Saúde
Eugênio Rodrigues Jardim
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| Eugênio Rodrigues Jardim | |
|---|---|
| Nascimento | 6 de outubro de 1858 Goiás |
| Morte | 1926 (67–68 anos) Rio de Janeiro |
| Cidadania | Brasil |
| Ocupação | político, militar |
| Cargo(s) | senador do Brasil (1924–1926) Governador de Goiás (1921–1922) senador do Brasil (1915–1920) |
Eugênio Rodrigues Jardim (Cidade de Goiás, 6 de outubro de 1858 — Rio de Janeiro, 1926) foi um militar e político brasileiro.[1]
Biografia
Nasceu na cidade de Goiás em 6 de outubro de 1858. Filho de José Rodrigues Jardim (1826-1863) e Maria da Pureza Jardim (1828-1914).
Herdeiro da tradição política dos "Rodrigues Jardim" em Goiás, deu continuidade à carreira militar de seu avô, José Rodrigues Jardim (1780-1842).
E, na seara política, em terras gaúchas iniciou seu envolvimento com o movimento republicano, consolidando sua atuação político-militarista na Capital Federal.
O "animal político" veio a revelar-se após seu retorno à Goiás, tornando-se um dos nomes de maior destaque e influência no cenário regional, com ampla sustentação nacional.
Carreira militar: do Rio Grande do Sul ao Rio de Janeiro
Após ter feito a instrução primária e o ensino secundário no Liceu de Goiás, em 13/05/1875, Eugênio Rodrigues Jardim, aos 16 anos de idade, “assentou praça”[1], voluntariamente, no 20º Batalhão de Infantaria da cidade de Goiás[2] Ainda em Goiás, foi elevado aos postos de “Cabo de Esquadra” (12/06/1875)[3], “Furriel” (01/08/1875) e “Segundo-Sargento” (01/09/1875).
Obteve autorização do Ministério da Guerra para matricular-se no Curso Preparatório da “Escola Militar da Corte” ("Escola Militar da Praia Vermelha"), seguindo para o Rio de Janeiro em 10/11/1875. Entre 1876 e 1879, realizou o “curso preparatório”, matriculando-se, em 1880, no “curso superior”, destinado à formação de oficiais.
Concluindo o "curso das três Armas", em 27/08/1883, foi promovido a “Alferes” do 2º Regimento de Cavalaria, à época localizado na cidade de Jaguarão/RS, sob o comando de Carlos Machado Bittencourt (1840-1897)[4], com quem desenvolveu grande amizade. Em 16/04/1889, por carta patente assinada pelo Imperador Dom Pedro II, é promovido a “Tenente” da Arma de Cavalaria.
Dada as relações estabelecidas ao tempo da Escola Militar da Praia Vermelha, ainda no Rio Grande do Sul envolveu-se na “questão militar”, aproximando-se do movimento republicano, havendo, inclusive, em 1887, chegado ao posto de vice-presidente do “Club Militar” de Jaraguão/RS[5]. É, nesse contexto, que Eugênio aprofunda sua relação com republicanos gaúchos históricos como Júlio de Castilhos, Pinheiro Machado, Assis Brasil e Borges de Medeiros, que gravitavam em torno do "Clube Republicano" de Porto Alegre (fundado em 1878), que seria o embrião do Partido Republicano Riograndense (fundado em 1882).
Após quase sete anos de atuação no Rio Grande do Sul, em 03/01/1890, é transferido para o 9º Regimento da Cavalaria da cidade do Rio de Janeiro. Em 19/09/1892, é transferido para o Corpo de Bombeiros da capital federal. Em 02/11/1892, é promovido a “Capitão” e, em 03/02/1896, ao posto de “Tenente-Coronel”.
Em seis ocasiões, Eugênio Jardim foi nomeado Comandante Interino do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro: de 28/10/1893 a 03/04/1894; de 13/07/1895 a 13/08/1895; de 13/08/1896 a 20/11/1896; de 18/12/1896 a 11/01/1897; e de 26/01/1897 a 28/01/1897.
Em 27/10/1896, como Comandante Interino na corporação, solicitou ao então Ministro da Justiça e Negócios Interiores, Alberto Torres, autorização para criar uma Banda de Música. Com a chancela ministerial, Eugênio convidou um dos maiores músicos e maestros da época, Anacleto Augusto de Medeiros (1866-1907), para organizar e dirigir a banda[6], que viria a se tornar um dos melhores conjuntos musicais do Brasil, sendo referência no segmento militar[7].
Dada sua atuação na capital federal desde 1890, a partir de cobertura da imprensa carioca, constata-se que Eugênio participou de importantes articulações político-militares no período correspondente aos mandatos presidenciais de Deodoro da Fonseca (15/11/1889 a 23/11/1891) e Floriano Peixoto (23/11/1891 a 15/11/1894).
Em quinze anos de residência permanente no Rio de Janeiro[8], Eugênio amealhou respeito e reconhecimento não apenas como comandante militar, mas, também, como representante da classe[9]. No comando interino do Corpo de Bombeiros, de 28/10/1893 a 03/04/1894, teve participação decisiva na contenção da Revolta da Armada na capital federal, recebendo elogios e o reconhecimento por parte do governo de Floriano Peixoto[10].
Atuou no Corpo de Bombeiros da cidade do Rio de Janeiro até 1º de setembro de 1905, quando, a pedido, foi reformado no posto de Coronel, conforme Decreto de 28 de agosto de 1905.
Em razão de reforma, o então Presidente da República, Rodrigues Alves, determinou ao Ministro da Justiça e Negócios Interiores que Eugênio fosse elogiado publicamente pelo zelo e dedicação com que exerceu as funções de Inspetor Geral do Corpo de Bombeiros. O elogio foi feito em 03/09/1905 por meio do Aviso nº 1.548. Em 17/06/1907, recebeu medalha de mérito (ouro) por força do Decreto Presidencial nº 6.040, de 06/06/1907.
Retorno a Goiás e o casamento com Diva Fagundes Caiado
Após a reforma no posto de Coronel, ainda em 1905, Eugênio retorna a sua terra natal. Com o capital amealhado após longa e exitosa carreira militar, adquire, nos arredores de Goiás, a fazenda Quinta[11], dedicando-se, prioritariamente, à pecuária, criando, em especial, as raças "zebu" e "holandesa". Seu interesse científico pela pecuária, em especial pelas raças europeias, foi desenvolvido ainda quando esteve em Jaguarão (RS), na fronteira com a então República Oriental do Uruguai[12].
No contexto de seu retorno, acolhido pelos irmãos ainda residentes em Goiás, Francisco Leopoldo Rodrigues Jardim, Olímpia e as gêmeas Maria Elisa e Elisa Maria, Eugênio foi se entrosando na sociedade vilaboense e, consequentemente, imiscuindo-se na vida política.
Diante da proximidade circunstancial dos Bulhões Jardim com a família Caiado, Eugênio inicia o relacionamento com Diva Fagundes Caiado (06/11/1882 - 10/10/1978), filha de Torquato Ramos Caiado e Claudina Fagundes.
Durante seus estudos, Diva integrava o quadro de honra do Colégio Santana[13], destacando-se pela inteligência e sagacidade. Desenvolveu grande hábito pela leitura e pela música, conservando-o até o fim da vida.
Diva havia sido casada, em primeiras núpcias, com Ovídio Abrantes[14] (22/04/1866 - 15/10/1906), militar de carreira, engenheiro e, por três vezes, Deputado Federal por Goiás (1894-1902). Ovídio faleceu no Rio de Janeiro, não tendo o casal gerado filhos.
O casamento com Eugênio foi realizado na manhã do dia 03/11/1909, na residência de Diva[15], a casa nº 13 da então denominada “Praça Pinheiro Machado”, na cidade de Goiás.
