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Etelredo I de Wessex
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| Etelredo I | |||||
|---|---|---|---|---|---|
| Rei de Wessex | |||||
| Reinado | 865 a abril de 871 | ||||
| Predecessor | Etelberto | ||||
| Sucessor | Alfredo | ||||
| Dados pessoais | |||||
| Nascimento | 845/848 | ||||
| Morte | abril de 871 (23–26 anos) | ||||
| Sepultamento | Wimborne Minster, Dorset | ||||
| Esposa | Vulfrida | ||||
| |||||
| Casa | Wessex | ||||
| Pai | Etelvulfo de Wessex | ||||
| Mãe | Osburga | ||||
Etelredo I (em inglês: Æthelred; em inglês antigo: Æþelræd; 845/848 – abril de 871) foi o Rei de Wessex de 865 até sua morte. Era o quarto filho do rei Etelvulfo com sua primeira esposa Osburga e sucedeu seu irmão Etelberto no trono, sendo por sua vez sucedido por seu irmão Alfredo. Etelredo tinha dois filhos quando morreu, Etelhelmo e Etelvoldo, porém foram ignorados na sucessão por ainda serem crianças na época. Etelvoldo posteriormente disputou a sucessão de Alfredo com o filho deste, Eduardo.
A ascensão de Etelreldo coincidiu com a chegada do Grande Exército Pagão, com os vikings conquistando a Nortúmbria e a Ânglia Oriental nos cinco anos seguintes, lançando no final de 870 um grande ataque contra Wessex. Etelredo foi derrotado em janeiro de 871 na Batalha de Reading e quatro dias depois conquistou uma vitória Batalha de Ashdown, porém esta foi seguida por outras duas derrotas nas Batalhas de Basing e Meretun. Etelredo morreu pouco depois da Páscoa em abril. Alfredo foi forçado a pagar para os vikings irem embora, porém conseguiu uma vitória decisiva contra eles sete anos depois na Batalha de Ethandun.
O reinado de Etelredo foi importante na história da cunhagem anglo-saxã. Wessex e Mércia eram aliados próximos quando ele se tornou rei, com essa aliança sendo reforçada pela adoção do desenho Lunette merciano nas moedas saxãs ocidentais, criando desta forma pela primeira vez um desenho unificado da cunhagem no sul da Inglaterra. Esse desenho em comum previu a unificação inglesa que ocorreria nos sessenta anos seguintes e a reforma de cunhagem promovida pelo rei Edgar um século depois.
Antecedentes
Egberto, o avô de Etelredo, se tornou Rei de Wessex em 802. Segundo o historiador Richard Abels, provavelmente pareceu improvável para contemporâneos que Egberto conseguiria estabelecer uma dinastia duradoura. Três famílias disputavam o trono de Wessex há duzentos anos, com nenhum filho sucedendo seu pai. Nenhum ancestral de Egberto fora rei desde Ceaulino no final do século VI, mas acredita-se que ele era um descendente pela linhagem paterna de Cerdico, o fundador da Casa de Wessex.[nota 1] Isto fazia de Egberto um atelingo, um príncipe elegível ao trono. Entretanto, após seu reinado, ser descendente de Cerdico não era mais suficiente para fazer de um homem um atelingo. Egberto morreu em 839 e foi sucedido por seu filho Etelvulfo, com todos os reis posteriores de Wessex sendo tanto descendentes de Egberto quanto filhos de reis.[3]

O que hoje é a Inglaterra estava no início do século IX quase sob controle total de anglo-saxões. O Reino de Mércia dominava boa parte da região sul, mas sua supremacia terminou em 825 quando foi derrotado decisivamente por Egberto na Batalha de Ellendun.[4] Os dois reinos depois disso tornaram-se aliados, o que foi importante para a resistência aos ataques de vikings.[5] O rei Burgredo de Mércia pediu em 853 ajuda de Wessex para subjugar uma revolta galesa, com Etelvulfo liderando um contingente em uma campanha bem sucedida. Burgredo nesse mesmo ano se casou com Etelsvita, a filha de Etelvulfo.[6]
