Saúde
João Barone
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| João Barone | |
|---|---|
Barone em 2026 | |
| Informações gerais | |
| Nome completo | João Alberto Barone Reis e Silva |
| Nascimento | 5 de agosto de 1962 (64 anos) Rio de Janeiro, RJ |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Gêneros | |
| Ocupação | músico |
| Cônjuge | Janete Watanabe (c. 2018) |
| Filho(a)(s) | 2 |
| Instrumento | bateria |
| Período em atividade | 1982–presente |
| Gravadora | EMI |
| Afiliação | Os Paralamas do Sucesso |
| Página oficial | osparalamas |
João Alberto Barone Reis e Silva (Rio de Janeiro, 5 de agosto de 1962) é um baterista brasileiro. É membro da banda Os Paralamas do Sucesso.
Reconhecido como um dos mais influentes bateristas do Brasil, construiu sua reputação ao longo da trajetória de mais de quatro décadas d'Os Paralamas do Sucesso, com uma ampla discografia de álbuns de estúdio e ao vivo. Por conta de seu trabalho na banda, foi convidado para gravar com vários artistas e grupos como Ultraje a Rigor, Titãs, Sepultura, Marina Lima, Lenine, Rita Lee, Zizi Possi, Zé Ramalho, dentre outros.
Barone teve alguns trabalhos como produtor nos álbuns do cantor/tecladista Fábio Fonseca (1987), da banda Conexão Japeri (1988), onde Fábio Fonseca e Ed Motta integraram, do cantor Supla (1991) e da banda Los Djangos (1998).[1][2][3][4]
Biografia
João Barone nasceu no Rio de Janeiro. Seus pais viviam numa casa na Universidade Rural, na zona oeste da capital da antiga Guanabara, onde cresceu num ambiente familiar permeado por música de todos os gêneros. Seu pai, funcionário público, apreciava jazz e MPB.[5] Os irmãos mais velhos eram fãs de rock em suas mais variadas vertentes, de Beatles até o rock progressivo, passando pelos grandes nomes da música negra americana e pelos ícones do rock nacional e da Tropicália.[6]
Barone desenvolveu um interesse infantil pela bateria desde então, sendo Ringo Starr o seu primeiro ídolo no instrumento. Mesmo sem ter uma bateria, tocava em travesseiros usando baquetas feitas de bambu. Quando alguns amigos de rua pensaram em montar uma banda, Barone foi chamado para ser o baterista. Uma escola local doou-lhe uma sucata de bateria, que restaurou como pôde. Foi a sua primeira bateria. O músico teve aulas com um baterista de baile e, depois de algum tempo, deu canjas em bailes no clube da comunidade local com seus amigos. Entretanto, o sonho de ser baterista ainda era algo distante de sua realidade. No início da década de 1980, Barone foi aprovado no vestibular para a Licenciatura em Ciências Biológicas na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), onde começou a estudar em 1982.[6]
Seu encontro com Os Paralamas do Sucesso aconteceu um pouco antes, em setembro de 1981, quando um amigo em comum do baixista Bi Ribeiro o convidou, em cima da hora, para tocar em um show. Os Paralamas haviam sido convidados para uma apresentação como banda hors-concours no festival de música estudantil da Universidade Rural, onde Bi estudava Zootecnia. O então baterista do grupo, Vital Dias, não compareceu para a apresentação, e Barone foi chamado no mesmo dia.[6][7]
Influências iniciais
João Barone não estudou formalmente o instrumento, e tornou-se efetivamente um baterista ao ingressar n'Os Paralamas. Nesse processo, foi atrás da experiência de bateristas que admirava, como Lobão e Serginho Herval, do Roupa Nova, além dos que volta e meia encontrava nos estúdios da gravadora Odeon, como Paulo Braga, Juba, da Blitz, e Teo Lima. Barone também chegou a ter alguns encontros com o Robertinho Silva, que fez parte do conjunto Som Imaginário. Apreciava todos os estilos musicais, como a bossa nova de Milton Banana e de Rubinho, do Zimbo Trio, e o jazz de Tony Williams, Art Blakey, Billy Cobham, Steve Gadd, dentre outros bateristas, como Jorginho Gomes, dos Novos Baianos. Entretanto, sua maior influência vinha do rock internacional, de grandes ícones da bateria como Ginger Baker, Mitch Mitchell, Keith Moon, Bill Bruford e John Bonham.
