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Luís de Barros
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| Luiz de Barros | |
|---|---|
Barros em 1935 | |
| Nome completo | Luiz Guilherme Teixeira de Barros |
| Nascimento | |
| Morte | |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Cônjuge | Gita de Barros |
| Ocupação | cineasta, roteirista, editor, produtor, ator, dramaturgo, diretor teatral |
| Prêmios | Ver lista |
| Magnum opus | O Cortiço (1945) |

Luiz Guilherme Teixeira de Barros (Rio de Janeiro, 12 de setembro de 1893 – Rio de Janeiro, 3 de dezembro de 1982), foi um cineasta, roteirista, editor, produtor, ator, dramaturgo e diretor teatral[3] brasileiro. Foi também conselheiro da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT) de 1977 até sua morte, em 1982.[4] Barros é o diretor de cinema do Brasil que mais dirigiu filmes na história, sendo conhecido por produzi-los em um curto período de tempo. Entre seus filmes mais conhecidos estão Ubirajara, Augusto Aníbal Quer Casar, Hei de Vencer, Acabaram-se os Otários, Alvorada de Glória, O Jovem Tataravô, O Samba da Vida, Maridinho de Luxo, Berlim na Batucada, O Cortiço, Caídos do Céu e Anjo do Lodo.
Barros dirigiu, roteirizou, montou e produziu mais de 250 filmes (ou 264, dependendo da fonte), sendo 105 longas-metragens e 160 curtas-metragens.[5] Infelizmente, por causa da má preservação de filmes no Brasil, a maioria acabou se perdendo, sobrando apenas fragmentos ou poucas fotografias sobreviventes. Apenas cerca de 35 de suas obras foram recuperadas por completo. Em sua longa carreira cinematográfica, Barros foi um dos mais prolíficos cineastas brasileiros, por ter realizado filmes de comédia, carnavalescos, musicais e adaptações de obras literárias e teatrais.[6]
Em 1978, lançou o livro "Minhas Memórias de Cineasta", pela editora Artenova, em convênio com a Embrafilme, organizado pelo crítico e cineasta Alex Viany. No livro, conta suas experiências e memórias ao longo de sua grande carreira no cinema.[7]
Carreira
Primeiro contato com o cinema e primeiros filmes (1913-1920)
Seu primeiro contato com o cinema foi em 1913, quando ainda estava na França, visitou os estúdios da Gaumont e participou de uma tentativa do cinema cantado. Voltando para o Brasil por volta de 1914, começa a preparar o seu primeiro filme, este que seria uma adaptação da obra A Viuvinha, do escritor José de Alencar. Barros foi apresentado a Itálo Dandini e João Stamato, que diziam ser produtores de cinema, o que não era verdade. Barros e sua esposa, Gita, fizeram os personagens principais, com o filme tendo sido gravado em um teatro de amadores, onde Barros conseguiu uma licença para filmar. Quando o filme foi finalizado, Barros convidou alguns amigos para assistirem. Ele fez uma fogueira no meio do jardim de sua casa, e ao anunciar que iria dar início, ele atirou o filme no fogo, insatisfeito com o resultado final.[8]
Apesar disso, não se desanimou e logo partiu para a produção de seu próximo filme. Roteirizado por Oscar Lopes e estrelado pelos famosos atores Yole Burlini, Erico Braga e Leopoldo Fróes, Perdida foi o nome da nova produção, sendo produzida pela Guanabara-Film, empresa cinematográfica fundada por Barros para a produção de seus próximos filmes. Perdida foi lançado em outubro de 1916 no Cinema Pathé, sendo um sucesso de crítica. Animado com o sucesso de Perdida, ainda nesse ano dirige Vivo ou Morto. Com o roteiro de seu pai, foi lançado no exterior como filme francês, após a fábrica Pathé ter comprado o negativo.[8]
Nos próximos anos faz filmes com roteiros originais, como Zero-Treze e A Joia Maldita, e também adaptações literárias, como Ubirajara e Coração de Gaúcho. Faz ainda documentários focalizando acontecimentos e costumes da época.[6]
Cinema sonoro (1929-1931)
Em um encontro com João Antônio Bruno, no tempo diretor das Empresas Cinematográficas Reunidas, Barros teve a ideia de produzir um filme sonoro. Bruno estava animado com a ideia de um filme com som, depois que The Jazz Singer chegou ao Brasil. Como forma de brincar com o entusiasmo de Bruno, Barros disse a ele que também faria um filme sonoro, porém Bruno acreditou e chamou Barros para o seu escritório. Acabaram saindo de lá com negócio fechado e data marcada para a estreia de um filme sonoro.[8] Como equipamentos de filmagens e projeção sonora não existiam no Brasil até aquele momento, Barros teria que construir. Com a ajuda de Tom Bill, que atuou no filme e era mecânico, em três meses de investimento os aparelhos para filmar e exibir o filme com som ficaram prontos, sendo chamados de "Synchrocinex", que mais tarde também seria o nome da nova empresa de filmes que Barros abriria. Os diálogos eram gravados em discos, que eram reproduzidos nos cinemas pelo técnico Moacyr Fenelon.[9]
O filme se chamou Acabaram-se os Otários. O enredo foi baseado na história do "caipira que comprou um bone", publicada em jornais da época como verdade. No elenco estavam os comediantes Genésio Arruda, Tom Bill e Vicente Caiaffa. O sucesso do filme foi um absurdo para a época, levando mais de 35 mil pessoas para os cinemas em sua semana de estreia. Com todo o sucesso de Acabaram-se os Otários, Barros produziu mais três filmes sonoros nos anos seguintes, O Babão, Messalina, a Imperatriz da Luxúria e Alvorada de Glória.
