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Motiva
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| Motiva | |
|---|---|
| Razão social | Motiva Infraestrutura de Mobilidade S.A. |
| Nome(s) anterior(es) | CCR (1999–2025) |
| Sociedade anônima de capital aberto | |
| Cotação | B3: MOTV3 |
| Atividade | Infraestrutura Transporte |
| Fundação | 23 de janeiro de 1999 (27 anos) |
| Sede | São Paulo, São Paulo, Brasil |
| Área(s) servida(s) | |
| Pessoas-chave | Miguel Setas diretor-presidente[1] |
| Serviços | |
| Divisões |
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| Acionistas |
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| Website | www |
Motiva Infraestrutura de Mobilidade S.A., conhecida simplesmente como Motiva, é uma companhia brasileira de capital aberto que atua na operação de concessões de infraestrutura de transporte, principalmente em rodovias, sistemas urbanos sobre trilhos e aeroportos. A empresa tem sede em São Paulo e suas ações são negociadas na B3 sob o código MOTV3.[2][3]
A companhia foi constituída em 23 de janeiro de 1999 com o nome CCR, sigla originalmente associada à Companhia de Concessões Rodoviárias, reunindo participações de grupos empresariais em concessionárias de transporte. Nas décadas seguintes, expandiu sua atuação para concessões rodoviárias federais e estaduais, mobilidade urbana e aeroportos no Brasil e no exterior.[4]
Em 2025, a empresa anunciou a adoção da marca Motiva como identidade corporativa principal, em substituição à marca Grupo CCR. Segundo a companhia, o processo de mudança de marca foi planejado para ocorrer de forma gradual, com implantação nos escritórios, canais corporativos e concessionárias até 2026.[5]
Ao longo de sua trajetória, a empresa também esteve envolvida em controvérsias e acordos relacionados a investigações sobre contratos de concessão, especialmente no âmbito da Operação Lava Jato e de apurações conduzidas pelo Ministério Público Federal e pelo Ministério Público do Estado de São Paulo.[6][7]
História
Formação
A criação da CCR ocorreu no contexto da ampliação das concessões de infraestrutura no Brasil durante a década de 1990. A Lei nº 8.987/1995 estabeleceu normas gerais para concessões e permissões de serviços públicos, incluindo regras sobre serviço adequado, política tarifária e equilíbrio econômico-financeiro dos contratos.[8]
Antes da constituição da holding, os grupos empresariais que formariam a CCR já participavam de concessões rodoviárias como a Ponte S/A, operadora da Ponte Rio-Niterói, a NovaDutra, a ViaLagos, a RodoNorte e a AutoBAn.[4] A estrutura societária criada em 1999 reuniu essas participações sob administração comum, inicialmente com foco em rodovias.[4]
Abertura de capital e diversificação
Em 2000, a CCR obteve registro de companhia aberta na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). No ano seguinte, aderiu ao Novo Mercado, segmento de listagem da B3 voltado a companhias com regras adicionais de governança corporativa, e em 2002 realizou oferta pública inicial de ações.[4][9]
A partir dos anos 2000, a empresa ampliou sua presença em concessões rodoviárias e ingressou em outros segmentos. Em 2005, a ViaOeste passou a integrar o grupo.[10] Em 2006, a companhia ingressou no segmento de mobilidade urbana ao integrar a concessão patrocinada da Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo, por meio da ViaQuatro.[11]
Nos anos seguintes, a empresa incorporou ou adquiriu participações em novas concessionárias rodoviárias, como RodoAnel Oeste, Renovias e SPVias, e ampliou sua atuação em mobilidade urbana com projetos como o VLT Carioca, o Metrô Bahia e as concessões operadas pela ViaMobilidade.[4][12]
Aeroportos e reorganização recente
