Saúde
Meu Primeiro Baile
Texto da Wikipédia (pt), licença CC BY-SA. O BETARUBI mostra o verbete inteiro nesta página — a leitura não continua fora do site.
| Meu Primeiro Baile | |
|---|---|
| Informações gerais | |
| Criação | Janete Clair |
| Baseado em | Un Carnet de Bal de Jacques Prévert |
| Direção | Daniel Filho |
| Elenco | Glória Menezes Tarcísio Meira Francisco Cuoco Paulo José Sérgio Cardoso |
| País de origem | |
| Idioma original | (em português brasileiro) |
| Episódios | 1 |
| Produção | |
| Formato | |
| Formato de imagem | (480i) (PAL-M) |
| Formato de áudio | Mono |
| Exibição original | |
| Emissora | |
| Transmissão | 31 de março de 1972 |
Meu Primeiro Baile, inspirado no francês "Carnet de Baile", foi o primeiro programa inteiramente gravado em cores a ser exibido na televisão brasileira.[1] Foi mostrado no dia 31 de março de 1972, mesmo dia em que foi inaugurado o sistema de televisão em cores no Brasil. Meu Primeiro Baile foi estrelado por Glória Menezes. O original Un Carnet de Bal, de Jacques Prévert, foi adaptado por Janete Clair[2] e teve produção e direção de Daniel Filho.
A pequena parcela da população que tinha acesso à TV colorida ficou tão maravilhada que congestionou as linhas da Rede Globo e esta reapresentou o mesmo programa horas depois do final da sua exibição.
Já tendo a cor tornado-se uma realidade, este Caso Especial foi reapresentado nas programações especiais de aniversário globais em 1980 ("Festival 15 Anos"), 1990 ("Festival 25 Anos") e 1995 ("Festival 30 Anos").
Enredo
Após a missa de um ano de morte de seu marido, Marina (Glória Menezes) volta para sua casa em Campinas, no interior de São Paulo, cidade onde passara a juventude. Acompanhada de seu amigo Gastão (Sérgio Cardoso), ela desabafa sobre seu tédio com a vida e sobre o arrependimento do casamento sem amor que lhe tomara mais de 20 anos. Lembra-se então de seu único grande amor: um dos rapazes com quem dançou em sua festa de 15 anos, em 1950.
Todos os nomes estão escritos em um caderno de lembrança do baile que ela guarda: Luciano (Francisco Cuoco), Walter (Felipe Carone), Carlos (Emiliano Queiroz), Oswaldo (Paulo José), Renato (Tarcísio Meira) e o próprio Gastão. Atraída pelas lembranças, ela empreende uma busca para saber o destino de cada um e encontrar qual foi seu verdadeiro amor. O primeiro a ser reencontrado é Luciano. Eles se desentendem já nas primeiras palavras, porque ela lhe revela ter contratado um detetive particular para localizá-lo. Luciano se irrita, porque tem problemas com a polícia. Mas, quando ela se apresenta e diz terem tido um romance sem importância, ele responde dizendo ter sido realmente apaixonado por ela. Luciano viu seu pai honesto falir, vítima da ambição de outros. Assim, tornou-se golpista, sentindo “vingar” o que fizeram com sua família. A conversa com Marina é interrompida pela ação da polícia, que invade a boate. Luciano foge em meio a um tiroteio.
O segundo é Walter, agora prefeito de um pequeno município no interior da Bahia. Herdeiro de terras na região, ele tem a simpatia do povo e se mostra muito feliz ao rever Marina em casa. Para surpresa da moça, Walter está para casar-se naquele mesmo dia, e a noiva é também sua empregada (Terezinha Moreira). Walter despede-se de Marina e segue para o casamento.