Cinédia e "O Cortiço" (1935-1945)
Após algum tempo produzindo filmes para outras companhias, Luiz é chamado pela Cinédia, de Adhemar Gonzaga, dirigido por Barros em Ubirajara, para produzir longas-metragens para a companhia. Seu primeiro trabalho como diretor dentro da produtora foi com Carioca Maravilhosa, em 1936. No mesmo ano trabalhou na fotografia de Alô, Alô, Brasil!, de Gonzaga.[10] Entre seus filmes na Cinédia estão O Jovem Tataravô, O Samba da Vida, Tererê Não Resolve, Maridinho de Luxo, A Sedução do Garimpo, Berlim na Batucada entre outros.
Nessa época dirigiu o filme que o fez ganhar diversos prêmios e ser considerada sua obra-prima, O Cortiço, baseado na obra de Aluísio de Azevedo. Elogiado pela crítica, Barros ganhou vários prêmios por seu trabalho no longa, entre eles o Prêmio Índio do Jornal do Cinema de Melhor Diretor.[8]
Morte
Luiz Guilherme Teixeira de Barros faleceu vítima de um AVC no Rio de Janeiro, cidade onde nasceu, cresceu e viveu a maior parte de sua vida, em 3 de dezembro de 1982, com a idade de 89 anos. Luiz foi sepultado no Cemitério de São João Batista.[2]
Homenagens e legado
- Em 1971, Lucien Mellinger dirigiu o curta-metragem de 7 minutos de duração "O Incrível Luiz de Barros", em homenagem a Barros. No curta, Mellinger faz uma retrospectiva de toda a sua trajetória no cinema, com fotografias e trechos de seus filmes mais famosos.[11] No mesmo ano foi homenageado no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM), com o lançamento do número 12 da coleção Retrospectiva, dedicado a sua obra cinematográfica, com exibições dos filmes O Cortiço e Com a Mão na Massa, além do curta-metragem anteriormente citado.
- Em 1972, Barros foi homenageado com a Coruja de Ouro, prêmio criado pelo Instituto Nacional de Cinema (INC), com o objetivo de premiar os melhores artistas de cinema do ano.[12][5]
- Em 2021, seu filme O Jovem Tataravô ficou em 93ª posição na lista dos 100 melhores filmes brasileiros de cinema fantástico feito pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (ABRACCINE).[13]
Filmografia
Longas-metragens

- 1916 - A Viuvinha
- 1916 - Perdida
- 1916 - Vivo ou Morto
- 1918 - Zero-Treze
- 1918 - A Derrocada
- 1919 - Alma Sertaneja
- 1919 - Ubirajara
- 1920 - Coração de Gaúcho
- 1920 - A Joia Maldita
- 1922 - O Cavaleiro Negro
- 1923 - A Capital Federal
- 1924 - Hei de Vencer
- 1926 - Depravação
- 1928 - Pitoresco da Costa
- 1929 - Acabaram-se os Otários
- 1929 - Uma Encrenca no Olimpo
- 1930 - O Babão
- 1930 - Messalina, a Imperatriz da Luxúria
- 1931 - Alvorada de Glória
- 1935 - Carioca Maravilhosa
- 1936 - O Jovem Tataravô
- 1937 - O Samba da Vida
- 1938 - Tererê Não Resolve
- 1938 - Maridinho de Luxo
- 1940 - E o Circo Chegou
- 1940 - Cisne branco
- 1941 - Entra na Farra
- 1941 - A Sedução do Garimpo
- 1943 - Samba em Berlim
- 1944 - Berlim na Batucada
- 1944 - Corações Sem Piloto
- 1945 - Pif-Paf
- 1945 - O Cortiço
- 1946 - O Cavalo 13
- 1946 - Caídos do Céu
- 1947 - O Malandro e a Grã-fina
- 1948 - Esta é Fina
- 1948 - Fogo na Canjica
- 1949 - Pra Lá de Boa
- 1949 - Eu Quero é Movimento
- 1949 - Inocência
- 1951 - Anjo do Lodo
- 1951 - Aguenta Firme, Isidoro
- 1952 - O Rei do Samba
- 1952 - Era uma Vez um Vagabundo
- 1953 - Está com Tudo!