Do matrimônio, foram gerados oito filhos: Eugênio[16] (06/08/1910 - 11/08/1989), Elza Elisa[17] (07/10/1911 - 19/12/2009), Antonieta[18] (27/03/1913 - 10/02/1991), Diva[19] (21/06/1915 - 05/05/2016), Eudi[20] (04/09/1917 - 11/06/2008), Maria de Lourdes[21] (17/08/1919 - 10/11/1988), Maria do Rosário[22] (09/02/1921 - 25/04/2016) e José Torquato[23] (14/04/1922 - 29/12/2004).
Religiosa, Diva pertenceu à Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos[24], da cidade de Goiás (fundada em 1745), e à Confraria do Santíssimo Sacramento[25], do Rio de Janeiro. Em 1933, já na Capital Federal, passa a integrar a "Rádio Sociedade Vera Cruz"[26], que tinha por objetivo a difusão da fé católica aos lares brasileiros. Também, na capital fluminense, dedicou-se à filantropia, integrando diversas entidades de auxílio, dentre as quais a "Associação das Senhoras de Caridade de São Vicente de Paulo".
Como verdadeira matriarca da família, Diva foi a responsável pela condução da criação dos descendentes e da manutenção da economia doméstica, em especial durante os longos períodos de ausência de Eugênio Jardim que, por cerca de três meses a cada ano, desempenhou, no Rio de Janeiro, dois mandatos de Senador Federal (1915 a 1921 – 1924 a 1926). Poucos anos após o falecimento de Eugênio, ocorrido em 25/07/1926, Diva fixa residência no Rio de Janeiro, até seu falecimento em 10/10/1978, sendo sepultada no Cemitério São João Batista.
É fundamental destacar a força de Diva que, viúva, teve de assumir, sozinha, a criação dos oito filhos, os dois mais novos com menos de cinco anos, conferindo-lhes grandes qualidades sociais e éticas. Mesmo do Rio de Janeiro, contanto com o auxílio certo de seu genro, Hélios de Amorim (1912-2015), manteve a administração do patrimônio que ficou em Goiás, incluindo as fazendas “Quinta” e “Córrego Fundo”[27].
A Revolução de 1909
Eugênio retorna a Goiás em um período de ebulição política, marcado pela conclusão do mandato de José Xavier de Almeida como Presidente do Estado de Goiás (12/08/1901 a 14/07/1905) e pelo processo de ruptura do grupo político então comandado por José Leopoldo de Bulhões Jardim (1856-1928).
À época, o grupo de Xavier de Almeida, arregimentado no Partido Republicano Federal de Goiás (fundado em 03/03/1904), forma maioria na Câmara e Senado estaduais (eleições de 1904), além de lograr êxito, no sufrágio de 02/03/1905, na sucessão do governo do Estado, com a eleição de Miguel da Rocha Lima. Mesmo com as tentativas de Leopoldo de Bulhões, o Congresso Nacional, ao resolver sobre a duplicata de poderes em Goiás, deu ganho de causa ao grupo xavierista, isolando, ainda mais os Bulhões em Goiás.
A oportunidade esperada por Leopoldo de Bulhões para retomar as rédeas do poder político desponta com as eleições para a Presidência do Estado em 1908. Xavier de Almeida apoia a candidatura de seu cunhado Hermenegildo Moraes Filho. Tal “imposição” provocou certo descontentamento no seio do Partido Republicano Federal de Goiás, já que Eduardo Sócrates e João Alves de Castro também aspiravam a candidatura.
Outro fato provocou uma considerável crise no grupo xavierista: a sucessão senatorial de 1908. Era notório que Luiz Gonzaga Jayme, tradicional oposicionista dos Bulhões desde 1894 e grande esteio político de Xavier de Almeida a partir de 1901, almejava uma cadeira no Senado. Todavia, a indicação de Gonzaga Jayme não seria tão unânime assim. Cientes das articulações no sentido de uma reviravolta na indicação do candidato para o Senado, os Bulhões empreendem uma ousada manobra: passam a enaltecer o nome de Gonzaga Jayme.
A confirmação da candidatura do próprio Xavier de Almeida, em 19/06/1908, constitui-se como um prato cheio para as aspirações dos Bulhões. O desprezo da candidatura “natural” de Gonzaga Jayme em favor de seu nome, soou como uma nova traição de Xavier de Almeida.
No dia 03/07/1908, a crise política intensificou-se com a atitude de Antônio Ramos Caiado que, em apoio a Gonzaga Jayme, retirou-se da Secretaria de Justiça e Segurança Pública, onde estava desde 1904. Tal fato político foi utilizado por Bulhões para divulgar a crescente cisão no grupo xavierista e enaltecer Totó Caiado, que passou a ser considerado um grande aliado dos Bulhões.
Começaram os sinais de declínio do grupo xavierista. Importantes integrantes da congregação retiraram-se, engrossando as fileiras da emergente oposição. Novamente unidos, os Caiado, Bulhões, Abrantes e Jayme formaram a Coligação Republicana.
Para o desenvolvimento da força do novo grupo era interessante contar com nomes de influência. Sebastião Fleury, antigo opositor dos Bulhões, tornava-se um novo aliado. O próprio Leopoldo de Bulhões, há sete anos longe de Goiás, retorna ao Estado para auxiliar nas articulações.
Nas eleições para renovação da Câmara Estadual, o grupo oposicionista mostra sua força: são eleitos 14 candidatos da Coligação Republicana, constituindo a maioria da Casa.
Com a formação do esboço partidário, apresentou-se a lista de candidatos para as eleições federais de janeiro de 1909. Para o Senado: Leopoldo de Bulhões; e para a Câmara de Deputados: Antônio Ramos Caiado, Marcelo Francisco da Silva e padre Trajano Balduíno.
Com a oposição consolidada, fundou-se, oficialmente, em 10/01/1909, o Partido Democrata. Lançadas as bases da agremiação partidária, os democratas partiram para a disputa dos cargos de representação federal nas eleições de 30/01/1909. A briga pela cadeira do Senado foi travada entre os maiorais: Leopoldo de Bulhões, do Partido Democrata, e Xavier de Almeida, do Partido Republicano de Goiás.
Com o fim das eleições, veio a apuração dos votos. Xavier de Almeida foi eleito senador com 2.767 votos. Para a Câmara Federal: João Alves de Castro, com 3.136 votos; Hermenegildo Lopes Morais Filho, 2.999 votos; Eduardo Sócrates, 2.893 votos; e Antônio Ramos Caiado com 2.246 votos.
O Partido Democrata não aceita o resultado das eleições alegando que muitos votos do interior do Estado não foram contabilizados. Depois de nova apuração, foi “inesperado” o resultado: Leopoldo de Bulhões é eleito senador com 4.348 votos e Marcelo Francisco da Silva eleito deputado com 4.143 votos. Foi confirmada a eleição de Antônio Ramos Caiado e João Alves de Castro. Assim, ocorre nova duplicata de poderes em Goiás... Todavia, a batalha final para a conquista da hegemonia política estava marcada para o dia 02/03/1909, data das eleições para a Presidência do Estado.
A escolha dos candidatos representava uma disputa entre clãs familiares, de um lado Hermenegildo Lopes de Moraes Filho, cunhado de Xavier de Almeida, e de outro, Urbano Coelho Gouvêa, cunhado de Leopoldo de Bulhões.
Intrigado com o pesado clima político e objetivando preservar-se, o então Presidente do Estado, Miguel da Rocha Lima licenciou-se do cargo “por incômodos de saúde”, vindo a assumir, em 11/03/1909, o 1° vice, o coronel Francisco Bertholdo de Souza.
Enfim, são realizadas as eleições em 02/03/1909. Encerrado o tumultuado trabalho da Junta Apuradora, foi homologada a vitória de Hermenegildo Lopes de Moraes Filho.