A entrada da empresa no setor aeroportuário ocorreu de forma gradual. Em 2012, a CCR adquiriu participações em concessionárias aeroportuárias na América Latina, incluindo ativos no Equador, na Costa Rica e em Curaçau.[4][13] Em 2014, passou a integrar a concessionária BH Airport, responsável pelo Aeroporto Internacional de Belo Horizonte-Confins.[14]
Em 2021, a companhia venceu os blocos Sul e Central da sexta rodada de concessões aeroportuárias federais, totalizando quinze aeroportos, além do leilão do Aeroporto da Pampulha, promovido pelo governo de Minas Gerais.[15][16][17]
A partir de 2023, a empresa iniciou uma reorganização estratégica e institucional. Em 2025, anunciou a mudança de marca para Motiva.[5] No mesmo ano, também informou a venda de sua plataforma de aeroportos para a Aeropuerto de Cancún, subsidiária do Grupo Aeroportuario del Sureste (ASUR). De acordo com fato relevante divulgado pela empresa, a implementação da transação estava sujeita ao cumprimento de condições suspensivas, incluindo aprovações da Agência Nacional de Aviação Civil e de autoridades concorrenciais no exterior.[3]
Operações
A Motiva organiza suas atividades em plataformas de negócios voltadas a rodovias, trilhos e aeroportos. Segundo informações institucionais divulgadas em 2026, a companhia atuava em 13 estados brasileiros e possuía 37 concessões em rodovias, aeroportos e trilhos.[18]
Rodovias
A plataforma de rodovias reúne concessões estaduais e federais. Entre os ativos listados pela área de relações com investidores da companhia estão AutoBAn, Pantanal, Paraná, ViaSul, ViaCosteira, MinasSP, RioSP, ViaRio, SPVias, ViaLagos, Sorocabana, RodoAnel Oeste e Renovias.[19]
O portfólio rodoviário inclui concessões em trechos de rodovias como a Rodovia Anhanguera, a Rodovia dos Bandeirantes, a Rodovia Presidente Dutra, a BR-101, a BR-163, a BR-386 e o trecho oeste do Rodoanel Mário Covas.[19]
Trilhos
Na plataforma de trilhos, a Motiva atua em sistemas metroferroviários e de veículo leve sobre trilhos. Entre os ativos relacionados pela empresa estão a Linha 4-Amarela, operada pela Motiva Linha 4 (Antiga ViaQuatro); as linhas 5-Lilás e 17-Ouro, operadas pela Motiva Linhas 5 e 17 (Anteriormente ViaMobilidade Linhas 5 e 17); as linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda do sistema metropolitano paulista; o VLT Carioca; e o Metrô Bahia.[19]
Em 2025, a empresa deixou de operar o transporte aquaviário de passageiros no Rio de Janeiro, atividade anteriormente realizada por meio da CCR Barcas. A operação foi assumida pelo consórcio Barcas Rio.[20]
Aeroportos
Até o anúncio de venda da plataforma aeroportuária em 2025, a Motiva operava aeroportos no Brasil e em outros países da América Latina. A carteira incluía aeroportos dos blocos Sul e Central da sexta rodada de concessões federais, o Aeroporto da Pampulha, participações em concessionárias no Equador, na Costa Rica e em Curaçau, além do BH Airport.[3][21]
Em novembro de 2025, a companhia comunicou ao mercado a assinatura de contrato para alienação de sua plataforma de aeroportos à Aeropuerto de Cancún, subsidiária da ASUR. A empresa afirmou que a operação fazia parte de sua estratégia de simplificação de portfólio e foco em rodovias e trilhos no Brasil.[3][22]
Governança e composição acionária
A Motiva é uma companhia listada no Novo Mercado da B3. Em março de 2026, segundo a área de relações com investidores da companhia, sua estrutura acionária era composta por 49,66% de ações em circulação no mercado, 14,86% pertencentes ao Grupo Mover, 14,37% ao Grupo Soares Penido, 10,33% à Itaúsa, 10,33% à Votorantim e 0,45% em tesouraria.[2]
De acordo com a mesma fonte, Soares Penido, Grupo Mover, Itaúsa e Votorantim detinham, cada um, 10,33% de ações vinculadas ao acordo de acionistas. A BlackRock administrava cerca de 5,008% do total de ações ordinárias da companhia desde 19 de novembro de 2025, dentro das ações em circulação no mercado.[2]