The Police
O seu grande referencial nesse início de jornada foi Stewart Copeland, a quem passou a admirar desde que o viu pela primeira vez num vídeo da banda The Police, tocando "Roxanne", em 1978. Desde as primeiras gravações e entrevistas, em 1983, Barone nunca escondeu sua idolatria por Copeland.[8] Não à toa, no início da carreira, Os Paralamas eram muito comparados ao Police, pois além de serem trios, o estilo de tocar era semelhante, culminando com o grande sucesso do segundo álbum da banda, O Passo do Lui (1984). No álbum, Barone apresentava exemplos do “copelandismo“ (do inglês copelandism, estilo de tocar reconhecido nos muitos bateristas influenciado por Stewart Copeland), tanto nas batidas como na sonoridade de sua bateria. Este álbum virou um referencial na gravação de bateria no rock nacional, provando que era possível “tirar um som de batera igual ao dos gringos”, elevando assim os padrões de exigência de como gravar bateria dali em diante para um outro patamar na produção musical brasileira.
Pós-punk, reggae, ska e ritmos latinos

A antológica participação d'Os Paralamas no primeiro Rock in Rio em janeiro de 1985 projetou a banda por todo o Brasil e América do Sul, com uma intensa agenda de shows, onde muitas vezes a banda fazia duas apresentações por noite em ginásios lotados.[9] Barone começou a amadurecer seu próprio estilo e personalidade musical já no terceiro e consagrado álbum d'Os Paralamas, Selvagem?, com o emprego de batidas de reggae e dub, aliados à uma pegada roqueira, o que deixou claro naquele momento que a banda Os Paralamas do Sucesso não só veio para ficar, como já era tida como uma das mais originais da geração 80 do rock brasileiro.[10]
A extensa discografia d'Os Paralamas demonstra a diversidade de estilos e climas exigidos, através da habilidade de Barone no instrumento, resultado do grande entrosamento dos integrantes da banda e da maestria de Herbert Vianna em suas composições.[11] Barone tem grande estima por Bi Ribeiro, (baixista e fundador d'Os Paralamas), pois acredita que ambos possuem um approach intuitivo em seus instrumentos, o que resultou numa grande sintonia entre os dois com o tempo de estrada.[12]
Os Paralamas do Sucesso ganharam inúmeras premiações ao longo de décadas de atividade, com destaque para quatro Grammys Latinos.[13] Barone também foi premiado inúmeras vezes como melhor instrumentista em votações de público e crítica, em revistas, jornais e canais de televisão.[14]
Homenagem ao The Police
Em 2017, João Barone se juntou ao ex-baixista do Barão Vermelho, Rodrigo Santos, e ao ex-guitarrista do The Police, Andy Summers, no projeto Call the Police.[15] O trio se apresenta em turnês esporádicas pelo Brasil e em outros países da América Latina,[16] executando os maiores sucessos do The Police, a maior influência do baterista. A turnê de 2024 foi a quinta desde 2017, e passou por várias cidades da América Latina.
Fora dos Paralamas
Gravou com muitos outros artistas, como:
- Eduardo Dussek: juntamente com os outros integrantes dos Paralamas do Sucesso, nas faixas "Maldito dinheiro", "O lixeiro e a empregada", "Recebi seu bilhetinho", "O crápula", "Oh! My darling bezerrão" e "Qual?" do álbum Brega Chique - Chique Brega (1984);[17]
- Rita Lee: faixas "Não titia", "Molambo souvenir" e "Vítima" do álbum Rita e Roberto (1985). No período em que Herbert Vianna se recuperava de um acidente, em 2001, gravou e tocou em diversas faixas do álbum Aqui, Ali, em qualquer lugar. Participou também da turnê Yê yê yê de Bamba;[18][19]
- Leo Jaime: "Solange", versão de "So Lonely" do The Police, do álbum Sessão da Tarde (1985), "Briga" e "Prisioneiro do Futuro" do álbum Vida Difícil (1986);[20][21]
- Ultraje a Rigor: faixa "Maximilian Sheldon" do álbum Sexo!! (1987);[22]
- Conexão Japeri: produziu o 1º álbum da banda: Ed Motta & Conexão Japeri, na época, tendo Ed Motta como vocalista e Fábio Fonseca nos teclados, lançado em 1988, e toca bateria em três faixas: "Seis da tarde", "Caminhos" e "Manuel";[23]
- Kid Abelha: faixa "Cantar em Inglês" do álbum Kid (1989);[24]
- Elba Ramalho e Cláudio Zoli: faixa "Felicidade urgente" do álbum Felicidade urgente (1991);[25]