O êxito dos governistas deixou Leopoldo de Bulhões inconformado. Do Rio de Janeiro, Bulhões denunciava as irregularidades nas eleições de março. Para tanto, valeu-se de diversos argumentos: contestou a composição das mesas eleitorais, a forma de alistamento eleitoral, a obstrução ao livre direito de voto, número de votos superior à quantidade de alistados no município, atas eleitorais fraudulentas, entre outros.
De toda forma, Bulhões sabia que, não logrando êxito a tática de anulação da eleição, haveria uma outra carta na manga...
Não obtendo sucesso na tentativa de impugnar a eleição para Presidência do Estado, os democratas não hesitaram em implementar o “plano revolucionário” de conquista do Poder Executivo através da força.
É, nesse contexto, que emerge a figura de Eugênio Jardim. Sua proximidade, amizade e grau de parentesco com próceres do grupo bulhonista parecem justificar seu envolvimento com a “causa” da Coligação Republicana. Além de primo de Leopoldo de Bulhões, Eugênio era irmão e muito amigo de Francisco Leopoldo Rodrigues Jardim, a quem, poder-se-ia dizer, tinha como referência de homem público e responsável, desde novo, por dar seguimento à vocação política da família Jardim.
Dada a sua atuação político-classista desde os tempos de Rio Grande do Sul e, com mais intensidade, no Rio de Janeiro, não se pode considerar Eugênio como um neófito nas lides políticas. Em nossa perspectiva, Eugênio, desde a década de 1880, demonstrou inclinações políticas, de modo que não nos parece razoável a afirmação de que sua participação no movimento de 1909 teria sido pontual, ocasional e exclusivamente tributária de uma influência pessoal de Leopoldo de Bulhões.
Afinal, conforme noticiam JALES GUEDES[28] e MOISÉS SANTANA[29], Eugênio Jardim esteve envolvido nos preparativos da criação do Partido Democrata, apesar de não compor formalmente, seu primeiro diretório executivo eleito na reunião de fundação da agremiação em 10/01/1909.
Assim, na “Chácara Baumann”[30], localizada nos arredores da cidade de Goiás, juntamente com os chefes do Partido Democrata, Eugênio passa a colaborar de forma mais incisiva, como organizador estratégico-militar do movimento que se articulava. Pode-se dizer que, convencido do valor da causa pelo irmão e pelo primo, Eugênio, como militar nato, assumira, de peito aberto, a missão que fora confiada.
Aos poucos, sob o comando e preparação de Eugênio, homens foram sendo aquartelados em sua “Fazenda Quinta”.
O mês de abril de 1909 foi tumultuado na capital. Enquanto o governo tentava tranquilizar a população, chegavam armas em Pouso Alto[31], adquiridas no Rio de Janeiro por Leopoldo de Bulhões. Para melhor execução do movimento, deliberou-se pela criação de duas legiões revolucionárias: a do Norte, comandada pelo coronel José Baptista e a do Sul por Eugênio Jardim.
A coluna do Sul, formada por 800 homens, advindos das cidades interioranas, reuniram-se na Quinta. A coluna do Norte, composta por 600 homens, foi abrigada na “Fazenda Esperança”, de propriedade do coronel Antônio Xavier Guimarães.
No dia 7 de abril, o 1º vice-governador Francisco Bertholdo entrega o governo para o 2º vice-governador Joaquim Rufino Ramos Jubé, presidente do Senado Estadual.
Nos bastidores, os governistas buscavam meios de evitar o golpe. O deputado Hermenegildo Lopes remetia telegramas pedindo apoio ao Congresso Nacional para resolver a situação. O Chefe de Polícia da cidade de Goiás entrava em contato com influentes políticos do sul do Estado visando o combate aos revoltosos. O coronel Abel Coimbra interveio através de 100 homens armados de carabinas. Outras tropas contrarrevolucionárias vinham de Morrinhos, a mando de Hermenegildo Lopes.
Jagunços, advindos de várias cidades do interior do Estado, como Jataí, Rio Verde, Rio Claro, Corumbá, Pirenópolis e Curralinho, aquartelavam-se no denominado “Quartel General da Quinta” ou no “acampamento das forças libertadoras”, ou, ainda, “das forças patrióticas”. Neste local, foi instalado, em abril de 1909, um telégrafo para controlar todo o movimento de organização do golpe e, também, rastrear a movimentação de tropas destinadas a combater os revolucionários, como as de Abel Coimbra.
Os revoltosos, chefiados por Eugênio Jardim, foram distribuídos em pontos estratégicos na Serra Dourada. Em fins de abril, iniciavam-se os primeiros embates. As tropas enviadas por Abel Coimbra, sem qualquer treinamento e sem abastecimento, não puderam resistir.
Às vésperas do golpe, foi organizado um esquema de bloqueio sobre a cidade de Goiás, incluindo o povoado de Areias e do Bacalhau e os arredores do Areião e da Carioca. A ponte sobre o rio Urú foi patrulhada. Tropas estavam estrategicamente posicionadas de forma a desmantelar qualquer atividade contrária à revolução. Foram efetuadas diversas prisões de participantes dos movimentos contrarrevolucionários visando a obtenção de informações para neutralizá-los.
No dia 1º/05/1909, sem qualquer resistência, utilizando lenços vermelhos no pescoço, os revoltosos - entronizados como a “Legião Rubra” - empreenderam marcha pelas principais ruas da cidade.
Após o “desfile”, capitaneado por Eugênio Jardim, o governo foi entregue a José da Silva Batista, que ocupava o cargo de 3º vice-governador por ser Presidente da Câmara Estadual, com o claro intuito de conferir certa “legitimidade institucional” ao movimento.
No mesmo dia 1º de maio, é nomeado Delegado de Polícia do Termo da Capital, ficando encarregado do "expediente da Chefatura de Polícia" e, por solicitação expressa do Presidente do Estado, José da Silva Batista datada de 08/05/1909, da “reorganização” e “moralização” da força policial.
Estava concluída a primeira etapa da revolução. Restava agora a manutenção da “nova ordem”, evitando-se uma possível intervenção federal. No Rio de Janeiro, Leopoldo de Bulhões articulava com os políticos influentes para garantir a novel conjuntura política em Goiás. As “tropas revolucionárias” ainda permaneciam em alerta na capital.
No início de julho, foi enviado à cidade de Goiás o 8º Batalhão armado com metralhadora, em cumprimento ao art. 6º, item 3°, da Constituição Federal de 1891.
A morte de Afonso Penna, em 14/06/1909, foi decisiva para a consolidação da Revolução. O novo presidente, Nilo Peçanha, era amigo íntimo de Leopoldo de Bulhões, que viria, inclusive, a assumir a pasta da Fazenda em seu governo (14/06/1909 – 15/11/1910).
Urbano Coelho de Gouvêa foi reconhecido governador do Estado de Goiás, assumindo o cargo em 24/07/1909. No âmbito do Poder Legislativo, foram depurados os candidatos xavieristas. Enfim, de fato e de direito, o Partido Democrata assumira o controle do poder.
Em reconhecimento ao serviço prestado por Eugênio à causa revolucionária, o Congresso Estadual aprova a Lei nº 361, de 30/06/1910, com a seguinte redação: “Art. 1º. Fica considerado feriado, em todo território do Estado, o dia 1º de maio de cada anno, como data comemorativa da entrada triumphal, nesta Capital, da Legião Democrata que, ao mando do intemerato coronel Eugênio Jardim, no anno de 1909, operou em defesa dos interesses do mesmo Estado”[33].
