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Francisco Ballesteros
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| Francisco Ballesteros | |
|---|---|
Francisco Ballesteros, gravura por anónimo francês, c. 1828–1832 | |
| Nome completo | Francisco Tomás Benito Ballestero González |
| Conhecido(a) por | General e político espanhol |
| Nascimento | 6 de março de 1771 |
| Morte | |
| Local de sepultamento | Cemitério do Père-Lachaise, Paris |
| Progenitores | Mãe: Teresa González Fernández Pai: Joaquín Ballestero |
| Cargo | Ministro da Guerra (1815) |
| Serviço militar | |
| País | Reino da Espanha |
| Serviço | Infantaria |
| Anos de serviço | 1788–1823 |
| Patente | Marechal de campo |
| Conflitos | Guerra dos Pirenéus Guerra das Laranjas Guerra Peninsular |
| Condecorações | Grã-Cruz Laureada de São Fernando |
| Religião | Católico |
Francisco López Ballesteros (Brea de Aragón, Saragoça, 6 de março de 1771 – Paris, 29 de junho de 1832), conhecido como Francisco Ballesteros, ou simplesmente, Ballesteros, foi um nobre, militar e político espanhol.
Início de vida
Nascido aos seis dias de março com o nome de Francisco Tomás Benito Ballestero González, filho de Joaquín Ballestero e Teresa González, e baptizado no dia seguinte na igreja paroquial de Brea de Aragón, Francisco era um fidalgo da nobreza local. Segundo Alberto Gil Novaes, seria, provavelmente filho do segundo irmão de Diego López Ballesteros, senhor do Paço de Golpelleira, na freguesia de Arealonga, chamado também Francisco López Ballesteros e, com isto, primo em primeiro grau do futuro ministro de Fernando VII, Luis López Ballesteros.[1]
Tinha, também, um irmão, Manuel José Joaquín Ballestero González, também ele um participante ativo nas Guerras Peninsulares. Francisco estudou em Saragoça, onde posteriormente se alistou como cadete, a 4 de julho de 1788, no 1.º Batalhão de Voluntários de Aragão. O seu serviço militar de formação foi, salvo num prazo de dez meses (onde serviu no Batalhão de Voluntários de Navarra), inteiramente feito no regimento de Aragão. No ano de 1792, é feito primeiro-subtenente, e no ano seguinte, é promovido a segundo-subtenente. Foi, posteriormente, transferido para um regimento de voluntários catalães, onde é promovido a capitão, a 1 de dezembro de 1794.[2]
Devido a um duelo, ficou gravemente ferido num braço, no entanto, não o impedindo de cumprir o seu serviço como capitão no Regimento de Caçadores de Barbastro. Lutou nas Campanha do Rossilhão, e posteriormente, na Guerra das Laranjas em 1801. Foi a Madrid para tratar de uma lesão no braço e obteve a aposentadoria e o comando da Guarda de Guarnição de Ávila. Tornou-se, posteriormente, inspetor da Fazenda nas Astúrias. Em 1804, foi demitido de seus cargos por má conduta, mas Godoy o reintegrou, nomeando-o chefe da alfândega nas Astúrias.[2]
Guerra Peninsular
Com a eclosão dos Levantamento de dois de maio em Madrid, e com a sublevação da Espanha contra os franceses, obteve, pela Junta das Astúrias, o posto de marechal-de-campo, e foi lhe dada uma divisão a seu comando, o qual a juntou às divisões de Joaquín Blake e Castaños. Durante vários meses, lutou com eficácia contra os invasores, primeiro na região das Astúrias, e, a 13 de julho de 1809, entrou na Corunha, a bordo da fragata inglesa HMS Amazon, que tinha partido de Gijón, de forma a por ali, adentrar-se por Castela e Andaluzia. Participou, depois, no Combate de Aracena, a 26 de maio de 1810, que, apesar da valente defesa, os franceses tomaram.[3][4]
