros de esquerda do PAP, incluindo Lim Chin Siong, Fong Swee Suan, Sandrasegaran Woodhull, James Puthucheary e Devan Nair.[43]
Em 1961, o Congresso dos Sindicatos de Singapura (STUC), que havia apoiado o PAP em 1959, dividiu-se entre o pró-governo Congresso Nacional dos Sindicatos (NTUC) e a mais esquerdista e não alinhada Associação de Sindicatos de Singapura (SATU). A SATU entrou em colapso em 1963 após a repressão conduzida pelo governo liderado pelo PAP e a prisão de seus líderes durante a Operação Coldstore, seguida de sua dissolução oficial em 13 de novembro de 1963. O NTUC permanece até hoje como a única central sindical do país e continua mantendo uma relação próxima com o PAP.[44]
A grande cisão de 1961
Em 1961, divergências sobre o plano proposto de fusão para formar a Malásia e uma longa disputa interna pelo poder levaram à separação da ala de esquerda do PAP.[45][46][47]
Embora a facção considerada “comunista” já tivesse sido impedida de assumir o controle do partido, outros problemas internos começaram a surgir. Ong Eng Guan, ex-prefeito do Conselho Municipal após a vitória do PAP nas eleições municipais de 1957, apresentou um conjunto de “16 Resoluções” para reexaminar algumas questões anteriormente levantadas pela facção de Lim Chin Siong. Entre as propostas estavam a abolição da PPSO, a revisão da Constituição do partido e mudanças no método de seleção dos membros do quadro dirigente.[48]:82
Embora as 16 Resoluções de Ong tivessem origem em pautas defendidas pela ala de esquerda liderada por Lim Chin Siong, essa facção apenas solicitou, de forma relutante, que a liderança do PAP esclarecesse sua posição sobre elas.[49] Muitos ainda acreditavam que um partido liderado por Lee Kuan Yew era uma alternativa melhor do que Ong, que era visto como imprevisível e autoritário.[35] No entanto, Lee interpretou a postura dos membros esquerdistas como um sinal de falta de confiança em sua liderança. Isso aprofundou a divisão entre os membros “moderados” do PAP, liderados por Lee, e a facção “de esquerda”, liderada por Lim.
Ong acabou sendo expulso do partido e renunciou ao seu assento na Assembleia para desafiar o governo em uma eleição suplementar em Hong Lim, em abril de 1961. Ele venceu com 73,3% dos votos. Isso ocorreu apesar de Lee Kuan Yew ter firmado uma aliança secreta com Fong Chong Pik, líder do Partido Comunista da Malásia, para que os quadros do partido comunista apoiassem o PAP nessa eleição suplementar.[49]
Barisan Sosialis
O grupo dissidente formou o Barisan Sosialis, tendo Lim Chin Siong como secretário-geral.[50] Além dos líderes sindicais chineses, os advogados Thampoe Thamby Rajah e Tann Wee Tiong[51] também aderiram ao novo partido. Vários membros do University Socialist Club, como James Puthucheary (tio de Janil Puthucheary) e Poh Soo Kai, juntaram-se ao partido.[52] A nova legenda atraiu um número significativo de desertores do PAP: 35 das 51 seções locais do partido e 19 dos 23 secretários de seção migraram para o Barisan Sosialis.