Consolidação do Partido Democrata e o protagonismo compartilhado Jardim-Caiado
Garantida a vitória da Revolução, o “novel” grupo político, então liderado por Leopoldo de Bulhões, inicia os trabalhos de composição política e reestruturação administrativa de forma a consolidar os mecanismos de influência e dominação sobre o Estado.
Na chefia do Poder Executivo deu-se a substituição de José Silva Batista por Urbano Coelho de Gouvêa, cunhado de Leopoldo de Bulhões, que, derrotado nas urnas por Hermenegildo Lopes de Moraes Filho nas eleições de 02/03/1909, chega mais uma vez ao poder em 24/07/1909.
No plano nacional, desenrolavam-se as articulações referentes às eleições para Presidência da República em 1910. O nome de Hermes da Fonseca, bancado pelo líder Pinheiro Machado, estava a frente do Partido Republicano Conservador. No outro lado, encontrava-se Rui Barbosa.
O embate, como não poderia ser diferente, teve grande repercussão e influência nos rumos da política em Goiás. A maioria dos parlamentares goianos no Congresso Nacional filiou-se à candidatura de Hermes da Fonseca. Da mesma forma, o Senado Estadual declarou “apoio oficial” ao candidato de Pinheiro Machado.
No âmbito do Partido Democrata, a Comissão Executiva, a despeito da posição vacilante de Leopoldo de Bulhões, também declarou o seu apoio a Hermes da Fonseca. Diz-se que Bulhões, nos bastidores, teria oferecido apoio à candidatura de Rui Barbosa...
Apesar da influência bulhonista, a Revolução de 1909 possibilitou o surgimento de duas fortes lideranças políticas: Antônio Ramos Caiado e Eugênio Rodrigues Jardim. A personalidade dos dois líderes, principalmente a de Eugênio, em virtude da formação militar e da amizade com Hermes da Fonseca[34], evidenciava o apoio à candidatura oficial. Tal apoio seria decisivo no futuro político do grupo...
A despeito da movimentação nacional em prol da “campanha civilista” de Rui Barbosa, impulsionada pelos cofres de São Paulo, Hermes da Fonseca sagra-se vencedor com 403.867 votos. O resultado das urnas foi responsável pelo início dos estremecimentos no seio do Partido Democrata. A partir de 1911, constantes eram os embates entre Urbano Gouvêa e Eugênio Jardim. As lideranças partidárias colocaram-se ao lado de Eugênio, acarretando o desprestígio da facção bulhônica no âmbito da agremiação.
A partir de relatos, denúncias e embates estampados nos folhetins locais e nacionais, observa-se que a rusga entre Eugênio e Urbano, iniciada ainda em fins de 1909, decorreu da postura do grupo bulhonista em buscar afastar, quase de maneira imperceptível, os chefes da Revolução de 1909 mais próximos ao eixo Caiado-Jardim.
A crise ficou mais evidente no contexto da realização das eleições para a Intendência Municipal em 1911. Eugênio, descontente com a formação da chapa oficial, articulou um acordo com a oposição. Mesmo com a vitória dos Bulhões, as feridas oriundas da disputa não tendiam a cicatrizar.
Na capital federal, Hermes da Fonseca implementava um novo sistema político, baseado no centralismo, que contrapunha a lógica da "política dos governadores". Tratava-se das “salvações nacionais”, caracterizada pela ingerência da Presidência da República na ordem política dos Estados-membros, “purificando-os” através da deposição das tradicionais oligarquias.
Nesse ensejo, diante do fiel apoio de Eugênio Jardim e Totó Caiado e da posição vacilante de Leopoldo de Bulhões, que, na bancada do Senado Federal, criticava constantemente a administração federal[35], Hermes da Fonseca, em fevereiro de 1912, “entregou” o controle político de Goiás a Eugênio.
Tal passagem, originalmente narrada por MARIA AUGUSTA SANT´ANNA MORAES a partir de depoimento de Diva Caiado Jardim[36], entrou para os anais da historiografia goiana. De acordo com a versão da viúva de Eugênio Jardim, Hermes da Fonseca solicitou ao deputado Olegário Pinto que telegrafasse a seu marido a fim de “entregar-lhe” a direção política de Goiás. Consoante JALES GUEDES COELHO MENDONÇA, “a fim de atestar a seriedade da mensagem, Eugênio requereu a demissão do genro de Urbano, bem assim a nomeação de um correligionário em certo cargo público federal. Obteve o deferimento em ambos os pleitos”[37].
Em março daquele ano, diante dos constantes conflitos e desprestigiado em Goiás, Urbano Gouvêa licencia-se do cargo[38] e segue para o Rio de Janeiro para uma audiência com o Presidente da República. Frustrado em seu intento de obter apoio político, Urbano não retorna mais ao Estado.
Com o afastamento de Urbano Gouvêa da administração estadual e a intervenção política de Hermes da Fonseca em Goiás no sentido de consagrar a liderança de Eugênio Jardim, em junho de 1912, dá-se a ruptura de Leopoldo de Bulhões com o Governo Federal e, consequentemente, a cisão no seio do Partido Democrata.
Nesse sentido, é esclarecedora a análise da política goiana feita no jornal carioca “A Noite”, edição nº 359, de 07/07/1912: "Mas que vem a ser em Goyaz o seo "manda-chuvas" actual, o coronel Eugênio Jardim? Diz o Ministerio da Agricultura que S. S. é inspetor agrícola, desde o advento do governo marechalicio. O Sr. Jardim reside na praça do palácio, na casa mais moderna e mais "chic" da capital, funcionando a Inspectoria ao lado de sua habitação, em prédio pertencente à sua Exma. sogra. O que é certo é que em Goyaz não se dá mais um passo, nem aqui se faz uma nomeação federal para o Estado sem que seja ouvido aquelle coronel. [...] A política de Goyaz, com o desapparecimento do civilismo, que era valorosamente representado pelo coronel Eduardo Sócrates, ficou dividida em três grupos: o do Sr. Bulhões, representado no Congresso Nacional pelo Sr. Marcello Silva; o do coronel Eugênio Jardim, que representa a política pessoal do Cattete e que está representado na Camara Federal pelos Srs. Ramos Caiado, Sebastião Fleury e Olegário Pinto, e o do Sr. senador Gonzaga Jayme que tem por si na Camara Alta o marechal Abrantes. [grifou-se]".
Indubitavelmente, o ano de 1912 era marcado por nova relocação de forças políticas, culminando com o desprestígio de Leopoldo de Bulhões em Goiás (mantida sua proeminência no plano nacional) e a consagração de Eugênio Jardim e Totó Caiado como próceres do grupo que dominaria a condução da política goiana até fins da década de 1920.
