BETA SAÚDE
Helena de Meclemburgo-Schwerin
Texto da Wikipédia (pt), licença CC BY-SA. O BETARUBI mostra o verbete inteiro nesta página — a leitura não continua fora do site.
| Helena | |||||
|---|---|---|---|---|---|
| Princesa Real da França Duquesa de Meclemburgo-Schwerin | |||||
Retrato por Franz Xaver Winterhalter, 1840 | |||||
| Duquesa de Orleães | |||||
| Reinado | 30 de maio de 1837 a 13 de julho de 1842 | ||||
| Predecessora | Maria Amélia das Duas Sicílias | ||||
| Sucessora | Maria Isabel de Orleães | ||||
| Dados pessoais | |||||
| Nascimento | 24 de janeiro de 1814 Palácio de Ludwigslust, Ludwigslust, Meclemburgo-Schwerin | ||||
| Morte | 18 de maio de 1858 (44 anos) Londres, Inglaterra | ||||
| Sepultamento | Capela Real, Dreux, França | ||||
| |||||
| Marido | Fernando Filipe, Príncipe Real da França e Duque de Orleães | ||||
| |||||
| Casa | Meclemburgo-Schwerin (nascimento) Orleães (casamento) | ||||
| Pai | Frederico Luís, Grão-Duque Hereditário de Meclemburgo-Schwerin | ||||
| Mãe | Carolina Luísa de Saxe-Weimar-Eisenach | ||||
| Religião | Luteranismo | ||||
| Brasão | |||||
Helena Luísa Isabel de Meclemburgo-Schwerin (em alemão: Helene Luise Elisabeth zu Mecklenburg-Schwerin; Ludwigslust, 24 de janeiro de 1814 — Londres, 18 de maio de 1858) foi uma duquesa alemã de Meclemburgo-Schwerin por nascimento e Princesa Real da França e Duquesa de Orleães por seu casamento com o herdeiro do trono francês, Fernando Filipe, filho do rei dos Franceses, Luís Filipe I.
Primeiros anos

Nascida em 24 de janeiro de 1814, no Palácio de Ludwigslust, filha do grão-duque Frederico Luís de Meclemburgo-Schwerin, herdeiro aparente do Grão-Ducado de Meclemburgo-Schwerin, e de sua segunda esposa, Carolina Luísa de Saxe-Weimar-Eisenach.[1]
Helena perdeu a mãe quando tinha apenas dois anos. Antes de morrer, Carolina teria pedido ao marido que desse outra mãe aos filhos e sugeriu a princesa Augusta de Hesse-Homburgo para esse papel.[2] Augusta casou-se com o pai de Helena em 1816, mas ficou viúva pouco depois. A partir de então, passou a dedicar-se à educação das crianças.[2] Helena desenvolveu uma relação próxima com a madrasta, baseada em afeto e confiança.[2]
Helena era descrita como uma criança simples e generosa, pouco inclinada ao egoísmo e sensível ao sofrimento alheio.[3] Sua religiosidade refletia-se na prática da caridade e na valorização do auxílio aos mais necessitados.[3]
Na primavera de 1827, Helena visitou pela primeira vez a corte de Weimar.[4] Até então, sua educação havia ocorrido principalmente no ambiente familiar, sob a orientação de professores escolhidos por sua madrasta.[2][4] Aos treze anos, a ida à Weimar marcou uma nova fase de sua formação, aproximando-a da vida cortesã e da literatura.[4]
Em 1830, Helena recebeu a confirmação religiosa na Igreja Paroquial de Ludwigslust.[5] Nesse mesmo período, acompanhou com interesse as notícias sobre a Revolução de Julho na França, o que despertou seu interesse pelo país.[5]
Casamento