Anos de fusão, 1963–1965
Após conquistar a independência da Grã-Bretanha, Singapura ingressou na Federação da Malásia em 1963. Embora o PAP fosse o partido governante no estado de Singapura, atuava como partido de oposição em nível federal dentro do cenário político mais amplo da Malásia. Na época, e até as eleições gerais de 2018, o governo federal em Kuala Lumpur era controlado por uma coalizão liderada pela Organizacão Nacional dos Malaios Unidos (UMNO). No entanto, a possibilidade de o PAP vir a governar toda a Malásia preocupava a UMNO. A decisão do PAP de disputar assentos parlamentares federais fora de Singapura, bem como a decisão da UMNO de disputar assentos dentro de Singapura, violaram um acordo tácito de respeito mútuo às respectivas áreas de influência e agravaram as relações entre os dois partidos. O choque de personalidades entre o líder do PAP, Lee Kuan Yew, e o premiê malaio, Tunku Abdul Rahman, resultou em uma crise política que levou Rahman a forçar a saída de Singapura da Malásia em 9 de agosto de 1965. Após a independência de Singapura, o nascente Partido da Ação Popular da Malásia, que havia sido registrado na Malásia em 10 de março de 1964, teve seu registro cancelado em 9 de setembro de 1965, apenas um mês após a separação de Singapura. Os membros do partido extinto tentaram registrar uma nova legenda chamada Partido da Ação Popular, Malásia, mas o pedido foi novamente rejeitado pelo governo malaio. Posteriormente, eles fundaram o Partido da Ação Democrática (DAP), que acabou se tornando o sucessor político desse movimento na Malásia.[carece de fontes]
Pós-independência, 1965–atualmente

O PAP manteve uma maioria esmagadora de assentos no Parlamento de Singapura desde 1966, quando a oposição do Barisan Sosialis renunciou aos seus assentos parlamentares. O partido havia conquistado 13 cadeiras nas eleições gerais de 1963, realizadas poucos meses após vários de seus líderes terem sido presos durante a Operação Coldstore, sob acusações de serem comunistas ligados ao Partido Comunista da Malásia.
Posteriormente, o PAP alcançou um monopólio político em um Parlamento em expansão, vencendo todos os assentos parlamentares nas quatro eleições seguintes (1968, 1972, 1976 e 1980). Os partidos de oposição retornaram ao Legislativo em uma eleição suplementar realizada em 1981. Já as eleições gerais de 1984 foram as primeiras, em 21 anos, em que partidos de oposição conseguiram conquistar assentos parlamentares. Entre 1984 e 2006, o PAP enfrentou no máximo quatro deputados de oposição. Os partidos oposicionistas não conquistaram mais de quatro cadeiras durante esse período. Essa situação mudou apenas em 2011, quando o Partido dos Trabalhadores (WP) venceu seis assentos e tornou-se o primeiro partido de oposição a conquistar um Grupo de Representação Constituinte (GRC). Em 2020, o WP ampliou esse feito, tornando-se também o primeiro partido oposicionista a controlar mais de um GRC.[53]
Ainda assim, o PAP continua detendo uma supermaioria no Parlamento, a ponto de Singapura ser frequentemente descrita como um sistema de partido dominante, comparável ao longo período de governo do Partido Liberal Democrata no Japão.[54] Graças a essa supermaioria, o PAP sempre teve capacidade de alterar a Constituição de Singapura sem depender do apoio da oposição. Entre as mudanças constitucionais mais significativas promovidas pelo partido estão:
- A introdução do sistema de Grupos de Representação Constituinte (GRC) em 1988, no qual equipes de candidatos disputam assentos em conjunto;
- A criação do esquema dos Membros Nomeados do Parlamento em 1990, permitindo a nomeação de parlamentares não eleitos.