Egberto tinha enviado Etelvulfo em 825 para invadir Kent, um sub-reino de Mércia, com o rei Baldredo de Kent sendo deposto pouco depois. Os reinos de Essex, Surrey e Sussex tinham todos se submetido a Egberto até 830, com ele nomeando Etelvulfo para governar os territórios do sudeste como o Rei de Kent.[7] Os vikings devastaram a Ilha de Sheppey em 835 e no ano seguinte derrotaram Egberto em Carhampton,[8] mas uma aliança de vikings e córnicos foram derrotados pelo rei em 838 na Batalha de Hingston Down, reduzindo a Cornualha a um estado cliente.[9] Etelvulfo, ao se tornar rei, nomeou seu filho mais velho Etelstano como sub-rei de Kent.[10] A intenção de Egberto e Etelvulfo talvez não tivesse sido uma união permanente entre Wessex e Kent, pois ambos nomearam filhos como sub-reis e cartas régias em Wessex foram testemunhadas por magnatas saxões ocidentais, enquanto cartas régias de Kent foram testemunhadas pela elite de Kent. Os dois reis mantiveram o controle geral, enquanto os sub-reis não tinham permissão para emitir suas próprias moedas.[11]
Ataques vikings aumentaram no decorrer da década de 840 nos dois lados do Canal da Mancha, com Etelvulfo sendo derrotado em 843 em Carhampton.[10] Etelstano derrotou uma frota dinamarquesa em 850 perto de Sandwich na primeira batalha naval registrada na história inglesa.[12] Etelvulfo e seu segundo filho Etelbaldo derrotaram os vikings no ano seguinte na Batalha de Aclea e, segundo a Crônica Anglo-Saxônica, "ali promoveram a maior matança de um exército invasor pagão de que se tem notícia até os dias de hoje, e ali alcançaram a vitória".[13] Etelvulfo morreu em 858 e foi sucedido em Wessex por Etelbaldo, seu filho mais velho vivo, enquanto Etelberto, seu filho seguinte, se tornou o novo Rei de Kent. Etelbaldo reinou por apenas dois anos e foi sucedido por Etelberto, que pela primeira vez uniu Wessex e Kent em um único reino.[14]
Início de vida

Etelredo era o quarto de cinco filhos homens de Etelvulfo. Sua mãe era Osburga e esta tinha descendência real saxã ocidental. Segundo o historiador Sean Miller, Etelredo era provavelmente um ano mais velho do que Alfredo, seu irmão mais novo, que nasceu por volta de 848 e 849,[15] porém Richard Abels afirma que Etelredo tinha aproximadamente oito anos em 853, o que significaria que ele nasceu por volta de 845.[16] O Manuscrito A da Crônica Anglo-Saxônica foi escrito na década de 890 e afirma que Alfredo foi enviado em 853 por seu pai até Roma e foi consagrado pelo papa como rei. Historiadores não acreditam que ele foi consagrado rei tão jovem e a verdadeira natureza da cerimônia está explicada em um trecho de uma carta do papa Leão IV para Etelvulfo, em que ele fala que Alfredo foi condecorado "como um filho espiritual, com a dignidade do cinto e vestimentas do consulado, como é costume com cônsules romanos". A contemporânea Liber Vitae de San Salvatore, em Bréscia, indica que os dois irmãos foram para Roma. É provável que Etelredo também tenha sido consagrado pelo papa, porém a cerimônia foi posteriormente considerada como prenúncio da grandiosidade de Alfredo, com nem o crônico nem o extrator das cartas do papa estando interessados em registrar a presença de seu irmão mais velho e mais desconhecido.[17]
Etelredo primeiro testemunhou uma das cartas régias de seu pai em 854 como filius regis (filho do rei), continuando a prestar testemunho com esse título até ascender ao trono em 865. É possível que tenha atuado como sub-rei, pois em 862 e 863 emitiu suas próprias cartas como Rei dos Saxões Ocidentais. Isto provavelmente ocorreu enquanto agia como representante ou na ausência de Etelberto, pois não há registro de conflito entre os dois e Etelredo continuou a testemunhar como filho do rei em 864.[18][nota 2]
Reinado
Governo civil

Etelredo ascendeu ao trono em 865 após a morte de Etelberto, casando-se com Vulfrida em uma data desconhecida. As esposas de reis de Wessex tinham baixa posição social no século IX e pouquíssimo se sabe sobre elas. Geralmente não recebiam o título de regina (rainha), uma omissão que Alfredo posteriormente justificou baseado no mau comportamento de uma rainha não nomeada no início do século IX. O nome da esposa de Etelredo é conhecido porque ela foi registrada como testemunha na carta régia S 340 de 868, em que aparece como Vulfrida regina, sugerindo que ela tinha uma posição mais elevada do que as esposas de outros reis da época. A única outra esposa de um rei do século IX que sabe-se que recebeu o título de rainha foi Judite de Flandres, segunda esposa de Etelvulfo e que também era uma bisneta do imperador Carlos Magno. Etelredo e Vulfrida tiveram dois filhos, Etelhelmo e Etelvoldo.[23][nota 3] É possível que Vulfrida tenha sido merciana[26] ou mesmo uma filha de Vulfhere, Ealdormano de Wiltshire, que abriu mão de suas terras depois de ser acusado de deserdar Alfredo em favor dos dinamarqueses em 878, talvez porque tentou garantir apoio viking para a reinvindicação ao trono de seu neto Etelhelmo contra a sucessão de Alfredo.[27]