Em 1836, durante a visita a Berlim dos filhos de Luís Filipe I, rei dos Franceses, Fernando Filipe, Príncipe Real e Duque de Orleães, demonstrou interesse pela princesa Helena.[6] O rei da Prússia, Frederico Guilherme III, gostava da princesa e considerava favoravelmente a possibilidade de uma união.[6] Após avaliar suas qualidades e as possíveis dificuldades políticas e religiosas – Helena era protestante e a família real francesa católica –, Fernando Filipe decidiu formalizar o pedido de casamento.[6][nota 1]
Helena mostrou-se inicialmente apreensiva diante da perspectiva de deixar sua família e seu país, mas acabou aceitando a proposta, apoiada pela madrasta.[8] O contrato de casamento foi assinado em 5 de abril de 1837 e, em 15 de maio, a princesa deixou Ludwigslust acompanhada pela madrasta, que desejava apresentá-la pessoalmente aos reis dos Franceses.[8]
Durante a viagem para a França, Helena recebeu diversas manifestações de afeto da população. Em 25 de maio, atravessou a fronteira francesa e passou por Forbach e Metz, onde chamou a atenção pela simplicidade e pela naturalidade com que recebia as demonstrações de interesse.[9] A chegada a Fontainebleau foi marcada por uma grande recepção, com a presença da família real e de uma multidão que aguardava a jovem princesa.[9] Helena foi bem acolhida pela família do noivo. O casamento em pessoa foi celebrado em 30 de maio de 1837, na capela do Palácio de Fontainebleau, e não na tradicional Catedral de Notre-Dame, pois o contrato matrimonial garantia que ela permaneceria protestante.
Vida na França

Os primeiros anos de Helena na França foram marcados pela adaptação à vida familiar e às responsabilidades decorrentes de sua posição na corte, bem como pelas expectativas em relação ao futuro da família real. Em 1838, no terceiro aniversário de seu casamento, Helena declarou-se satisfeita com a nova família e com a posição que passara a ocupar na França.[10]

O nascimento de seu primeiro filho, o Conde de Paris, foi recebido por ela com grande júbilo.[11] O nascimento de seu segundo filho, o Duque de Chartres, em 9 de novembro de 1840, reforçou seu envolvimento com a vida familiar e com as responsabilidades relacionadas à maternidade. Em suas cartas, manifestava o desejo de acompanhar de perto a educação dos filhos e atribuía especial importância à infância para a formação de seus sentimentos e de sua religiosidade.[11] Helena vinculava a criação dos filhos aos deveres que assumira perante a família e a França, inserindo a educação deles nas expectativas relacionadas ao futuro da monarquia.[12] Ela valorizava especialmente as ocasiões em que podia permanecer a sós com os filhos, por considerar que esses momentos favoreciam uma convivência mais próxima com eles.[13]
Sua atuação na corte também incluía interesses culturais e intelectuais. Helena acompanhava as atividades artísticas e literárias promovidas pela família real e participava de momentos de convivência com a rainha e as princesas.[14] Na esfera política, procurava manter uma postura discreta, evitando associar sua posição às diferentes correntes que se formavam em torno da família real.[14]
A experiência de Helena na França foi profundamente marcada pela morte de seu marido em um acidente de carruagem. Ao receber a notícia, em julho de 1842, ela retornou imediatamente a Paris, onde encontrou a família real em luto. Helena ficou profundamente abalada com a morte do marido e voltou sua atenção para os filhos, que passaram a ocupar ainda mais espaço em sua vida durante o período de luto.[15]
Revolução e exílio