Em 25 de janeiro de 1811, venceu a Ação de Villanueva de los Castillejos. Em 19 de fevereiro, triunfou novamente em Fregenal. Em 10 de março, surpreendeu e derrotou o General Damrémont; essas conquistas renderam-lhe uma promoção a tenente-general naquele mesmo ano. Em maio, comandou, com sucesso, uma divisão de infantaria na Batalha de Albuera. Também cultivou uma imagem positiva enviando discursos patrióticos, relatórios de guerra e proclamações ao jornal de Cádiz, El Conciso, entre outros, tornando-se assim bastante popular. Usou essa popularidade para arrecadar fundos por meio de coletas em Londres e no México para financiar seu exército. No final de 1811, marchou de Gibraltar para enfrentar a artilharia comandada pelo General Laval, que tinha ordens de Soult para tomar Tarifa. Quase morreu nesse embate, e ia sendo feito prisioneiro no porto de Ojén, em Tarifa, mas conseguiu escapar a cavalo.[5]
Em maio de 1812, Ballesteros liderou uma força de oito mil e quinhentos soldados até Bornos e sofreu aí uma derrota esmagadora na Batalha de Bornos, perdendo mais de 1.500 homens. No entanto, a vitória dos Aliados na Batalha de Salamanca, os sucessos de Wellington e a retirada francesa para Valência deixaram Soult em uma posição difícil na Andaluzia. Ele decidiu evacuar via Granada e seguir para Múrcia. Destacamentos franceses estacionados em Ronda e Málaga marcharam para Antequera para encontrar as tropas que haviam partido de Sevilha. O 4.º Exército, comandado por Ballesteros, partiu em perseguição, atacando o flanco e a retaguarda do numeroso e bem protegido exército francês. Apoiado por três regimentos sob o comando de Joaquín Virués, atacou-os até Loja.
Com isto, a libertação de Málaga ocorreu em 27 de agosto de 1812, após a evacuação das tropas francesas. Após o exército francês de Soult se retirar para Granada por alguns dias, abandonou a cidade em 10 de setembro para marchar até Huéscar ao encontro do General Drouet, que se retirava da Extremadura via Córdoba e Jaén.
Ballesteros continuou a atacar os franceses, lançando um ataque à sua retaguarda em Diezma. Após um ano e meio de ocupação francesa, Granada foi libertada a 17 de setembro com a entrada do Príncipe de Anglona na cidad . Contudo, em 12 de dezembro, a Regência ordenou a demissão de Ballesteros, acusando-o de desobediência e desprezo por Wellington, por ter se recusado a lutar sob seu comando. Por esse motivo, foi enviado para Ceuta. Este evento desencadeou um enorme debate jornalístico, no qual Juan Romero Alpuente, Tomás Muñoz Romero e outros se manifestaram a seu favor, vendo em sua conduta uma defesa da independência nacional por: "[...]não se entregarem à Inglaterra como Portugal fizera [...]", apesar de, pela primeira vez haver uma enxurrada de panfletos, poemas e peças teatrais contra a atitude de López Ballesteros.[1] O fato é que as Representações de López Ballesteros tiveram várias edições e foram reproduzidas por toda a imprensa. Ele só as submeteu após escrever a quarta, No final de 1813, ele foi chamado de volta para liderar uma unidade militar nas montanhas de Ronda.
Ele publicou diversas obras técnicas e manuais sobre arte militar: Novas Táticas para os Movimentos e Manobras da Cavalaria. Divisões do Campo de Gibraltar. Estado-Maior. Instrução de Recrutas e Treinamento que a Cavalaria deste Campo Deve Seguir para a Transição para Cavalaria de Esquadrão e de Linha, Baseado nas Táticas do General Freire; de acordo com as disposições de... Algeciras, 1812, e Exército do Centro. Instrução Tática para os Movimentos e Manobras das Companhias e Esquadrões da Cavalaria deste Exército , Algeciras, 1812.