- 1953 - É Pra Casar?
- 1954 - Malandros em Quarta Dimensão[14]
- 1955 - Trabalhou Bem, Genival
- 1956 - Samba na Vila
- 1956 - Quem Sabe...Sabe!
- 1956 - O Negócio Foi Assim
- 1957 - Um Pirata do Outro Mundo
- 1957 - Tudo é Música
- 1958 - Com a Mão na Massa
- 1959 - Aí Vem os Cadetes
- 1961 - Por Um Céu de Liberdade
- 1962 - Vagabundos no Society
- 1980 - Ele, Ela, Quem?
Curtas-metragens
- 1920 - Aventuras de Gregório
- 1923 - Augusto Aníbal Quer Casar
- 1924 - Vocação Irresistível
- 1927 - A Casa de Santos Dumont
- 1928 - Criação de Cavalos
- 1929 - O Amor Não Traz Vantagens
- 1929 - Cidades de Veraneio
- 1929 - A Juriti
- 1929 - Baianinha
- 1929 - Feijoada
- 1929 - O Palhaço
- 1929 - Casa de Caboclo
- 1929 - Como Se Gosta
- 1930 - Lua-de-Mel
- 1930 - Minha Mulher Me Deixou
- 1931 - Sobe o Armário
- 1931 - Tango do Amor
- 1931 - Tom Bill Brigou com a Namorada
- 1939 - Poeta do Morro
- 1939 - Favela
- 1955 - Como Se Faz um Filme
Documentários
- 1922 - O Exército Brasileiro
- 1922 - O Rio Grande do Sul
- 1922 - Sacadura Cabral e Gago Coutinho no Rio de Janeiro
- 1924 - A Revolução de 1924
- 1925 - O Flagelo da Humanidade
- 1928 - Operação de Estômago
- 1928 - Operação Cesariana
Prêmios e indicações
Associação Brasileira de Cronistas Cinematográficos - 1945
- Melhor Produção do Cinema Brasileiro (O Cortiço)
Academia Brasileira de Letras - 1945
- Melhor Filme do Ano (O Cortiço)
Prêmio Índio do Jornal do Cinema - 1946[8]
- Melhor Diretor (O Cortiço)
Festival de Cinema do Distrito Federal - 1959
- Melhor Filme (Aí Vem os Cadetes)
- Melhor Diretor (Aí Vem os Cadetes) (indicado)
Coruja de Ouro - 1972
- Grande Prêmio do INC
Referências
- ↑ «"Brasil, Rio de Janeiro, Registro Civil, 1804-2013", Luiz Guilherme Teixeira de Barros». FamilySearch. 14 de setembro de 1893. Consultado em 2 de setembro de 2025
- 1 2 «"Brasil, Rio de Janeiro, Registro Civil, 1804-2013", Luiz Guilherme Teixeira de Barros». FamilySearch. 3 de dezembro de 1982. Consultado em 2 de setembro de 2025
- ↑ LUÍS de Barros. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa409118/luis-de-barros>. Acesso em: 15 de Jul. 2019. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
- ↑ «BIOGRAFIA - LUIZ DE BARROS». Museu da TV. Consultado em 2 de setembro de 2025
- 1 2 «"Coruja de Ouro vai homenagear velho cineasta». Biblioteca Nacional Digital. 13 de junho de 1973. Consultado em 2 de setembro de 2025
- 1 2 NORONHA, Jurandyr Dicionário Jurandyr Noronha de Cinema Brasileiro EMC Edições, 2008
- ↑ «OUTROS LANÇAMENTOS». Biblioteca Nacional Digital. Jornal do Brasil: 41. 6 de janeiro de 1979. Consultado em 2 de maio de 2026
- 1 2 3 4 5 BARROS, Luiz de Minhas memórias de cineasta Artenova, 1978
- ↑ «Cinema brasileiro completa 126 anos». agemt.pucsp.br. Consultado em 2 de setembro de 2025
- ↑ «FILMOGRAFIA - ALÔ! ALÔ! BRASIL». Cinemateca Brasileira. Cópia arquivada em 18 de junho de 2024
- ↑ «FILMOGRAFIA - O INCRÍVEL LUIZ DE BARROS». Cinemateca Brasileira
- ↑ «"Luiz de Barros ganha o Grande Prêmio INC e o Troféu Coruja de Ouro"». Biblioteca Nacional Digital. 20 de junho de 1973. Consultado em 3 de setembro de 2025
- ↑ «Em pesquisa inédita, associação de críticos elege os 100 melhores filmes do cinema fantástico brasileiro de todos os tempos». ABRACCINE. Cópia arquivada em 26 de julho de 2024
- ↑ «Estreia do filme "Malandros em Quarta Dimensão"». memoria.bn.gov.br. Cine Reporter : Semanario Cinematografico. 1954. Consultado em 8 de junho de 2026
