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Partido Restaurador
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Partido Restaurador | |
|---|---|
| Fundação | 1831 |
| Dissolução | 1834 |
| Ideologia | Conservadorismo Monarquismo Centralismo |
| Religião | Igreja Católica |
| Antecessor | Partido Português |
| País | |
O Partido Restaurador, também conhecido como Partido Caramuru, foi um agrupamento político do início do período regencial do Império do Brasil, ativo entre 1831 e 1834. O movimento defendia o retorno de Pedro I ao trono brasileiro após sua abdicação em 1831 e posicionava-se em favor de um regime monárquico fortemente centralizado.[1][2]
O grupo era composto sobretudo por comerciantes portugueses estabelecidos no Rio de Janeiro, funcionários públicos, militares e antigos apoiadores do imperador durante o Primeiro Reinado.[2] Politicamente, opunha-se às correntes liberais que passaram a dominar a política imperial após a abdicação.
Origem e formação
A abdicação de Pedro I provocou a reorganização das forças políticas do Império. Parte dos antigos aliados do imperador passou a defender sua restauração no trono brasileiro, formando o núcleo do chamado Partido Restaurador.[1]
Esse grupo tinha origem principalmente no antigo Partido Português, que reunia setores ligados à administração imperial e comerciantes portugueses residentes no Brasil.[3]
Entre os meios de atuação política estavam sociedades e jornais que defendiam a legitimidade do antigo imperador e criticavam a condução do governo regencial. Entre os periódicos associados ao movimento destacavam-se O Caramuru, O Carijó e O Sete de Abril.[4]
Conflito político durante a Regência
A atuação dos restauradores ocorreu em um contexto de intensa polarização política durante os primeiros anos da Regência. O grupo foi combatido por políticos liberais que temiam o retorno de Pedro I e a restauração de um governo autoritário.[1]
Entre seus principais opositores estavam o jornalista e deputado Evaristo da Veiga e o político mineiro Bernardo Pereira de Vasconcelos, ligados ao jornal Aurora Fluminense.[2]
As disputas políticas também envolveram organizações civis e militares. Em 1833, manifestações populares no Rio de Janeiro atacaram a sede da Sociedade Militar, entidade associada aos restauradores, bem como tipografias ligadas a jornais do grupo.[4]
Declínio e dissolução
O movimento restaurador perdeu força gradualmente ao longo da década de 1830. A morte de Pedro I em 1834, na Europa, eliminou o principal elemento político que sustentava a existência do grupo.[2]
Sem a possibilidade de restauração monárquica, muitos de seus membros passaram a integrar outras correntes políticas do período regencial, especialmente os setores conservadores que posteriormente dariam origem ao Partido Conservador.[1]
Uso do termo caramuru
O termo caramuru, originalmente associado ao partido restaurador, passou a ser utilizado de forma pejorativa por adversários políticos durante o período regencial. Em alguns contextos, o termo foi empregado para designar partidários da centralização monárquica ou apoiadores do antigo imperador.[2]
Interpretação historiográfica
A historiografia interpreta o movimento restaurador como uma das primeiras manifestações da reorganização das forças políticas após a abdicação de Pedro I. Em vez de um partido político estruturado nos moldes modernos, tratava-se de um agrupamento de interesses ligado a redes de sociabilidade, jornais e associações políticas que atuavam na Corte e em algumas províncias.[1][2]
Segundo o historiador José Murilo de Carvalho, a emergência de correntes como restauradores, liberais moderados e exaltados refletia o processo de formação de uma elite política nacional e a disputa em torno do grau de centralização do novo Estado imperial.[1]
Já Roderick J. Barman destaca que o restauradorismo representou a tentativa de alguns grupos de preservar a autoridade monárquica associada ao governo de Pedro I, especialmente entre setores ligados ao comércio português e à burocracia estatal. Com a morte do ex-imperador em 1834, a base política do movimento desapareceu rapidamente.[2]
Para a maior parte dos estudiosos, o declínio do Partido Restaurador contribuiu para a reorganização do campo político que, ao final da década de 1830, daria origem aos dois grandes agrupamentos do Segundo Reinado: o Partido Conservador e o Partido Liberal.[1]
Referências
Bibliografia
- Barman, Roderick J. (1988). Brazil: The Forging of a Nation, 1798–1852. Stanford: Stanford University Press
- Barman, Roderick J. (1999). Citizen Emperor: Pedro II and the Making of Brazil, 1825–1891. Stanford: Stanford University Press
- Carvalho, José Murilo de (1993). A construção da ordem: a elite política imperial. Rio de Janeiro: Campus
- Macedo, Joaquim Manuel de (1876). Anno biographico brazileiro. 1. Rio de Janeiro: Typographia do Imperial Instituto Artístico