Restauração Abolutista e Triénio Liberal
Após o início da revolução liberal de 1820, foi chamado de volta a Madrid, onde instou o rei a assinar a Constituição de 1812, e foi nomeado vice-presidente da junta provisória. Em 7 de março de 1820, dia em que Fernando VII se submeteu à vontade do povo e assinou a Constituição de 1812, recebeu o cargo de comandante-em-chefe do Exército do Centro. Distinguiu-se por fechar muitas prisões da Inquisição e restaurar as liberdades municipais, sendo condecorado com a Grã-Cruz de Carlos III em 9 de julho de 1820. Ingressou na Comuna de Paris, a sociedade secreta liberal radical, e aparentemente expressou forte republicanismo em uma carta enviada ao Marquês de Lafayette em 1 de agosto de 1821, publicada por François Rousseau.
Ele foi então nomeado Inspetor Geral das Milícias e, posteriormente, Conselheiro de Estado e Ajudante de Campo de Sua Majestade (1821–1823). Em 7 de julho de 1822, a vitória de Ballesteros sobre a guarda real, que se rebelara a mando do próprio Rei Fernando VII , impediu a queda da Constituição. Ele foi nomeado Capitão-General de Madrid.
Em 7 de abril de 1823, a França interveio na Espanha para apoiar Fernando contra os liberais e restaurar o absolutismo. Em 1823, a Espanha deveria conter o exército francês, os chamados Cem Mil Filhos de São Luís, na fronteira de Bidasoa. Retirou-se sem lutar até a Batalha de Campillo de Arenas (Jaén). Foi forçado a capitular a 21 de agosto de 1823, em Cazorla , perante o General Gabriel Molitor, e a render-se ao Rei. Ignorou Rafael del Riego , que queria resistir, e justificou-se numa ordem comunicada ao General Ramón Sánchez Salvador em Horche (Guadalajara) em 13 de agosto de 1823:

A causa que defendemos, embora justa em sua origem e sustentada pela honra, deixou de sê-lo no momento em que a vasta maioria da nação se manifestou contra ela.
Exílio
A 1 de outubro de 1823, Fernando VII anulou todas as ações do governo constitucional e demitiu todos os funcionários e oficiais que não lhe haviam sido leais. Começou a emitir sentenças de morte, entre as quais estava o nome de Ballesteros. Ballesteros refugiou-se em Puerto de Santa María ( Cádiz ), mas permaneceu lá sem ser incomodado até que um mandado de prisão fosse expedido contra ele. Escreveu a Angoulema pedindo asilo e fugiu para a França num navio inglês com passaporte, visto que a amnistia de 1824 o havia expressamente excluído. A partir desse momento, estabeleceu-se em Paris, onde recebia uma pensão anual de 12.000 francos. Morreu no exílio a 29 de junho de 1832 e foi sepultado no Cemitério Père Lachaise, com o nome de François Vallesteros, entre os marechais napoleónicos Masséna e Lefebvre.[6]
Referências
- 1 2 NOVALES, Alberto Gil (2010). Diccionario biográfico de España (1808-1833) : de los orígenes del liberalismo a la reacción absolutista (em espanhol). Madrid: Fundación Mapfre. p. 1740. ISBN 978-84-9844-208-3
- 1 2 Ramiro de la Mata, Javier. «Francisco López Ballesteros». historia-hispanica.rah.es (em espanhol). Consultado em 13 de maio de 2026
- ↑ Diccionario universal de historia y de geografía ...: obra dada a luz en España por una sociedad de literatos distinguidos y refundida y aumentada considerablemente para su publicación en México con noticias históricas, geográficas, estadísticas y biograficas sobre las Américas en general y especialmente sobre la República Mexicana, Volumen 7. Tipografía de Rafael, 1855.
- ↑ «Captain's logbook, HMS AMAZON, May 1809-June 1810 | Royal Museums Greenwich». www.rmg.co.uk. Consultado em 13 de maio de 2026
- ↑ Napier, Sir William Francis Patrick (1892). History of the War in the Peninsula and in the South of France: From the Year 1807 to the Year 1814 (em inglês). [S.l.]: Frederick Warne. Consultado em 13 de maio de 2026
- ↑ Baedeker, Karl (1860). Paris, Rouen, Havre, Dieppe, Boulogne, und die drei Eisenbahn-Strassen vom Rhein bis Paris: Handbuch für Reisende (em alemão). [S.l.]: K. Baedeker. Consultado em 13 de maio de 2026