A diretoria estatutária foi reorganizada em 2023. Naquele ano, Miguel Setas foi eleito diretor-presidente da companhia, e a estrutura executiva passou a incluir vice-presidências voltadas a finanças e relações com investidores, rodovias, aeroportos, mobilidade urbana, governança, riscos, compliance, jurídico e relações governamentais.[1][23]
Controvérsias
Operação Integração
A RodoNorte, concessionária que integrou o grupo, operou o Lote 5 do Anel de Integração do Paraná, formado por trechos de rodovias federais e estaduais concedidos em 1997.[24]
Em 2019, no âmbito da Operação Integração, desdobramento da Operação Lava Jato no Paraná, o Ministério Público Federal anunciou acordo de leniência de 750 milhões de reais com a RodoNorte. Segundo o MPF, o acordo tinha por objetivo a recuperação antecipada de recursos públicos e a obtenção de provas sobre pagamento de propina relacionado a contratos de concessão rodoviária.[6]
Em fato relevante divulgado no mesmo ano, a CCR informou que, em cumprimento ao acordo, a RodoNorte passaria a realizar pagamento em favor dos usuários correspondente a 30% da tarifa de pedágio cobrada nas praças dos trechos administrados, a partir de 27 de abril de 2019.[25]
Termo de autocomposição com o Ministério Público de São Paulo
Em novembro de 2018, a CCR comunicou que celebraria termo de autocomposição com o Ministério Público do Estado de São Paulo para encerrar inquérito civil relacionado a fatos envolvendo a companhia e controladas. O acordo previa o pagamento de 81,53 milhões de reais, dos quais 64,53 milhões seriam destinados ao Estado de São Paulo e 17 milhões à Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.[7]
A companhia declarou, no fato relevante, que continuaria colaborando com autoridades públicas e informaria acionistas e mercado sobre eventuais desdobramentos. Posteriormente, a empresa comunicou a adoção de medidas voltadas ao aprimoramento de controles internos, governança, políticas internas e gestão de riscos, após apuração conduzida por comitê independente.[7][26]
Plano de Incentivo à Colaboração
Em 2019, a empresa submeteu à assembleia proposta denominada Plano de Incentivo à Colaboração, discutida no contexto das investigações envolvendo a companhia. Segundo reportagem da Exame, o plano previa pagamentos a ex-executivos que colaborassem com investigações, o que gerou questionamentos sobre a finalidade e os limites da proposta.[27]
A companhia negou, à época, que ex-executivos fossem obrigados a informar previamente à empresa o conteúdo de suas colaborações, afirmando que essas informações eram sigilosas e acessíveis apenas às autoridades competentes. Também declarou que o plano buscava viabilizar a colaboração de ex-administradores com órgãos de investigação.[28]
Notas
- ↑ Em novembro de 2025, a Motiva anunciou a venda de sua plataforma de aeroportos à Aeropuerto de Cancún, subsidiária do Grupo Aeroportuario del Sureste. A conclusão da transação dependia de aprovações regulatórias no Brasil e no exterior.
Referências
- 1 2 «Fato relevante – Eleição de novo Diretor Presidente». Motiva Relações com Investidores. 13 de março de 2023. Consultado em 18 de maio de 2026
- 1 2 3 4 «Composição acionária». Motiva Relações com Investidores. Março de 2026. Consultado em 18 de maio de 2026. Cópia arquivada em 15 de fevereiro de 2026
- 1 2 3 4 «Fato relevante: transação da plataforma Aeroportos». Motiva Relações com Investidores. 18 de novembro de 2025. Consultado em 18 de maio de 2026
- 1 2 3 4 5 6 «A jornada do Grupo CCR». Grupo CCR. 2018. Consultado em 18 de maio de 2026. Cópia arquivada em 16 de janeiro de 2025
- 1 2 «Motiva será a nova marca do Grupo CCR». Motiva. 24 de março de 2025. Consultado em 18 de maio de 2026. Cópia arquivada em 15 de fevereiro de 2026
- 1 2 «Força-tarefa Lava Jato do MPF/PR faz acordo de R$ 750 milhões com a Rodonorte». Ministério Público Federal. 6 de março de 2019. Consultado em 18 de maio de 2026