Segundo críticos e analistas políticos, essas reformas contribuíram para fortalecer a predominância do governo e ampliar o controle do PAP sobre o Parlamento.[55]
Recrutamento e retenção
Ao contrário de muitos partidos políticos em vários outros países que dependem da mobilização de base e de recompensas abertas pela lealdade partidária, o Partido de Ação Popular (PAP) em Singapura adota uma abordagem altamente centralizada, de cima para baixo e meritocrática para o recrutamento de candidatos, a fim de evitar nepotismo, clientelismo, caciquismo, entrismo ou qualquer forma de eleições primárias .[56] Em vez de progredir por filiais locais ou redes faccionais, os legisladores em potencial são identificados por meio de "identificação de talentos" ( busca de executivos) por figuras seniores do governo e da indústria.[57] Este mecanismo de triagem é projetado para atrair indivíduos com registos distintos na função pública, nas forças armadas, na academia, executivos gerenciais do setor privado ou sem fins lucrativos, ou setores profissionais como engenharia, direito, finanças, mídia de massa e assistência médica. Este sistema único de convites de pré-seleção foi concebido para manter o carácter tecnocrático, meritocrático, realpolitik e pragmático do PAP, e para evitar qualquer forma de ditaduras personalistas, populismo e polarização política .[58]
Os candidatos potenciais surgem primeiro por meio de recomendações de ativistas do PAP, líderes empresariais, membros do Parlamento e altos funcionários públicos.[56] A cada ano, cerca de cem indivíduos — muitos dos quais estudaram ou trabalharam no estrangeiro — são convidados para "sessões de chá" com 2 a 3 ministros em exercício, durante as quais se envolvem em discussões aprofundadas que duram até duas horas e meia (às vezes sem o conhecimento inicial do entrevistado, sobre a verdadeira intenção da(s) sessão(ões) de chá, que é um eufemismo para entrevistas informais de prospeção pelo PAP, para candidatura nas próximas eleições gerais de Singapura ).[59][60][61][62] Os pré-selecionados então enfrentam duas entrevistas formais conduzidas por um painel de alto nível na sede do partido; os entrevistados bem-sucedidos reúnem-se novamente com os ministros, embora a aprovação final recaia sobre o Comité Executivo Central (CEC) antes que os entrevistados bem-sucedidos sejam "convidados a juntar-se à política".[59][60][63] Na preparação para uma eleição, os candidatos aprovados são designados para acompanhar os deputados em exercício e recebem formação em oratória e comunicação social.
Além disso, um pequeno número de recrutas — tipicamente cinco ou seis por ciclo eleitoral — é selecionado para avaliação psicológica adicional com base num sistema de avaliação desenvolvido pela Shell-Oil. Estes candidatos são submetidos a um exame de um dia e meio com mais de 1.000 perguntas para avaliar a sua personalidade e disposição, e então são selecionados como potenciais talentos ministeriais.[57] Embora o PAP apresente este processo elaborado e multietapas como um meio de defender a "meritocracia" ao escolher o "melhor homem ou mulher para o cargo", os críticos argumentam que a forte dependência de redes de elite e pedigrees profissionais torna o sistema fundamentalmente elitista e propenso ao pensamento de grupo, em vez de genuinamente aberto à sociedade em geral, especialmente à classe trabalhadora, que pode compartilhar um ambiente socioeconómico diferente e a visão de mundo resultante.[57]
Embora apenas uma fração dos potenciais candidatos pré-selecionados sejam selecionados para representar o partido nas eleições gerais, nem todos os convidados a juntar-se ao conjunto de candidatos do PAP aceitam a oferta do PAP.[57] Muitos recusam por razões pessoais ou profissionais — alguns enfrentam restrições do empregador, outros enfrentam oposição familiar ou simplesmente sentem que a política não é para eles. Da mesma forma, quando se trata de manter os deputados do PAP em serviço em Singapura, apesar dos salários elevados dos ministros e membros do Parlamento em Singapura, um pequeno número também opta por não procurar a reeleição ou afastar-se antes de qualquer eleição, citando considerações pessoais, familiares, de estilo de vida ou de carreira semelhantes.[64][65][66]
Ideologia
