Saúde
Neoophora
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| Classificação científica | |||||||||||
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Neoophora é uma infraclasse de vermes planos pertencente ao subfilo Rhabditophora e ao filo Platyhelminthes, definida evolutivamente pela transição da condição reprodutiva primitiva (arcófora) para a condição neoófora. A principal sinapomorfia do grupo é a presença de ovos ectolecíticos, uma inovação biológica em que os ovócitos femininos são desprovidos de reservas nutritivas internas; em vez disso, o vitelo necessário para o desenvolvimento do embrião é sintetizado externamente por glândulas acessórias especializadas, os vitelários (ou glândulas vitelinas), que partilham a mesma origem embrionária que os ovários (germários) mas formam órgãos anatomicamente separados no adulto. Esta separação funcional alterou drasticamente a embriogénese clássica destes organismos: com a introdução de células vitelinas extraembrionárias dentro da cápsula do ovo, a maioria dos Neoophora (especialmente os agrupados no clado Euneoophora) abandonou a clivagem espiral padrão observada em outros espiralados, adotando modos divergentes de desenvolvimento e gastrulação, incluindo fenómenos complexos como a «anarquia de blastómeros», onde células embrionárias temporárias formam membranas especiais para englobar e digerir o vitelo circundante. Do ponto de vista filogenético, a monofilia dos Neoophora é alvo de disputa na biologia molecular moderna; estudos genómicos sugerem que ordens basais como Lecithoepitheliata (que possuem glândulas mistas chamadas germovitelários) podem estar mais próximas de grupos não neoóforos como Polycladida, o que indicaria que a condição ectolecítica evoluiu de forma convergente mais do que uma vez na história evolutiva do filo. Ecologicamente, o grupo exibe um sucesso adaptativo massivo e divide-se entre formas de vida livre predominantemente predadoras em habitats aquáticos e terrestres — distribuídas por ordens como Tricladida (as planárias), Rhabdocoela e Proseriata — e a totalidade do clado Neodermata, um grupo estritamente parasítico que inclui os Trematoda (os dísticos) e Cestoda (as ténias), cujas adaptações reprodutivas neoóforas permitiram uma produção massiva de ovos encapsulados capaz de sustentar ciclos de vida biológicos complexos com múltiplos hospedeiros.[1][2][3][4][5]
Referências
- ↑ Egger, Bernhard; Lapraz, François; Tomiczek, Bartłomiej; Müller, Steven; Dessimoz, Christophe; Girstmair, Johannes; Škunca, Nives; Rawlinson, Kate A.; Cameron, Christopher B.; Beli, Elena; Todaro, M. Antonio; Gammoudi, Mehrez; Noreña, Carolina; Telford, Maximilian J. (maio de 2015). «A Transcriptomic-Phylogenomic Analysis of the Evolutionary Relationships of Flatworms». Current Biology (em inglês). 25 (10): 1347–1353. PMC 4446793
. PMID 25866392. doi:10.1016/j.cub.2015.03.034 - ↑ Littlewood, D (janeiro de 1999). «The interrelationships of all major groups of Platyhelminthes: phylogenetic evidence from morphology and molecules». Biological Journal of the Linnean Society (em inglês). 66 (1): 75–114. doi:10.1006/bijl.1998.0276
- ↑ Boll, Piter Kehoma; Rossi, Ilana; Amaral, Silvana Vargas do; Oliveira, Simone Machado de; Müller, Eliara Solange; Lemos, Virginia Silva; Leal-Zanchet, Ana Maria (18 de fevereiro de 2013). «Platyhelminthes ou apenas semelhantes a Platyhelminthes? Relações filogenéticas dos principais grupos de turbelários». Neotropical Biology and Conservation. 8 (1). ISSN 2236-3777. doi:10.4013/nbc.2013.81.06
- ↑ Eckelbarger, Kevin J.; Hodgson, Alan N. (3 de abril de 2021). «Invertebrate oogenesis – a review and synthesis: comparative ovarian morphology, accessory cell function and the origins of yolk precursors». Invertebrate Reproduction & Development (em inglês). 65 (2): 71–140. ISSN 0792-4259. doi:10.1080/07924259.2021.1927861
- ↑ Pandian, T. J. (28 de janeiro de 2020). Reproduction and Development in Platyhelminthes (em inglês) 1 ed. Boca Raton : CRC Press, [2020] | Series: Reproduction and development in aquatic invertebrates ; volume 5: CRC Press. ISBN 978-0-367-36026-9. doi:10.1201/9780367360269. Consultado em 18 de junho de 2026