Alfredo registrou no preambulo de seu testamento que Etelvulfo tinha deixado propriedades conjuntas para três de seus filhos, Etelbaldo, Etelredo e Alfredo, com a condição de que o irmão mais longevo herdasse tudo. Etelredo e Alfredo ainda eram muito jovens quando Etelbaldo morreu em 860, assim ambos concordaram em confiar sua parte para Etelberto, o novo rei, com a promessa de que ele a devolveria intacta. Alfredo, depois da ascensão de Etelredo, pediu durante uma witan (assembleia de notáveis) por sua parte da propriedade. Entretanto, Etelredo afirmou que tinha tentado dividi-la muitas vezes e achado muito difícil, decidindo assim deixá-la inteira para Alfredo ao morrer. Alguns historiadores enxergaram essa herança como incluindo todas as propriedades pessoais de Etelvulfo que ele poderia deixar no seu testamento (diferentemente das terras comuns passadas de acordo com o direito consuetudinário e propriedades marcadas para sustentar a coroa); também foi argumentado que era considerado desejável que essas propriedades pessoais fossem mantidas pelo rei, então a provisão de Etelvulfo implicava que o trono passaria para os irmãos em sequência.[28] Entretanto, outros historiadores consideram que a herança não tinha relação com o trono,[10] com Alfred Smyth dizendo que a herança era uma fonte de renda para seus filhos mais novos quando se tornassem adultos, com Etelbaldo sendo o administrador e o beneficiário residual caso morressem jovens.[29] Os apoiadores dos filhos de Etelredo reclamaram após a ascensão de Alfredo de que ele deveria compartilhar a propriedade com as duas crianças, com Alfredo fazendo com que o testamento de seu pai fosse lido em um witan para provar seu direito à propriedade inteira.[30] Alfredo raramente testemunhou as cartas régias de Etelredo, com isto mais a discussão sobre o testamento de seu pai sugerindo que os dois não tinham um bom relacionamento. A historiadora Pauline Stafford sugeriu que Etelredo escolheu destacar a posição de Vulfrida como rainha em uma das cartas régias a fim de reforçar a reivindicação de seus filhos ao trono.[31]
Etelredo emitiu uma carta régia em 868 testemunhada por um atelingo merciano, também testemunhando ele mesmo uma carta de sua irmã Etelsvita como Rainha de Mércia.[32] Ele usou vários títulos diferentes em suas cartas. Foi chamado pelo título normal de seu pai, Rex Occidentalium Saxonum (Rei dos Saxões Ocidentais), na carta que testemunhou para Etelsvita e em outras cinco suas. Foi chamado em duas de "Rei dos Saxões Ocidentais e dos Homens de Kent", de "Rei" em uma e de "Rei dos Saxões" em outra.[22][nota 4] As cartas de Wessex de Etelredo e seus irmãos seguem um estilo uniforme, sugerindo que foram produzidas por uma única agência que operou por vários anos.[34]
Invasões vikings

O estilo dos ataques vikings mudou decisivamente no mesmo ano que Etelredo ascendeu ao trono. O país anteriormente sofria com ataques esporádicos, mas agora passou a enfrentar uma invasão que tinha como objetivo conquista e assentamento. Uma grande força viking, chamada por contemporâneos de Grande Exército Pagão, chegou na Ânglia Oriental. O rei Edmundo comprou a paz ao pagar um tributo e os vkings ficaram um ano aumentando suas forças. Eles então marcharam para Iorque e conquistaram a Nortúmbria, colocando no trono um rei fantoche. Eles tomaram Nottingham em Mércia no final de 867 e passaram o inverno no local. Burgredo, o cunhado de Etelredo, pediu ajuda. Etelredo e Alfredo então lideraram um grande exército até Nottingham e cercaram os vikings, porém estes não deixaram a segurança das defesas da cidade. O combinado exército merciano e saxão ocidental não conseguiu romper as muralhas de terra e o fosso, com Burgredo por fim pagando para que fossem embora. Os vikings então voltaram para Iorque.[35][nota 5]