Acerca dos fatos ocorridos no âmbito do Partido Democrata entre 1909 e 1912 e da indignação de Eugênio Jardim contra as artimanhas políticas de Leopoldo de Bulhões, vale o destaque de texto do jornalista MOISÉS SANTANA: "A primeira pública demonstração da intromissão de Eugênio Jardim na política foi assinalada na noite de 9 de janeiro de 1909, na reunião em que o Centro Republicano se crismou com o nome de Partido Democrático. [...] Este político [Eugênio Jardim] é uma figura digna de delicadas observações, para estudos psicológicos. É um homem de bem. Tem traços queharmonizam com a constituição moral de Floriano Peixoto. Tem, ao mesmo tempo, traços de Moreira César e Bernardo Vasques, Pinheiro Machado e Carlos Machado Bittencourt, Carlos Teles e Vespasiano de Albuquerque. Não era político; era uma edição de soldado, rude nos gestos, voluntarioso, difícil de se conter. A política explorou as suas energias, a sua virilidade, os seus sacrifícios. Enquanto serviu, sem cogitações de também ficar predominando, aos interesses da sua grei faccionária, tudo foi achado muito bom e os seus companheiros sorriam, vendo que os adversários choravam... Depois, passado o período em que aos "mansos" convinha a cessação dos meios radicais, quiseram acorrentar o leão, para assistir ao deleite das damas, ou nova arte de governar. Era uma transição incompatível com o seu temperamento. Os jogos da política de salão, entre damas gentis da corte oficial, lhe não cabiam bem. Bulhões, sábio em seus cálculos, previu. Passada a revolta, fez com que Eugênio aceitasse o cargo de Inspetor Agrícola[39]. Era como se lhe dissesse: "Já nos prestaste, meu caro primo, o serviço que de ti precisávamos. Agora é deixares o campo a nós outros, políticos profissionais. Arreda, pois. Volta a tratar do gado, vai plantar batatas e estudar a habilidade das cuiabanas. Já não precisamos da Quinta, nem dos herois". Foi assim, se não nos termos, ao menos no pensamento. A princípio, o leão cedeu, adormeceu, conformou-se. Depois, magoado, despertou e reagiu. Pensou que servira à salvação; viu que tinha servido à arrecadação, à restauração. A dança, afinal, era a mesma ou pior. Tinham mudado os figurantes. Entre os antigos dançarinos, sem empáfia e os novos dançarinos, empavesados, preferiu recompor aqueles. Desfizera, destruíra uma situação política, como um artista que arrancara de cena uns bonecos e pusera no tablado uns fantoches. Comparando mal, fora assim. Voltou ao tablado, desfez a obra nova e recompôs, como lhe foi possível, em meio de dificuldades, sussurros e gritos, vaias e aplausos de toda uma galera irrequieta e incontentável, a cena anterior". [40]
Comando do Partido Democrata, prestígio na esfera federal e 1º mandato de Senador da República
Como uma máxima da “Política dos Estados”, consolidada por Campos Salles, o controle político no âmbito estadual era instrumentalizado pelo domínio dos canais eleitorais pelas máquinas partidárias para garantir a representação no Congresso Nacional[41]. Nesse sentido, Eugênio Jardim, dado seu prestígio na esfera federal, era crucial para o reconhecimento, por parte da Presidência da República, do Partido Democrata como a “situação” em Goiás, o que seria decisivo para o reconhecimento (e para evitar a “degola”) dos candidatos situacionistas perante a Comissão de Verificação de Poderes do Congresso Nacional.
Como destacado por FRANCISCO ITAMI CAMPOS, Eugênio integrou, de forma ininterrupta, entre 1912 a 1926, a Comissão Executiva do Partido Democrata[42]. Tal agremiação, em âmbito nacional, era filiada ao Partido Republicano Conservador.
No Rio de Janeiro, os grandes nomes do PRC confiavam na liderança de Eugênio, em especial, Hermes da Fonseca, presidente da República (1910-1914), e Pinheiro Machado, vice-presidente do Senado Federal, que, habilmente, controlava a Comissão de Verificação de Poderes.
Dada a estrutura de funcionamento da organização política brasileira no período, a proximidade com Pinheiro Machado - que remonta ao tempo de atuação no Rio Grande do Sul e seu envolvimento com o movimento republicano gaúcho -, conferia a Eugênio o grande papel de “homem nacional” de Goiás, responsável pela “ponte” entre o Estado e os altos cumes do poder na União. Não é outra a opinião do historiador FRANCISCO ITAMI CAMPOS: "... a partir de então, o controle da política estadual coube ao ex-militar e fazendeiro Eugênio Rodrigues Jardim. Ela teria sido colega de Hermes da Fonseca, além de ter participado da Revolução Federalista do Rio Grande do Sul ao lado do grupo que depois dominou a política gaúcha e que a partir de 1910 passou a ter muito peso na política nacional. Desse grupo faz parte o senador Pinheiro Machado, de quem Eugênio Jardim era amigo. Seguramente, o homem forte do novo situacionismo goiano tem incondicional apoio federal"[43].
Interessante destacar que a proeminência de Eugênio Jardim no âmbito do Partido Democrata se faz observar antes mesmo da efetivação das “salvações” de Hermes da Fonseca, conforme se observa em cartas referentes às articulações envolvendo a política goiana. Em uma delas, datada de 24/07/1911[44], Olegário Pinto diz a Eugênio: "Tenho recebido muitas cartas do nosso Estado perguntando se sou candidato[45] e me pedem resposta urgente, a fim de que possa responder a outros candidatos que pedem votos. A todos tenho respondido que sim, que sou candidato, dizendo mais que, se for eleito, seguirei a orientação política do Cel. Eugênio Jardim, a quem reconheço nosso chefe. Para que havemos de andar com passos quentes? Quer você, quer não, será no governo do Marechal [referindo-se a Hermes da Fonseca, então presidente da República] o norte dos destinos de Goyaz. Diabo! Basta de hypocrisias! O Marechal que você tem confiança no seo critério, julga-o capaz de chefiar a política de Goyaz, e é isso mesmo [...] Ainda uma última: Quem pode me disse: ‘Serão reconhecidos todos os Deputados da chapa do Jardim’".
Gozando de tal prestígio, Eugênio, disputado vaga com o Marechal Braz Abrantes, elege-se Senador da República em 1915, desempenhando o seu mandato até 1920[46], quando se candidata ao governo estadual assumindo a chefia do Poder Executivo em 14/07/1921. Retorna, novamente, à Câmara Alta em 1924, sempre à frente dos desígnios da Comissão Executiva do Partido Democrata.
Eugênio Jardim, Governador de Goiás
Em Goiás, diante do término do prodigioso mandato de João Alves de Castro (1919-1921), o Partido Democrata indica o nome de Eugênio para a Presidência do Estado. Eleito em 02/03/1921, toma posse do governo em 14 de julho do mesmo ano, tendo de renunciar ao mandato de Senador da República. Sobre a eleição, consignou o editorial do jornal “O Democrata” de 11/03/1921: "[...] todos vêm no Presidente eleito, o caracter sem jaça que hade fazer a mais efficiente das administrações, pelo seu alto descortino, pela sua proverbial honradez, pelo seu acrisolada patriotismo e sobre tudo, pela excelsa qualidade de grangear sympathias e conquistar admiradores (...) Pode-se dizer com affoitesa que a eleição do Senador Eugênio Jardim não é feita pela unanimidade de um Partido, mas por um Estado inteiro, que d´elle espera a continuação do período administrativo de paz, ordem e progresso".
Mesmo diante de seu curto mandato, empreendeu importantes realizações, promovendo a estruturação da indústria têxtil, a ampliação do sistema viário[47], ligando a cidade de Goiás às cidades goianas localizadas na fronteira de Minas Gerais.
Promoveu a expansão da infraestrutura educacional através da criação de diversos grupos escolares em todo o Estado[48]. No ensino superior, foi, ainda, responsável pela reabertura da antiga Faculdade de Direito, sob a designação de Faculdade Livre de Direito. A criação da instituição deu-se por meio da Lei n° 696, de 27/07/1921, sendo instalada em 18/08/1921 no edifício do Senado Estadual, na cidade de Goiás[49]. Promoveu, ainda, a inauguração da "Escola de Pharmácia de Goyaz", sob a direção inicial de Brasil Ramos Caiado.
Após um ano e quatro meses de governo, Eugênio Jardim licencia-se do cargo em 11/11/1922[50]. O 1° vice-Presidente, Francisco Ayres, por motivos desconhecidos, não assumiu a chefia do Executivo, restando a Miguel da Rocha Lima fazê-lo.
Consoante a versão oficial, o afastamento de Jardim deu-se por razões de saúde. Nos termos da mensagem encaminhada por Miguel da Rocha Lima ao Congresso Estadual em 13/05/1923: "assumindo a 11 de novembro ultimo, na qualidade de 2º Vice-Presidente do Estado, o exercício do cargo de Presidente, que me foi transmitido pelo sr. coronel Eugenio Rodrigues Jardim, o qual, por doente, se viu forçado a afastar-se do Governo".
