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Madalena (bolo)
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As verdadeiras madelenas são postas em pequenas formas em formato de conchas de vieira e cozidas até dourar | |
| Nome(s) alternativo(s) | madeleine |
|---|---|
| Categoria | biscoito |
| País | França |
| Região | Commercy, na região de Lorraine |
| Ingrediente(s) principal(is) | nozes, condimentos, ovos, açúcar, farinha, fermento, manteiga derretida e raspa de limão |
As madalenas[1], ou madeleines, como são ainda hoje chamadas no Brasil,[2] são bolos de pequenas dimensões, caracterizados pela sua massa leve e fofa, preparada com ovos, açúcar, manteiga e farinha, tradicionalmente cozidos em moldes estriados, a fim de ficaram com o característico formato de concha de vieira. São originários da comuna de Commercy, na região da Lorena (em francês: Lorraine; em alemão: Lothringen), no nordeste de França.[3]
As receitas, com mais ou menos ingredientes (nozes, condimentos), mencionam a mistura de ovos, açúcar, farinha, fermento, manteiga derretida e raspa de limão, que depois é levada a forno brando, em formas que lembram a valva de uma concha de vieira (molusco marinho bivalve).[4]
História da madeleine
A madelana de Commercy nasceu (ou tornou-se famosa) nas cozinhas de Estanislau I da Polônia, por volta de 1750. Este deposto rei da Polônia, semiexilado no leste de França, viu de repente a sua filha Maria tornar-se rainha de França, pelo casamento com o Duque de Bourbon, que se tornou no rei Luís XV de França. Desta forma, Estanislau tornou-se facilmente duque da Lorena e melhorou a cidade de Nancy em termos arquitetônicos, estando aí sepultado.[5]
Desta forma, é muito possível que um simples doce regional se tivesse notabilizado, primeiro na corte do duque da Lorena, depois na do rei de França. O certo é que não se sabe se teria sido alguns dos cozinheiros do duque a inventar a iguaria, ou quem teria sido, como se queixava em 1843 o historiador Charles Dumont.[3]
A origem
Segundo historiadores,[quem?][carece de fontes] no século XVIII as freiras de um convento dedicado à Maria Madalena, vendiam bolinhos em formatos de concha para manter tanto o convento quanto suas creches. Quando os conventos e mosteiros foram abolidos da França durante a Revolução Francesa, as freiras venderam a receita aos confeiteiros da região, que passaram a produzir o doce e nomearam-no de madeleine em homenagem ao convento.
Há histórias do final do século XIX que dizem que, a cada vez que um trem parava na pequena localidade de Commercy, os passageiros eram abordados por vendedoras ambulantes que ofereciam as madeleines. Esse comércio repetiu-se desde a inauguração da estrada pelo imperador Napoleão III, em 1852, até 1939, durante a 2ª Guerra Mundial. A origem desse doce, no entanto, é bastante controversa, mas, para os estudiosos do assunto, uma coisa é certa: as madeleines surgiram para agradar Stanisław Leszczyński (1677-1766), soberano deposto da Polônia.
Segundo outras versões, o bolinho tornou-se conhecido em 1755, depois de oferecido num jantar da corte do rei polaco, Stanislaw Leszczyński.[6] Como os bolinhos que agradaram tanto a Stanislaw ainda não possuíam nome, o genro, Luís XV de França, casado com a filha deste, Maria Leszczyńska, baptizou os bolinhos com o nome da assistente do chefe-pasteleiro do rei polaco, que os produzira: Madeleine Paulmier.[6] Os bolinhos, agora denominados Madelanes de Commercy, eram originalmente confeccionados em forma de vieira[6] e foram, posteriormente, levados para a corte francesa, em Versailles, por Luis XV e Maria, onde granjearam fama, tendo-se difundido por toda a França.
Ainda, de acordo com outras fontes, a madelena remota à origem da peregrinação a Santiago de Compostela (Saint-Jacques-de-Compostelle), onde uma jovem chamada Madelaine ofereceu aos peregrinos um bolo feito com ovos, moldado em formato de conchas Saint-Jacques, o emblema da peregrinação. Fazendo com que o doce ultrapassasse barreiras territoriais e chegasse até Espanha.
Marcel Proust
Independentemente da versão original da história, as madeleines foram imortalizadas na obra de Marcel Proust — Em busca do tempo perdido. O autor utiliza os bolinhos para contrastar a memória involuntária com a voluntária, que designa aquelas recuperadas pela "inteligência". O mais famoso exemplo de memória involuntária por Proust é conhecido como o "episódio da madeleine":
Mal o líquido quente misturado com as migalhas tocou meu paladar, um arrepio percorreu-me e eu parei, atentando-me sobre a coisa extraordinária que estava acontecendo comigo. Um prazer delicioso tinha invadido os meus sentidos, algo isolado, individual, sem sugestão de sua origem. E, uma vez que as vicissitudes da vida haviam se tornado indiferentes para mim, seus desastres inócuos, sua brevidade ilusória — esta nova sensação de ter tido em mim o efeito que o amor tem de me encher com uma essência preciosa; ou melhor, essa essência não estava em mim que era eu. […] De onde ele veio? O que isso significa? Como eu poderia apreender e apreendê-lo? […] E de repente, a memória se revelou. O sabor foi a do pequeno pedaço de madeleine das manhãs de domingo em Combray. Quando eu ia para dizer bom dia para ela em seu quarto, minha tia Léonie costumava me dar, mergulhando-o pela primeira vez em sua própria xícara de chá ou tisana. A visão da pequena madeleine não tinha me recordado nada até eu prová-la. E tudo a partir de uma xícara de chá.
Referências
- ↑ Infopédia. «madalena | Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Dicionários infopédia da Porto Editora. Consultado em 3 de junho de 2026
- ↑ Madeleine com especiarias, no site Livro-de-Receitas.com
- 1 2 (em francês) História da madeleine de Commercy
- ↑ Receita de madeleine no site TudoGostoso.com.br
- ↑ (em francês) Biografia de Stanislas Leszczynski no site sobre este personagem, com abundantes fontes históricas
- 1 2 3 «Madalena – Fabrico Próprio - Enciclopédia de Pastelaria Portuguesa». www.fabricoproprio.net. Consultado em 20 de junho de 2026