Os vikings voltaram para a Ânglia Oriental em 869 e conquistaram o reino, matando Edmundo. Eles lançaram em dezembro de 870 uma tentativa de conquistar Wessex liderados pelos reis Bagsecg e Haldano, ocupando Reading por volta de 28 de dezembro. A cidade fica entre os rios Tâmisa e Kennet, com os vikings construindo um fosso e uma muralha de terra no lado sul, entre os dois rios. Um grande grupo de busca foi enviado três dias depois de sua chegada, mas foi derrotado na Batalha de Englefield por um exército de recrutas locais sob o comando de Etelvulfo, o Earldomano de Berkshire. Outros quatro dias depois, por volta de 4 de janeiro de 871, Etelredo e Alfredo apareceram com o principal exército saxão ocidental e juntaram forças com Etelvulfo em um ataque, resultando na Batalha de Reading. Os saxões ocidentais massacraram todos os dinamarqueses que encontraram fora da cidade, mas ao chegarem nos portões os vikings saíram e os derrotaram com um contra ataque. Dentre os mortos estava Etelvulfo, cujo corpo foi secretamente levado para ser enterrado em Derby, sua terra natal.[37] Segundo o crônico Godofredo Gaimar do século XII, Etelredo e Alfredo só conseguiram escapar por conhecerem melhor o terreno local, o que permitiu que despistassem seus perseguidores no rio Loddon em Twyford e fossem para Whistley Green, aproximadamente dez quilômetros ao leste de Reading.[38]
Quatro dias depois, por volta de 8 de janeiro, os dois exército se encontraram de novo na Batalha de Ashdown. A localização da batalha é desconhecida, porém possivelmente foi em Kingstanding Hill, 21 quilômetros ao noroeste de Reading. Segundo o relato de João Asser, os vikings chegaram ao campo de batalha primeiro e se colocaram no alto de uma crista, ficando em vantagem. Eles dividiram suas forças em dois contingentes, um no comando de seus dois reis e o outro sob o comando de seus condes. Os saxões ocidentais decidiram copiar a formação, com Etelredo de frente para os reis e Alfredo de frente para os condes. Etelredo então foi para sua tenda para uma missa, com Alfredo liderando suas forças para a batalha. Os dois lados organizaram suas forças em paredes de escudos. Etelredo não encurtou suas devoções[nota 6] e Alfredo estava em risco de ser cercado pelos flancos e subjugado por todo o exército viking. Ele decidiu atacar e liderou seus homens. A batalha então ocorreu ao redor de uma árvore espinhosa e os saxões ocidentais saíram-se vitoriosos. Asser enfatizou o papel de Alfredo na vitória e deixou implícito que Etelredo foi dilatório, porém o historiador militar John Peddie achou que Etelredo estava certo em adiar sua entrada na batalha até a situação estar mais favorável. Os vikings sofreram grandes perdas, incluindo Bagsecg e cinco condes: Sidroco, o Velho; Sidroco, o Jovem; Osberno, Frena e Haroldo. Os saxões ocidentais perseguiram os vikings em fuga até o cair da noite, dizimando-os.[40] A historiadora Barbara Yorke, que considera a biografia de Alfredo escrita por Asser como algo que tinha a intenção de retratá-lo como um rei ideal, comentou que "Asser é particularmente cuidadoso em dar muito crédito para Alfredo".[41]
Entretanto, a vitória foi curta. Etelredo e Alfredo foram derrotados duas semanas depois na Batalha de Basing, travada na propriedade real de Basing. Houve então uma calmaria de dois meses até os saxões ocidentais e vikings se encontrarem em um local desconhecido chamado Meretun. Nesta batalha, travada em 22 de março, os vikings novamente se dividiram em duas divisões e os saxões ocidentais mantiveram a vantagem por boa parte do dia, fazendo as duas divisões fugirem, porém os vikings se reagruparam e conseguiram assumir o controle do campo de batalha. Os saxões ocidentais perderam muitos homens importantes, incluindo Heahmund, o Bispo de Sherborne.[42][nota 7]
Cunhagem