Segundo mandato de Senador da República e falecimento
Com a renúncia ao cargo de Presidente do Estado, em julho de 1923, por estar desincompatibilizado, Eugênio viabiliza sua candidatura a uma cadeira no Senado Federal para as eleições designadas para o dia 17/02/1924.
Com sua eleição reconhecida pela Comissão de Verificação de Poderes do Congresso Nacional, toma posse em abril de 1924.
Entre 1924 e 1926, desempenha seu papel de líder político com assento na Comissão Executiva do Partido Democrata, realizando a “ponte” dos interesses do Estado de Goiás com a esfera federal.
Fato decisivo para os rumos da política no Estado e a condução do governo de Brasil Caiado ocorre na noite de 25/07/1926: ao descer de um bonde na rua Marques Abrantes, no Rio de Janeiro, Eugênio é atropelado[51], vindo a falecer naquele mesmo instante[52].
A morte de Eugênio representava um sério comprometimento na estrutura política do Partido Democrata. Sem sombra de dúvidas, era o coronel a base de sustentação da agremiação no âmbito nacional. A sua ligação com importantes políticos em nível federal garantia o controle do poder pelos democratas. Chegada a notícia em Goiás, Hermenegildo Bessa, ao consolar a viúva Diva, profetizou: “Depois da morte de Eugênio, Goiás tornou-se um braseiro sob cinzas, assim que alguém der o primeiro sopro, irá tudo pelos ares”[53].
Após cortejo fúnebre pelas ruas da capital federal, o enterro foi realizado no dia 26 de julho, às 16 horas, no Cemitério São João Batista. Na mesma data, o Corpo de Bombeiros publicou uma nota de pesar sobre o falecimento a seguinte nota a respeito do coronel. O documento destacou a trajetória de Eugênio Rodrigues Jardim como Inspetor Geral e Comandante interino, cargo que deixou após sofrer um acidente em serviço que o impossibilitou de continuar na ativa, levando-o a pedir demissão do Exército para ser reformado no Corpo de Bombeiros. A instituição também lamentousua morte, ocorrida em decorrência de um acidnete de automóvel.
A passagem de Eugênio pelo Corpo de Bombeiros, de fato, ficou marcada, merecendo, inclusive, diversas homenagens póstumas, como a designação da praça em frente à unidade da corporação no bairro de Copacabana.
Os restos mortais de Eugênio foram transferidos para o Cemitério Público de São Miguel, na cidade de Goiás, em 1936.
(*) Notas biográficas e informações baseadas na obra: AMORIM, Victor Aguiar Jardim de. Pelo sangue: a genealogia do poder em Goiás. São Paulo: Editora Baraúna, 2015. Disponível em: https://drive.google.com/file/d/1GRpZoG21vecNWsFdc-f8vVpyJfjoZaLN/view
(**) Notas biográficas e informações baseadas em atualizada e profunda pesquisa historiográfica constante do artigo: AMORIM, Victor Aguiar Jardim de. De José a Eugênio: trajetória genealógica da tríade “Rodrigues Jardim” em Goiás. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, n. 35, 2024. ISSN: 2175-1269. Disponível em: https://drive.google.com/file/d/1sn7WMT-pWZt67fBGQERD47_6zf3eVuh0/view?usp=sharing
[1] Expressão reiteradamente utilizada em notas biográficas de militares. Significa "alistar-se" ou "ser incorporado" em força militar, mas sem qualquer patente.
[2] Conforme Ordem Regimental nº 180 do Presidente da Província de Goiás, datada de 13/05/1875.
[3] Conforme Ordem Regimental nº 186 do Presidente da Província de Goiás, datada de 12/06/1875.
[4] Por Decreto de 05/04/1940, Carlos Bittencourt foi consagrado como Patrono do Serviço de Intendência do Exército Brasileiro. Faleceu em 05/11/1897 ao livrar o então Presidente da República Prudente de Moraes de uma tentativa de atentado durante uma cerimônia de recepção aos veteranos da Guerra de Canudos.
[5] De acordo com o jornal "O Paiz", edição de 17/12/1887.
[6] Inclusive, da relação de composições de Anacleto Medeiros consta o “Dobrado Eugênio Jardim”, nº 189 do catálogo da “Casa Edson” de 1902, responsável pelas primeiras gravações musicais na capital federal (CAZES, Henrique. Choro: do Quintal ao Municipal. São Paulo: Editora 34, 1998).
[7] "Em 1896, vive o momento mais alto de sua carreira musical, quando convidado pelo tenente-coronel Eugênio Jardim, comandante interino do Corpo de Bombeiros, para criar uma banda de música nessa organização militar. Durante seus dez anos de comando (1896-1906), Anacleto de Medeiros arregimentou músicos famosos no cenário musical da época, contribuindo efetivamente para que a sonoridade ríspida e marcial das bandas de música ganhasse um colorido suave e fluente. Com composições musicais que transitavam do timbre levemente melancólico das valsas ao ritmo sensual e até jocoso das polcas amaxixadas, registrou o ambiente musical tipicamente carioca, entre fins dos Oitocentos e início dos Novecentos. À frente da BCBRJ gravou os discos pioneiros no Brasil" (SOUZA, David Pereira. As gravações históricas da Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro (1902-1927). Tese (Doutorado em Música) - Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, 2009, p. 18).
[8] Conforme noticia o jornal "O Paiz" (RJ), edição de 20/11/1893, a residência de Eugênio Jardim no Rio de Janeiro situava na casa de nº 12, na Praça da República.
[9] Conforme jornal "A Tribuna" (RJ), de 09/11/1890.
[10] "O Paiz" (RJ), edição de 01/05/1894.
[11] Trata-se de uma grande propriedade rural de Goiás. No começo do século XVIII pertenceu aos Fidalgos de Távora. Estes ocuparam terras entre a Serra Dourada e o Rio Uru. Na perseguição feita por Marquês de Pombal, contra as ordens religiosas e fidalgas, os Távora foram surpreendidos e assassinados em suas terras. Já pertencente à Diva Caiado, a fazenda, com 1.640 alqueires à época, foi posta à venda em 1939 (conforme jornal "Cidade de Goiaz", edição de 25/06/1939).
[12] De acordo com a Ordem do Dia nº 1.931, de 30/06/1885, do Ministério da Guerra, foi concedida à Eugênio Jardim 15 dias de licença "para tratar de negócios de seu interesse no Estado Oriental do Uruguai". Consoante as cartas de família do período, infere-se que tais “negócios particulares” se relacionavam à pecuária.
[13] Jornal “Estado de Goyaz”, edição de 07/08/1891.
[14] Filho de Virgínia Gomes Pinto e do Marechal Braz Abrantes (03/02/1841 - 27/05/1923), veterano da Guerra do Paraguai e Presidente do Estado de Goiás nos primórdios da República (19/02/1892 a 17/07/1892).
[15] A casa foi adquirida por Diva em 22/05/1908 dos antigos proprietários: Cassiano das Neves Baptista e sua mulher Leonor Malvina da Fonseca Baptista. À época, a estrutura do imóvel limitava-se à metade da área construída após 1909, data do casamento entre Diva Caiado e Eugênio Jardim, que passaram a residir no imóvel. Após a morte de Eugênio Jardim, Diva Caiado parte para o Rio de Janeiro. A casa fica fechada durante alguns anos, quando é alugada para servir como sede da primeira Casa Lotérica do Estado de Goiás. Local no qual, por indicação de Diva, Jaime Câmara (1909-1989), fundador das “Organizações Jaime Câmara”, iniciou sua vida profissional. Encerrado o contrato de locação, a casa novamente fica fechada, até que, no início da década de 1940, a filha de Diva, Maria do Rosário Jardim de Amorim, juntamente com o seu marido, Hélios de Amorim, voltam a habitar o imóvel e compram-no, definitivamente, em 1953.