A Revolução de 1848 marcou o fim da vida de Helena na França. Na manhã de 24 de fevereiro, diante do avanço da insurreição em Paris e da perda de apoio ao governo, o Rei Luís Filipe decidiu abdicar em favor de seu neto, o Conde de Paris. Helena tentou impedir a abdicação, argumentando que a renúncia do rei poderia comprometer os direitos de seus filhos.[16]
Após a abdicação, Helena acompanhou os filhos e dirigiu-se à Assembleia Nacional Francesa, onde esperava defender os direitos do Conde de Paris à Coroa, sob sua regência. Ao chegar, foi recebida em meio ao tumulto político. A sua presença na Assembleia com os dois filhos, enquanto deputados e populares discutiam o futuro da monarquia.[17] Helena permaneceu na Câmara mesmo diante do agravamento da situação. Quando a multidão invadiu o recinto, ela manteve-se junto aos filhos e tentou falar aos deputados. Em determinado momento, os disparos começaram a ser ouvidos dentro da Assembleia, mas Helena permaneceu no local, demonstrando, segundo relatos, serenidade diante do perigo.[18] No tumulto, os dois filhos foram separados dela. Helena conseguiu finalmente reencontrar os filhos e, ao vê-los novamente em segurança.[19] Diante da impossibilidade de reunir novamente os deputados e de preservar a monarquia, Helena deixou a Assembleia acompanhada pelos filhos e por algumas pessoas de sua confiança.[20] O parlamento dissolveu-se, a monarquia foi abolida e a Segunda República Francesa foi proclamada.
Após a tentativa frustrada de se tornar regente e a abolição da monarquia, ela deixou a França e foi para a Alemanha e, depois, para a Inglaterra, com seus filhos. No exílio, Helena continuou a reivindicar ativamente, do exterior, o direito de seu filho ao trono francês, mas os monarquistas franceses começaram a favorecer a outra linhagem real francesa, anteriormente reinante, sob a chefia do Conde de Chambord.
Morte

Helena faleceu em 18 de maio de 1858, em Londres, devido a complicações da gripe que contraiu enquanto cuidava de seu filho mais novo, o Duque de Chartres. Ela foi sepultada em Walbridge. Em 1876, seus restos mortais foram transferidos para a Capela Real, em Dreux. Por ser protestante, Helena não poderia ser sepultada no interior da Capela Real, onde repousam os restos mortais dos membros da família real francesa. A solução encontrada foi a construção de um anexo à capela, onde o túmulo duquesa foi erguido. A construção comunica-se com o túmulo do seu marido por uma espécie de janela e a escultura da princesa protestante descansa sobre a tumba, exibindo-a tentando alcançar a tumba de seu marido.[21]
Ancestrais
Notas e referências
Notas
- ↑ O casamento de Fernando Filipe foi marcado por sucessivas dificuldades: inicialmente, esteve prometido a Luísa d'Artois, neta do rei Carlos X da França, mas a Revolução de 1830 inviabilizou a união, pois a família dela considerava seu pai um "usurpador". Depois, fracassaram as negociações com as princesas Maria e Sofia de Württemberg e, sobretudo, com a arquiduquesa Maria Teresa da Áustria. Por fim, foram consideradas Januária do Brasil e Isabel da Espanha, mas ambas também foram descartadas.[7]
Referências
- ↑ Harcourt 1859, pp. 15-16
- 1 2 3 4 Harcourt 1859, pp. 17-18
- 1 2 Harcourt 1859, pp. 18-20
- 1 2 3 Harcourt 1859, pp. 22-24
- 1 2 Harcourt 1859, pp. 25-28, 32-33
- 1 2 3 Harcourt 1859, pp. 40-43
- ↑ Antonetti, Guy (2002). Louis-Philippe (em francês). Paris: Librairie Arthème Fayard. pp. 756–757, 781–782. ISBN 2-213-59222-5
- 1 2 Harcourt 1859, p. 46
- 1 2 Harcourt 1859, pp. 49-54
- ↑ Harcourt 1859, pp. 61-63
- 1 2 Harcourt 1859, pp. 64-65, 71-72
- ↑ Harcourt 1859, pp. 64-65, 70
- ↑ Harcourt 1859, pp. 72-74
- 1 2 Harcourt 1859, pp. 65-68
- ↑ Harcourt 1859, pp. 89-96
- ↑ Harcourt 1859, pp. 424-427
- ↑ Harcourt 1859, pp. 426-432
- ↑ Harcourt 1859, pp. 433-436
- ↑ Harcourt 1859, pp. 437-438
- ↑ Harcourt 1859, pp. 439-440
- ↑ Miguel da Grécia (24 de fevereiro de 2017). «La tombe d'une duchesse amoureuse de son mari» (em francês). Point de vue. Consultado em 28 de janeiro de 2026
Bibliografia
- Harcourt, Jeanne Paule Beaupoil de Sainte-Aulaire, Marquesa de (1859). Madame La Duchesse D'orléans: Hélène De Mecklembourg-Schwerin (em francês). Paris: Michel Lévy Frères