O único valor nominal de moeda produzido no sul da Inglaterra entre o final do século VIII e o século IX era o pêni de prata.[44] Cento e cinquenta e duas moedas de Etelredo cunhadas por 32 moedeiros diferentes tinham sido registradas até 2007.[nota 8] Seu reinado foi descrito pelos numismatas Adrian Lyons e William Mackay como "um ponto crítico no desenvolvimento da cunhagem inglesa". Sua primeira cunhagem Quatro Linhas era estilisticamente similar ao pêni Cruz Florida de Etelberto, mas ele logo adotou o desenho de seu cunhado Burgredo de Mércia, resultando pela primeira vez em um desenho de cunhagem em comum para o sul da Inglaterra.[46] O historiador e numismasta Rory Naismith comentou que Etelredo:
| “ | deu o passo importante de adotar um novo tipo de moeda não baseado na tradição local, mas no tipo Lunettes corrente na Mércia contemporânea. Desta forma, o ano de 865 viu não apenas a chegada do grande exército viking que desmontaria a maioria dos reinos anglo-saxões, mas também o começo do fim para cunhagens separadas em reinos separados.[47] | ” |
Lyons e Mackay consideraram as mudanças ainda mais importantes:
| “ | Os desenvolvimentos no final dos anos 860 podem assim ser vistos como precursores essenciais que acabaram levando à cunhagem reformada unificada de Edgar.[nota 9] Esta convergência da cunhagem também é uma evidência tangível de uma colaboração cada vez maior entre Mércia e Wessex que prenunciou a futura criação de uma Inglaterra unificada.[49] | ” |
O desenho de cunhagem único criou uma forma de união monetária no sul da Inglaterra, reforçando a convergência de interesses econômicos entre os dois reinos e a aliança militar contra os vikings. Tesouros de moedas em Wessex do período dos desenhos separados possuem poucas moedas de fora de Wessex, mas moedas de Wessex e Mércia foram usadas nos dois reinos após a adoção do desenho em comum, e mesmo em Wessex moedas de Etelredo em tesouros formam uma pequena proporção do total. Entre um e um milhão e meio de moedas Lunette Regulares de Etelredo foram produzidas, mas isto foi muito menos do que em Mércia. Não se sabe porque o desenho merciano foi adotado, mas provavelmente reflete o fato de que o desenho Lunette já estava sendo usado há mais de doze anos, por ser simples e assim facilmente copiado e ter maior força na economia de Mércia.[50] A maior parte das moedas sobreviventes de Etelredo são do tipo Lunette Regular, com 118 cunhadas por 21 moedeiros, seis dos quais sabe-se que também trabalhavam para Burgredo; essas moedas são notáveis pela consistência de seu desenho e boa qualidade da execução, tendo sido produzidas principalmente por moedeiros da Cantuária e alguns na cidade merciana de Londres.[51] Conhece-se apenas uma única moeda produzida na própria Wessex.[52] Também há Lunettes Irregulares, uma das quais era uma variante degradada e rudimentar, talvez o resultado de uma falha nos controles no final do reinado de Etelredo, quando Wessex estava sob ataques vikings.[53] Alfredo manteve o desenho Lunette por um curto período depois de ascender ao trono, mas esse desenho desaparece de tesouros depositados após aproximadamente 875.[54]
Morte e consequências
Etelredo morreu pouco depois da Páscoa de 871, que neste ano caiu no dia 15 de abril. Segundo Asser, ele "seguiu o caminho de toda carne, tendo governado o reino com vigor e honra, e com boa reputação, em meio a muitas dificuldades, durante cinco anos".[55] Ele foi enterrado na igreja real de Wimborne em Dorset, que tinha sido fundada por Santa Cuteburga, irmã de Ingildo, um de seus antepassados.[56] Os saxões ocidentais foram derrotados novamente pelos vikings em Reading enquanto Alfredo estava compareceu ao funeral do irmão, com o próprio Alfredo derrotando-os pouco depois em Wilton. Ele foi forçado a pagar os vikings, que depois disso recuaram para Londres.[57] Os vikings retornaram em 876 e Alfredo travou uma guerrilha contra eles até finalmente conseguir uma vitória decisiva em 878 na Batalha de Edington.[58]