Democracia asiática
O professor Hussin Mutalib, da Universidade Nacional de Singapura (NUS), argumenta que o PAP frequentemente promoveu a ideia de uma democracia e de valores asiáticos, recorrendo a uma concepção de cultura asiática e ao confucianismo para construir barreiras ideológicas contra a democracia ocidental. Segundo ele, para o premiê fundador de Singapura, Lee Kuan Yew, “Singapura estaria melhor sem uma democracia liberal ao estilo ocidental”.[67]
Consequentemente, o governo do PAP tem sido ocasionalmente caracterizado por alguns observadores, especialmente no Ocidente, como semiautoritário segundo os padrões da democracia liberal, ou como tendo transformado Singapura em um “Estado-babá”,[68] expressão usada para descrever governos paternalistas que exercem forte influência ou controle sobre aspectos da vida cotidiana dos cidadãos. De acordo com o professor Kenneth Paul Tan, também da NUS, o PAP sustenta que muitos singapurenses continuam votando no partido porque considerações econômicas, pragmatismo e estabilidade prevalecem sobre preocupações relacionadas à responsabilização governamental e aos mecanismos de fiscalização e equilíbrio de poder normalmente desempenhados pelos partidos de oposição.[68]
Políticas econômicas
A ideologia econômica do partido sempre aceitou a necessidade de algum nível de despesas com bem-estar social e de um intervencionismo econômico pragmático. No entanto, políticas de livre mercado tornaram-se populares a partir da década de 1980, como parte da implementação mais ampla da meritocracia na sociedade civil. Como resultado, Singapura frequentemente ocupa posições muito altas em índices de liberdade econômica publicados por organizações liberalistas, como o Banco Mundial e o FMI. Singapura também é o único país asiático a possuir a classificação soberana máxima AAA atribuída simultaneamente pelas três maiores agências de classificação de risco do mundo: S&P Global Ratings, Moody's e Fitch Ratings.[69]
Em 1992, Lee Kuan Yew declarou:
“Observando Hong Kong, concluí que o assistencialismo estatal e os subsídios enfraqueciam o impulso individual para ter sucesso. Observei com espanto a facilidade com que os trabalhadores de Hong Kong ajustavam seus salários para cima em períodos de prosperidade e para baixo em períodos de recessão. Decidi reverter as políticas de bem-estar social que meu partido havia herdado ou copiado das políticas do Partido Trabalhista britânico.”[70]
Vale destacar que, desde a independência de Singapura em 1965, o partido também apoiou a criação de empresas estatais, conhecidas localmente como Corporações Ligadas ao Governo (Government-linked Corporations, GLCs). O objetivo era impulsionar a industrialização, liderar o desenvolvimento econômico e promover o crescimento, especialmente por meio da criação de empregos, em diversos setores da economia singapurense, já que havia escassez de capital privado e de conhecimento técnico, particularmente nos primeiros anos da nação independente.
Diversas GLCs foram criadas para atuar em setores estratégicos, entre elas:
- Sembcorp Marine e Keppel Corporation — construção e reparação naval;
- Singapore Airlines e ST Engineering — aviação e defesa;
- Singtel — telecomunicações;
- CapitaLand — setor imobiliário;
- DBS Bank — financiamento ao desenvolvimento.
Além disso, várias GLCs foram estruturadas como parcerias público-privadas, muitas vezes por meio de empreendimentos conjuntos ou alianças estratégicas com empresas e investidores estrangeiros que possuíam experiência técnica relevante, especialmente nas indústrias petroquímica e de refino de petróleo.[71]
Políticas sociais
Desde os primeiros anos do governo do PAP, a ideia de sobrevivência nacional como um país pequeno e vulnerável cercado por vizinhos potencialmente hostis tem sido um tema central da política de Singapura. Segundo os cientistas políticos Diane Mauzy e R. S. Milne, a maioria dos analistas identifica quatro grandes pilares ideológicos do PAP: pragmatismo, meritocracia, multirracialismo, e valores asiáticos / comunitarismo.[72] O PAP também defende uma forma de nacionalismo que não se baseia no etnocentrismo. Em vez disso, promove uma identidade singapurense unificada, ao mesmo tempo em que reconhece os principais grupos étnicos que compõem o país.