[16] Natural de Goiás/GO, advogado e servidor do Ministério da Fazenda. Casou-se com Elza Seixo de Britto (19/05/1915 - 27/10/2008), filha de Amâncio Seixo de Britto e Maria Bárbara do Couto Brandão. Tiveram cinco filhos: João Alfredo, Eugênio, José Roberto, Maria Lúcia e Fernando.
[17] Natural de Goiás/GO, casou-se, em 09/01/1935, com Iberê Pires Ferreira 24/10/1901 - 03/12/1968), natural do Rio de Janeiro/RJ, Coronel do Exército e Engenheiro Civil, filho de Fileto Pires Ferreira (16/03/1866 - 11/08/1917), natural de Barras/PI, General de Brigada do Exército e Governador do Estado do Amazonas de 23/07/1896 a 04/04/1898, e de Maria Lucrécia Gomes de Souza (24/06/1876 - 01/07/1959). Tiveram uma filha: Diva.
[18] Natural de Goiás/GO, casou-se com Paulo Rocha Freire (18/12/1912 - 18/08/1976), natural de Guaxupé/MG, filho de Cristóvão Freire e de Mercedes Rocha Freire. Tiveram três filhos: Eduardo, Marcos e Lilian.
[19] Natural de Goiás/GO, desempenhou importantes funções na estrutura da Administração Federal, em especial no Ministério da Fazenda (Tesouro Nacional), Ministério das Comunicações (Correios e Telégrafos) e no Ministério dos Negócios da Viação e Obras Públicas. Casou-se com Luiz Augusto Teixeira Carvalho e Silva. Tiveram um filho: Aloízio.
[20] Natural do Rio de Janeiro/RJ, religiosa. Foi servidora do Ministério das Relações Exteriores. Integrante da Ordem das Missionárias de Jesus Crucificado, criada em Campinas/SP.
[21] Natural do Rio Janeiro/RJ, normalista, foi servidora do Instituto de Previdência e Assistência ao Servidores do Estado (IPASE). Casou-se com Rubem Guerra Pereira (13/04/1919 - 08/08/1991), natural de Niterói/RJ, bacharel em Direito, auditor fiscal e depois procurador do Tesouro Nacional no Rio de Janeiro. Tiveram dois filhos: Miriam e Marco Antônio.
[22] Natural de Goiás/GO, normalista. Conhecida como “Nica”, exerceu, com grande altivez, o papel de matriarca de uma família de seis filhos, dezenas de netos e bisnetos. Casou-se, em sua terra natal, em 07/10/1939, com Hélios de Amorim (03/05/1912 - 09/07/2015), natural de Pirenópolis/GO, filho de Argemiro Pompílio de Amorim (22/03/1881 - 15/10/1957) – filho do capitão Hilário Alves de Amorim (1828-1899) e de Belizária Veiga de Amorim (17/02/1839 – 30/03/1927) – e de Ludovina de Pina e Amorim (05/03/1890 - 21/02/1984) – filha de Sebastião Pompeu de Pina (16/09/1865 - 03/02/1927) e de Maria Cristina d’Abadia Mendonça de Pina). Hélios de Amorim bacharelou-se pela então Faculdade de Direito de Goyaz (1938), atuando como gerente da primeira concessionária de energia elétrica em Goiás, a empresa “Guedes, Ratto & Cia” de 1936 até 1952, quando esta foi vendida para o município de Goiás. Em 1956, passou a integrar o quadro de funcionários das Centrais Elétricas de Goiás S/A, exercendo o cargo de assistente de administração até se aposentar em 1983. Além da advocacia, exerceu o magistério no sistema estadual de ensino entre 1954 e 1981. Tiveram seis filhos: Vera Maria, Yvonise, Hélcio, Heloisa, Mauro e Diva Maria.
[23] Natural de Goiás/GO, militar, educador e pecuarista. Fez carreira do Exército, chegando ao posto de Coronel. Foi voluntário na Força Expedicionária Brasileira na 2ª Guerra Mundial (1939-1945), lutando na Itália como Comandante de Bateria de Artilharia. Herói nacional, recebeu várias condecorações, inclusive a Cruz de Combate, ainda no front. Entre as diversas funções exercidas, foi Comandante do Forte Duque de Caxias (Rio de Janeiro, RJ), professor na Academia Militar das Agulhas Negras - AMAN (Resende, RJ) e Diretor de Ensino do Colégio Militar de Belo Horizonte, além de exercer, após reformado, cargos civis no Ministério da Educação, dentre os quais o de Diretor-Geral do Departamento de Ensino Médio do Ministério da Educação e Cultura, durante a década de 1970. Casou-se com Anna Maria da Luz Lorena. Tiveram dois filhos: Torquato Jardim e Eugênio.
[24] Não obstante ter transferido residência para o Rio de Janeiro em fins da década de 1920, Diva Caiado, até seu falecimento, manteve, por intermédio de seu genro Hélios de Amorim, a quitação tempestiva das anuidades devidas à Irmandade dos Passos.
[25] De acordo com o jornal "A Cruz" (RJ), de 27/07/1930, Diva Caiado passou a integrar a confraria, na qualidade de "Dama Zeladora", a partir de reunião realizada em 21/07/1930.
[26] De acordo com o jornal "A Cruz" (RJ), de 26/11/1933, o nome de Diva constava na ata dos membros fundadores da entidade.
[27] Fato interessante e que demonstra a perspicácia empreendedora de Diva Caiado foi a autorização concedida pelo então Presidente da República, Getúlio Vargas, pelo Decreto nº 11.167, de 30/12/1942, para "pesquisar quartzo em terrenos de sua propriedade, situados na fazenda ‘Córrego Fundo’, no distrito de Piuinópolis, município de Goiaz do Estado de Goiaz, numa área de quarenta hectares (40 Ha)" (Diário Oficial da União, edição de 31/12/1942).
[28] MENDONÇA, Jales Guedes Coelho. A invenção de Goiânia: o outro lado da mudança. Goiânia: Editora Vieira, 2013, p. 86-88.
[29] BORGES, Humberto Crispim. Moisés Santana: vida e obra. Goiânia: Cerne, 1980, p. 144; 159-160.
[30] Propriedade de Sebastião Fleury Curado.
[31] Atualmente, Piracanjuba/GO.
[32] Acervo de Victor Amorim.
[33] A referida norma veio a ser revogada por disposição da Lei Estadual nº 570, de 21/07/1917.
[34] Cf. FREITAS, Lena Castello Branco Ferreira de. Poder e paixão: a saga dos Caiado, vol. 1. Goiânia: Cânone Editorial, 2009, p. 210-211.
[35] Diante das ações de Hermes da Fonseca objetivando minar seu poderio político, Leopoldo de Bulhões desabafou nas páginas do jornal “Goyaz” em 1909: “a luta não é pois entre partidos, mas do Governo da União contra um grupo de cidadãos por não lhe prestar apoio incondicional; e, nestas condições, tal é a disparidade de forças que não podemos aconselhar aos amigos e correligionários a resistência, que seria improfícuo, assim como não cometemos a fraqueza de lhes lembrar adesão, que nunca esteve nos moldes da nossa conduta política. Deixamo-lhes plena liberdade de ação”.
[36] MORAES, Maria Augusta Sant´anna. História de uma oligarquia: os Bulhões. Goiânia: Editora Oriente, 1974., p. 207.
[37] Ob. cit., p. 121.
[38] Conforme Lei Estadual nº 394, de 05/07/1911.