- 1 2 3 «CCR: fato relevante». Motiva Relações com Investidores. 29 de novembro de 2018. Consultado em 18 de maio de 2026. Cópia arquivada em 16 de janeiro de 2026
- ↑ «Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995». Presidência da República. 13 de fevereiro de 1995. Consultado em 18 de maio de 2026. Cópia arquivada em 4 de maio de 2026
- ↑ «O Novo Mercado» (PDF). B3. 2008. Consultado em 18 de maio de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 1 de abril de 2025
- ↑ «Concessionária de Rodovias do Oeste de São Paulo – Demonstrações financeiras padronizadas de 2013» (PDF). ViaOeste. 2014. Consultado em 18 de maio de 2026
- ↑ Companhia do Metropolitano de São Paulo (29 de novembro de 2006). «Contrato n.º 4232521201: concessão patrocinada para exploração da operação dos serviços de transporte de passageiros da Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo» (PDF). Governo do Estado de São Paulo. Consultado em 18 de maio de 2026
- ↑ «ViaMobilidade – Linhas 5-Lilás e 17-Ouro». ARTESP. Consultado em 18 de maio de 2026
- ↑ «Comunicado ao mercado – conclusão da aquisição de participação na Quiport e assinatura de contrato para aquisição na Aeris Holding Costa Rica S.A.». CVM. 10 de setembro de 2012. Consultado em 18 de maio de 2026
- ↑ «Governo assina contrato de concessão de Confins (MG)». Agência Nacional de Aviação Civil. 7 de abril de 2014. Consultado em 18 de maio de 2026
- ↑ «ANAC e CCR assinam contrato de concessão dos aeroportos do bloco Sul». Agência Nacional de Aviação Civil. 12 de novembro de 2021. Consultado em 18 de maio de 2026. Cópia arquivada em 10 de abril de 2025
- ↑ «ANAC e CCR assinam contrato de concessão dos aeroportos do bloco Central». Agência Nacional de Aviação Civil. 20 de outubro de 2021. Consultado em 18 de maio de 2026
- ↑ «Aeroporto da Pampulha». Unidade PPP Minas Gerais. Consultado em 18 de maio de 2026. Cópia arquivada em 5 de março de 2026
- ↑ «Motiva». Motiva. Consultado em 18 de maio de 2026. Cópia arquivada em 18 de março de 2026
- 1 2 3 «Composição acionária». Motiva Relações com Investidores. Consultado em 18 de maio de 2026. Cópia arquivada em 15 de fevereiro de 2026
- ↑ Morgado, Gabriela (12 de fevereiro de 2025). «Consórcio Barcas Rio assume operação do transporte aquaviário no RJ nesta quarta-feira». BandNews FM. Consultado em 18 de maio de 2026. Cópia arquivada em 20 de março de 2025
- ↑ «ANAC e CCR assinam contrato de concessão dos aeroportos do bloco Sul». Agência Nacional de Aviação Civil. 12 de novembro de 2021. Consultado em 18 de maio de 2026. Cópia arquivada em 10 de abril de 2025
- ↑ Ribeiro, Gabriel Araujo; Bautzer, Tatiana (18 de novembro de 2025). «Mexico's ASUR buys Motiva's Latin American airports in $2.2 billion deal» (em inglês). Reuters. Consultado em 18 de maio de 2026
- ↑ «Fato relevante – alteração da diretoria estatutária». Motiva Relações com Investidores. 30 de maio de 2023. Consultado em 18 de maio de 2026. Cópia arquivada em 20 de janeiro de 2026
- ↑ «Programa de Concessões Rodoviárias no Estado do Paraná – Contrato de Concessão do Lote 5» (PDF). Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná. 1997. Consultado em 18 de maio de 2026
- ↑ «Fato relevante – acordo de leniência». Motiva Relações com Investidores. 26 de abril de 2019. Consultado em 18 de maio de 2026. Cópia arquivada em 19 de fevereiro de 2026
- ↑ «CCR: fato relevante». Motiva Relações com Investidores. 5 de dezembro de 2018. Consultado em 18 de maio de 2026. Cópia arquivada em 19 de fevereiro de 2026
- ↑ «Você delata, eu financio: a polêmica proposta da CCR vai a votação». Exame. 8 de abril de 2019. Consultado em 18 de maio de 2026. Cópia arquivada em 22 de junho de 2022
- ↑ «Você delata, eu financio: a polêmica proposta da CCR vai a votação». Exame. 8 de abril de 2019. Consultado em 18 de maio de 2026. Cópia arquivada em 22 de junho de 2022