- Marina Lima: faixa "Grávida" do álbum Marina Lima (1991);[26]
- Fausto Fawcett & Falange Moulin Rouge: álbum Básico Instinto (1993);[27]
- Dinho Ouro Preto: faixas "Noiaba Carlos", "Freiras Lésbicas Assassinas do Inferno" e "1+1" do álbum Vertigo (1994);[28]
- Titãs: faixa "Eu Não Vou Dizer Nada (Além do que Estou Dizendo)" do álbum Domingo (1995);[29]
- Paulo Ricardo: faixa "Agora Só Falta Você" do álbum Rock Popular Brasileiro (1996);[30]
- Lenine: faixa "Hoje Eu Quero Sair Só" do álbum O Dia em Que Faremos Contato (1997);[31]
- Arnaldo Antunes: faixa "Pare o Crime" do álbum Um Som (1998);[32]
- Pedro Luís e a Parede: faixa "Brasileiro em Tóquio" do álbum É tudo 1 real (1999);[33]
- Toni Platão: diversas faixas do álbum Calígula Freejack (2000);[34]
- Roberto Frejat: faixas "Som e fúria", "Homem não chora" e "Voltar pra te buscar" do álbum Amor pra recomeçar (2001);[35]
- Cássia Eller: faixa "Nenhum Roberto" do álbum Dez de dezembro (2002);[36]
- Gilberto Gil: faixas "Não chores mais" e "Them belly full (but we hungry)" do álbum Kaya n´gan daya (2002), faixa "It´s good to be alive" do álbum To be alive is good (anos 80) (2002), faixa "A novidade" do álbum Gil + 10: Gilberto Gil convida (2010);[37]
- Sepultura: faixa "Urge", no álbum Roorback (2003) e "Ratamahatta" do álbum SepulQuarta (2021);[38][39][40]
- George Israel: faixa "A noite perfeita" do álbum Distorções do meu jardim (2007);[41]
- Zé Ramalho: faixas "O rei do rock", "Montarias sensuais", "Do muito e do pouco", "Procurando a estrela" e "Farol dos mundos" do álbum Parceria dos Viajantes (2007);[42]

Prêmios e indicações
| Ano | Prêmio | Categoria | Resultado |
|---|---|---|---|
| 1999 | Prêmio Multishow de Música Brasileira | Melhor instrumentista | Venceu |
| 2003 | Venceu | ||
| 2011 | Venceu |
Segunda Guerra Mundial

Filho de um ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira que lutou na Segunda Guerra Mundial, Barone sempre teve o assunto presente em sua vida; não por qualquer incentivo do seu pai, mas sim pela curiosidade. O seu pai não costumava falar muito de sua experiência durante seu tempo em ação nos campos de batalha italianos.[43] Ávido colecionador de modelos em miniatura na sua infância, Barone desviou do assunto na adolescência, quando descobriu o rock.[44] Em 1998, retomou o estudo do tema quando restaurou um jipe Wyllis MB 1944, utilizado na Segunda Guerra Mundial.[45]
Foi o começo de uma jornada paralela aos Paralamas do Sucesso. Após diversas pesquisas sobre o tema, João Barone foi comentarista e apresentou programas, escreveu livros e dirigiu documentários.
João Barone dirigiu e produziu três documentários sobre a Segunda Guerra Mundial e a participação do Brasil no conflito:
- Um Brasileiro no Dia D (2006): em junho de 2004, Barone levou seu jipe por via aérea até a Normandia para tomar parte nas comemorações do 60º aniversário do Dia D e revelar o ás da aviação de caça franco-brasileiro: Pierre Clostermann. Quatro anos depois, o documentário foi lançado em DVD pela Revista Grandes Guerras, e vendido em bancas de jornais por todo o país.[46] Posteriormente, foi exibido no History Channel.
- O Caminho dos Heróis (2014): no documentário, o músico, vestido com uniformes militares brasileiros da época, percorreu cidades italianas para refazer a trajetória dos pracinhas da Força Expedicionária Brasileira nos campos de batalha da Itália.[47] Foi exibido no History Channel.[48]
- 1942 - O Brasil e sua guerra quase desconhecida (2015): O filme conta com a participação de figuras ilustres como Pedro Bial e Luiz Fernando Verissimo, além de ex-combatentes e historiadores que relataram suas impressões sobre o conflito, bem como as importantes lições deixadas para a posteridade.[49]
A atuação de João Barone para manter viva a história dos pracinhas lhe rendeu condecorações, como:
- Medalha Três Heróis Brasileiros, da Associação dos Ex-combatentes do Brasil, em 2009;
- Medalha Mascarenhas de Morais, da Associação Nacional dos Veteranos da FEB, em 2010;
- Medalha da Vitória, do Ministério da Defesa, em 2011;
- Medalha Tenente Max Wolff Filho, do Museu do Expedicionário de Curitiba, em 2017.