Para saber do paradeiro de Carlos, Marina vai até o Rio de Janeiro. É recebida por Emília (Zilka Sallaberry), mãe do jovem, e Elza (Eloísa Mafalda), sua secretária. Ao se identificar como uma amiga de Campinas, Emília pede que ela aguarde até que seu filho volte, dizendo que ele está “alegre e brincalhão como sempre”. Incomodada, Elza conta que Carlos havia cometido suicídio pouco depois do casamento de Marina. Nesse momento, ela se lembra de que Carlos havia ameaçado se matar enquanto eles dançavam a valsa, mas não dera muita importância. Na verdade, a intenção dele era matar os noivos, mas não teve coragem. Depois disso, a família se mudou para o Rio de Janeiro, e Carlos se matou com um tiro. Emília não reconhece Marina e, ao final, ela se identifica com o nome de Lúcia e vai embora.
Em seguida, Marina descobre onde está Oswaldo e o reencontra nos bastidores de um desfile da grife do próprio. O colega de juventude havia se tornado estilista da alta costura e, ao revê-la, se diz extremamente emocionado. Durante o reencontro, Oswaldo demonstra alguns comportamentos mais afeminados, o que faz com que Marina suponha que ele seja homossexual. Os dois continuam a breve conversa, e ele conta ter descoberto seu dom quando o pai proibiu sua irmã de ir a uma festa e escondeu todos os vestidos dela. Para ajudá-la, Oswaldo pegou uma toalha estampada da mãe e a transforma em um belo vestido. Diz a Marina ter enjoado de tanta mulher bonita, mas em seguida alguns dos seus dez filhos aparecem. Marina sorri, e Oswaldo sai para ordenar o seu desfile, mas, antes, afirma que “profissão é profissão”, e que ela havia se enganado sobre sua orientação sexual.
É em uma igreja que ela revê Renato Mariano, agora conhecido como frei Mariano. Deduzindo que pelo menos ele havia encontrado a paz, Marina descobre que, na verdade, Renato não estava ali por vocação, e sim como um refúgio. Ele conta que, após namorá-la, iniciou um romance com Beatriz Melo, com quem foi para São Paulo estudar piano em um conservatório. Quando estava tudo preparado para o casamento, ele descobre uma doença grave que ela escondia. No dia do casamento, Beatriz morre. A partir de então, Renato se dedica à vida religiosa.
Após voltar para casa, Marina se diz feliz de poder retomar a sua rotina, mesmo sem ter achado o homem que amou. Mas ainda faltava um em sua lista: Eduardo, que ela mais queria ter revisto. Gastão conta que já o havia procurado e que ele morrera seis meses antes em Buenos Aires. No meio da conversa, são interrompidos por um jovem da Marinha, exatamente igual a Eduardo em sua juventude. Ele se apresenta como Eduardo Filho e diz ter ouvido muito sobre Marina. Estava ali para pedir que ela dance com ele a primeira valsa em seu baile de formatura militar. Marina aceita.
Gastão aproveita e pede a mão da amiga em casamento, mesmo tendo achado seu nome como último do caderno. Ele diz que seu grande trunfo foi ter sido paciente. A história termina após a valsa no baile, com Gastão tirando a amada para dançar.
Elenco
- Glória Menezes
- Sérgio Cardoso
- Marcos Paulo
- Tarcísio Meira
- Francisco Cuoco
- Paulo José
- Felipe Carone
- Emiliano Queiroz
- Zilka Salaberry
- Eloísa Mafalda
- Jacyra Silva
- Léa Garcia
- Suzana Gonçalves
- Arnaldo Weiss
- Antonio Ganzarolli
- Maria Amélia Brito
Fotografia
Foi o primeiro programa da TV brasileira gravado inteiramente em cores. Em função disso, havia profusão de figurinos vermelhos, detalhes de cenário em roxo e cores fortes.
Figurinos, maquiagem e cor do cenário compunham a produção, que teve de ser mudada simultaneamente às gravações, em caráter experimental.
Referências
- ↑ OLIVEIRA SOBRINHO, José Bonifácio de (2011). O Livro do Boni. [S.l.]: Casa da Palavra
- ↑ «Janete Clair - trajetória». Memória Globo. Consultado em 14 de setembro de 2015