Em janeiro de 1989, o então presidente de Singapura, Wee Kim Wee, declarou em seu discurso de abertura da 7.ª Legislatura que o país precisava adotar um conjunto de valores nacionais compartilhados. Na sua visão, uma ideologia nacional seria útil para unir os singapurenses, preservando a herança cultural das principais comunidades do país e sustentando valores comuns que expressassem a essência do que significa ser singapurense.[73] Em resposta, o governo criou um comitê para desenvolver a proposta. Em janeiro de 1991, o PAP apresentou oficialmente um documento governamental sobre os “valores compartilhados”, composto por cinco princípios nacionais destinados a fortalecer a identidade nacional:[73]
- A nação acima da comunidade e a sociedade acima do indivíduo;
- A família como unidade básica da sociedade;
- Respeito e apoio da comunidade ao indivíduo;
- Consenso em vez de conflito;
- Harmonia racial e religiosa.
Esses valores também foram apresentados como um contraponto àquilo que o governo descrevia como uma “visão de vida mais ocidentalizada, individualista e centrada no indivíduo”, buscando preservar “ideias asiáticas tradicionais de moralidade, dever e organização social”.[73]
Em um diálogo promovido pelo Institute of Policy Studies (IPS), em 2 de julho de 2015, presidido pelo jornalista Fareed Zakaria, o premiê Lee Hsien Loong afirmou que era necessário preservar no sistema uma espécie de “aristocracia natural jeffersoniana”, isto é, uma elite baseada em mérito e capacidade, para cultivar uma cultura de respeito e evitar a anarquia.[74][75] Em novembro de 2019, Lee declarou em uma convenção partidária que “o PAP não poderia permitir que surgisse em Singapura a mesma desconexão entre as massas e as elites observada em outros países”.[76] Durante a campanha eleitoral de julho de 2020, seu irmão afastado politicamente, Lee Hsien Yang, em meio à disputa familiar relacionada à casa da família na 38 Oxley Road, acusou o PAP de elitismo e apontou essa característica como uma das razões que o levaram a apoiar o Partido do Progresso de Singapura (PSP).[77] Em uma entrevista concedida em 2024, Lee Hsien Loong também criticou o fenômeno conhecido como “wokeness”, afirmando que ele “torna a vida mais difícil” e acrescentando que “não queria que Singapura seguisse nessa direção”.[78]
Visão sobre outras ideologias
Particularmente durante o contexto da Guerra Fria, o partido manteve uma postura abertamente anticomunista e às ideologias políticas de esquerda, apesar de ter formado, nos seus primeiros anos, uma breve aliança com os cofundadores pró-trabalhismo do PAP. Esses líderes trabalhistas acabaram sendo posteriormente acusados de comunismo e presos. Ainda assim, Singapura aderiu formalmente ao Movimento dos Não Alinhados em 1970 e não se alinhou abertamente ao Bloco Capitalista durante a Guerra Fria. Em 1987, como parte da Operação Spectrum, o governo do PAP prendeu diversos indivíduos sob a acusação de conspirar para derrubar o governo e estabelecer um Estado comunista em Singapura. Desde a década de 2010, embora o partido tenha permanecido amplamente conservador em muitos aspectos, alguns observadores consideram que ele passou a adotar posições mais próximas do centro-esquerda em determinadas áreas, com o objetivo de preservar sua predominância eleitoral.[79]