Etelredo tinha dois filhos e caso tivesse vivido o suficiente para ambos alcançarem a maioridade é improvável que Alfredo teria se tornado rei, porém Alfredo foi escolhido como seu sucessor porque os dois na época ainda eram crianças.[59] Etelhelmo morreu antes de Alfredo, enquanto Etelvoldo disputou o trono sem sucesso com Eduardo, o Velho depois da morte de Alfredo em 899.[60] Um dos lugares de onde Etelvoldo lançou sua revolta foi Wimborne, que era simbolicamente importante por ser o local de sepultamento do seu pai.[61] Os descendentes de Etelredo desempenharam um papel importante no governo da Inglaterra no final do século X e início do século XI.[62] Eles incluem o earldormano Etelvardo, que registrou em sua versão em latim da Crônica Anglo-Saxônica que era o tataraneto de Etelredo. O rei Eduíno foi forçado a aceitar o anulamento de seu casamento com Elgiva por consanguinidade; ela talvez tenha sido irmã de Etelvardo, o que lhe faria uma prima de terceiro grau uma vez removida de Eduíno e uma descendente de Etelredo, desta forma dentro dos graus de proibição segundo a igreja.[63] Etelvardo e seu filho Etelmar eram proeminentes magnatas que governaram o oeste de Wessex como earldormanos das províncias ocidentais. A família perdeu todas as suas posições e propriedades depois de Canuto conquistar a Inglaterra em 1016, com um dos filhos de Etelmar tendo sido executado por Canuto no ano seguinte, enquanto um cunhado foi banido em 1020.[64] Outro filho, Etelnodo, foi Arcebispo da Cantuária e viveu até 1038.[65]
Notas
- ↑ Historiadores já levantaram a hipótese de que essa genealogia que conecta Egberto com Cerdico foi uma fabricação para legitimar sua tomada do trono,[1] assim como questionam se Cerdico foi uma pessoa real ou sua história uma espécie de "mito de fundação".[2]
- ↑ A primeira carta régia que Etelredo testemunhou foi a S 308 em 854.[19] Ele emitiu as cartas S 335 em 862 e S 336 em 863 como Rei dos Saxões Ocidentais. Ele testemunhou a S 333, emitida por Etelberto, em 864 como filius regis. O historiador Simon Keynes defende a autenticidade da S 335 e S 336.[20]
- ↑ Talvez Etelredo tenha tido um terceiro filho, Osvaldo, que testemunhou duas cartas régias em 868 como filius regis, mais outra durante o reinado de Alfredo em 875 com o mesmo título. O historiador David Dumville sugeriu que ele talvez tenha sido filho de Etelredo.[24] Entretanto, Janet Nelson discorda porque apenas Etelhelmo e Etelvoldo são mencionados no prólogo do testamento de Alfredo, em que este descreve disputas pouco depois de sua ascensão pelo tratamento que deu aos filhos de Etelredo.[25]
- ↑ Alfred Smyth traduziu os títulos de Etelredo como "Rei de Wessex" e "Rei de Wessex e Kent", porém as traduções usadas aqui seguem as traduções mais comuns e literais de "Saxões Ocidentais" e "Homens de Kent".[33]
- ↑ Os vikings conquistaram Mércia em 874 e exilaram Burgredo e Etelsvita.[36]
- ↑ Segundo Asser: "Alfredo e seus homens alcançaram o campo de batalha mais cedo e em melhor ordem: por seu irmão, rei Etelredo, ainda estava em sua tenda em oração, ouvindo a Missa e declarando firmemente que ele não deixaria aquele lugar vivo antes do padre terminar a Missa, e que ele não abandonaria o serviço divino pelo serviço aos homens; e ele fez o que disse. A fé de um rei Cristão contou muito com o Senhor, como será demonstrado mais claramente a seguir".[39]
- ↑ A morte de Heahmund na batalha data toda essa sequência de eventos, pois sabe-se que ele morreu em 22 de março de 871. A Crônica Anglo-Saxônica registra que a Batalha de Basing foi dois meses antes de Meretun, datando-a para 22 de janeiro. Ashdown foi catorze dias antes dessa em 8 de janeiro, Reading quatro dias antes em 4 de janeiro, Englefield mais quatro dias antes em 31 de dezembro de 870 e a chegada dos vikings em Reading três dias antes em 28 de dezembro. Entretanto, como o intervalo de dois meses entre Meretun e Basing provavelmente não é exato, as datas anteriores são aproximações.[43]
- ↑ Há também dez moedas de Ceolnoth, o Arcebispo da Cantuária até 870.[45]
- ↑ A reforma radical da cunhagem promovida pelo rei Edgar na década de 970 anunciou um sistema monetário que era o mais sofisticado da Europa. Ele durou 150 anos.[48]
Referências
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Ligações externas
Media relacionados com Etelredo I de Wessex no Wikimedia Commons
| Etelredo I de Wessex Casa de Wessex 845/848 – abril de 871 | ||
|---|---|---|
| Precedido por Etelberto |
Rei de Wessex 865 – abril de 871 |
Sucedido por Alfredo |