Livros
João Barone organizou o livro "Minha Segunda Guerra", em 2009.[50] A obra reuniu crônicas e reportagens sobre a Segunda Guerra Mundial publicadas na Revista Grandes Guerras e uma entrevista com Pierre Clostermann, piloto de caça da Royal Air Force que é considerado o único brasileiro que participou do Dia D.
O ano de 2013 marcou o lançamento da obra mais conhecida de João Barone, "1942 - O Brasil e sua guerra quase desconhecida". A nova edição da obra foi publicada em 2018.
Em 2023, o autor voltou ao mesmo tema no livro "Soldado Silva: a jornada de um brasileiro", que retratou, por meio de fotografias e objetos pessoais e de campanha, a jornada do seu pai como pracinha da Força Expedicionária Brasileira na Itália.[51]
Barone investiu, em 2024, na publicação de suas memórias de baterista e produtor musical, com o livro "1,2,3,4! Contando o tempo com os Paralamas do Sucesso", no qual relata uma parte dos 40 anos de estrada da sua banda, da década de 1980 ao começo dos anos 2000.[52][53][54][55][56][57]
Vida pessoal
João Barone tem duas filhas, Clara e Laura, e um filho, Vicente. É avô de Luca, filho de Clara.
Em quatro de julho de 2018, o baterista se casou com Janete Watanabe.[58]
Referências
- ↑ «João Barone». Discogs. S.d.
- ↑ «Ed Motta & Conexão Japeri». Discos do Brasil. S.d. Consultado em 4 de novembro de 2025
- ↑ «Supla». Discogs. S.d. Consultado em 4 de novembro de 2025
- ↑ «Los Djangos. Raiva contra Oba Oba». Discogs. S.d. Consultado em 4 de novembro de 2025
- ↑ «dicionariompb.com.br/joao-barone/biografia». Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Consultado em 9 de setembro de 2020
- 1 2 3 França, Jamari (2003). Os Paralamas do Sucesso: vamo batê lata. [S.l.]: Editora 34
- ↑ G1 Rio (3 de março de 2015). «Morre baterista que inspirou "Vital e sua moto", dos Paralamas do Sucesso». G1. Consultado em 9 de setembro de 2020
- ↑ Saito, Bruno Yutaka (19 de março de 2007). «Police para quem precisa». Folha de São Paulo. Consultado em 9 de setembro de 2020
- ↑ «Paralamas do Sucesso relembram estreia no Rock in Rio, em 1985». O Globo. 17 de agosto de 2015. Consultado em 9 de setembro de 2020
- ↑ Carneiro, Luiz Felipe (28 de agosto de 2006). «Faz 20 anos». Folha de São Paulo. Consultado em 9 de setembro de 2020
- ↑ «Discografia d'Os Paralamas do Sucesso». Letras. S.d. Consultado em 9 de setembro de 2020
- ↑ «Noize Record Club apresenta: 9 Luas». Noize Record Club. 2018. Consultado em 1 de agosto de 2025
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- ↑ «Dani e Barone são destaques no prêmio Multishow». Equipo. Consultado em 9 de setembro de 2020. Cópia arquivada em 27 de outubro de 2025
- ↑ Moraes, Felipe (17 de junho de 2018). «Andy Summers e João Barone falam sobre o projeto Call the Police». Metrópoles. Consultado em 9 de setembro de 2020
- ↑ «Call the Police Tour with Andy this August and September in Brazil, Uruguay, Peru and Chile». Andy Summers Official Site (em inglês). 13 de agosto de 2019. Consultado em 9 de setembro de 2020. Cópia arquivada em 21 de novembro de 2025
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- ↑ «Discoteca básica da Bizz: Léo Jaime - "Sessão da Tarde" (1985)». Mural Cultural. S.d. Consultado em 9 de setembro de 2020
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- ↑ «Opinião - Música em Letras: Baterista João Barone conta o que viu em mais de 40 anos tocando com Os Paralamas do Sucesso». Folha de S.Paulo. 20 de agosto de 2024. Consultado em 21 de agosto de 2024. Cópia arquivada em 3 de dezembro de 2025
- ↑ «João Barone lança livro em que reúne suas memórias do Paralamas do Sucesso: 'Foi um encontro às cegas que deu certo pra caramba'». O Globo. 20 de agosto de 2024. Consultado em 21 de agosto de 2024
- ↑ «João Barone lança livro sobre "Os Paralamas do Sucesso" em Porto Alegre». GZH. 21 de agosto de 2024. Consultado em 21 de agosto de 2024
- ↑ «Depois da guerra, o rock!». Revista Rolling Stone. 2 de agosto de 2018. Consultado em 31 de julho de 2025
Ligações externas
- João Barone no Facebook
- João Barone no Instagram
- João Barone no X