Em 1976, o PAP renunciou formalmente à Internacional Socialista depois que o Partido do Trabalho neerlandês propôs inicialmente sua expulsão. O partido neerlandês criticou o governo de Singapura pela detenção de presos políticos sem julgamento e o acusou de cometer violações de direitos humanos.[80][81]
Simbolismo
O símbolo do PAP, composto por um raio vermelho e um círculo azul sobre um fundo branco, representa a ação dentro da unidade multicultural. Esse símbolo também aparece nas bandeiras do partido durante desfiles e eventos políticos. Tradicionalmente, os membros do PAP usam em seus comícios e reuniões partidárias um uniforme formado por camisa e calça brancas, que simboliza a incorruptibilidade e a pureza dos ideais do partido e de seu governo.[82] Lee Kuan Yew reconheceu que o desenho do raio num círculo foi inspirado no símbolo da União Britânica de Fascistas. No entanto, ele afirmou que as cores foram alteradas para representar melhor os princípios e a identidade do PAP.[83]
Resultados eleitorais
Assembleia Legislativa
| Eleição | Líder | Votos | % | Assentos | Cl. | Resultado | ||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Concorridos | Total | +/– | ||||||||
| Vagas | Venceu | Perdeu | ||||||||
| 1955 | Lee Kuan Yew | 13.634 | 8,7% | 4 | 3 | 1 | 3 / 25 |
Oposição | ||
| 1959 | 281.891 | 54,1% | 51 | 43 | 8 | 43 / 51 |
Supermaioria | |||
| 1963 | 272.924 | 46,9% | 51 | 37 | 14 | 37 / 51 |
Supermaioria | |||
Dewan Rakyat
| Eleição | Líder | Votos | % | Assentos | +/– | Resultado | |||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Concorridos | Eleitos | Nomeados | Total | ||||||||
| Vagas | Venceu | Perdeu | |||||||||
| 1964 | Lee Kuan Yew | 42.130 | 2,0% | 11 | 1 | 10 | 1 / 104 |
12 / 55 |
13 / 159 |
Oposição | |
Parlamento
| Eleição | Líder | Votos | % | Assentos | Cl. | Resultado | |||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Concorridos | Vitória sem disputa | Total | +/– | ||||||||
| Vagas | Venceu | Perdeu | |||||||||
| 1968 | Lee Kuan Yew | 65.812 | 86,7% | 58 | 7 | 0 | 51 | 58 / 58 |
Venceu todos os assentos | ||
| 1972 | 524.892 | 70,4% | 65 | 57 | 0 | 8 | 65 / 65 |
Venceu todos os assentos | |||
| 1976 | 590.169 | 74,1% | 69 | 53 | 0 | 16 | 69 / 69 |
Venceu todos os assentos | |||
| 1980 | 494.268 | 77,7% | 75 | 38 | 0 | 37 | 75 / 75 |
Venceu todos os assentos | |||
| 1984 | 568.310 | 64,8% | 79 | 47 | 2 | 30 | 77 / 79 |
Supermaioria | |||
| 1988 | 848.029 | 63,2% | 81 | 69 | 1 | 11 | 80 / 81 |
Supermaioria | |||
| 1991 | Goh Chok Tong | 477.760 | 61,0% | 81 | 36 | 4 | 41 | 77 / 81 |
Supermaioria | ||
| 1997 | 465.751 | 65,0% | 83 | 34 | 2 | 47 | 81 / 83 |
Supermaioria | |||
| 2001 | 470.765 | 75,3% | 84 | 27 | 2 | 55 | 82 / 84 |
Supermaioria | |||
| 2006 | Lee Hsien Loong | 748.130 | 66,6% | 84 | 45 | 2 | 37 | 82 / 84 |
Supermaioria | ||
| 2011 | 1.212.514 | 60,1% | 87 | 76 | 6 | 5 | 81 / 87 |
Supermaioria | |||
| 2015 | 1.579.183 | 69,9% | 89 | 83 | 6 | 0 | 83 / 89 |
Supermaioria | |||
| 2020 | 1.527.491 | 61,2% | 93 | 83 | 10 | 0 | 83 / 93 |
Supermaioria | |||
| 2025 | Lawrence Wong | 1.564.770 | 65,6% | 97 | 87 | 10 | 5 | 87 / 97 |
Supermaioria | ||
Eleições suplementares
- Assembleia Legislativa
| Eleição | Líder | Grupo eleitoral concorrido | Votos | % | Assentos | +/– | Resultado |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1957 | Lee Kuan Yew | Tanjong Pagar | 4.707 | 37,0% | 1 / 2 |
Venceu | |
| 1961 | Anson, Hong Lim |
5.872 | 31,1% | 0 / 2 |
Perdeu | ||
| 1965 | Hong Lim | 6.398 | 59,5% | 1 / 1 |
Venceu |
Notas
Referências
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