[39] Por Decreto datado de 18/11/1909, do então Presidente da República Nilo Peçanha, Eugênio foi nomeado para o cargo de Inspetor Agrícola do 11º Distrito. A posse na função ocorreu em 08/03/1910, na sede da Delegacia Fiscal do Tesouro em Goiás. A posse foi noticiada na edição nº 1.106 do jornal "Goyaz", de 12/03/1910: "o gosto que tem o cronel E. Jardim pela criação do gado vacum e cavallar, os seus conhecimentos da matéria auguram lodo o proveito no novo serviço, com que em boa hora o tino administrativo do illustre Sr. Dr. Presidente da República e seu illustre Ministro da Agricultura dotaram o nosso Estado".
[40] BORGES, ob. cit., p. 144; 159-160.
[41] Nesse sentido, ABRANCHES, Sérgio. Presidencialismo de coalizão: raízes e evolução do modelo político brasileiro. São Paulo: Companhia das Letras, 2018, p. 32-34.
[42] CAMPOS, ob. cit., p. 134.
[43] CAMPOS, ob. cit., p. 96.
[44] Acervo de Victor Amorim.
[45] Tal candidatura refere-se às eleições federais de 30/01/1912, às quais o Partido Democrata estaria concorrendo. Olegário Pinto foi indicado para a disputa a uma cadeira na Câmara dos Deputados.
[46] Ao contrário do que consta em diversas obras sobre a história de Goiás ou que se propõem a apresentar um perfil bibliográfico de Eugênio Jardim, o líder político exerceu sim o mandato senatorial referente à sua primeira eleição para o cargo. Sua posse no Senado Federal ocorreu em sessão realizada no dia 28/06/1915 (vide Anais do Senado Federal, 1915, p. 528). O jornal "A Noite" (edição de 28/06/1915) informou sobre os detalhes da posse: "o Sr. Eugenio Jardim chegou, ha dias, de Goyaz, e hoje se empossou da sua cadeira no Senado. Os seus amigos e correligionários quizeram dar ao acto um pouco de solemnidade e acompanharam o coronel até o Senado. Com S. Ex. compareceram à Camara Alta os Srs. Caiado e Ayres da Silva, deputados federaes, o Sr. Olegário Pinto, governador (?) do Estado, e outros. O Sr. Jardim depois da posse sentou-se ao lado dos Srs. Bulhões e Gonzaga Jayme. O Sr. Pinheiro [Machado], chegando depois, foi abraçando o novo senador. - Que é dos cigarros que você trouxe? - foi logo perguntando. O Sr. Jardim mostrou-lhe a bolsa cheia. O Sr. Pinheiro metteu-lhe os dedos e tirou quasi todos os cigarros do Sr. Jardim". Em 1919, Eugênio passa a compor a Comissão de Agricultura, Comércio, Indústria e Artes ("A Noite", edição de 08/05/1919). Em passagem curiosa, respondendo a uma pesquisa de opinião realizada pelo jornal "A Noite" (edição de 31/10/1919), Eugênio manifestou-se favorável ao divórcio. De vinte e quatro Senadores ouvidos, oito foram a favor e dezesseis contra. Em razão de sua eleição para o governo de Goiás, Eugênio renunciou ao mandato de Senador em 1921, tendo exercido a função por quase cinco anos. De acordo com o art. 31 da Constituição Federal de 1891, era de nove anos o tempo de mandato de Senador.
[47] O que foi viabilizado a partir da Lei Estadual nº 681/1921, sancionada por Eugênio.
[48] Conforme Lei Estadual nº 694, de 27/07/1921.
[49] Mensagem ao Congresso Legislativo do Estado de Goyaz, apresentada a 13 de Maio de 1922 pelo Presidente do Estado, Cel. Eugenio Rodrigues Jardim. Goyaz: Typografia do Correio Official, 1922, p. 7-12 e 23-25.
[50] Inicialmente, Eugênio Jardim apenas se licenciou do cargo. A renúncia somente veio a ser "aceita e autenticada" pela Mesa do Congresso Legislativo do Estado de Goiás em julho de 1923 (Ofício nº 048, de 01/08/1923, da Secretaria do Senado do Estado).
[51] Eugênio Jardim havia chegado no Rio de Janeiro poucos dias antes do acidente, hospedando-se, como de costume, no Grande Hotel. Na noite de 25/07/1926, embarcou em um bonde para visitar uma família de suas relações. Pegou o bonde nº 12 - Linha Ipanema. Ao descer no ponto na Rua Marques Abrantes, por volta de 19 horas, foi atropelado por um automóvel, em alta velocidade, vindo da Praia de Botafogo. O automóvel, de numeração 7.108, era conduzido pelo português João Vieira Teixeira, de 32 anos (jornal "O Imparcial", edição de 27/07/1926). Mesmo tendo fugido do local do acidente, sem socorrer a vítima, o motorista foi detido pela polícia e conduzido à Delegacia do 6º Distrito. No interrogatório, confessou o crime. Promovida a ação penal, o acusado foi incurso no art. 297 do Código Criminal da época (Decreto nº 847/1890), referente ao crime de homicídio culposo (de acordo com o jornal “Gazeta de Notícias” (RJ), edição de 19/12/1926). Assim, por ter sido pronunciado por crime culposo contra a vida (em 19/08/1926), João Teixeira não foi julgado pelo Tribunal do Júri (apenas para crimes dolosos), mas pelo Juízo da 2ª Vara Criminal da Comarca do Rio de Janeiro/RJ. Conforme o jornal "A Noite" (RJ), edição de 10/02/1927, "o Dr. Eurico Cruz, juiz da 2ª Vara Criminal, por sentença de hoje, condenou João Vieira Teixeira a dois meses de prisão por ter, em 25 de julho do ano passado, quando dirigia o automóvel número 7.108, pela rua Marques de Abrantes, atropelado e morto o senador Eugenio Jardim". Já, consoante o jornal "Gazeta de Notícias" (RJ), edição de 11/02/1927, "na mesma sentença foi decretada a suspensão da pena pelo prazo de 4 anos". Note-se, assim, até por se tratar de réu confesso, o inquérito não demandou maiores investigações e a ação penal correu sem intercorrências ou apontamentos de outros envolvidos, tanto que, após apenas sete meses de tramitação do processo criminal, João Teixeira foi condenado à pena mínima prevista no art. 297 do Código Criminal (2 meses), além de lhe ter sido concedida a suspensão da pena.
[52] De acordo com o jornal "A Noite" (RJ), edição de 26/07/1926, na residência do Deputado Federal João Alves de Castro, na Rua das Laranjeiras, nº 62, foi feita a perícia por parte do médico Rodrigues Cáo, "que atestou como causa mortis fratura da base do crânio". Daí a conclusão de que a morte foi praticamente imediata após a colisão com o automóvel.
[53] Segundo Diva Caiado Jardim (1915-2016) em entrevista concedida a Victor Amorim, em 2008, no Rio de Janeiro/RJ.
Referências
- ↑ «JARDIM, Eugênio» (PDF). CPDOC. Consultado em 1 de março de 2021
Ligações externas
- Mensagem apresentada ao Congresso do estado de Goiás, na abertura da 2ª sessão ordinária da 9ª legislatura, a 13 de maio de 1922, pelo presidente Eugênio Rodrigues Jardim (sem folha de rosto)
- AMORIM, Victor Aguiar Jardim de. Pelo sangue: a genealogia do poder em Goiás. São Paulo: Editora Baraúna, 2015
- AMORIM, Victor Aguiar Jardim de. De José a Eugênio: trajetória genealógica da tríade “Rodrigues Jardim” em Goiás. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, n. 35, 2024. ISSN: 2175-1269
| Precedido por João Alves de Castro |
Governador de Goiás 1921 — 1923 |
Sucedido por Miguel da Rocha Lima |


